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Homicídios caem 19,3% em Mato Grosso, aponta Anuário da Segurança Pública

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GERAL

Foto: Chico Ferreira

Mato Grosso registrou queda nos principais indicadores de mortes violentas intencionais em 2025, acompanhando a tendência nacional de redução da violência letal. Os dados são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), e mostram diminuição nos casos de homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e mortes decorrentes de intervenção policial no estado.

O principal indicador, o de homicídios dolosos, caiu de 902 casos em 2024 para 728 em 2025, redução de 19,3%. Também houve queda de 25% nos latrocínios, que passaram de 20 para 15 registros, e de 16,7% nas lesões corporais seguidas de morte, reduzidas de seis para cinco ocorrências.

Outro dado que chama atenção é a redução nas mortes decorrentes de intervenção policial, que passaram de 214 para 142 casos, uma queda de 33,6%, movimento contrário ao observado no cenário nacional.

Redução acompanha tendência do país

No Brasil, as Mortes Violentas Intencionais (MVI) somaram 40.775 casos em 2025, com taxa de 19,1 mortes por 100 mil habitantes, representando uma queda de 8,2% em relação a 2024 e de 31% na comparação com 2012, primeiro ano da série histórica do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

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A redução nacional foi impulsionada principalmente pela diminuição dos homicídios dolosos, que recuaram 10%, totalizando 32.914 vítimas. Com esse resultado, o país atingiu dois anos antes a meta da Política Nacional de Segurança Pública, que previa alcançar uma taxa de 16 homicídios por 100 mil habitantes apenas em 2027.

Também houve queda de 17% nos latrocínios, de 15,2% nas lesões corporais seguidas de morte e de 3,5% nas mortes de policiais civis e militares.

Mato Grosso vai na contramão do aumento da letalidade policial nacional

Enquanto o Brasil registrou aumento de 5,4% nas mortes decorrentes de intervenção policial, que chegaram a 6.602 registros e passaram a representar uma em cada seis mortes violentas intencionais no país, Mato Grosso apresentou comportamento inverso, reduzindo esse tipo de ocorrência em mais de um terço.

O levantamento também mostra que, diferentemente de estados como Rio Grande do Norte, Rondônia, Acre, Roraima, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro, que tiveram aumento das Mortes Violentas Intencionais entre 2024 e 2025, Mato Grosso manteve trajetória de redução dos indicadores.

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Os números colocam o estado entre aqueles que registraram diminuição consistente da violência letal no período, especialmente em relação aos homicídios dolosos, principal componente das Mortes Violentas Intencionais.

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GERAL

CNJ cobra mudanças no transporte de presos em MT após policiais rodarem 115 mil km para audiências de custódia

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O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) reformule, em até 60 dias, o fluxo de custódia e transporte de presos apresentados em audiências de custódia no estado.

A decisão de sexta-feira (17) atende parcialmente a um pedido do Sindicato dos Policiais Civis de Mato Grosso (Sinpol-MT), que apontou que investigadores e delegados vêm assumindo atividades que são de responsabilidade da Polícia Penal, segundo a legislação.

No processo, o Sinpol-MT alegou que com a implantação do Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias, modelo de realização das audiências de custódia, policiais civis passaram a ficar responsáveis pela guarda de presos em fóruns e delegacias.

Além disso, estariam fazendo também o transporte dos custodiados entre unidades policiais, fóruns e estabelecimentos penais, provocando longos deslocamentos, interrupção do atendimento nas delegacias e atrasos nas investigações de competência da Polícia Civil.

Relatório apontou problemas em mais da metade das diligências

Durante o processo, a entidade ainda argumentou que relatório técnico da Polícia Judiciária Civil analisou 1.007 diligências entre 4 de janeiro e 10 de fevereiro de 2026.

O levantamento registrou 523 ocorrências com algum tipo de problema, o equivalente a 51,94% dos casos analisados. Entre elas, foram identificadas:

  • 262 situações em que não havia responsável para receber o preso no fórum;
  • 58 retornos de custodiados às delegacias;
  • 183 conduções posteriores aos presídios realizadas pela Polícia Civil;
  • 20 fechamentos temporários de delegacias em razão da ausência das equipes.

Segundo o documento, os policiais percorreram mais de 115 mil quilômetros no período analisado, com média de 114,77 quilômetros e 3 horas e 23 minutos por diligência.

Nos casos em que foi necessário levar o preso ao sistema prisional, o tempo médio chegou a 5 horas e 2 minutos. A comissão estimou que essas atividades consumiram, em média, 42% da jornada diária dos investigadores envolvidos.

CNJ determina mudanças nas audiências de custódia

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) reformule, em até 60 dias, o fluxo de custódia e transporte de presos apresentados em audiências de custódia no estado.

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A decisão atende a uma provocação do Sinpol-MT, sindicato que alegou que policiais civis vêm exercendo funções que seriam de competência da Polícia Penal.

O pedido se baseou em um relatório da Polícia Civil que analisou 1.007 diligências realizadas entre 4 de janeiro e 10 de fevereiro de 2026. O levantamento identificou intercorrências em 523 casos — o equivalente a 51,94% do total.

Entre os problemas apontados, 262 presos chegaram ao fórum sem que houvesse responsável para recebê-los, e 58 custodiados precisaram retornar às delegacias por falhas no fluxo de atendimento. Em 183 casos, a própria Polícia Civil precisou conduzir os presos até os estabelecimentos penais. Como consequência do deslocamento das equipes, 20 delegacias ficaram temporariamente sem atendimento.

O relatório também quantificou o desgaste operacional: os investigadores percorreram mais de 115 mil quilômetros no período, média de 114,77 km por diligência, com cada atendimento consumindo em média 3 horas e 23 minutos — tempo que sobe para 5h02 quando há condução ao presídio. A comissão estimou que essas atividades comprometeram cerca de 42% da jornada diária dos investigadores.

O CNJ quer definir responsabilidades para evitar que policiais civis permaneçam responsáveis pela custódia e transporte de presos além do previsto em lei.

TJMT e Sejus defenderam modelo

Em sua manifestação, o Tribunal de Justiça informou que o Núcleo de Justiça 4.0 foi implantado conforme determinação do próprio CNJ e atende as 79 comarcas de Mato Grosso por meio de sete polos regionais e dez gabinetes.

O tribunal afirmou ainda que, entre dezembro de 2025 e março de 2026, realizou 2.136 audiências de custódia e sustentou que eventuais dificuldades são pontuais e decorrentes do período de implantação do novo sistema.

Já a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus) defendeu que a responsabilidade da Polícia Penal começa apenas após o ingresso formal do preso no sistema penitenciário, mas informou que já mantém apoio em algumas comarcas, com policiais penais atuando em fóruns e equipes responsáveis pelo recolhimento de presos em determinados municípios.

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TJMT terá de adotar medidas com prazo

Na decisão, o conselheiro Ulisses Rabaneda, destacou que o Supremo Tribunal Federal (STF) já definiu que a Polícia Civil pode manter a custódia apenas de forma excepcional e transitória, durante a prisão em flagrante ou o cumprimento de mandados.

A guarda ordinária de pessoas presas, contudo, não pode ser atribuída rotineiramente aos investigadores, sob pena de caracterizar desvio de função.

“A controvérsia ultrapassa interesse corporativo isolado. O modo de apresentação de pessoas presas repercute sobre a atividade investigativa, a segurança dos fóruns, o funcionamento das delegacias, a dignidade dos custodiados, a regularidade das audiências e a eficiência da prestação jurisdicional em todo o Estado. O requisito de interesse geral está, portanto, presente”, destacou.

Diante disso, o conselheiro determinou que o TJMT apresente, em até 60 dias, um plano estadual provisório de contingência para organizar o fluxo de custódia em todas as comarcas. O documento deverá definir, entre outros pontos:

  • o local de recebimento da pessoa presa em cada comarca;
  • o órgão responsável pela custódia;
  • horários e contatos permanentes;
  • confirmação do recebimento antes do deslocamento para audiência;
  • proibição do retorno do preso à delegacia por mera falta de logística;
  • registro formal de qualquer apoio prestado pela Polícia Civil.

Além disso, o Tribunal terá 120 dias para concluir um protocolo interinstitucional definitivo, elaborado em conjunto com Sejus, Secretaria de Segurança Pública, Polícia Penal, Polícia Civil, Ministério Público, Defensoria Pública, OAB-MT e Sinpol-MT.

O objetivo é estabelecer uma matriz de responsabilidades para transporte, custódia, comunicação e monitoramento das pessoas presas durante as audiências de custódia em Mato Grosso.

O Primeira Página entrou em contato com o TJMT e a Sejus-MT e aguarda posicionamento.

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