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OPERAÇÃO HERITAGE

PF afirma que empresas de bilionário financiaram créditos da Oi

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Foto: Divulgação

O empresário Joci Piccini, vice-prefeito de Lucas do Rio Verde e um dos nomes de destaque do agro de Mato Grosso, entrou no centro das investigações da Polícia Federal sobre a movimentação de centenas de milhões de reais envolvendo direitos creditórios da antiga operadora Oi.

Piccini e empresas ligadas ao seu grupo foram alvos da Operação Heritage, deflagrada no último dia 6, e tiveram bens bloqueados por determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a investigação, empresas pertencentes ao Grupo Piccini teriam fornecido os recursos utilizados no início da operação de compra dos direitos creditórios da Oi. Os créditos foram comprados pelo escritório do advogado, e hoje desembarador do TJ-MT, Ricardo Almeida.

Na decisão que autorizou as medidas cautelares, Dino afirmou que as empresas do grupo foram “identificadas como responsáveis pelo aporte inicial de recursos destinados à aquisição dos direitos creditórios relacionados à operação sob investigação”.

Após um acordo de R$ 308 milhões com o Governo de Mato Grosso, os créditos foram destinados a dois fundos de investimentos. A investigação busca esclarecer a origem dos recursos utilizados nessa primeira etapa e o caminho percorrido pelo dinheiro nas operações posteriores.

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Bloqueio de bens

A decisão do ministro Flávio Dino determinou ainda o sequestro e bloqueio de bens de Joci Piccini e de seu irmão, Hilário Renato Piccini, que morreu em maio deste ano. Os sigilos bancário e fiscal dos dois também foram quebrados.

As medidas alcançaram ainda empresas vinculadas ao grupo familiar, entre elas Amazônia Máquinas, Parecis Bioenergia, Dona Iracema Participações e Araguaia Agrícola.

Segundo a PF, a investigação procura esclarecer a origem, movimentação e destino dos recursos relacionados aos direitos creditórios e às operações financeiras realizadas posteriormente.

Império no agro

A dimensão econômica do Grupo Piccini é um dos pontos que chamam atenção no caso. A família possui uma rede de empresas ligadas principalmente ao agronegócio, entre elas Amazônia Máquinas, Parecis Bioenergia, Dona Iracema Participações e Araguaia Agrícola.

Esta última possui capital social de R$ 368 milhões, segundo informações publicadas pelo Metrópoles.

Outro empreendimento ligado à família é a RRP Energia. Em março deste ano, a empresa obteve uma linha de crédito de R$ 1 bilhão junto ao BNDES para implantação de uma usina de produção de etanol de milho em Tapurah.

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A família também participa da Parecis Bioenergia, empreendimento que anunciou investimentos estimados em R$ 750 milhões para implantação de uma usina de etanol de milho em Diamantino.

Além da atuação empresarial, Joci Piccini preside a Fundação Rio Verde, responsável pela Show Safra, uma das principais feiras de tecnologia e negócios do agronegócio do país.

Fac-símile de trecho da decisão do STF:

piccini fac

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Alvo de operação da PF, Grupo Piccini nega participação em fundos

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O Grupo Piccini afirmou que nenhuma das pessoas físicas ou jurídicas vinculadas às suas empresas possui participação nos fundos de investimento citados na Operação Heritage, da Polícia Federal. O posicionamento foi divulgado após o empresário Jovi Piccini ser alvo da investigação. Ele e empresas ligadas ao seu grupo tiveram os bens bloqueados.

A operação apura suspeitas envolvendo a destinação de recursos relacionados ao acordo de R$ 308 milhões firmado entre o Governo de Mato Grosso e a Oi. A investigação busca identificar o caminho percorrido por parte do dinheiro por meio de fundos de investimento e seus possíveis beneficiários.

Na decisão que autorizou a operação, o ministro Flávio Dino, do STF, afirmou que as empresas do grupo foram “identificadas como responsáveis pelo aporte inicial de recursos destinados à aquisição dos direitos creditórios relacionados à operação sob investigação”.

Em nota, o Grupo Piccini procurou separar os fatos investigados pela PF das atividades empresariais desenvolvidas pelas companhias da família.

“O Grupo Piccini acompanha com responsabilidade os desdobramentos da Operação Heritage e esclarece que os fatos objeto da investigação não dizem respeito às operações das empresas, à produção, às relações comerciais ou ao cumprimento dos contratos mantidos pelo Grupo”, afirmou.

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O grupo ressaltou ainda que a investigação não envolve indistintamente todas as empresas e atividades ligadas à família Piccini. Segundo o comunicado, cada companhia possui estrutura, operação e responsabilidades próprias.

A nota também faz uma negativa direta sobre eventual participação nos fundos mencionados na investigação.

“Decorrer do processo legal”

“O Grupo esclarece, ainda, que nenhuma das pessoas físicas ou jurídicas vinculadas às empresas possui participação nos fundos citados nas investigações”, afirmou.

Apesar da negativa, o grupo não entrou em detalhes sobre os motivos que levaram a Polícia Federal a incluir Jovi Piccini entre os alvos de bloqueio de bens.

Segundo o comunicado, os esclarecimentos específicos relacionados à investigação serão apresentados no decorrer do processo legal, “pelos meios adequados”, com transparência e respeito às autoridades.

O Grupo Piccini afirmou ainda que adotará as medidas ao seu alcance para colaborar com as apurações e contribuir para que os fatos sejam esclarecidos “o mais breve possível”.

As empresas, conforme a nota, continuam funcionando normalmente e mantendo seus compromissos com colaboradores, clientes, fornecedores e parceiros. O grupo afirma atuar há mais de 40 anos e diz que seguirá dedicado às suas atividades no agronegócio brasileiro.

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Confira a nota do grupo:

“O Grupo Piccini acompanha com responsabilidade os desdobramentos da Operação Heritage e esclarece que os fatos objeto da investigação não dizem respeito às operações das empresas, à produção, às relações comerciais ou ao cumprimento dos contratos mantidos pelo Grupo.

O Grupo ressalta ainda que a investigação não alcança indistintamente todas as empresas e atividades ligadas à família Piccini, que possuem estruturas, operações e responsabilidades próprias.

Todas as atividades empresariais seguem normalmente, assim como os compromissos assumidos com colaboradores, clientes, fornecedores e parceiros.

Sobre as investigações, os esclarecimentos necessários serão apresentados no decorrer do processo legal, pelos meios adequados, com transparência e respeito às autoridades responsáveis. O Grupo esclarece, ainda, que nenhuma das pessoas físicas ou jurídicas vinculadas às empresas possui participação nos fundos citados nas investigações.

A companhia adotará todas as medidas ao seu alcance para contribuir com a celeridade das apurações e para que os fatos sejam plenamente esclarecidos o mais breve possível. O Grupo Piccini segue dedicado às suas atividades, mantendo a responsabilidade e os compromissos que pautam sua atuação há mais de 40 anos, contribuindo para o desenvolvimento do agronegócio brasileiro.”

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