ARTIGO
A posse que nasce de uma origem podre não gera segurança jurídica
OPINIÃO
Há um risco silencioso no campo brasileiro que muitos ainda confundem com segurança jurídica. A pessoa ocupa a área, produz, investe, cerca, paga impostos, apresenta matrícula, cadastro rural, georreferenciamento, certidões e acredita estar protegida. Mas antes de qualquer documento existe uma pergunta decisiva: esse título nasceu realmente naquele lugar?
Quando a matrícula, a certidão ou a cadeia dominial não correspondem ao perímetro real da área ocupada, o problema deixa de ser detalhe cartorial. Passa a ser vício de origem. É aquilo que, na prática fundiária, pode ser chamado de origem podre. O documento existe, o registro pode estar aberto, o cadastro pode aparecer em sistema oficial, mas, se a origem territorial foi deslocada, falsa ou incompatível, toda a estrutura jurídica fica vulnerável.
Título fundiário não é peça móvel. Não pode sair de uma área e ser usado para legitimar domínio em outra. Ele possui origem, localização, limites, confrontações e correspondência territorial própria. Fora desse perímetro, não cria propriedade válida, não sustenta posse segura e não protege quem depende dele para permanecer na terra.
O perigo é justamente a aparência de legalidade. O comprador acredita que comprou bem. O possuidor acredita que está protegido. O produtor investe. O mercado aceita. O sistema administrativo cadastra. Mas, diante de uma reintegração de posse, de uma ação anulatória, de uma perícia fundiária ou de uma impugnação técnica consistente, a aparência pode cair.
Nessa hora, a pergunta principal não é apenas quem está na posse. A pergunta é de onde veio o direito que sustenta essa posse. Se a resposta revelar título deslocado, matrícula contaminada ou cadeia dominial sem correspondência territorial, a posse perde força jurídica. Não basta ter papel. É preciso que o papel corresponda ao território verdadeiro.
O Código Civil protege a posse, mas não transforma vício em direito. A Lei de Registros Públicos permite retificação quando o registro não exprime a verdade e admite cancelamento quando demonstrada nulidade. Cadastro, georreferenciamento e certidões também não purificam uma origem fundiária falsa. Eles podem reforçar uma aparência, mas não corrigem o nascimento viciado do direito.
A origem podre é perigosa porque engana. Dá sensação de segurança onde existe fragilidade. Faz parecer domínio aquilo que pode ser apenas aparência documental. E quando uma análise técnica confronta título originário, matrícula, mapas históricos, confrontantes, base fundiária, SIGEF, INCRA, CAR e realidade territorial, o que parecia sólido pode ruir.
No Direito Fundiário, segurança jurídica não nasce da aparência. Nasce da origem limpa, da cadeia dominial coerente, da matrícula verdadeira e da correspondência entre documento e território. Quando a origem é podre, o risco não é parcial. O risco é total.
Pense naqueles filmes de guerra, de terror e de ação, em que o personagem principal tem que gritar, dar o sangue, esbravejar, agir etc. para conseguir alcançar o seu objetivo. O personagem fará de tudo para conseguir o que tanto almeja.
Na área da liderança também temos esse tipo de líder, o qual faz de tudo para conseguir resultados. Custe o que custar, ele fará as coisas acontecerem. Se for necessário gritar, vibrar, bater a perna, esmurrar a mesa, praticar excessivamente expressões não verbais, saiba que ele fará isso. Alguns exemplos: o ex-técnico do Flamengo Jorge Jesus, o ex-técnico da seleção brasileira de vôlei Bernardinho, enfim.
Cada qual com suas particularidades e semelhanças. Mas será que todos os colaboradores se adaptam a esse estilo de liderança? O fato é: obter os resultados propostos pela instituição é salutar, porém deve haver educação e respeito para evitar o constrangimento e a exposição do colaborador.
Ao invés de gritar e xingar, que tal motivar? Dê os motivos, liste todos esses pressupostos para que sua equipe possa entender e abraçar a causa da empresa.
Substitua o “sangue nos olhos” por “brilho nos olhos”, use de sua capacidade intelectual para influenciar e motivar a sua equipe. Não resista, busque sempre o melhor de cada colaborador, pois é certo que ele será um grande seguidor das suas convicções.
O papel do líder não é brigar, pelo contrário, ele deve sim motivar a sua equipe, assim como na regência de um coral musical.
Mostre a sua equipe os propósitos, objetivos, visão da sua entidade. Faça com que eles se sintam parte e colaborem verdadeiramente para trazer bons frutos para a entidade.
Uma equipe motivada encontrará muito mais força e guarida do que diversas pessoas que têm medo e desconfiam dos colegas ou da sua chefia.
Caro líder, apresente a sua equipe valores tais como: educação, empatia, inteligência emocional, gentileza, transparência, livre-arbítrio, proatividade, ouvir antes de falar, motivação, proporcionar um ambiente gostoso e belo no trabalho.
Não dê muito o sangue e não exija sangue nos olhos das pessoas, pelo contrário, distribua carinho, amor, compaixão pelos seus liderados. O estilo de liderança deve se adaptar ao tempo em que vivemos. Os resultados chegarão se assim, líder, você permitir!
*Francisney Liberato é Auditor do Tribunal de Contas de Mato Grosso. Escritor. Palestrante e Professor há mais de 25 anos. Coach e Mentor. Mestre em Educação. Doutor Honoris Causa. Graduado em Administração, Ciências Contábeis (CRC-MT), Direito (OAB-MT) e Economia. Membro da Academia Mundial de Letras. http://www.francisney.com.br
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