Artigo
Mulheres do campo: informação, acesso e autonomia
OPINIÃO
Uma política pública só cumpre o seu papel quando consegue chegar a quem realmente precisa dela.
E esse ainda é um dos grandes desafios quando falamos das mulheres do campo.
Muitas agricultoras vivem longe dos centros de atendimento, enfrentam dificuldades de acesso à internet, precisam regularizar documentos ou, muitas vezes, não sabem que determinado programa existe, quais são os critérios ou quando termina o prazo de inscrição.
Por isso, uma das principais missões da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf) é justamente diminuir essa distância entre a política pública e a realidade de quem vive e produz no campo.
Esse caminho começa com informação e orientação, passa pela regularização documental e pela assistência técnica e pode chegar ao financiamento, à melhoria da produção, à agregação de valor e à comercialização.
Esse trabalho vem sendo desenvolvido em parceria com municípios, Empaer, associações, cooperativas e outras instituições ligadas à agricultura familiar. Essa rede é fundamental para que a informação não fique apenas na internet, mas chegue também às comunidades mais distantes.
Mais do que informar, o desafio é fazer com que essa informação gere resultado concreto: acesso a crédito, aprovação de projetos, melhoria da produção, novos mercados e aumento da renda.
Um exemplo importante está no último edital do Fundo de Apoio à Agricultura Familiar (Fundaaf). As mulheres rurais estavam entre os públicos priorizados e, dos cerca de R$ 21 milhões acessados pelos beneficiários, quase 80% foram destinados a projetos liderados por mulheres.
Esse resultado mostra a importância de criar condições reais para que essas mulheres consigam acessar as oportunidades disponíveis.
Outro passo importante é conhecer melhor a realidade da agricultura familiar. Para isso, a Seaf vem fortalecendo ferramentas como o Seiaf, Sistema Estadual Integrado da Agricultura Familiar, e o Sigseaf, sistema que reúne informações sobre produtores, propriedades, atendimentos, investimentos e acesso a políticas como o Fundaaf.
Na prática, esses sistemas ajudam a identificar onde estão os agricultores e agricultoras, quais atendimentos estão recebendo e onde ainda é preciso avançar. Com informações mais organizadas, é possível planejar melhor as ações e acompanhar os resultados das políticas públicas.
Também contamos com o Índice Municipal de Agricultura Familiar, que reúne dados dos municípios e contribui para uma leitura mais completa da agricultura familiar em Mato Grosso.
Mas nenhum sistema substitui o contato com as pessoas.
Por isso, presença no território, assistência técnica, linguagem simples e parceria com os municípios continuam sendo fundamentais.
Essa é a missão que estamos desenvolvendo: fazer com que a política pública saia do papel, chegue à propriedade e se transforme em oportunidade.
E, para as mulheres do campo, queremos que essa oportunidade se traduza cada vez mais em autonomia, produção e renda.
*Andreia Fujioka é servidora efetiva da carreira de Gestão Governamental e secretária de Estado de Agricultura Familiar de Mato Grosso.
OPINIÃO
Eleições 2026: o trabalho da Justiça Eleitoral por trás de cada voto
Nas Eleições Gerais de 2026, o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) mobilizou uma operação de grandes proporções para assegurar o exercício do voto em todo o Estado. Foram 2,6 milhões de eleitores, 8.287 seções eleitorais, 1.519 locais de votação e mais de 54 mil pessoas envolvidas, alcançando os 142 municípios mato-grossenses. Justiça Eleitoral
Sob a condução da presidente do TRE-MT, desembargadora Serly Marcondes Alves, e do vice-presidente e corregedor regional eleitoral, desembargador Marcos Machado, o trabalho começou muito antes da abertura das urnas. Preparação dos equipamentos, treinamento das equipes, organização dos locais de votação, segurança, transporte, suporte tecnológico e estrutura para apuração e totalização fizeram parte de uma operação cuidadosamente planejada. Justiça Eleitoral
A dimensão desse trabalho talvez seja ainda mais perceptível quando olhamos para as regiões mais distantes de Mato Grosso.
O Estado possui 114 locais de votação considerados de difícil acesso, dos quais 38 estão em aldeias indígenas. Para chegar a algumas dessas comunidades, a Justiça Eleitoral precisou organizar deslocamentos por estradas não pavimentadas, embarcações e até aeronaves. Em sete localidades indígenas, o acesso das equipes ocorreu por transporte aéreo. Justiça Eleitoral
É a Justiça Eleitoral chegando à capital, ao interior, às comunidades rurais e ribeirinhas e às aldeias indígenas, superando distâncias e dificuldades para que o direito ao voto alcance o eleitor onde ele estiver.
Encerrada a votação, outro grande trabalho se inicia. A apuração e a totalização dos votos seguem procedimentos previamente regulamentados, com Comissão Apuradora própria e mecanismos de acompanhamento e fiscalização.
Justiça Eleitoral
Nada disso seria possível sem a dedicação dos membros do pleno da Corte, juízes da propaganda , servidores, técnicos, mesários, colaboradores e forças de segurança. São milhares de pessoas que, muitas vezes longe dos holofotes, trabalham antes, durante e depois da eleição para que todo o processo funcione.
Também merece destaque a atuação da OAB-MT, que acompanhou as Eleições 2026 por meio da Comissão de Direito Eleitoral, do Observatório Nacional das Eleições Gerais e do Tribunal de
Defesa das Prerrogativas. Representantes da Ordem estiveram em locais de votação, acompanharam o Teste de Integridade das urnas e os procedimentos de apuração. Colider
Tive a honra de acompanhar de perto parte desses trabalhos, durante o dia da eleição e também na apuração, a convite da Comissão de Direito Eleitoral da OAB-MT.
Para mim, essa experiência teve um significado ainda mais especial, pois já integrei o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso como juiz-membro da Corte, na classe dos juristas. Retornar àquela Casa, agora sob outra perspectiva, e acompanhar a dimensão da operação eleitoral reforçou minha admiração pelo trabalho desenvolvido pela Justiça Eleitoral e por todos aqueles que a fazem funcionar.
Da capital à aldeia indígena mais distante, por trás de cada voto existe planejamento, responsabilidade e pessoas comprometidas em fazer a democracia chegar a todos.
André Pozeti
Advogado, especialista em Direito Eleitoral, ex-juiz membro do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso, na classe dos advogados (TRE-MT), e membro da Comissão de Direito Eleitoral da OAB-MT.
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