Infraestrutura travada
MT tem 2.705 obras paralisadas e prejuízo perto de R$ 4 bilhões
GERAL
Mato Grosso chega às eleições de 2026 com um desafio que deverá ser enfrentado pelo próximo governador: destravar 2.705 obras públicas paralisadas, que representam investimentos próximos de R$ 4 bilhões e afetam praticamente todos os municípios do Estado.
O diagnóstico foi apresentado pelo presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, que anunciou a intenção de entregar o levantamento aos candidatos ao Governo do Estado e propor alterações na legislação federal para garantir prioridade à retomada dessas obras.
Segundo ele, também será encaminhada ao presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União-AP), uma proposta de mudança na Lei nº 14.133/2021, a nova Lei de Licitações.
O objetivo é fazer com que as leis orçamentárias anuais priorizem recursos destinados à conclusão de empreendimentos paralisados, especialmente nas áreas de saúde, educação, segurança pública, assistência social e infraestrutura.
“Obras representam o aquecimento da economia, geram emprego e renda e, principalmente, garantem que a população tenha acesso a escolas, hospitais, creches, rodovias e outros serviços públicos essenciais”, afirmou Sérgio Ricardo, durante transmissão ao vivo pelo TCE.
SITUAÇÃO PREOCUPA
Dos 2.705 empreendimentos cadastrados como paralisados em Mato Grosso, 1.705 estão sem andamento há mais de 90 dias.
Para o presidente do TCE, a paralisação resulta de um conjunto de fatores, como disputas judiciais, dificuldades financeiras das empresas contratadas, necessidade de revisão de contratos, problemas orçamentários e até disputas políticas.
“Temos uma série de questões que levam à paralisação das obras. Em alguns casos há decisões judiciais; em outros, problemas financeiros ou empresas que venceram licitações oferecendo descontos incompatíveis com a execução do contrato. Resolver isso exigirá um esforço conjunto de todas as esferas do poder público”, afirmou.
Segundo ele, o objetivo é que os futuros governantes assumam o compromisso de transformar a retomada dessas obras em prioridade da próxima gestão.
PROBLEMA NACIONAL
O cenário mato-grossense reflete um problema de dimensão nacional.
Dados apresentados pelo TCE mostram que, em todo o Brasil, havia 11.469 obras públicas paralisadas em 2025, de um universo de 22.961 empreendimentos monitorados.
Essas obras já consumiram cerca de R$ 9 bilhões em recursos federais e ainda demandam aproximadamente R$ 30 bilhões para serem concluídas.
As áreas mais afetadas são justamente aquelas que impactam diretamente a população.
Na Saúde, 77,5% das obras estavam paralisadas. Na Educação, o índice alcançava 67,1%. Já os empreendimentos de infraestrutura e mobilidade urbana registravam paralisação de 38%.
I.A. AMPLIA FISCALIZAÇÃO
Para enfrentar o problema, o Tribunal de Contas passou a utilizar ferramentas tecnológicas desenvolvidas pela própria instituição.
Entre elas está o Platão, sistema de inteligência artificial lançado em 2025 para fortalecer a fiscalização preventiva e apoiar a gestão pública.
Desde maio deste ano, a plataforma passou a monitorar automaticamente todos os editais de licitação publicados pelos órgãos públicos de Mato Grosso, permitindo identificar riscos antes da assinatura dos contratos e reduzir a possibilidade de prejuízos aos cofres públicos.
Outra ferramenta é o módulo Obras Paralisadas, disponível no Radar de Controle Público desde 2021, que reúne informações em tempo real sobre cada empreendimento interrompido, incluindo valores investidos, tempo de paralisação e situação da obra.
Os dados são alimentados pelas próprias unidades gestoras por meio do Sistema Geo-Obras.
PRESTAÇÃO DE CONTAS
Sérgio Ricardo anunciou ainda que as obras paralisadas passarão a integrar os critérios de análise das prestações de contas municipais.
A partir deste exercício, prefeitos deverão informar ao Tribunal quais empreendimentos estão interrompidos, quanto já foi gasto, os motivos da paralisação e a empresa responsável pela execução.
“Essa situação não pode continuar assim. Precisamos conhecer cada caso para cobrar soluções e evitar que recursos públicos permaneçam imobilizados enquanto a população continua sem acesso aos serviços”, afirmou.
O RETRATO DAS OBRAS PARALISADAS
Mato Grosso
- 2.705 obras paralisadas
- 1.705 interrompidas há mais de 90 dias
- Quase R$ 4 bilhões em investimentos
Brasil
- 11.469 obras paralisadas
- 22.961 empreendimentos monitorados
- R$ 9 bilhões já aplicados
- R$ 30 bilhões ainda necessários para conclusão
TCE PASSA A MONITORAR EM TEMPO REAL
Platão
- Inteligência artificial desenvolvida pelo TCE-MT;
- monitora editais de licitação em tempo real;
- identifica riscos antes da contratação.
GERAL
Júlio questiona pesquisa eleitoral e anuncia ação no TRE-MT
O vice-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Júlio Campos (União Brasil), anunciou que acionará a Justiça Eleitoral para questionar uma pesquisa de intenção de voto que, segundo ele, não refletiria a realidade do cenário eleitoral no Estado.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, na noite de quinta-feira (23), o deputado afirmou ter recebido informações de que um levantamento seria divulgado nesta sexta-feira (24) com resultados que, na avaliação dele, teriam o objetivo de prejudicar a pré-candidatura do senador Jayme Campos (União) ao Governo de Mato Grosso.
“Tomamos conhecimento de que seria divulgada uma pesquisa falsa e mentirosa para prejudicar a pré-candidatura de Jayme Campos. Nossa assessoria jurídica já está adotando as providências junto ao Tribunal Regional Eleitoral”, afirmou Júlio Campos.
Segundo o parlamentar, o pedido deverá buscar a apuração da regularidade da pesquisa e da metodologia utilizada para a realização do levantamento.
PESQUISA REGISTRADA
Conforme dados do sistema de registro de pesquisas eleitorais da Justiça Eleitoral, a única pesquisa apta à divulgação nesta sexta-feira (24) é a do instituto Brasília Dados Ltda., registrada junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O levantamento foi contratado pelo Sistema Correio de Comunicação Ltda. e prevê a realização de 1.300 entrevistas.
De acordo com o registro oficial, o custo informado é de R$ 30 mil.
Ainda conforme os dados cadastrados na Justiça Eleitoral, a pesquisa utiliza questionário eletrônico estruturado em ambiente web, com amostragem posteriormente ajustada às características do eleitorado mato-grossense.
CONTESTAÇÃO
Nas redes sociais, Júlio Campos pediu que os eleitores aguardem a manifestação da Justiça antes de considerar os resultados do levantamento.
O parlamentar também afirmou que pretende solicitar esclarecimentos sobre os critérios adotados na pesquisa e sobre a forma de coleta das informações.
Até o momento, não havia decisão judicial suspendendo a divulgação do levantamento.
DISPUTA ELEITORAL
O episódio ocorre em meio à intensificação das articulações políticas para as convenções partidárias, marcadas para os próximos dias, quando serão oficializadas as candidaturas ao Governo do Estado, ao Senado e aos demais cargos em disputa.
Com a aproximação do período oficial de campanha, cresce também o número de pesquisas eleitorais registradas na Justiça Eleitoral.
Nos últimos pleitos, levantamentos divulgados durante a campanha foram alvo de questionamentos judiciais envolvendo metodologia, amostragem e forma de coleta dos dados.
Pela legislação eleitoral, toda pesquisa de intenção de voto destinada à divulgação pública deve ser previamente registrada na Justiça Eleitoral com informações sobre contratante, contratada, metodologia, período de coleta, universo pesquisado, plano amostral e custo do levantamento.
Eventuais contestações podem ser apresentadas ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) ou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que analisam a regularidade do estudo conforme a legislação vigente.
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