Pesquisar
Close this search box.
CUIABÁ
Pesquisar
Close this search box.

ARTIGO

O novo marketing político: Eles sabem mais sobre você do que você imagina – eleições parte 3

Publicado em

OPINIÃO

A política sempre tentou convencer você. Isso não é novidade. O que mudou e mudou muito, é o nível de precisão. Hoje, com o uso de Inteligência Artificial e análise massiva de dados, campanhas políticas não falam mais com multidões. Elas falam diretamente com você. Só com você.

Cada curtida, cada busca, cada vídeo assistido até o fim ajuda a montar um perfil detalhado sobre quem você é: seus medos, suas crenças, suas dúvidas, suas fragilidades. Com isso, campanhas conseguem criar mensagens sob medida, desenhadas para atingir exatamente o que mais mexe com você no momento certo, pelo canal certo, com a emoção certa.

Na prática, isso significa que duas pessoas que moram na mesma rua podem receber versões completamente diferentes da realidade política, cada uma pensada para influenciar sua decisão de forma silenciosa, sem que nenhuma das duas saiba da existência da outra versão. E tudo isso acontece sem que você perceba.

Em 2026, esse cenário vai atingir um nível inédito no Brasil. Serão mais de 32 mil candidatos disputando simultaneamente sua atenção, de Presidente da República, Senadores, Deputados Federais, Governadores e Deputados Estaduais. Nunca houve tanta pressão por visibilidade num único ciclo eleitoral. Mas essa disputa não acontece mais apenas na TV ou nas ruas. O verdadeiro campo de batalha está no seu celular.

O que aparece para você não é aleatório. É escolhido. Personalizado para seu perfil pela IA.

Algoritmos filtram informações e constroem um ambiente onde você vê, na maior parte do tempo, conteúdos que confirmam aquilo que você já acredita. Isso dá uma sensação confortável de certeza, mas na verdade, pode estar estreitando sua visão sem que você note.

Leia Também:  Para reduzir o endividamento

A Inteligência Artificial levou esse processo a um novo patamar. Hoje, campanhas conseguem testar centenas de versões de uma mesma mensagem em tempo real e descobrir qual provoca mais emoção, seja medo, raiva, esperança ou indignação em cada perfil de pessoa. O sistema aprende, se ajusta e melhora sozinho, sem parar, atingindo seu inconsciente na escolha que você passa a acreditar.

E emoção, na política, vale mais do que informação.

Esse uso avançado de tecnologia cria um desequilíbrio profundo. Campanhas com mais recursos investem pesado em dados e inteligência digital, enxergando o eleitor com uma clareza que candidatos menores jamais terão. Isso não afeta só quem disputa, afeta diretamente a qualidade da escolha que chega até você. O candidato escolhido é realmente aquele que você imaginava te representar?

Mas o ponto mais crítico é outro: a maioria das pessoas não percebe que está sendo influenciada.

A sensação é de escolha livre. E é justamente essa sensação que torna o processo tão eficaz. Na prática, sua decisão pode ter sido cuidadosamente moldada muito antes de você perceber. Conteúdos feitos sob medida, baseados no seu histórico digital, nos seus interesses, nos seus medos foram entregues a você de forma repetida e invisível. O resultado: você se afastou do Candidato A sem saber exatamente o porquê, e passou a ver o Candidato B como a escolha óbvia. Não foi sua conclusão. Foi uma conclusão plantada. Isso é o novo marketing político personalizado, silencioso e projetado para influenciar um eleitor de cada vez.

Leia Também:  O papo que rola na internet… Cuidado

Com isso, a sociedade vai se fragmentando de forma silenciosa. Grupos diferentes passam a viver em realidades diferentes, acreditando em versões opostas dos mesmos fatos, sobre os mesmos candidatos, sobre os mesmos eventos. O espaço comum de debate desaparece, substituído por bolhas onde só entra o que reforça certezas  e onde qualquer ideia diferente parece absurda ou perigosa.

Quando o diálogo some, a democracia enfraquece por dentro.

Além disso, surgem ameaças ainda mais concretas. Vídeos falsos extremamente realistas, áudios manipulados e perfis automáticos que se passam por eleitores comuns já são ferramentas reais e cada vez mais difíceis de detectar. Eles podem fabricar escândalos, gerar crises instantâneas e mudar o rumo de uma eleição inteira.

Sem barulho. Sem aviso. Sem deixar rastro.

A Inteligência Artificial não é apenas uma ferramenta de marketing. Ela está redefinindo o jogo político e também, os limites do que é aceitável numa disputa democrática.

A grande questão não é se isso está acontecendo. Já está. A questão é: o quanto disso você consegue perceber? Porque, no fim, a decisão ainda é sua ou deveria ser.

Mas entender como ela pode estar sendo influenciada, em 2026, nunca foi tão urgente.

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

OPINIÃO

O papo que rola na internet… Cuidado

Publicados

em

Há algo de sedutor na velocidade com que determinadas tendências digitais se instauram. Em questão de horas, um formato se espalha, uma frase se repete, um roteiro se consolida e, quase que de maneira automática, perfis pessoais e institucionais passam a reproduzi-lo como se ali estivesse uma oportunidade irrecusável de visibilidade ou retorno financeiro. É o caso recente de trends como o “dizem por aí”, “o papo que rola na internet” ou a chamada “trend dos filhos”, que rapidamente dominaram o ambiente das redes sociais, impulsionados por uma lógica simples, acessível e altamente replicável.

Mas é justamente nessa aparente simplicidade que reside o risco.

A adesão imediata, sem reflexão, costuma ser movida por um impulso que privilegia o alcance em detrimento da coerência. Publica-se porque está em alta, porque todos estão fazendo, porque o algoritmo parece favorecer. No entanto, há uma dimensão que frequentemente é negligenciada nesse processo: o que realmente agrega para a sua imagem e reputação.

Nem tudo o que gera engajamento fortalece posicionamento.

Existe uma diferença abissal entre ser visto e ser reconhecido. A visibilidade, por si só, pode ser efêmera e, em certos casos, até contraproducente. Já o reconhecimento exige consistência, intencionalidade e, sobretudo, alinhamento entre o conteúdo produzido e a identidade que se deseja consolidar. Quando esse alinhamento se rompe, o resultado pode ser um ruído difícil de corrigir.

O problema não está na tendência em si, mas na ausência de critério ao adotá-la.

Antes de incorporar qualquer formato viral, é indispensável que se faça uma leitura mais profunda. Esse conteúdo dialoga com os valores que sua marca ou sua imagem pessoal pretende transmitir? Ele reforça sua autoridade ou a dilui? Ele contribui para que você seja percebido como alguém relevante ou apenas como mais um participante de uma corrente passageira?

Leia Também:  Livre arbítrio

A resposta a essas perguntas define o limite entre estratégia e improviso.

Há um aspecto ainda mais sensível nesse cenário: a percepção do público. A audiência, mesmo que de forma intuitiva, distingue quando um conteúdo carrega autenticidade e quando é apenas uma tentativa de se inserir em uma onda. E essa percepção se traduz em reputação. Em muitos casos, o que se produz com a intenção de aproximar pode gerar o efeito inverso, provocando distanciamento ou até desconforto. O que se convencionou chamar de “vergonha alheia” não é apenas uma reação estética, mas um sinal claro de desalinhamento entre mensagem e identidade.

Construir presença digital relevante exige mais do que aderir ao que está em evidência. Exige clareza sobre como se quer ser visto e lembrado.

Esse processo, no entanto, não é solitário. Quando há uma equipe de comunicação envolvida, o cuidado precisa ser ainda maior. Tendências virais frequentemente surgem como sugestões legítimas dentro de um planejamento, mas cabe ao líder, à marca ou à figura pública exercer um papel ativo nesse filtro. É fundamental defender com clareza seus valores, sua missão e o posicionamento que se pretende consolidar. Da mesma forma, é preciso maturidade para ouvir a equipe quando o alerta vier no sentido oposto, indicando que determinada exposição pode gerar mais desgaste do que resultado.

É importante ressaltar que alinhamento de comunicação não é formalidade, é proteção de reputação.

Essa lógica se torna ainda mais crítica em ambientes de maior pressão, como campanhas eleitorais. Nesse contexto, a ansiedade por visibilidade pode levar à adoção indiscriminada de tendências, na tentativa de gerar engajamento rápido, ampliar alcance ou simplesmente parecer mais próximo do público. O problema é que nem toda viralização constrói conexão real.

Leia Também:  O papo que rola na internet… Cuidado

É preciso compreender, com clareza, que engajamento não se traduz automaticamente em voto.

Quando o conteúdo não dialoga com a essência do candidato, com sua trajetória ou com as causas que representa, ele pode até gerar números expressivos no curto prazo, mas dificilmente se converterá em confiança, muito menos em voto. E, sem confiança, não há construção política consistente. A incoerência, ainda que momentânea, tende a ser percebida e cobrada.

Isso não significa rejeitar as tendências de forma categórica. Pelo contrário, quando bem utilizadas, elas podem ser ferramentas potentes de conexão e atualização de linguagem. O ponto central está na curadoria. Nem toda tendência serve para todos. Nem todo formato conversa com todos os posicionamentos. E nem todo ganho imediato compensa um possível desgaste de imagem no médio prazo.

A busca por aprovação instantânea não pode se sobrepor à construção de credibilidade. Porque, ao final, o que sustenta uma presença sólida não é a quantidade de likes, mas a percepção contínua de valor. O ideal é que cada conteúdo publicado reforce essa percepção, despertando no público não apenas atenção, mas respeito.

Em um ambiente em que tudo se replica com facilidade, a verdadeira diferenciação está na capacidade de escolher com consciência.

E, talvez, o maior sinal de maturidade comunicacional não esteja em participar de todas as tendências, mas em saber, com precisão, de quais delas é melhor ficar de fora.

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

ENTRETENIMENTO

MAIS LIDAS DA SEMANA