Completa 30 anos
Entenda a evolução e a segurança da urna eletrônica em MT
GERAL
O estado de Mato Grosso acompanhou de perto a transição tecnológica da urna eletrônica, que este ano comemora seus 30 anos de funcionamento, com particularidades geográficas e operacionais marcantes no cenário nacional. O desenvolvimento do sistema eletrônico de votação teve início formal com o modelo UE96, implementado em 1996 sob um perímetro restrito de atuação nas eleições municipais, abrindo espaço para a integração do modelo após isso.
No cenário mato-grossense, Cuiabá se apresentou como uma das capitais brasileiras que testaram esse primeiro modelo, marcando a adesão imediata da população local à nova tecnologia.
“Em Mato Grosso, a urna eletrônica foi muito bem aceita. Cuiabá foi uma das primeiras cidades a terminar a votação. A população votou sem dificuldade, não houve nenhum tipo de transtorno, as filas, o andamento da votação ocorreu naturalmente”, explica o coordenador de Soluções Corporativas do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), Carlos Henrique Cândido.
O servidor destaca que esse primeiro uso, com a urna criada com teclado numérico igual ao de um telefone, teclas em braille e impressora acoplada, atendeu a 30% do eleitorado nacional. À medida que as eleições avançavam, o processo de informatização em Mato Grosso expandiu-se de forma gradativa.
Em 1998, o modelo UE98 foi utilizado na capital e em mais quatro polos regionais nas cidades de Sinop, Cáceres, Rondonópolis e Várzea Grande. Quando, então, a urna passou a exibir a foto dos candidatos e a extinguir a impressão direta do voto. No ano 2000, o equipamento ganhou saída de áudio e sensibilidade tátil, preparando o terreno para que, nas eleições de 2002, Mato Grosso e todo o Brasil passassem a ter votação 100% eletrônica.
Em paralelo, a Justiça Eleitoral aprimorou continuamente as camadas de segurança e auditabilidade do sistema. A experiência de 2002 com módulos impressos externos demonstrou problemas práticos, como maior tempo de fila, avaria de impressoras e aumento de votos nulos. Isso resultou na substituição definitiva da impressão pelo Registro Digital do Voto (RDV) a partir de 2004.
Nos anos seguintes, novos marcos foram consolidados, como a criação do sistema operacional Uenux em 2008, o início dos Testes Públicos de Segurança em 2009, a criptografia de hardware via ICP-Brasil, os Boletins de Urna com QR Code e a ampliação da acessibilidade para deficientes visuais e auditivos. Toda essa evolução técnica atua diretamente no combate a desinformação que busca semear dúvidas no eleitorado.
“Então, existem fake news, existem fatos que nunca passaram por uma urna, existem histórias contadas, e isso vai criando no imaginário do eleitor a ideia da possibilidade de fraude”, pontuou Cândido.
O servidor do TRE explica que existem mais de 30 barreiras contra manipulações, garantindo a proteção técnica do equipamento.
“Para você fazer qualquer tipo de fraude, você tem que coordenar essas pessoas. As pessoas vão estar ali, vão estar fiscalizando. São mesários, são policiais, são juízes, são promotores. Olha, por exemplo, Mato Grosso. São 40 mil pessoas envolvidas numa eleição”, explicou.
Partindo dessa hipótese de uma fraude intencional, seria necessário cooptar uma enorme parcela dessas pessoas sem que houvesse uma única denúncia, gravação de vídeo ou prova documental.
“É quase impossível você ter um cenário de fraude, em que você reúne tanta gente, tanta gente para fraudar, e ninguém nunca tenha denunciado, ninguém nunca tenha mostrado a fraude. Então, isso leva à condição para o campo da falácia”, concluiu.
A confiabilidade é assegurada pela ausência de qualquer conexão da urna com a internet e pelo rigoroso ciclo de vida do equipamento, que envolve desde a fabricação auditada até o procedimento de “aceite” realizado nas dependências do TRE-MT.
Ainda, a participação de mais de 100 entidades fiscalizadoras, incluindo o Ministério Público, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), partidos políticos e Forças Armadas, somada às auditorias do Teste de Integridade no dia da votação e à publicação simultânea dos arquivos de log e Boletins de Urna na internet, assegura que o voto registrado nos municípios mato-grossenses seja auditável e protegido do início ao fim.
Conheça a história das eleições em Mato Grosso
O Tribunal Regional Eleitoral mantém uma exposição permanente do memorial, que é aberta ao público e detalha a história das eleições, a evolução da urna eletrônica e o trabalho da Justiça Eleitoral em Mato Grosso. No local, é possível conhecer os diversos modelos de urnas utilizados ao longo dos anos, além de entender como era a apuração de votos desde o período colonial.
Para visitar, basta ir à Casa da Democracia, anexa ao TRE-MT, durante o horário de atendimento: de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 13h30.
GERAL
Campanha começa com Wellington 11 pontos à frente de Pivetta em MT
A campanha eleitoral começou oficialmente, neste domingo (16), com Wellington Fagundes (PL) na liderança e 11 pontos percentuais à frente do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), segundo pesquisa Percent Brasil.
Mais do que a distância entre os dois primeiros colocados, porém, o levantamento revela uma disputa ainda aberta: quase um quarto do eleitorado não escolheu candidato, mesmo quando recebe a lista com os nomes.
Wellington aparece com 32% das intenções de voto, contra 21% de Pivetta e 11% de Natasha Slhessarenko (PSD).
Os demais candidatos ficam em patamares inferiores. Os indecisos representam 24,5%.

A indefinição é muito maior na pesquisa espontânea, quando o entrevistador não apresenta os nomes dos concorrentes: 72,4% não apontam candidato.
A diferença entre as duas modalidades sugere que boa parcela do eleitorado reconhece e escolhe um nome quando confrontada com as alternativas, mas ainda não incorporou espontaneamente essa preferência.
É justamente esse contingente que tende a se transformar em um dos principais alvos das campanhas a partir de agora.
TRÊS CRESCEM – A série da própria PercentBrasil mostra outra característica relevante. Wellington, Pivetta e Natasha cresceram, simultaneamente, nos últimos três levantamentos.
Em junho, Wellington tinha 27%, avançou para 28% em julho e, agora, chega aos 32%.
Pivetta saiu de 17,2% para 18,7% e 21%. Natasha passou de 5,9% para 8,4% e alcançou 11%.
Isso significa que, até aqui, o crescimento de um candidato não ocorreu necessariamente às custas de outro.
Parte da movimentação pode estar associada à redução da indefinição e também às mudanças na configuração da disputa ao longo do período.
Na série Percent, Wellington acumulou cinco pontos de crescimento desde junho.
Pivetta avançou 3,8 pontos, enquanto Natasha apresentou proporcionalmente a maior expansão, praticamente dobrando de 5,9% para 11%.
Pesquisas eleitorais, porém, representam retratos do momento em que as entrevistas são realizadas e comparações precisam considerar metodologia, amostra, margem de erro e composição dos cenários.
DISTÂNCIAS DIFERENTES – A vantagem apontada pela PercentBrasil não se repete com a mesma intensidade em todos os levantamentos recentes.
Na pesquisa Real Time Big Data, realizada entre 7 e 11 de agosto, Wellington registrou 34%, Pivetta 26% e Natasha 13%, diferença de oito pontos entre os dois primeiros.
Já o MT Dados, em levantamento realizado entre 15 e 21 de julho, encontrou cenário de equilíbrio: Pivetta tinha 25,2% e Wellington, 24,3%, diferença inferior à margem de erro de três pontos percentuais. Natasha aparecia com 10,6%.
O Instituto Mais, em pesquisa divulgada no fim de julho, apontou Wellington com 33% e Pivetta com 21%, além de Jayme Campos, então incluído no cenário, com 19%.
A própria PercentBrasil havia registrado, em julho, Wellington com 28% e Pivetta com 18,7%.
As diferenças impedem que os resultados de institutos distintos sejam tratados como uma única série histórica.
Cada levantamento deve ser analisado de acordo com sua metodologia e período de campo.
DISPUTA PELO ELEITOR QUE AINDA NÃO ESCOLHEU – Com o início oficial da campanha, entram no jogo elementos que tiveram alcance limitado durante a pré-campanha: pedido explícito de voto, propaganda eleitoral, caminhadas, mobilizações, maior presença nas ruas e intensificação da comunicação digital.
É nesse ambiente que os 24,5% de indecisos da pesquisa estimulada ganham peso.
Para Wellington, o desafio passa a ser preservar a liderança registrada pela Percent e converter preferência eleitoral em voto consolidado.
Pivetta precisa ampliar seu alcance para reduzir a diferença apontada pelo levantamento.
Natasha, embora distante dos dois primeiros, começa a campanha depois de uma trajetória de crescimento na série da Percent.
Os números mostram, portanto, duas fotografias simultâneas da largada: Wellington começa na frente na PercentBrasil, mas uma parcela relevante do eleitorado ainda está disponível para ser conquistada.
E a espontânea reforça que, para grande parte dos mato-grossenses, a campanha propriamente dita está apenas começando.
SETE EM FEZ AINDA NÃO CITAM NOME DO GOVERNO – A campanha eleitoral começou neste domingo (16) com um paradoxo na disputa pelo Governo de Mato Grosso.
Ao mesmo tempo em que Wellington Fagundes (PL) lidera o cenário estimulado, com 32% das intenções de voto, sete em cada dez eleitores ainda não conseguem ou não querem citar espontaneamente um candidato quando perguntados em quem pretendem votar.
Na pesquisa espontânea da PercentBrasil, 72,4% dos entrevistados não indicaram um nome.
Quando o pesquisador apresenta a relação dos candidatos, entretanto, a indefinição despenca para 24,5%.
A diferença de quase 48 pontos percentuais entre as duas modalidades ajuda a medir o grau de consolidação das candidaturas neste início de campanha.
Na pesquisa estimulada, Wellington aparece com 32%, seguido pelo governador Otaviano Pivetta (Republicanos), com 21%, e Natasha Slhessarenko (PSD), com 11%.
O resultado dá ao candidato do PL uma vantagem de 11 pontos sobre Pivetta.
A espontânea produz uma fotografia diferente porque exige que o eleitor se lembre e indique sozinho o candidato, sem receber previamente uma lista de opções.
CAMPANHA AINDA TEM ESPAÇO – A comparação coloca uma questão importante para a próxima etapa da eleição: até que ponto a liderança registrada na pesquisa estimulada representa uma preferência já consolidada?
O levantamento não permite concluir que os 72,4% estejam necessariamente disponíveis para qualquer candidatura.
Parte desses eleitores pode ter preferência, mas não mencionar espontaneamente o nome; outros podem decidir apenas após maior exposição à campanha.
Por isso, espontânea e estimulada medem situações diferentes e não devem ser tratadas como se uma anulasse a outra.
O que os números mostram é que a lembrança espontânea dos candidatos ainda é significativamente menor do que a intenção de voto registrada quando os nomes são apresentados.
Para Wellington, o desafio será transformar a liderança estimulada em uma preferência cada vez mais consolidada.
Para Pivetta e Natasha, a elevada indefinição espontânea representa espaço para ampliar conhecimento e tentar alterar a atual distribuição das intenções de voto.
CAMPANHA MUDA O AMBIENTE – A partir deste domingo, os candidatos podem pedir votos oficialmente e intensificar propaganda, caminhadas, reuniões, entrevistas e comunicação pelas redes sociais.
Esse novo ambiente tende a aumentar a exposição dos concorrentes justamente entre os eleitores que ainda não associam espontaneamente um nome à disputa.
A série recente da PercentBrasil já registra crescimento dos três principais candidatos na pesquisa estimulada.
Wellington passou de 27% em junho para 28% em julho e 32% em agosto.
Pivetta avançou de 17,2% para 18,7% e 21%, enquanto Natasha saiu de 5,9% para 8,4% e 11%.
Os três cresceram simultaneamente, um sinal de que parte da movimentação até agora ocorre à medida que o eleitorado começa a formar sua escolha, e não necessariamente por transferência direta de votos entre os principais adversários.
Com 72,4% sem citar espontaneamente um candidato, portanto, a largada oficial ocorre com uma liderança definida na estimulada, mas com parcela expressiva do eleitorado ainda sem uma escolha suficientemente consolidada para aparecer quando nenhuma alternativa é apresentada.
A disputa das próximas semanas será justamente por transformar reconhecimento de nomes em preferência — e preferência em voto consolidado.
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