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ARTIGO

A indústria da soja

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OPINIÃO

Relatório de pesquisa divulgado pela Abiove (Associação Brasileira das Indústria de Óleos Vegetais), mostra que de janeiro a setembro de 2026 a indústria da soja registrou aumento de 13% em sua capacidade de esmagamento em relação a mesmo período de 2025. A capacidade de processamento desse segmento industrial atingiu 86 milhões de toneladas das 181 milhões de toneladas de soja da safra deste ano.

O expressivo avanço na capacidade de processamento do parque industrial da soja brasileira foi construído como resposta do setor ao crescimento da demanda de óleo de soja para produção de biodiesel, aumento do consumo interno e das exportações de farelo de soja para ração animal.

Além de ser o maior exportador mundial de soja em grãos, o Brasil também ocupa a segunda posição mundial em exportações de farelo de soja, sendo a China a nossa maior cliente.

A região centro oeste lidera a expansão da capacidade industrial da soja e Mato Grosso tem a liderança nacional, respondendo por 22% de todo o processamento industrial de óleo e farelo de soja.

No mercado doméstico, o óleo de soja responde pela maior parte da matéria prima utilizada na fabricação de biodiesel, cujo consumo sobe a cada ano com o aumento de frotas de cargas movidas com esse biocombustível. E a demanda interna de farelo de soja também tem trajetória crescente, pois é o principal ingrediente utilizado pela cadeia de carnes.

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A pesquisa da Abiove indica que a demanda firme de óleo e farelo de soja garante o crescimento da indústria do setor a médio e longo prazo. As plantas industriais em operação cresceram de 131 em 2025 para 148 em 2026, aumentando em quase 8 milhões de toneladas/ano a capacidade de processamento e envolvendo quase R$ 8 bilhões de investimentos.

A região centro oeste lidera a expansão da capacidade industrial da soja e Mato Grosso tem a liderança nacional, respondendo por 22% de todo o processamento industrial de óleo e farelo de soja. Mato Grosso também é líder nacional na industrialização de etanol de milho.

Nos últimos anos o segmento da agroindústria é o que mais cresce em Mato Grosso, impulsionado justamente pelo expressivo aumento da indústria da soja (farelo e óleo) e do etanol de milho, que por sua vez, são puxados pelo aumento constante da demanda doméstica e internacional. Do total da soja produzida em Mato Grosso, 30% são industrializados e viram farelo ou óleo. A maior parte do farelo é exportado e o óleo é totalmente consumido no próprio estado e no Brasil sob a forma de biodiesel.

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As cadeias produtivas da soja e do milho são as mais longas da agropecuária, envolvendo aproximadamente 35 atividades econômicas desde o plantio até o consumo final, fato que garante boa geração de empregos, renda e aquece a atividade econômica dos municípios e do estado.

A expansão da industrialização da produção agropecuária é o caminho natural para a modernização da matriz econômica do estado, pois produz impacto econômico e social ao gerar mais valor aos produtos, emprega capital humano mais qualificado, paga melhores remunerações e exige melhorias na infraestrutura econômica e social.

Esse ciclo virtuoso ajuda Mato Grosso a dar o salto qualitativo em seu status de “economia em desenvolvimento” para a de “economia desenvolvida”, dando mais sustentabilidade ao progresso econômico e reduzindo as desigualdades sociais e regionais.

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OPINIÃO

Mulheres do campo: informação, acesso e autonomia

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Uma política pública só cumpre o seu papel quando consegue chegar a quem realmente precisa dela.

E esse ainda é um dos grandes desafios quando falamos das mulheres do campo.

Muitas agricultoras vivem longe dos centros de atendimento, enfrentam dificuldades de acesso à internet, precisam regularizar documentos ou, muitas vezes, não sabem que determinado programa existe, quais são os critérios ou quando termina o prazo de inscrição.

Por isso, uma das principais missões da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf) é justamente diminuir essa distância entre a política pública e a realidade de quem vive e produz no campo.

Esse caminho começa com informação e orientação, passa pela regularização documental e pela assistência técnica e pode chegar ao financiamento, à melhoria da produção, à agregação de valor e à comercialização.

Esse trabalho vem sendo desenvolvido em parceria com municípios, Empaer, associações, cooperativas e outras instituições ligadas à agricultura familiar. Essa rede é fundamental para que a informação não fique apenas na internet, mas chegue também às comunidades mais distantes.

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Mais do que informar, o desafio é fazer com que essa informação gere resultado concreto: acesso a crédito, aprovação de projetos, melhoria da produção, novos mercados e aumento da renda.

Um exemplo importante está no último edital do Fundo de Apoio à Agricultura Familiar (Fundaaf). As mulheres rurais estavam entre os públicos priorizados e, dos cerca de R$ 21 milhões acessados pelos beneficiários, quase 80% foram destinados a projetos liderados por mulheres.

Esse resultado mostra a importância de criar condições reais para que essas mulheres consigam acessar as oportunidades disponíveis.

Outro passo importante é conhecer melhor a realidade da agricultura familiar. Para isso, a Seaf vem fortalecendo ferramentas como o Seiaf, Sistema Estadual Integrado da Agricultura Familiar, e o Sigseaf, sistema que reúne informações sobre produtores, propriedades, atendimentos, investimentos e acesso a políticas como o Fundaaf.

Na prática, esses sistemas ajudam a identificar onde estão os agricultores e agricultoras, quais atendimentos estão recebendo e onde ainda é preciso avançar. Com informações mais organizadas, é possível planejar melhor as ações e acompanhar os resultados das políticas públicas.

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Também contamos com o Índice Municipal de Agricultura Familiar, que reúne dados dos municípios e contribui para uma leitura mais completa da agricultura familiar em Mato Grosso.

Mas nenhum sistema substitui o contato com as pessoas.

Por isso, presença no território, assistência técnica, linguagem simples e parceria com os municípios continuam sendo fundamentais.

Essa é a missão que estamos desenvolvendo: fazer com que a política pública saia do papel, chegue à propriedade e se transforme em oportunidade.

E, para as mulheres do campo, queremos que essa oportunidade se traduza cada vez mais em autonomia, produção e renda.

 

*Andreia Fujioka é servidora efetiva da carreira de Gestão Governamental e secretária de Estado de Agricultura Familiar de Mato Grosso.

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