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ARTIGO

Brasil, líder agropecuário global

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OPINIÃO

Foto: Divulgação

Ao final do ciclo agrícola de 2026 o Brasil vai exportar aproximadamente US$ 175 bilhões de produtos agropecuários, tirando a liderança mundial dos Estados Unidos que perdurava por mais de um século.

Em 2025 o Brasil já havia encostado nos EUA com exportações agropecuárias de US$ 169 bilhões, crescimento de 68% nos últimos cinco anos. Os americanos exportaram US$ 171 bilhões no ano passado.

Nos últimos quarenta anos a agropecuária brasileira teve uma ascensão exponencial na produção e exportação de produtos agrícolas como soja, carnes (bovina, frango e suína), café, farelos, açúcar, milho, laranja e celulose.

Vários fatores explicam essa expansão produtiva do Brasil.

A determinação empreendedora dos produtores e empresários rurais brasileiros, extraordinário avanço das pesquisas agropecuárias pública e privada, decisão geoeconômica da administração federal, em 1996, de retirar a cobrança de impostos das exportações agropecuárias, boa oferta de crédito rural pelo governo federal e bancos privados, aumento expressivo da produtividade agrícola e expansão das fronteiras agrícolas em várias regiões do país.

Dois outros fatores relevantes para expansão das exportações agropecuárias brasileiras foram a entrada da China, em dezembro de 2001, na Organização Mundial do Comércio (OMC) e a guerra comercial iniciada por Donald Trump em 2018, em seu primeiro mandato como presidente dos EUA, contra a economia chinesa.

O Brasil aproveitou muito bem a histórica janela de oportunidade aberta com a decisão geopolítica da administração americana de sobretaxar os produtos industriais chineses

A modernização da economia chinesa e a expansão do capitalismo de estado, ocasionou um gigantesco movimento de populações pobres das áreas rurais para as cidades. Com o aumento de renda, essas famílias passaram a demandar mais alimentos, entre outros produtos que não consumiam quando viviam no campo. O consumo de alimentos explodiu, forçando o governo chinês a importar produtos alimentícios de qualquer lugar do mundo onde fossem produzidos.

Em dezembro de 2001 a China decide entrar para a OMC passando a participar plenamente do comércio mundial e aumentando exponencialmente as importações de produtos agropecuários de todos os países produtores. Principalmente dos dois maiores players mundiais do setor: Estados Unidos e Brasil.

Quando Donald Trump assume, em 2018, seu primeiro mandato como presidente dos EUA, declara verdadeira guerra comercial contra a China aumentando drasticamente as tarifas alfandegárias sobre os produtos chineses exportados para o mercado americano. Em 2025 os EUA voltaram a aumentar para 145% a taxação sobre as importações da China.

Como retaliação os chineses reduziram, desde 2001, as compras de produtos agropecuários americanos, substituindo soja, milho, carnes, algodão que importavam dos fazendeiros americanos. Passaram a comprar do agro brasileiro para suprir seu gigantesco consumo doméstico. O volume de produtos agrícolas importados do Brasil teve outro salto em 2025 com a nova guerra tarifária de Trump contra a China.

O Brasil aproveitou muito bem a histórica janela de oportunidade aberta com a decisão geopolítica da administração americana de sobretaxar os produtos industriais chineses.

A posição de liderança agropecuária global dificilmente será recuperada pelos Estados Unidos. A produtividade da agropecuária do Brasil cresceu 3% ao ano nas últimas décadas, a americana 2%.

As áreas agrícolas americanas estão consolidadas e o país não tem mais terras disponíveis para expandir a produção. O Brasil ainda possui vasta quantidade de terras para aumentar sua produção agropecuária, pela incorporação de novas áreas ou substituição de terras já cultivadas ou degradadas que podem ser reincorporadas à produção de alimentos.

O rebanho bovino americano está em seu menor nível em setenta anos, e o país precisa importar carne. O Brasil tornou-se o maior produtor e exportador de carne bovina em 2025.

Mesmo sofrendo com gargalos logísticos, déficit de armazenamento e aumentos inesperados de custos por decisões geopolíticas externas, a longa cadeia do setor agropecuário continua a avançar, cresce anualmente a produtividade, expande a produção e aumenta sua participação no comércio mundial. Exportações em alta aumentam a entrada de divisas para o país, geram mais renda e empregos e impulsionam a atividade econômica do país. Fato econômico que os economistas chamam de círculo virtuoso.

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OPINIÃO

Os sinais do intestino que não podem esperar

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O Setembro Verde, mês de conscientização e prevenção do câncer de intestino, chama atenção para uma doença que pode começar de forma silenciosa e avançar enquanto seus primeiros sinais são confundidos com alterações digestivas comuns. Sangue nas fezes, mudança persistente no funcionamento do intestino, dor abdominal e perda de peso sem explicação não são sintomas para serem simplesmente observados à espera de que desapareçam. São sinais que merecem investigação rápida.

Os números mais recentes do Instituto Nacional de Câncer (INCA) servem de alerta. A estimativa para o triênio 2026–2028 aponta 53.810 novos casos de câncer de cólon e reto por ano no Brasil, sendo 26.270 entre homens e 27.540 entre mulheres. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, cólon e reto ocupam a terceira posição entre os tipos de câncer mais frequentes no país.

Mais do que conhecer esses números, é preciso entender o que eles representam na prática. O câncer de intestino pode se desenvolver durante anos a partir de pólipos, muitas vezes sem provocar sintomas. Essa característica reforça a importância da prevenção, do rastreamento e da detecção precoce, estratégias destacadas pelo próprio INCA para o controle da doença.

Entre os sinais que merecem atenção estão sangue nas fezes, alteração persistente do hábito intestinal, episódios recorrentes de diarreia ou constipação, dor ou desconforto abdominal, sensação de evacuação incompleta, perda de peso sem causa aparente, fraqueza e anemia sem explicação. Nem todo sintoma significa câncer. O problema está em atribuir automaticamente essas alterações a hemorroidas, alimentação, estresse ou outras causas sem realizar a investigação adequada.

A prevenção também passa por escolhas cotidianas. Alimentação equilibrada, consumo adequado de fibras, frutas, verduras e cereais integrais, atividade física regular, manutenção do peso adequado e redução do consumo de carnes processadas, bebidas alcoólicas e tabaco estão entre as medidas associadas à redução do risco.

Mas hábitos saudáveis não substituem o acompanhamento médico nem o rastreamento quando indicado. A avaliação deve considerar idade, histórico familiar, sintomas e outros fatores de risco. Entre os exames utilizados estão os testes que procuram sangue oculto nas fezes e a colonoscopia. O primeiro pode identificar pequenas quantidades de sangue que não são percebidas a olho nu. Já a colonoscopia permite examinar diretamente o intestino grosso, identificar pólipos e outras alterações e, em determinadas situações, retirar pólipos durante o próprio procedimento.

Essa possibilidade é particularmente importante porque alguns pólipos podem sofrer alterações ao longo do tempo e dar origem a um câncer. Identificar e retirar uma lesão precursora pode interromper esse processo antes que um tumor se desenvolva.

O histórico familiar também precisa entrar nessa conversa. Pessoas que têm parentes próximos diagnosticados com câncer colorretal ou determinadas síndromes hereditárias podem apresentar risco aumentado e precisar de acompanhamento diferente. Informar ao médico sobre casos de câncer na família, portanto, faz parte da prevenção.

O tema ganhou ainda mais relevância em 2026. Pela primeira vez, o Brasil passou a elaborar uma diretriz específica para o rastreamento do câncer de cólon e reto. A iniciativa considera o potencial da doença para ser controlada por meio da prevenção, do rastreamento e do diagnóstico precoce.

O rastreamento busca identificar alterações antes que elas provoquem manifestações. A definição sobre quando começar e qual estratégia utilizar deve levar em consideração as características de cada pessoa e as orientações médicas.

Quando existe uma alteração suspeita, o diagnóstico precisa avançar. É nesse momento que a patologia tem papel fundamental. O exame anatomopatológico do material coletado permite confirmar ou não a presença de câncer e fornece informações sobre as características da lesão, fundamentais para o planejamento do tratamento.

Na prática, o diagnóstico é uma cadeia de etapas: começa pela percepção de uma alteração, passa pela consulta, pelos exames de investigação, pela coleta do material e chega à análise especializada. Quanto mais cedo essa cadeia é iniciada diante de um sinal suspeito, maior é a possibilidade de identificar a doença em uma fase inicial e direcionar o tratamento de forma adequada.

Uma pessoa que percebe sangue nas fezes e passa meses atribuindo o sintoma a uma causa aparentemente simples pode estar adiando uma investigação que deveria ter sido feita antes. O mesmo vale para alterações persistentes do intestino, anemia sem explicação ou perda de peso sem motivo aparente. Não se trata de criar medo diante de qualquer alteração intestinal. Trata-se de não banalizar sinais que persistem.

O Setembro Verde cumpre seu papel quando a informação ultrapassa as campanhas e chega às decisões do cotidiano. Observar o próprio corpo, conhecer os fatores de risco, manter hábitos saudáveis, conversar com um médico sobre a necessidade de rastreamento e procurar avaliação diante de alterações persistentes são atitudes que podem mudar a história de uma doença.

O câncer de intestino não precisa ser descoberto apenas quando os sintomas se tornam intensos. Em muitos casos, existe uma oportunidade anterior: identificar uma lesão precursora ou detectar o tumor em uma fase inicial. Por isso, diante de um sinal persistente, não se deve esperar para ver se passa. No câncer de intestino, reconhecer o alerta e investigar no tempo certo pode fazer toda a diferença.

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