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Suposta venda de sentenças

STF manda PF investigar ministro por relação com lobista de MT

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Foto: Divulgação

O ministro Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal), mandou a Polícia Federal investigar o ministro Moura Ribeiro, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), no inquérito que apura um suposto esquema de venda de decisões judiciais na corte.

A informação foi divulgada pela Folha de São Paulo, nesta quinta-feira (23), em uma reportagem dos jornalistas José Marques e Luísa Martins.

Segundo a reportagem, a investigação seria por conta de uma suposta relação do ministro com o lobista de Mato Grosso, Andreson de Oliviera Gonçalves, e a esposa dele, Mirian Ribeiro.

Moura Ribeiro é o primeiro ministro do STJ investigado no caso, cujas apurações tramitam no STF desde 2024.

Por meio da assessoria do STJ, Moura Ribeiro disse que “desconhece a existência de investigação instaurada sobre decisões que tenha proferido”. A defesa de Andreson e Mirian sempre negou que tivessem cometido irregularidades.

 

Leia a reportagem da Folha:

Zanin autoriza investigação da PF sobre ministro do STJ em inquérito que apura venda de decisões

O ministro Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a Polícia Federal a investigar o ministro Moura Ribeiro, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), em inquérito sobre venda de decisões judiciais na corte.

Leia Também:  CNJ cobra mudanças no transporte de presos em MT após policiais rodarem 115 mil km para audiências de custódia

É o primeiro ministro do STJ investigado no caso, cujas apurações tramitam no Supremo desde 2024.

A investigação aponta decisões do ministro sob suspeita de terem relação com o lobista Andreson de Oliviera Gonçalves e sua esposa, Mirian Ribeiro, além de transferências a um funcionário que atou no gabinete dele em 2019, e saiu do tribunal em 2021.

Procurado por meio da assessoria do STJ, Moura Ribeiro disse que “desconhece a existência de investigação instaurada sobre decisões que tenha proferido”.

“O servidor citado pelo jornal atuou como ‘assistente de plenário’ de 30/01/2019 a 16/06/2019, tendo antes trabalhado em outro gabinete, e foi exonerado da função após atuação irregular, a pedido do próprio Ministro.”

“Magistrado há mais de quatro décadas, o ministro Moura Ribeiro tem trajetória honrada e enfatiza que são completamente improcedentes quaisquer tentativas de associá-lo a fatos criminosos.”

A defesa de Andreson e Mirian sempre negou que ele tivesse cometido irregularidades. Procurado, o advogado dos dois, Eugênio Pacelli, diz que “não surpreende a busca de alguma autoridade pra legitimar a permanência da jurisdição do STF” e que a própria PF diz que ainda não tem elementos suficientes para concluir se o ministro cometeu irregularidades. O foro especial de integrantes do STJ é no Supremo.

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A informação sobre a decisão de Zanin foi divulgada inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela Folha.

O funcionário do STJ que atuava para Moura Ribeiro era um auxiliar das sessões da corte, chamado de “capinha”. Outros ministros já estranhavam a condutas do funcionário à época da sua atuação do tribunal. Foi aberto um processo administrativo contra ele e o STJ decidiu pela sua exoneração.

Em maio, a PGR (Procuradoria-Geral da República) denunciou nove pessoas na investigação sobre suspeita de vendas de decisões judiciais no STJ.

Entre os denunciados, estão Andreson e Mirian. Também foram denunciados um ex-servidor do STJ que trabalhou em diversos gabinetes, e o ex-chefe de gabinete da ministra Isabel Gallotti.

Até aquele momento, nenhum ministro do tribunal era investigado, e a denúncia não menciona qualquer membro da corte.

A investigação envolve decisões suspeitas e transferências a um funcionário que atou no gabinete de Moura em 2019 e saiu do tribunal em 2021.


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CNJ cobra mudanças no transporte de presos em MT após policiais rodarem 115 mil km para audiências de custódia

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O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) reformule, em até 60 dias, o fluxo de custódia e transporte de presos apresentados em audiências de custódia no estado.

A decisão de sexta-feira (17) atende parcialmente a um pedido do Sindicato dos Policiais Civis de Mato Grosso (Sinpol-MT), que apontou que investigadores e delegados vêm assumindo atividades que são de responsabilidade da Polícia Penal, segundo a legislação.

No processo, o Sinpol-MT alegou que com a implantação do Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias, modelo de realização das audiências de custódia, policiais civis passaram a ficar responsáveis pela guarda de presos em fóruns e delegacias.

Além disso, estariam fazendo também o transporte dos custodiados entre unidades policiais, fóruns e estabelecimentos penais, provocando longos deslocamentos, interrupção do atendimento nas delegacias e atrasos nas investigações de competência da Polícia Civil.

Relatório apontou problemas em mais da metade das diligências

Durante o processo, a entidade ainda argumentou que relatório técnico da Polícia Judiciária Civil analisou 1.007 diligências entre 4 de janeiro e 10 de fevereiro de 2026.

O levantamento registrou 523 ocorrências com algum tipo de problema, o equivalente a 51,94% dos casos analisados. Entre elas, foram identificadas:

  • 262 situações em que não havia responsável para receber o preso no fórum;
  • 58 retornos de custodiados às delegacias;
  • 183 conduções posteriores aos presídios realizadas pela Polícia Civil;
  • 20 fechamentos temporários de delegacias em razão da ausência das equipes.

Segundo o documento, os policiais percorreram mais de 115 mil quilômetros no período analisado, com média de 114,77 quilômetros e 3 horas e 23 minutos por diligência.

Nos casos em que foi necessário levar o preso ao sistema prisional, o tempo médio chegou a 5 horas e 2 minutos. A comissão estimou que essas atividades consumiram, em média, 42% da jornada diária dos investigadores envolvidos.

CNJ determina mudanças nas audiências de custódia

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) reformule, em até 60 dias, o fluxo de custódia e transporte de presos apresentados em audiências de custódia no estado.

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A decisão atende a uma provocação do Sinpol-MT, sindicato que alegou que policiais civis vêm exercendo funções que seriam de competência da Polícia Penal.

O pedido se baseou em um relatório da Polícia Civil que analisou 1.007 diligências realizadas entre 4 de janeiro e 10 de fevereiro de 2026. O levantamento identificou intercorrências em 523 casos — o equivalente a 51,94% do total.

Entre os problemas apontados, 262 presos chegaram ao fórum sem que houvesse responsável para recebê-los, e 58 custodiados precisaram retornar às delegacias por falhas no fluxo de atendimento. Em 183 casos, a própria Polícia Civil precisou conduzir os presos até os estabelecimentos penais. Como consequência do deslocamento das equipes, 20 delegacias ficaram temporariamente sem atendimento.

O relatório também quantificou o desgaste operacional: os investigadores percorreram mais de 115 mil quilômetros no período, média de 114,77 km por diligência, com cada atendimento consumindo em média 3 horas e 23 minutos — tempo que sobe para 5h02 quando há condução ao presídio. A comissão estimou que essas atividades comprometeram cerca de 42% da jornada diária dos investigadores.

O CNJ quer definir responsabilidades para evitar que policiais civis permaneçam responsáveis pela custódia e transporte de presos além do previsto em lei.

TJMT e Sejus defenderam modelo

Em sua manifestação, o Tribunal de Justiça informou que o Núcleo de Justiça 4.0 foi implantado conforme determinação do próprio CNJ e atende as 79 comarcas de Mato Grosso por meio de sete polos regionais e dez gabinetes.

O tribunal afirmou ainda que, entre dezembro de 2025 e março de 2026, realizou 2.136 audiências de custódia e sustentou que eventuais dificuldades são pontuais e decorrentes do período de implantação do novo sistema.

Já a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus) defendeu que a responsabilidade da Polícia Penal começa apenas após o ingresso formal do preso no sistema penitenciário, mas informou que já mantém apoio em algumas comarcas, com policiais penais atuando em fóruns e equipes responsáveis pelo recolhimento de presos em determinados municípios.

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TJMT terá de adotar medidas com prazo

Na decisão, o conselheiro Ulisses Rabaneda, destacou que o Supremo Tribunal Federal (STF) já definiu que a Polícia Civil pode manter a custódia apenas de forma excepcional e transitória, durante a prisão em flagrante ou o cumprimento de mandados.

A guarda ordinária de pessoas presas, contudo, não pode ser atribuída rotineiramente aos investigadores, sob pena de caracterizar desvio de função.

“A controvérsia ultrapassa interesse corporativo isolado. O modo de apresentação de pessoas presas repercute sobre a atividade investigativa, a segurança dos fóruns, o funcionamento das delegacias, a dignidade dos custodiados, a regularidade das audiências e a eficiência da prestação jurisdicional em todo o Estado. O requisito de interesse geral está, portanto, presente”, destacou.

Diante disso, o conselheiro determinou que o TJMT apresente, em até 60 dias, um plano estadual provisório de contingência para organizar o fluxo de custódia em todas as comarcas. O documento deverá definir, entre outros pontos:

  • o local de recebimento da pessoa presa em cada comarca;
  • o órgão responsável pela custódia;
  • horários e contatos permanentes;
  • confirmação do recebimento antes do deslocamento para audiência;
  • proibição do retorno do preso à delegacia por mera falta de logística;
  • registro formal de qualquer apoio prestado pela Polícia Civil.

Além disso, o Tribunal terá 120 dias para concluir um protocolo interinstitucional definitivo, elaborado em conjunto com Sejus, Secretaria de Segurança Pública, Polícia Penal, Polícia Civil, Ministério Público, Defensoria Pública, OAB-MT e Sinpol-MT.

O objetivo é estabelecer uma matriz de responsabilidades para transporte, custódia, comunicação e monitoramento das pessoas presas durante as audiências de custódia em Mato Grosso.

O Primeira Página entrou em contato com o TJMT e a Sejus-MT e aguarda posicionamento.

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