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Durante convenção

Deputado chama Mauro de traidor na mesa de convenção e vaias tomam conta do espaço

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Foto: Divulgação

O ex-governador Mauro Mendes (União), que preside o União Brasil em Mato Grosso, recebeu sonoras vaias dos seus correligionários durante convenção do partido, nesta quinta-feira (30). Além da reprovação generalizada, ele foi chamado de “traidor” por seu ex-líder de governo, o deputado estadual Dilmar Dal Bosco (União), o que alimentou ainda mais a indignação e vaias dos presentes. O parlamentar acusou o chefe da sigla de trair o partido ao rifar o projeto de candidatura própria ao governo do Estado, liderado pelo senador Jayme Campos (União).

Em vez de sustentar o nome do senador, o grupo de Mendes articulou o alinhamento e o apoio oficial da legenda à reeleição do atual governador Otaviano Pivetta (Republicanos). Com a camiseta do histórico PFL e empunhando o microfone, Dilmar disparou contra a cúpula partidária no palco. “Nunca na história deste PFL, nunca na história vi o partido traindo o partido!”, disse.

A fala inflamou o plenário, gerando gritos de apoio dos correligionários e uma onda de protestos contra os dirigentes sentados à mesa. Visivelmente constrangido, mas buscando manter o controle da convenção, Mauro Mendes assumiu a palavra logo na sequência para tentar responder ao ataque e conter os manifestantes que gritavam no auditório.

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Interrompido por sucessivas vaias da militância, Mendes procurou minimizar as acusações, enquadrando a escolha por Pivetta como uma decisão estratégica rotineira.

“Entendo o respeito e a consideração que tenho pelo senador Jayme, já manifestei isso diversas vezes. Entretanto, o partido decidiu que vai apoiar outro. Isso é uma decisão política!”, argumentou o ex-governador ao microfone. Para rebater o argumento de ineditismo do racha trazido por Dal Bosco, Mendes recorreu ao resgate histórico das fusões partidárias que originaram a atual legenda.

“O nosso partido, desde as suas origens históricas, por várias e várias e várias vezes, decidiu apoiar candidaturas de outros partidos. Não é salutar dizer que quem está apoiando não concorda com isso. Isso é uma opção política, de visão conjuntural”, defendeu-se o ex-governador sob clima tenso.

A confusão escancara a complexidade da trajetória política de Dilmar Dal Bosco. Conhecido por sua habilidade de articulação na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (AL-MT), o parlamentar vive uma situação emblemática: foi o homem de confiança e líder de governo durante toda a gestão de Mauro Mendes no Palácio Paiaguás e exerce hoje a liderança do governo Pivetta no parlamento estadual.

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Apesar de atuar como ponte da gestão estadual, Dal Bosco deixou claro no ato que sua lealdade partidária e pessoal permanece inabalável ao grupo liderado pelos irmãos Jayme e Júlio Campos, caciques fundadores e fiadores do antigo PFL e DEM no estado.

O embate público em Cuiabá sela o ápice da “guerra fria” travada há meses entre o pragmatismo eleitoral de Mauro Mendes e o peso tradicional da oligarquia Campos. Enquanto o grupo de Mendes celebra a composição pragmática com Pivetta, a ala dos Campos sinaliza que a ferida aberta na convenção deixará cicatrizes profundas na fidelidade da base governista durante a campanha.

 

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Jurídico do União Brasil rejeita pedido de Júlio Campos para barrar apoio a Pivetta: ‘Sem respaldo’

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O advogado Rodrigo Cyrineu, responsável pela assessoria jurídica do União Brasil, afirmou hoje (30) que a questão de ordem apresentada pelo deputado estadual Júlio Campos durante a convenção do partido não possui qualquer sustentação legal ou regimental. Júlio havia acionado a mesa para exigir que o Republicanos, partido do governador Otaviano Pivetta, enviasse um documento formal à sigla solicitando a coligação antes que a tese pudesse ir à votação.

Segundo Cyrineu, a cobrança foi analisada e rejeitada pela comissão organizadora por não ter previsão nas regras eleitorais do país ou nos regulamentos das legendas envolvidas.

O jurista disse que o ex-governador e presidente estadual da sigla, Mauro Mendes, tomou a precaução de realizar uma consulta prévia ao diretório nacional do União Brasil. A resposta da executiva nacional detalhou e disciplinou expressamente os procedimentos formais que deveriam ser adotados durante a convenção em Mato Grosso.

A exigência apresentada pelo deputado Júlio Campos não encontra nenhum respaldo na legislação eleitoral, no estatuto do União Brasil, do Republicanos ou de qualquer outro partido. O governador tomou o cuidado de fazer uma consulta, e o jurídico nacional disciplinou a convenção de forma minuciosa“, declarou o advogado.

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Durante o evento, Júlio tentou barrar a inclusão da tese de coligação com o Republicanos, chapa que apoia o governador Otaviano Pivetta, alegando falta de protocolo no prazo regimental e a ausência de um documento formal emitido pelo partido aliado solicitando a coligação.

Mauro Mendes classificou a tentativa do parlamentar como uma “regra inventada” sem qualquer respaldo na legislação eleitoral ou no estatuto interno da sigla.

Primeiro, ele está totalmente equivocado. O protocolo foi feito seis dias antes com membro da executiva, então o argumento naufraga logo de cara. Segundo: Republicanos tem que protocolar um pedido de coligação? De onde tirou isso? Procura na lei brasileira ou no estatuto do partido se tem isso. Ninguém pode inventar uma teoria e querer parar uma convenção“, declarou.

O embate em torno da questão de ordem reflete a tentativa da ala liderada pelos irmãos Campos de inviabilizar a tese de aliança com o Republicanos. O grupo do senador Jayme Campos buscava anular a proposta subscrita por Mauro Mendes antes que ela chegasse às urnas

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. A estratégia visava deixar a candidatura própria de Jayme como a única opção válida a ser deliberada na convenção, garantindo a aprovação do nome do senador sem passar pelo desgaste do voto secreto contra a força do grupo governista.

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