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Estava com cordão umbilical

Bebê é encontrado morto dentro de lixeira de condomínio em Várzea Grande

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Um bebê do sexo feminino foi encontrado morto na manhã desta quinta-feira (23) dentro da lixeira do condomínio Chapada do Poente, em Várzea Grande. O corpo estava dentro de uma caixa, envolto em um saco plástico, ainda com o cordão umbilical.

A descoberta foi feita por um trabalhador da coleta de resíduos, que percebeu o volume suspeito ao levar a lixeira até a área de separação do lixo. Ao abrir o saco, ele localizou o feto e acionou o Corpo de Bombeiros, a Polícia Civil e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), na expectativa de que houvesse chance de sobrevivência. A morte, no entanto, foi constatada ainda no local.

A área foi isolada para os trabalhos da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), responsável por apurar as circunstâncias da morte.

Segundo o delegado Rogério Gomes, da Delegacia de Homicídios (DHPP), o bebê apresentava desenvolvimento compatível com cerca de 35 semanas de gestação e tinha lesões aparentes, entre elas uma luxação em um dos braços e uma má-formação na região da cabeça — deformidade que, segundo o delegado, pode ter ocorrido durante o parto, hipótese ainda em análise pela perícia.

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Há indícios de que a criança tenha sido deixada por um morador ou visitante do condomínio, já que a lixeira está localizada na parte interna do residencial. Investigadores já recolhem imagens do sistema de monitoramento do local, que devem ser fundamentais para identificar quem deixou o corpo no local.

De acordo com o delegado, apenas os exames periciais poderão confirmar se o bebê nasceu com vida ou já estava sem sinais vitais no momento do parto. “O resultado da perícia será determinante para a investigação. Dependendo das circunstâncias, o caso pode configurar crime de aborto, ou, caso a criança já tenha nascido sem vida, outras tipificações penais poderão ser analisadas, como vilipêndio de cadáver”, explicou Gomes.

O caso segue sob investigação da DHPP.

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CNJ cobra mudanças no transporte de presos em MT após policiais rodarem 115 mil km para audiências de custódia

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O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) reformule, em até 60 dias, o fluxo de custódia e transporte de presos apresentados em audiências de custódia no estado.

A decisão de sexta-feira (17) atende parcialmente a um pedido do Sindicato dos Policiais Civis de Mato Grosso (Sinpol-MT), que apontou que investigadores e delegados vêm assumindo atividades que são de responsabilidade da Polícia Penal, segundo a legislação.

No processo, o Sinpol-MT alegou que com a implantação do Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias, modelo de realização das audiências de custódia, policiais civis passaram a ficar responsáveis pela guarda de presos em fóruns e delegacias.

Além disso, estariam fazendo também o transporte dos custodiados entre unidades policiais, fóruns e estabelecimentos penais, provocando longos deslocamentos, interrupção do atendimento nas delegacias e atrasos nas investigações de competência da Polícia Civil.

Relatório apontou problemas em mais da metade das diligências

Durante o processo, a entidade ainda argumentou que relatório técnico da Polícia Judiciária Civil analisou 1.007 diligências entre 4 de janeiro e 10 de fevereiro de 2026.

O levantamento registrou 523 ocorrências com algum tipo de problema, o equivalente a 51,94% dos casos analisados. Entre elas, foram identificadas:

  • 262 situações em que não havia responsável para receber o preso no fórum;
  • 58 retornos de custodiados às delegacias;
  • 183 conduções posteriores aos presídios realizadas pela Polícia Civil;
  • 20 fechamentos temporários de delegacias em razão da ausência das equipes.

Segundo o documento, os policiais percorreram mais de 115 mil quilômetros no período analisado, com média de 114,77 quilômetros e 3 horas e 23 minutos por diligência.

Nos casos em que foi necessário levar o preso ao sistema prisional, o tempo médio chegou a 5 horas e 2 minutos. A comissão estimou que essas atividades consumiram, em média, 42% da jornada diária dos investigadores envolvidos.

CNJ determina mudanças nas audiências de custódia

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) reformule, em até 60 dias, o fluxo de custódia e transporte de presos apresentados em audiências de custódia no estado.

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A decisão atende a uma provocação do Sinpol-MT, sindicato que alegou que policiais civis vêm exercendo funções que seriam de competência da Polícia Penal.

O pedido se baseou em um relatório da Polícia Civil que analisou 1.007 diligências realizadas entre 4 de janeiro e 10 de fevereiro de 2026. O levantamento identificou intercorrências em 523 casos — o equivalente a 51,94% do total.

Entre os problemas apontados, 262 presos chegaram ao fórum sem que houvesse responsável para recebê-los, e 58 custodiados precisaram retornar às delegacias por falhas no fluxo de atendimento. Em 183 casos, a própria Polícia Civil precisou conduzir os presos até os estabelecimentos penais. Como consequência do deslocamento das equipes, 20 delegacias ficaram temporariamente sem atendimento.

O relatório também quantificou o desgaste operacional: os investigadores percorreram mais de 115 mil quilômetros no período, média de 114,77 km por diligência, com cada atendimento consumindo em média 3 horas e 23 minutos — tempo que sobe para 5h02 quando há condução ao presídio. A comissão estimou que essas atividades comprometeram cerca de 42% da jornada diária dos investigadores.

O CNJ quer definir responsabilidades para evitar que policiais civis permaneçam responsáveis pela custódia e transporte de presos além do previsto em lei.

TJMT e Sejus defenderam modelo

Em sua manifestação, o Tribunal de Justiça informou que o Núcleo de Justiça 4.0 foi implantado conforme determinação do próprio CNJ e atende as 79 comarcas de Mato Grosso por meio de sete polos regionais e dez gabinetes.

O tribunal afirmou ainda que, entre dezembro de 2025 e março de 2026, realizou 2.136 audiências de custódia e sustentou que eventuais dificuldades são pontuais e decorrentes do período de implantação do novo sistema.

Já a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus) defendeu que a responsabilidade da Polícia Penal começa apenas após o ingresso formal do preso no sistema penitenciário, mas informou que já mantém apoio em algumas comarcas, com policiais penais atuando em fóruns e equipes responsáveis pelo recolhimento de presos em determinados municípios.

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TJMT terá de adotar medidas com prazo

Na decisão, o conselheiro Ulisses Rabaneda, destacou que o Supremo Tribunal Federal (STF) já definiu que a Polícia Civil pode manter a custódia apenas de forma excepcional e transitória, durante a prisão em flagrante ou o cumprimento de mandados.

A guarda ordinária de pessoas presas, contudo, não pode ser atribuída rotineiramente aos investigadores, sob pena de caracterizar desvio de função.

“A controvérsia ultrapassa interesse corporativo isolado. O modo de apresentação de pessoas presas repercute sobre a atividade investigativa, a segurança dos fóruns, o funcionamento das delegacias, a dignidade dos custodiados, a regularidade das audiências e a eficiência da prestação jurisdicional em todo o Estado. O requisito de interesse geral está, portanto, presente”, destacou.

Diante disso, o conselheiro determinou que o TJMT apresente, em até 60 dias, um plano estadual provisório de contingência para organizar o fluxo de custódia em todas as comarcas. O documento deverá definir, entre outros pontos:

  • o local de recebimento da pessoa presa em cada comarca;
  • o órgão responsável pela custódia;
  • horários e contatos permanentes;
  • confirmação do recebimento antes do deslocamento para audiência;
  • proibição do retorno do preso à delegacia por mera falta de logística;
  • registro formal de qualquer apoio prestado pela Polícia Civil.

Além disso, o Tribunal terá 120 dias para concluir um protocolo interinstitucional definitivo, elaborado em conjunto com Sejus, Secretaria de Segurança Pública, Polícia Penal, Polícia Civil, Ministério Público, Defensoria Pública, OAB-MT e Sinpol-MT.

O objetivo é estabelecer uma matriz de responsabilidades para transporte, custódia, comunicação e monitoramento das pessoas presas durante as audiências de custódia em Mato Grosso.

O Primeira Página entrou em contato com o TJMT e a Sejus-MT e aguarda posicionamento.

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