DEPENDIA DE AJUDA
Mecânico de 230 kg morre após dois meses internado à espera de cirurgia bariátrica em MT
GERAL
Renato Jesus Pinto, de 55 anos, mecânico que pesava cerca de 230 kg e ficou cerca de 20 dias acamado em uma oficina desativada à espera de atendimento médico, morreu neste domingo (16), no Hospital Metropolitano, em Várzea Grande, na região metropolitana de Cuiabá. Segundo um familiar, ele teve uma embolia pulmonar.
O mecânico estava internado desde 5 de junho. Com cerca de 230 kg e dificuldades severas para se locomover, ele dependia da ajuda de amigos e vizinhos para se alimentar e realizar atividades básicas. Ele enfrentava complicações relacionadas à obesidade e esperava passar por uma cirurgia bariátrica.
Antes da internação, Renato já tinha diagnóstico de trombose e ferimentos causados pela falta de mobilidade. Ele também enfrentava dificuldades para realizar exames e receber atendimento médico adequado devido ao peso. Segundo ele, as dores intensas na sola do pé, impedindo que caminhasse e trabalhasse.
O corpo de Renato foi sepultado no Cemitério Recanto da Saudade, no bairro Jardim Primavera, em Várzea Grande.
Entenda o caso
Além da trombose, Renato já apresenta ferimentos causados pelo longo período em que permanece no local, sem sair da cama. — Foto: TV Centro América
Na época, Renato contou à TV Centro América que os problemas de saúde começaram depois que ele passou mal enquanto voltava do trabalho. Desde então, afirmou ter procurado atendimento em unidades de saúde de Cuiabá e Várzea Grande, mas disse que não conseguiu acesso ao tratamento necessário.
“Tudo começou num dia que eu tava vindo do serviço e fiquei ruim, entendeu? Não consegui entrar para dentro de casa para trocar de roupa, nada disso. Lá na UPA do Cristo Rei, me deixaram três dias de plantão porque eu tava mal vestido e não tava cheirando legal”, afirmou o mecânico.
O espaço onde Renato ficou acamado foi cedido por um amigo. Moradores da região levavam café da manhã, almoço e outros itens básicos, além de tentarem conseguir atendimento especializado para o mecânico.
“Hoje ele está com mais de 230 quilos e não consegue se locomover nem com a muleta. […] A gente ajuda como pode, levando comida, mas ele precisa de atendimento e de um local adequado para fazer tratamento”, disse o vizinho Danilo Amorim.
Na época, Renato afirmou que já havia sido atendido no local, passado por exames e estava sendo acompanhado por uma assistente social. Apesar disso, segundo ele, não havia sido encaminhado para um hospital porque as unidades não tinham estrutura para atender às necessidades dele.
Ele disse que, ao procurar atendimento, era informado de que o peso e as limitações de mobilidade dificultavam o transporte e o atendimento hospitalar.
“Médico vem, só olha e fala para mim: você vai ter que chamar o Samu. O Samu me leva para a UPA, a UPA faz o atendimento e depois eu volto para cá. E fica sempre nisso”, contou Renato.
A internação
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Segundo ela, também foram acionadas a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros para garantir uma remoção segura até a unidade de saúde. — Foto: Prefeitura de Cuiabá
Diante da situação, equipes da Secretaria Municipal de Assistência Social, Direitos Humanos e Inclusão e da Secretaria Municipal de Saúde organizaram uma força-tarefa para garantir o atendimento emergencial e a remoção de Renato.
Na época, a secretária municipal de Assistência Social, Direitos Humanos e Inclusão, Hélida Vilela, informou que a prefeitura intensificou o acompanhamento depois de tomar conhecimento da piora no estado de saúde do mecânico. Segundo ela, a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros também foram acionados para garantir uma remoção segura até a unidade de saúde.
De acordo com a prefeitura, Renato havia recebido alta hospitalar anteriormente com diagnóstico de fascite plantar e fazia acompanhamento de um quadro de trombose que já havia sido tratado.
Após o atendimento, a equipe médica apontou a necessidade de avaliar a condição intestinal do paciente, que relatava estar havia vários dias sem evacuar. O quadro exigia exames de imagem para ajudar na definição do tratamento.
GERAL
Avião-laboratório de missão internacional usa Cuiabá como base para medir gases de efeito estufa
Uma missão científica internacional está usando Cuiabá como base para sobrevoar o Pantanal e o sul da Bacia Amazônica e medir as concentrações de dióxido de carbono e metano na atmosfera. A campanha reúne pesquisadores brasileiros e estrangeiros e utiliza um avião-laboratório equipado com sensores de alta precisão.
A autorização para a coleta dos dados consta da Portaria nº 2.887 do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), publicada nesta terça-feira (18) no Diário Oficial da União.
O documento autoriza a participação de 59 pesquisadores estrangeiros na missão CoMet 3.0 Tropics. O ato foi assinado em 14 de agosto pelo presidente do CNPq, Olival Freire Junior, e tem validade até 20 de dezembro de 2026.
Voos partem de Cuiabá
A campanha utiliza a aeronave de pesquisa HALO, um Gulfstream G550 adaptado para funcionar como laboratório aéreo. Os voos partem de Cuiabá e percorrem áreas do Pantanal e da região sul da Bacia Amazônica.
A portaria registra as coordenadas da base de operações na capital mato-grossense e limita a autorização à coleta de dados científicos nessas regiões.
Os voos começaram em 31 de julho e devem continuar até meados de setembro. A previsão é de aproximadamente 15 missões científicas, com duração de até dez horas cada e média de três voos por semana, conforme informações do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
Embora os voos estejam previstos para terminar em setembro, a autorização permanece válida até dezembro para permitir eventuais mudanças no calendário provocadas por condições meteorológicas ou operacionais.
Missão mede dióxido de carbono e metano
O objetivo da campanha é medir as concentrações e os fluxos de dióxido de carbono e metano, gases relacionados ao aquecimento global e às mudanças climáticas.
O avião transporta equipamentos capazes de fazer medições em diferentes altitudes. Entre eles está um sistema lidar, tecnologia que utiliza pulsos de laser para analisar a concentração dos gases na coluna de ar.
Os dados coletados durante os sobrevoos serão comparados com informações obtidas por satélites e por equipamentos instalados no solo. O trabalho deve ajudar a reduzir as incertezas dos modelos climáticos e melhorar as estimativas de emissão e absorção de gases de efeito estufa.
O Pantanal desperta especial interesse dos cientistas por ser uma das maiores áreas alagadas do mundo. A decomposição de matéria orgânica em ambientes com pouco oxigênio pode provocar a liberação natural de metano.
Cooperação entre Brasil e Alemanha
A coordenação brasileira está sob responsabilidade de Dirceu Luís Herdies, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A cooperação internacional é coordenada por Andreas Fix, do Centro Aeroespacial Alemão.
A lista autorizada pelo CNPq reúne pesquisadores ligados ao Centro Aeroespacial Alemão, ao Instituto Max Planck de Biogeoquímica e às universidades de Bremen e Heidelberg.
A maioria dos integrantes é da Alemanha, mas a missão também conta com pesquisadores da França, Índia, Polônia, Itália, Colômbia, Estados Unidos, Áustria e Espanha.
O grupo atua em áreas como física da atmosfera, sensoriamento remoto, biogeoquímica e experimentos de voo.
Missão recebeu aval do Conselho de Defesa Nacional
Por envolver pesquisadores estrangeiros, sobrevoos e coleta de dados em áreas próximas à faixa de fronteira, a missão recebeu anuência prévia do Conselho de Defesa Nacional.
O aval foi concedido em 22 de junho e publicado no Diário Oficial da União no dia seguinte. A exigência está prevista na legislação brasileira para expedições científicas realizadas por estrangeiros em território nacional.
A nova portaria revoga uma autorização publicada em março que tratava do mesmo projeto. Qualquer pedido de prorrogação deverá ser apresentado pela coordenação brasileira com justificativa, relatório técnico das atividades e antecedência mínima de 45 dias em relação ao fim da vigência.
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