Economia
Economia de Mato Grosso cresce acima da média nacional e consolida ciclo virtuoso puxado pelo agronegócio, avalia Vivaldo Lopes
ECONOMIA
A economia de Mato Grosso vive um momento de forte expansão e deve repetir, em 2025, um desempenho muito acima da média nacional.
A avaliação é do economista e colunista Vivaldo Lopes, que participou de um bate-papo especial com o portal MomentoMT sobre o cenário econômico estadual e nacional.
Segundo ele, mesmo após uma desaceleração pontual em 2024, o Estado voltou a engrenar um ciclo consistente de crescimento, sustentado principalmente pelo agronegócio e pela industrialização da produção agrícola.
“Mato Grosso cresceu 12,9% em 2023, enquanto o Brasil cresceu 3,4%. Crescemos quase quatro vezes mais que a economia nacional”, destacou. Para 2025, as projeções preliminares indicam que o Produto Interno Bruto (PIB) estadual deve avançar entre 9,5% e 12,5%, enquanto o Brasil deve crescer cerca de 2,5%.
De acordo com Vivaldo, o principal motor desse crescimento segue sendo a agropecuária, especialmente a produção de grãos. Um dos destaques é a consolidação do etanol de milho como vetor estruturante da economia mato-grossense.
“Em 2015, Mato Grosso tinha apenas duas fábricas de etanol de milho. Hoje são 15 em operação e outras seis em implantação”, afirmou. O avanço industrial refletiu diretamente na produção agrícola: o Estado saltou de 12 milhões de toneladas de milho para cerca de 52 milhões de toneladas em uma década, incorporando um volume comparável ao de grandes produtores nacionais.
Além do combustível, a cadeia do etanol gera subprodutos estratégicos, como o DDG, utilizado na alimentação animal, especialmente no confinamento bovino, e o óleo de milho. “É um círculo virtuoso: estimula a produção agrícola, a indústria, o comércio, os serviços e o emprego”, explicou.
Ao analisar o cenário nacional, Vivaldo avaliou que, apesar das dificuldades fiscais e da inflação ainda pressionada, a economia brasileira atravessa um período relativamente positivo. “Há muito tempo o Brasil não passava quatro ou cinco anos seguidos crescendo acima de 3%”, observou, citando a sequência de crescimento desde 2022.
No entanto, ele alertou para o impacto da política monetária restritiva. Com a taxa Selic elevada, o crédito segue caro e limita investimentos e consumo. “Uma taxa básica de 15% inibe a atividade econômica. O crédito médio chega a 26% ou até 46% ao ano para o consumidor”, disse, acrescentando que há expectativa de redução gradual dos juros a partir do próximo ano.
Outro dado destacado na entrevista foi o mercado de trabalho. Segundo o IBGE, a taxa de desemprego em Mato Grosso está em 2,3%, patamar considerado de pleno emprego. “Quando a economia chega a 4% de desemprego, já se fala em pleno emprego. Mato Grosso está abaixo disso”, pontuou.
Mesmo com renda em alta e desemprego baixo, o economista recomenda prudência às famílias. “O ideal é ter cautela, fazer reservas e evitar o endividamento. O crédito está muito caro, especialmente no cartão de crédito e no cheque especial”, alertou.
Vivaldo chamou atenção para os riscos do crédito rotativo, que pode ultrapassar 450% ao ano, e explicou a lógica do parcelamento no varejo. “Quando a loja parcela em 10 ou 12 vezes ‘sem juros’, o custo financeiro já está embutido no preço. Quem recebe à vista é a loja; quem cobra os juros é o cartão.”
Com uma trajetória que inclui atuação como professor universitário, secretário de Fazenda e consultor da Fundação Getúlio Vargas, Vivaldo Lopes reforçou o papel da informação econômica de qualidade. “É dever de ofício estudar e acompanhar diariamente a economia do Brasil e de Mato Grosso. Compartilhar esse conhecimento é essencial para que as pessoas tomem decisões mais conscientes.”
O bate-papo reforça a leitura de que Mato Grosso segue como um dos principais protagonistas da economia brasileira, sustentado por produtividade, diversificação industrial e forte integração entre campo, indústria e serviços — um desempenho que, segundo o economista, tende a se manter nos próximos anos.
ECONOMIA
Conselho eleva de 30% para 32% teor de etanol na gasolina por 180 dias
O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou, nesta terça-feira (14), o aumento temporário de 30% para 32% no teor obrigatório de etanol anidro misturado à gasolina. Válida por 180 dias, com possibilidade de prorrogação, a medida visa a reduzir a dependência brasileira de combustíveis fósseis importados.

Segundo o Ministério de Minas e Energia, a resolução do colegiado permitirá que o Brasil deixe de importar 900 milhões de litros de gasolina por ano e leva em conta a instabilidade do mercado internacional de petróleo e combustíveis, “marcado pela volatilidade no abastecimento global”.
“Nesse contexto, a utilização de uma maior parcela de etanol produzido no país busca reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados e possibilitar a maior presença desse biocombustível na matriz energética brasileira”, destacou a pasta em nota.
Estudos
De acordo com o Ministério de Minas e Energia, a decisão foi respaldada por testes técnicos feitos pelo Instituto Mauá de Tecnologia, que mostraram a viabilidade da mistura em veículos leves e motocicletas, sem comprometer o desempenho ou o consumo, mesmo em motores não flex.
Enquanto a nova mistura (E32) entra em vigor, o governo prossegue com avaliações para verificar os efeitos de teores ainda mais elevados, como o E35, ou seja, 35% de etanol anidro misturado à gasolina, com foco na “durabilidade dos componentes automotivos e dos efeitos da utilização do combustível em longo prazo”.
Fornecimento
Ainda com foco na regulação estratégica do mercado de combustíveis, o CNPE aprovou outra resolução que atualiza as diretrizes sobre o fornecimento de biodiesel destinado a atender à mistura obrigatória ao óleo diesel B.
Na prática, a medida impõe barreira à importação do produto, embora se aplique exclusivamente à mistura obrigatória ao diesel B. “A comercialização de biodiesel importado permanece permitida para os demais segmentos previstos na regulamentação vigente”, explicou o ministério, em nota.
Pela nova norma, que ainda será publicada, o biodiesel para a mistura ao óleo diesel B deverá ser produzido exclusivamente por unidades autorizadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
De acordo com o ministério, a decisão foi aprovada com base em estudos técnicos que avaliaram os impactos da importação de biodiesel e que indicaram que a capacidade instalada é suficiente para atender à demanda obrigatória, sem risco de desabastecimento.
Fraudes
O CNPE também aprovou, na reunião desta manhã, novas diretrizes para intensificar o combate a fraudes e a adulterações de combustíveis. A nova resolução do conselho, que ainda será publicada, reconhece como de interesse da Política Energética Nacional as ações fiscalizatórias da ANP com foco na proteção dos consumidores, preservação da concorrência e segurança do abastecimento.
A norma incentiva a atuação coordenada entre instituições como Ministérios Públicos, Procons, polícias, órgãos fazendários e o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).
A resolução também prevê a atualização dos mecanismos de controle e rastreabilidade do setor, como a implementação da escrituração eletrônica certificada para operações comerciais de postos revendedores e o fortalecimento das capacidades laboratoriais da ANP para garantir a conformidade dos produtos comercializados.
De acordo com o Ministério de Minas e Energia, “a resolução do conselho estabelece medidas para fortalecer a fiscalização, ampliar a rastreabilidade e aperfeiçoar o monitoramento do setor”.
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