Safra 24-25
MT lidera produção agrícola e puxa novo recorde da safra de grãos no país
AGRICULTURA
Responsável por quase um terço da produção agrícola brasileira, Mato Grosso deve colher 102,6 milhões de toneladas de grãos na safra 2024/25, segundo estimativa divulgada nesta quinta-feira (15.05) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume representa um aumento de 10,1% em relação ao ciclo anterior e mantém o estado na liderança nacional em área cultivada, produtividade e produção.
A nova projeção da Conab indica que o Brasil terá uma safra recorde de 332,9 milhões de toneladas, impulsionada pelo bom desempenho de culturas como soja, milho e arroz. Em relação à temporada 2023/24, o crescimento estimado é de 35,4 milhões de toneladas. O aumento é atribuído à recuperação da produtividade média (+9,5%) e à expansão da área plantada, que chegou a 81,7 milhões de hectares (+2,2%).
No caso de Mato Grosso, a área cultivada também subiu 2,2%, alcançando 22,1 milhões de hectares, o equivalente a 27% de toda a área plantada no país e 60,8% do total no Centro-Oeste. Apesar do crescimento modesto na área, o que impulsionou a produção foi o salto na produtividade, que subiu 7,8% e chegou a 4.634,3 kg/ha, superando tanto a média nacional (4.073,6 kg/ha) quanto a regional (4.515,1 kg/ha).
A soja segue como carro-chefe da agricultura brasileira, com expectativa de 168,3 milhões de toneladas, a maior da série histórica. No estado, a colheita do grão já foi concluída, com produtividade recorde. As boas condições climáticas e o avanço tecnológico contribuíram para os resultados, segundo a Conab.
O milho também teve desempenho expressivo. A produção total do cereal está estimada em 126,9 milhões de toneladas, sendo 99,8 milhões na segunda safra, cuja semeadura foi concluída. O arroz, por sua vez, deve fechar a temporada com 12,1 milhões de toneladas, alta de 14,8% em relação ao ciclo anterior.
Mesmo com avanços em outros estados como Mato Grosso do Sul, que registrou crescimento de 26,3% na produtividade, e Paraná, com alta de 21,7% , nenhum deles se aproxima do volume produzido por Mato Grosso. A produção sul-mato-grossense, por exemplo, corresponde a apenas um quarto da mato-grossense.
O bom desempenho das lavouras e a previsão de produção recorde têm impacto direto no mercado. A Conab prevê aumento no consumo interno de milho (89,3 milhões de toneladas) e ligeira alta nas exportações de soja, que devem se aproximar de 106 milhões de toneladas nesta safra. Os dados fazem parte do 8º Levantamento da Safra de Grãos 2024/25, publicado no site da Conab.
AGRICULTURA
Pecuária de MT quase dobra produção de carne por hectare em 15 anos com avanço tecnológico
A adoção de novas tecnologias no campo fez a produtividade da pecuária de corte de Mato Grosso crescer 90,3% entre 2010 e 2025. Dados do Anuário Beef Report, da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), apontam que a produção passou de 60,66 para 115,42 quilos de carcaça por hectare no período, resultado atribuído a investimentos em genética, manejo de pastagens, nutrição animal e melhorias nos sistemas de produção.
O indicador mede a quantidade de carne produzida por hectare de pastagem e é utilizado para avaliar a eficiência da atividade pecuária. Quanto maior o índice, maior é a produção na mesma área, reduzindo a necessidade de abertura de novas pastagens e aumentando a rentabilidade das propriedades rurais.
No cenário nacional, Mato Grosso apresentou um avanço superior à média brasileira. Enquanto o país registrou crescimento de 49,8% na produtividade, passando de 51,6 para 77,3 quilos de carcaça por hectare entre 2010 e 2025, o desempenho dos produtores mato-grossenses praticamente dobrou no mesmo intervalo.
Com o resultado, o estado ocupa a quinta colocação no ranking nacional de produtividade, atrás de São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Rondônia.
Para o presidente da Nelore Mato Grosso e pecuarista em Pontes e Lacerda, Alexandre El Hage, os avanços são resultado de uma evolução consistente da atividade nos últimos anos.
“Nos últimos cinco anos demos uma ‘virada de página’, no melhoramento genético, na nutrição. Então foi um elo evolutivo, tanto na cria, quanto na recria, quanto na engorda. Isso é um marco muito forte na pecuária, mostrando que ainda podemos alcançar mais”, afirma Alexandre.
Segundo o pecuarista Marco Túlio Duarte Soares, de Rondonópolis, a transformação também é percebida na qualidade dos animais destinados ao abate. Ele destaca que a evolução genética e a maior eficiência da produção reduziram a idade dos bovinos abatidos e melhoraram o acabamento das carcaças.
“Os animais que estão sendo entregues hoje são mais jovens e melhores terminados por conta dessa evolução genética e também da eficiência do setor produtivo. Quando a gente olha 10 anos atrás, a gente tinha apenas 13% de animais abatidos com menos de 24 meses e hoje são 45%. O que está sendo colocado nas gôndolas para os consumidores são animais mais jovens, com melhor qualidade, o que é prova do ingresso da tecnologia na pecuária”, ressalta o pecuarista.
O diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, avalia que os números demonstram que a expansão da produção no estado ocorre por meio da intensificação sustentável da atividade, com melhor aproveitamento das áreas já utilizadas.
“Os pecuaristas mato-grossenses vêm mostrando que é possível produzir mais utilizando melhor os recursos já disponíveis. Esses investimentos permitiram um expressivo ganho de produtividade, fortalecendo a competitividade nos mercados nacional e internacional, reforçando o compromisso do setor com uma produção cada vez mais eficiente”, afirma o diretor.
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