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Mendes chama WF de ‘cara de pau’ por criticar rodovia MT-170

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Foto: Divulgação

O ex-governador Mauro Mendes (União) afirmou, nesta terça-feira (26), que o senador Wellington Fagundes (PL) agiu com “cara de pau” ao criticar a decisão do Governo de Mato Grosso de reassumir a MT-170, no noroeste do estado. Segundo Mendes, o parlamentar teve influência direta sobre o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) durante anos e não conseguiu tirar do papel as obras da antiga BR-174.

“Vocês vão ver um exemplo de um político cara de pau e que não tem respeito nenhum com a população do nosso Estado”, disparou o ex-governador ao exibir a fala de Wellington criticando o Governo do Estado.

A declaração foi uma resposta direta ao senador, que havia classificado como “um erro” a decisão do Executivo, ainda na gestão de Mendes, de reassumir a rodovia que liga Juína a Colniza, passando por Castanheira, Juruena e Aripuanã, em um trecho de mais de 270 quilômetros.

Mendes lembrou que a via era estadual e foi federalizada em 2008 por influência de Wellington, quando passou a se chamar BR-174, sob a justificativa de que Mato Grosso não teria capacidade financeira para executar as obras.

De acordo com o ex-governador, a rodovia ficou sob responsabilidade do DNIT por 14 anos sem avanços concretos. Em 2022, o Governo do Estado decidiu reassumir a estrada e iniciou a pavimentação, com mais de 200 quilômetros já concluídos.

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“Durante esses 14 anos, o que aconteceu na prática com esta BR-174 foi um total abandono: atoleiro, desespero das pessoas que chegavam a demorar ali vários dias, 10 horas, 11 horas para atravessar essa estrada em péssimas condições. O Governo Federal durante 14 anos que teve essa rodovia na sua mão não conseguiu fazer absolutamente nada”, afirmou.

Mendes também afirmou que Wellington tinha forte influência política dentro do DNIT e questionou a falta de resultados durante o período em que a rodovia esteve sob gestão federal.

“Wellington Fagundes foi deputado federal por cinco ou seis mandatos, está no segundo mandato de senador e durante muitos anos ele mandou no DNIT. Era ele que nomeava os representantes do Governo Federal aqui. E por que nada mudou?”, questionou.

O ex-governador reconheceu que uma das empreiteiras responsáveis pelas obras enfrenta problemas de execução, mas disse confiar que o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) e o secretário de Infraestrutura, Marcelo de Oliveira, irão tomar as providências necessárias.

Mendes ainda citou a estadualização da BR-163 como exemplo da capacidade do Governo do Estado em assumir obras federais consideradas travadas.

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“Já entregamos mais de 200 quilômetros de duplicação da BR-163. Será que o senador Wellington considera isso também um erro? Salvar a vida das pessoas, melhorar aquela região inteira?”.

O ex-governador também rebateu a fala de Wellington que classificou como “irresponsabilidade” a proposta do Governo do Estado de assumir as obras da BR-158, na região do Araguaia.

Irresponsabilidade é o que o senhor está falando, criticando aquilo que é bom para a população. Será por quê? Será por quê que o senhor está falando isso agora? Porque é período eleitoral? Não venha falar mentiras e inverdades”.

“Essa rodovia também é do Governo Federal e são mais de 100 quilômetros que atravessam a reserva indígena. O Governo Federal em 3 anos fez apenas 12 quilômetros. E o Governo do Estado em 3 anos fez 3 mil quilômetros de asfalto. Não tem como comparar. E pode ter certeza que vamos continuar errando, na opinião do Wellington, mas acertando ao fazer aquilo que é bom para a população de Mato Grosso”, disse.

 

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Mato Grosso é o sétimo Estado que mais mata no Brasil

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O cenário de violência em Mato Grosso tem acompanhado a tendência nacional de queda na última década. Entre 2014 e 2024, período analisado pelo Atlas da Violência 2026, houve pouca variação entre os anos, com redução se comparado o início e fim da pesquisa. Sorriso aparece entre as 15 cidades mais letais do país, na 11ª colocação, com 76 assassinatos em 2024. Mato Grosso ocupa a sétima posição no índice de mortes violentas.

Segundo o relatório divulgado nesta terça-feira (26), em 2024, Mato Grosso registrou taxa de 29,1 homicídios a cada 100 mil habitantes. O número está 30% menor do que em 2014, quando o índice era de 42,1.

Já em números absolutos de homicídios registrados, em 2014 o estado teve 1.358 casos. Já em 2024, o volume caiu para 1.102, redução de 18,9%.

Os dados consideram registros oficiais de mortes violentas do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde (MS). Contudo, o relatório explica que os crimes podem ser mais recorrentes, pois, no momento do registro da morte violenta, ainda não há apuração da intencionalidade do fato. O que posteriormente passa a ser reclassificado como homicídio. Assim, as mortes são cadastradas como homicídios ocultos, o que eleva sutilmente os números.

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Considerando os homicídios ocultos, o relatório traz que Mato Grosso teve 1.409 assassinatos em 2014 e 1.145 dez anos depois. Uma queda de 18,7%, valor muito próximo dos dados oficiais, de 18,9%. A taxa estimada sai de 43,7% e cai para 30,2% em 2024, redução de 30,9%.

Dados nacionais
O relatório mostra que a média nacional foi de 20 mortes a cada 100 mil habitantes, o que coloca Mato Grosso dos números do país.

“A concentração territorial também aparece de forma nítida quando se observa que, em 2024, 50% dos homicídios no país ocorreram em apenas 99 municípios, ou em cerca de 1,8% dos municípios brasileiros. Em termos absolutos, os 10 municípios com maior número de homicídios responderam por 19,4% do total nacional. Trata-se de um padrão que reforça o diagnóstico de que a violência letal no país está longe de se distribuir uniformemente pelo território”, diz trecho do documento.

 

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