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Advogado assassinado

Justiça inclui espólio de Roberto Zampieri em ação de cobrança de R$ 1,2 milhão por compra de fazenda

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GERAL

A juíza Ana Cristina Silva Mendes, da 4ª Vara Cível de Cuiabá, deu andamento a uma ação que cobra uma dívida de R$ 1,2 milhão ligada a uma negociação rural da qual participou o advogado Roberto Zampieri, assassinado em dezembro de 2023. No processo, ela reconheceu a validade das citações de Pedro Nardelli e Julia Maria Leonardi Nardelli, além de confirmar a inclusão do espólio de Zampieri na cobrança judicial.

A execução foi proposta por Nelson Baptista de Souza e tem como base uma confissão de dívida assinada em maio de 2021. Segundo os autos, o débito está relacionado a um acordo firmado anos antes para a aquisição de parte da Fazenda São João do Suiá Missú, localizada no município de Canarana, a 651 quilômetros de Cuiabá.

Quando a ação foi ajuizada, em agosto de 2023, o valor vencido era de R$ 918 mil. Posteriormente, o credor informou que uma nova parcela de R$ 300 mil venceu durante a tramitação do processo, elevando a dívida para R$ 1,224 milhão, sem considerar juros e demais encargos previstos em contrato.

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Um dos pontos analisados pela magistrada foi a regularidade da citação de Pedro Nardelli e Julia Maria Leonardi Nardelli. Embora as correspondências tenham sido recebidas por outra pessoa no endereço informado pelos devedores, em São José do Rio Preto (SP), a juíza entendeu que o ato foi válido, uma vez que a entrega ocorreu no local correto e foi recebida por alguém da mesma família, circunstância suficiente para presumir que os destinatários tiveram conhecimento da ação.

Em relação a Roberto Zampieri, morto em 5 de dezembro de 2023, a magistrada decidiu que não são necessárias novas tentativas de citação da inventariante Adriana Ribeiro Garcia Bernardes Zampieri. Isso porque o espólio já se manifestou no processo por meio de advogados constituídos, o que, segundo a legislação, supre a exigência de citação formal.

A decisão também autorizou a inclusão das parcelas vencidas após o ajuizamento da ação. Com isso, Nelson Baptista de Souza foi intimado a apresentar, no prazo de 15 dias, um cálculo atualizado da dívida, incluindo todas as parcelas vencidas e os encargos contratuais.

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Caso a atualização não seja apresentada dentro do prazo estabelecido, a execução poderá ser suspensa até que haja novo impulso processual.

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GERAL

Entrega voluntária de bebês para adoção cresce mais de 900% em Mato Grosso

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Foto: Divulgação

A entrega voluntária de bebês para adoção registrou crescimento superior a 900% em Mato Grosso nos últimos anos. Dados do Poder Judiciário apontam que os casos passaram de três, em 2021, para 32 neste ano.

O aumento, no entanto, não significa necessariamente que mais mulheres estejam abrindo mão da maternidade. Para especialistas e integrantes da rede de proteção, os números refletem principalmente o maior acesso à informação sobre um direito garantido por lei e a ampliação dos canais de acolhimento e orientação.

Direito previsto em lei

A entrega voluntária permite que gestantes ou mães que não tenham condições de exercer a maternidade possam encaminhar legalmente o bebê para adoção, com acompanhamento da Justiça e sigilo garantido.

Segundo a juíza Anna Paula Sansão, o procedimento é realizado de forma segura e acompanhada por profissionais especializados.

“A entrega voluntária para adoção é um direito previsto em lei. Trata-se de uma decisão tomada pela gestante ou pela mãe que, por diferentes razões, entende que não possui condições de exercer a maternidade e procura a Justiça para que a criança seja encaminhada de forma segura e legal para uma família habilitada”, explica.

O processo conta com a atuação da Vara da Infância e Juventude, equipes psicossociais e demais órgãos da rede de proteção.

“A entrega voluntária para adoção é um direito previsto em lei. Trata-se de uma decisão tomada pela gestante ou pela mãe que, por diferentes razões, entende que não possui condições de exercer a maternidade e procura a Justiça para que a criança seja encaminhada de forma segura e legal para uma família habilitada.— Juíza Anna Paula Sansão

Acolhimento sem julgamentos

Para a psicóloga Patrícia Katz, o acompanhamento profissional é fundamental para que a mulher possa refletir sobre sua decisão em um ambiente de acolhimento e respeito.

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“O acolhimento ajuda bastante a criar um espaço onde essa mulher possa ser escutada sem julgamento e sem condenação. Muitas vezes existe até muito amor envolvido nessa decisão, não porque ela não queira algo melhor para a criança, mas porque acredita que naquele momento da vida não tem condições de oferecer os cuidados necessários”, afirma.

De acordo com a especialista, a falta de uma rede de apoio e a pressão familiar costumam agravar o sofrimento emocional enfrentado por muitas gestantes e mães.

Entrega voluntária de bebês para adoção

Entenda os principais critérios do procedimento, que é previsto em lei, sigiloso e acompanhado pela Justiça.

É um direito previsto em lei

A gestante ou mãe pode procurar a Justiça para manifestar o desejo de entregar a criança para adoção de forma legal e segura.

Tem acompanhamento profissionalO processo conta com apoio da Vara da Infância e Juventude, equipe psicossocial, assistência social e rede de proteção.

O sigilo é garantido
A identidade da mulher é preservada durante o procedimento, conforme previsto na legislação.
Pode ser iniciado na gravidezA entrega voluntária pode ser solicitada ainda durante a gestação ou logo após o nascimento do bebê.

Protege a mãe e o bebê

O objetivo é evitar abandono, entregas irregulares e garantir que a criança seja encaminhada a uma família habilitada para adoção.

Informação evita abandono

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O Poder Judiciário avalia que a maior divulgação sobre a entrega voluntária tem contribuído para evitar situações de abandono, entregas irregulares e outros riscos envolvendo recém-nascidos.

“Muitas mulheres viviam esse sofrimento sozinhas, com medo de julgamentos ou acreditando que poderiam sofrer alguma punição. Quando a informação chega à população, mais mulheres conseguem buscar ajuda antes que situações de abandono, entrega irregular ou outros riscos aconteçam”, destaca a juíza Anna Paula Sansão.

Como funciona

A entrega voluntária pode ser solicitada ainda durante a gestação ou após o nascimento da criança. Todo o procedimento ocorre sob sigilo e com acompanhamento da Justiça e da rede de assistência social.

O objetivo é garantir proteção ao recém-nascido e oferecer suporte à mulher em situação de vulnerabilidade, assegurando que a decisão seja tomada de forma consciente e amparada pela legislação.

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