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Centralização

TCE vê falha em licitação de R$ 136,9 milhões, barra novas adesões e cobra mudanças da SES

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GERAL

Foto: Divulgação

O Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) identificou irregularidades no processo licitatório de R$ 136,9 milhões realizado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) para aquisição e instalação de móveis planejados destinados a hospitais e unidades de saúde de Cuiabá e Várzea Grande.

Em decisão publicada nesta segunda-feira (3), o conselheiro Antonio Joaquim determinou a suspensão de novas adesões à ata de registro de preços, mas descartou, neste momento, a aplicação de multa ao ex-secretário Gilberto Figueiredo.

A análise do Tribunal teve origem em uma representação apresentada por uma empresa participante do certame, que questionou o formato adotado no Pregão Eletrônico nº 67/2024. O principal ponto levantado foi a concentração de 37 serviços distintos em um único lote, estratégia que, segundo a denúncia, teria limitado a participação de empresas de menor porte e reduzido a competitividade da disputa.

Durante a instrução do processo, a Secretaria de Saúde defendeu que a contratação em lote único buscava garantir uniformidade no mobiliário das unidades hospitalares, além de facilitar a gestão contratual, a logística e a fiscalização. A pasta também sustentou que a exigência do uso de MDF e MDF Ultra foi baseada em critérios técnicos relacionados à durabilidade e às condições exigidas em ambientes hospitalares.

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Ao analisar o caso, Antonio Joaquim concluiu que a justificativa apresentada pelo Estado não foi suficiente para afastar a regra prevista na nova Lei de Licitações, que prioriza o parcelamento do objeto sempre que possível para ampliar a concorrência.

Na decisão, o conselheiro destacou que a padronização dos móveis não impediria a adoção de outros modelos de contratação. Conforme registrou, a Administração poderia ter dividido a licitação por hospitais, por setores ou até por grupos de mobiliário semelhantes, preservando a uniformidade dos produtos sem concentrar todos os serviços em um único lote.

Apesar da falha identificada, o TCE afastou as suspeitas de sobrepreço, superfaturamento ou prejuízo aos cofres públicos. Auditorias realizadas durante a execução dos contratos verificaram que móveis já haviam sido entregues ao Centro Integrado de Reabilitação (CIDRAC) e ao Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), além de constatarem que os pagamentos efetuados, que somam R$ 1,6 milhão, estavam compatíveis com os valores contratados.

Diante desse cenário, Antonio Joaquim decidiu que não havia elementos para responsabilizar o então secretário de Estado de Saúde com aplicação de multa. Segundo ele, as falhas remanescentes têm caráter predominantemente formal e não foram acompanhadas de indícios de dano ao erário ou de irregularidades graves na execução contratual.

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Como medida corretiva, o conselheiro proibiu novas adesões à Ata de Registro de Preços nº 36/2024, determinou a abertura de procedimento específico para acompanhar o cumprimento da decisão e ordenou que a equipe técnica do Tribunal mantenha a fiscalização dos contratos em andamento. Também recomendou que a Secretaria aperfeiçoe os estudos técnicos preliminares, as pesquisas de mercado e o planejamento das próximas licitações para evitar que situações semelhantes voltem a ocorrer.

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GERAL

Mesmo com menor área plantada e chuvas atípicas, MT deve bater recorde na produtividade do algodão

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Mesmo com uma redução de 11,11% na área destinada ao cultivo de algodão na safra 2025/26, Mato Grosso caminha para registrar a maior produtividade da série histórica do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A estimativa é de rendimento médio de 315,33 arrobas por hectare, superando o recorde anterior de 315,12 arrobas por hectare, alcançado na temporada passada.

A projeção faz parte do Relatório de Oferta e Demanda divulgado pelo Imea nesta segunda-feira (3). De acordo com o instituto, o desempenho é resultado das condições climáticas favoráveis ao longo do desenvolvimento da cultura.

Apesar do registro de chuvas atípicas na região oeste do estado, o clima contribuiu para minimizar parte das dificuldades enfrentadas pelos produtores durante o plantio e garantiu um cenário positivo para o desenvolvimento das lavouras.

Mesmo com a produtividade recorde, a retração da área cultivada terá reflexo sobre o volume colhido. O estado deve produzir 6,51 milhões de toneladas de algodão em caroço e 2,67 milhões de toneladas de pluma, volumes cerca de 11% inferiores aos registrados na safra anterior.

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Recuo no cultivo

A redução da área plantada está ligada, principalmente, ao recuo no cultivo do algodão de primeira safra. Segundo o Imea, os elevados custos de produção e os preços menos atrativos no momento da definição do plantio levaram muitos produtores a reduzir os investimentos na cultura.

Mesmo assim, a safra segue com perspectivas positivas. O instituto ressalta que apenas um fator ainda inspira atenção: as chuvas registradas em meados de junho e em agosto, durante a abertura dos capulhos em algumas regiões, podem comprometer pontualmente a qualidade da fibra.

Chuvas atípicas

Em municípios como Sapezal (MT), produtores chegaram a registrar o impacto de chuvas atípicas em um momento decisivo da produção: o da colheita. Esse é o caso do produtor Valcir Scariote, que publicou nas redes sociais o cenário da lavoura após registro de chuva na região.

Nas imagens, Valcir retira o algodão da planta e aperta a pluma com as mãos. A quantidade de água acumulada chama a atenção. “Como vai ficar a qualidade desse algodão? Uma pena, cara. Uma área imensa aqui pronta para ser colhida”, lamenta.

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Mercado aquecido

No mercado internacional, Mato Grosso deve manter forte presença. A expectativa é que 76,3% da pluma produzida no estado, o equivalente a 2,09 milhões de toneladas, seja destinada às exportações.

O relatório também aponta que mais de 97% dos estoques finais projetados já estão comercializados, indicando baixa disponibilidade de fibra para novas negociações ao longo da temporada.

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