Valor ínfimo
TJ analisa nulidade de fazenda bilionária comprada via leilão em MT
GERAL
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso deve julgar nesta semana um processo que discute a legalidade da arrematação da Fazenda Santa Emília, avaliada em mais de R$ 2 bilhões, mas arrematada em leilão judicial por apenas R$ 130 milhões, pelo Banco Sistema S.A., instituição posteriormente associada a operação envolvendo o BTG Pactual, em uma disputa judicial com a Camponesa Agropecuária Ltda. A sentença de primeira instância já declarou a nulidade da arrematação.
A execução que levou o bem à hasta pública tem origem em uma cédula rural hipotecária no valor inicial de aproximadamente R$ 2,5 milhões. Conforme consta no processo, a Camponesa Agropecuária figurava como garantidora da operação, e não como devedora principal. Ainda assim, o imóvel foi penhorado e levado a leilão, o que passou a ser questionado sob o ponto de vista da legalidade da constrição patrimonial.
O leilão foi realizado com base em laudo de 2012, atualizado por índice inflacionário, sem nova perícia. Documentos juntados ao processo indicam valores superiores à avaliação utilizada, o que sustenta a discussão sobre eventual arrematação por valor inferior ao de mercado.
De acordo com os autos, parte relevante desse montante de R$ 130.548.576,00 pagos pelo BTG, no leilão realizado em 2018, foi composta por R$ 54.665.084,95 em créditos adquiridos de terceiros por apenas R$ 9,6 milhões, utilizados pelo Banco Sistema e que foram utilizados como forma de compensação no lance vencedor e sem seguro fiança, ainda que esses créditos não tivessem relação jurídica direta com a empresa proprietária do imóvel.
A sentença de nulidade da arrematação apontou que não houve pagamento efetivo do valor do lance, uma vez que a compensação realizada não atenderia aos requisitos legais de liquidez, exigibilidade e reciprocidade entre as partes. Também foi apontado que parte dos créditos utilizados teria sido adquirida por valor significativamente inferior ao montante apresentado na arrematação.
Uma perícia contábil também identificou divergências no valor do crédito executado. Enquanto o montante apresentado na execução ultrapassava R$ 75 milhões, o laudo apontou valor aproximado de R$ 43 milhões, atribuindo a diferença à adoção de critérios de cálculo considerados indevidos.
Além da forma de pagamento, o TJ analisa ainda a ausência de intimações consideradas essenciais, como comunicação da penhora, da avaliação do imóvel e da realização do leilão, além da expedição da carta de arrematação antes do prazo legal para impugnação.
Em manifestação na Assembleia Legislativa nesta semana, o deputado estadual Júlio Campos classificou o episódio como uma expropriação ilegal e cobrou maior segurança jurídica em Mato Grosso, destacando os impactos de decisões judiciais dessa natureza sobre o ambiente de investimentos no estado.
Defesa milionária
Na disputa milionária envolvendo a Fazenda Santa Emília, o banco BTG tem como um dos advogados do caso, o filho do ministro Luiz Felipe Salomão, vice-presidente do STJ, o advogado Rodrigo Cunha Mello Salomão. Além dele, fazem parte da banca o jurista Rodrigo Mudrovitsch e advogado Ussiel Tavares, que também atuou na defesa dos interesses do banco em Mato Grosso, incluindo medidas relacionadas à manutenção da posse do imóvel e à validade da arrematação realizada em 2018.
Ussiel Tavares foi alvo de investigação da Polícia Federal no âmbito da Operação Sisamnes, que apura suspeitas de irregularidades envolvendo a comercialização de decisões judiciais em tribunais superiores. As medidas incluíram ações cautelares autorizadas pela Justiça.
O processo também registrou desdobramentos no âmbito do próprio Tribunal de Justiça. O desembargador Dirceu dos Santos, que inicialmente atuava como relator no recurso contra a nulidade foi afastado pelo CNJ coincidentemente dois dias antes do julgamento.
O afastamento foi determinado pelo corregedor nacional de justiça, ministro do STJ Mauro Campbell Marques. A denúncia que motivou o afastamento partiu do próprio BTG, em ralação a este processo, que apontou suspeitas no contexto da tramitação do processo. O caso teve sua relatoria redistribuída para o juiz Antônio Veloso Peleja Júnior, substituto do desembargador Dirceu dos Santos, no TJ.
GERAL
Feriado registra duas mortes e 44 feridos em rodovias federais de Mato Grosso
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) encerrou, no último domingo (3), a Operação Dia do Trabalho 2026 em Mato Grosso com o registro de 34 acidentes, 44 pessoas feridas e duas mortes nas rodovias federais que cortam o estado. Além de cinco pessoas presas por embriaguez ao volante.
A ação teve início no dia 30 de abril e contou com reforço na fiscalização em pontos estratégicos, com foco na segurança viária durante o feriado prolongado.
Durante os quatro dias de operação, foram fiscalizados 4.148 veículos e abordadas 5.486 pessoas. Ao todo, 284 comandos de fiscalização foram realizados, resultando em 1.729 autos de infração.
Entre as principais irregularidades, a PRF destacou o excesso de velocidade, monitorado em 47 horas de uso de radar, e ultrapassagens indevidas, que somaram 179 autuações.
No combate à embriaguez ao volante, foram realizados 3.053 testes de alcoolemia. A fiscalização resultou em 29 autuações e na prisão de 5 motoristas por dirigirem sob efeito de álcool.
Também foram registradas infrações como a falta do uso do cinto de segurança, transporte irregular de crianças (67 casos) e descumprimento do tempo de descanso por motoristas profissionais (89 ocorrências).
Em relação aos veículos, a PRF recolheu 401 Certificados de Registro e Licenciamento (CRLV) e removeu 98 automóveis.
Além das ações de trânsito, a operação também teve foco no combate ao crime, com apreensão de drogas e a detenção de 16 pessoas por diferentes delitos.
Segundo a PRF, todas as ocorrências foram encaminhadas às autoridades competentes, e a instituição reforçou o compromisso de manter ações contínuas para reduzir acidentes e preservar vidas nas rodovias federais.
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