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Crescimento expressivo

Pesca feminina vem conquistando espaço e unindo mulheres no Pantanal de MT

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A pesca esportiva, historicamente vista como um universo masculino, vem sendo conquistada por um número cada vez maior de mulheres no Pantanal mato-grossense e mais do que um hobby, ela vem se tornando um ponto de encontro, de força e de união feminina. A prova mais recente desse movimento aconteceu nos dias 18 e 19 de julho, no Pesqueiro Ferrinho, na Boca das Conchas, em Barão de Melgaço (MT), palco da segunda edição do Torneio de Pesca Feminino Pantaneiras Originais. O evento reuniu 81 embarcações e 239 competidoras, superando com folga a primeira edição, que contou com 86 participantes.

Idealizadora do evento, Carol comemora o crescimento expressivo do torneio. “Nesse nosso primeiro torneio, nós tivemos 86 participantes, e foi uma edição muito boa também, mas a segunda edição superou a primeira. Para a gente, foi muito feliz, porque conseguimos fazer com que o evento andasse, com que o evento tivesse logística. Ainda mais aqui na minha região, porque a logística é bem difícil, mas foi um evento que a gente conseguiu ter o resultado que a gente queria, e a repercussão está sendo muito boa”, relata.

A história do torneio começou de forma simples, dentro da rotina do pesqueiro da própria família de Carol, que passou a receber grupos de mulheres apaixonadas pela pescaria.

“Esse sonho nasceu quando o primeiro grupo de pescaria… eu falei: nossa, poderia reunir essas mulheres todas num lugar só, poderia fazer com que elas todas se encontrassem. Então o meu objetivo era esse: reunir todas elas e poder fazer uma competição, algo que não tem na região”, conta. O que começou pequeno foi ganhando corpo com o apoio de patrocinadores: na primeira edição, o prêmio era um motor; na segunda, o empresário Elusmar contribuiu com uma embarcação completa, e Frances Moraes, da Marina Beira Rio, doou outro barco. “Os patrocinadores nos ajudam a manter o torneio vivo”, destaca Carol.

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Com a segunda edição encerrada e a repercussão positiva, os olhos da organização já se voltam para a terceira edição, que conta novamente com apoio de patrocinadores, entre eles, mais uma vez, Frances Moraes. O evento também chamou a atenção de autoridades da região: a prefeita de Santo Antônio de Leverger, Francieli, prestigiou a competição, ficou encantada com a organização e o alcance do torneio e já se comprometeu a apoiar ainda mais nas próximas edições.

“Organizar um evento desse não é fácil, é um grau de dificuldade imenso. Mas agora está ficando mais fácil, porque estamos conseguindo o apoio de algumas pessoas, de alguns empresários e também do poder público. E a gente acredita que a terceira edição vai ser melhor do que a segunda”, projeta Carol. O objetivo é consolidar o Pantaneiras Originais como um evento cultural fixo no calendário da região, “um torneio com qualidade, valorizando a mulher”.

Para além da disputa esportiva, o torneio carrega uma mensagem que vai além do rio e da pescaria. “Para a mulher entender que ela é forte, ela é determinada e ela pode qualquer coisa. Além de trazer lazer, a gente quer trazer força, empoderamento para as mulheres, e que elas possam entender que elas são amadas, que elas são queridas e que uma pode ajudar a outra. Não precisamos estar numa competição entre nós precisamos nos unir”, afirma Carol, que também destaca que o torneio não nasceu como disputa com o universo masculino da pesca.

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“Pelo contrário: a gente também vê o lado da pescaria, que é gostoso, é prazeroso, é bom estar no rio, vendo a natureza. A gente apoia 100% a pesca esportiva, e é esse caminho que a gente quer trilhar.”

Com premiação que incluiu uma embarcação de 6 metros com motor Yamaha 40 HP para as vencedoras, além de motor Yamaha 15 HP e prêmios por equipes, o Pantaneiras Originais se firmou como uma das principais referências de turismo esportivo feminino do Pantanal mato-grossense. Mais do que resultados esportivos, o torneio confirma uma tendência que vem se consolidando na região: a de que a pesca feminina não apenas conquista cada vez mais espaço, como também une, fortalece e aproxima mulheres que compartilham a mesma paixão pelo rio.

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Empreendedorismo 60+ cresce e impulsiona mercado; ‘nunca mais parei’

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Longe do estereótipo que associa a chegada aos 60 anos exclusivamente à aposentadoria, uma parcela crescente da população sênior assume o protagonismo econômico. Impulsionados pela busca por autonomia, pelo combate ao etarismo e pelo desejo de continuar produzindo, os chamados “empreendedores prateados” encontram um cenário promissor no estado, que reúne 338.784 empresas ativas e 287.479 Microempreendedores Individuais (MEI’s), segundo a Junta Comercial do Estado de Mato Grosso (Jucemat), onde a bagagem dos mais velhos se torna o grande diferencial para a longevidade dos negócios.

Em nível nacional, o Brasil contabiliza cerca de 4,5 milhões de donos de negócios com 60 anos ou mais, segundo o Sebrae e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em um crescimento superior a 58% na última década. Em Mato Grosso, no recorte a partir dos 45 anos, já são mais de 129 mil empreendedores (26% do total formalizado). Mas esse movimento vai além da renda, uma vez que a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor revela que quase 63% dos brasileiros entre 65 e 74 anos empreendem por oportunidade, em busca de propósito e realização pessoal, e não apenas por necessidade.

A trajetória da mestre em Educação, escritora e mentora Maria Amélia Ramos, 75, resume esse espírito de reinvenção. Após se aposentar no serviço público formal aos 56 anos, ela conta que a inatividade durou pouco.

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“Eu comecei em 2006, quando me aposentei. Fiquei 17 dias aposentada e isso já faz 20 anos. Nunca mais parei de trabalhar. Peguei logo um segundo emprego e fui me lançando em novos desafios”, relembra Maria Amélia.

Com passagens pelo Ministério da Educação e pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc), o fim de seu último contrato em 2020 foi o empurrão que faltava para criar o próprio negócio. No isolamento da pandemia, ela desenvolveu o projeto “Refletindo, agindo e mudando sua vida”, que impactou mais de 500 famílias vulneráveis, deu origem ao livro “A chave da mudança” (2024) e abriu portas para suas mentorias, palestras e o projeto “Mulheres em Movimento”.

Para Maria Amélia, incentivar o empreendedorismo na maturidade é mostrar que o trabalho nessa fase une satisfação, utilidade social e retorno financeiro.

“Para mim não é um passatempo. O diferencial é a alegria de ver a transformação de outra pessoa. A maior trava é a insegurança e o medo de não dar certo. A gente precisa se reinventar porque, muitas vezes, passa a vida trabalhando e não descobre uma habilidade ligada ao seu propósito que pode trazer renda extra, alegria e satisfação”, argumenta.

Essa experiência prática do público sênior ganha ainda mais relevância quando observados os dados de mortalidade das empresas em MT. Embora a Jucemat mostre um ritmo forte de aberturas, como os 7.493 novos negócios e 23.797 MEIs registrados apenas no 3.º quadrimestre de 2025, o estado também viu o encerramento de atividades saltar de 21 mil no início da década para 55 mil no ano passado.

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É justamente nessa alta rotatividade que a maturidade dos empreendedores se destaca, já que dados do Sebrae apontam que 58% dos negócios comandados por pessoas 60+ no estado ultrapassam 10 anos de funcionamento. O número revela alta resiliência, superando a média do mercado tradicional, no qual a maior taxa de mortalidade dos novos negócios ocorre justamente nos primeiros 2 a 5 anos de atividade.

Para quem deseja vencer a insegurança e empreender na terceira idade, Maria Amélia reforça que o segredo do sucesso está no preparo e na humildade para aprender.

“A pessoa tem que saber o que quer e buscar conhecimento. Não é só comprar o equipamento e ir para a rua. É pesquisar custos, fornecedores, licenças e buscar ajuda de quem tem experiência”, orienta a palestrante.

Aos 75 anos, com uma rotina ativa entre mentorias, exercícios e lazer, ela deixa um convite final ao incentivo e à persistência.

“Digo para nunca pararem de tentar e persistirem até conseguirem. Não desistam daquilo que vocês começaram. Tenha foco, fé, resiliência e persistência até dar certo”, conclui.

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