ANUÁRIO DA MULHER
Violência psicológica contra mulheres dispara 65% em Mato Grosso
GERAL
A violência psicológica contra mulheres registrou uma das maiores altas entre todos os crimes monitorados pela Segurança Pública de Mato Grosso em 2025. Os casos saltaram de 2.259 para 3.722 ocorrências em apenas um ano, um aumento de 65%, segundo o 3º Anuário da Mulher de Mato Grosso, divulgado pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp).
O crescimento chama atenção por envolver um tipo de violência que muitas vezes acontece longe dos olhos da sociedade e sem deixar marcas físicas. Prevista na Lei Maria da Penha, a violência psicológica inclui humilhações, manipulação, ameaças, chantagens, perseguições, isolamento social, controle excessivo, insultos e práticas como o chamado “gaslighting”, quando o agressor distorce fatos para fazer a vítima duvidar da própria memória ou sanidade.
Mas o avanço da violência psicológica não foi um caso isolado.
Os dados do anuário mostram que Mato Grosso registrou 54.944 ocorrências de violência contra mulheres entre 18 e 59 anos em 2025, contra 52.200 no ano anterior, crescimento de 5,3%.
Em relação a mortes de mulheres, o número caiu de 99 em 2024 para 95 em 2025 (-4%), segundo dados da Sesp. Desse total, 49% foram vítimas de violência doméstica, enquanto 25% morreram por facções criminosas.
As cidades com maior número de mulheres mortas são Cuiabá e Cáceres, com sete casos cada, seguidas de Sinop (6), Rondonópolis (5) e Várzea Grande (5). Confira mais abaixo:
Quando se trata de feminicídios, o Observtório Caliandra, do Ministério Público do Estado (MPMT), registrou 54 casos em 2025. Até metade de maio de 2026, Mato Grosso registrava 17 feminicídios. Atualmente, o número subiu para 21 casos, repetindo o cenário alarmante do ano anterior.
Mortes de mulheres registradas em Mato Grosso em 2025
Levantamento reúne homicídios e feminicídios registrados nos municípios mato-grossenses ao longo do ano.
| Município | Total | Município | Total | Município | Total |
|---|---|---|---|---|---|
| Cáceres | 7 | São José do Rio Claro | 2 | Juscimeira | 1 |
| Cuiabá | 7 | Sapezal | 2 | Marcelândia | 1 |
| Sinop | 6 | Água Boa | 1 | Mirassol d’Oeste | 1 |
| Rondonópolis | 5 | Alto Boa Vista | 1 | Nova Guarita | 1 |
| Várzea Grande | 5 | Apiacás | 1 | Nova Lacerda | 1 |
| Aripuanã | 3 | Araputanga | 1 | Nova Santa Helena | 1 |
| Lucas do Rio Verde | 3 | Bom Jesus do Araguaia | 1 | Nova Xavantina | 1 |
| Peixoto de Azevedo | 3 | Campos de Júlio | 1 | Novo Santo Antônio | 1 |
| Sorriso | 3 | Canabrava do Norte | 1 | Poconé | 1 |
| Tangará da Serra | 3 | Colíder | 1 | Poxoréu | 1 |
| Barra do Bugres | 2 | Cotriguaçu | 1 | Ribeirão Cascalheira | 1 |
| Confresa | 2 | Denise | 1 | Ribeirãozinho | 1 |
| Guarantã do Norte | 2 | Diamantino | 1 | Rosário Oeste | 1 |
| Nobres | 2 | General Carneiro | 1 | Santa Carmem | 1 |
| Nova Mutum | 2 | Itiquira | 1 | São José dos Quatro Marcos | 1 |
| Pontes e Lacerda | 2 | Jaciara | 1 | Vera | 1 |
| São Félix do Araguaia | 2 | Jangada | 1 | Vila Bela da Santíssima Trindade | 1 |
Os números que mais preocupam
Além da explosão dos casos de violência psicológica, outros indicadores apresentaram crescimento expressivo:
Os crimes que mais cresceram contra mulheres
🚨 Principal alerta
Os casos de violência psicológica passaram de 2.259 para 3.722 registros, uma alta de 65% em Mato Grosso.
📊 Evolução dos registros
Feminicídio tentado
66 → 124 casos
Perseguição (stalking)
2.336 → 2.970 registros
Descumprimento de medida protetiva
2.023 → 2.292 ocorrências
Injúria
6.101 → 6.727 casos
Estupro
381 → 408 registros
Lesão corporal
9.547 → 9.970 casos
O levantamento mostra ainda que a ameaça continua sendo o crime mais registrado contra mulheres no estado, com 18.911 ocorrências em 2025, mesmo apresentando queda de 5% em relação ao ano anterior.
Casa continua sendo o principal cenário da violência
O anuário revela que a maior parte dos episódios de violência contra mulheres continua acontecendo dentro de casa. Foram 26.872 registros em residências particulares, número muito superior ao observado em vias públicas (3.390 casos) e na internet (3.217 ocorrências).
Os dados reforçam que o agressor, na maioria das vezes, está no círculo de convivência da vítima, tornando a denúncia ainda mais difícil.
Quase 10 mil casos aconteceram aos domingos
Outro dado que chama atenção é a concentração dos registros nos finais de semana. O domingo foi o dia com mais ocorrências de violência contra mulheres em Mato Grosso, somando 9.753 registros ao longo de 2025. O número acompanha o índice nacional.
Em relação aos horários, 32% dos casos ocorreram entre 18h e 23h59, enquanto outros 31% aconteceram entre meio-dia e 17h59.
Especialistas alertam que agressões psicológicas costumam ser a porta de entrada para formas mais graves de violência. Por isso, identificar sinais de controle, humilhação, perseguição e manipulação pode ser decisivo para interromper o ciclo de abuso antes que ele evolua para agressões físicas ou feminicídio.
GERAL
MT quer substituir madeira de desmatamento por florestas plantadas; entenda o plano
O governo de Mato Grosso e o Ministério Público Estadual (MP) assinaram, nessa segunda-feira (8), um Termo de Compromisso Ambiental (TCA) que estabelece o Plano de Desenvolvimento Florestal de Mato Grosso, iniciativa voltada à ampliação da produção sustentável de biomassa e à garantia do abastecimento das indústrias instaladas no estado.
O acordo prevê a expansão das áreas de florestas plantadas para mais de 700 mil hectares até 2040, além da ampliação das áreas destinadas ao manejo florestal sustentável para, no mínimo, 6,5 milhões de hectares no mesmo período.
Durante a assinatura do termo, o governador Otaviano Pivetta afirmou que a medida cria um ambiente mais seguro para investimentos e estimula novas oportunidades econômicas no estado. Segundo ele, o objetivo é regulamentar o uso da biomassa e promover uma transição gradual para que a matéria-prima utilizada pelas indústrias tenha origem, prioritariamente, em florestas plantadas.
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente informou que a proposta busca reduzir gradativamente a utilização de madeira proveniente da supressão legal de vegetação nativa, incentivando alternativas renováveis. Conforme explicou, a estratégia fortalece tanto as florestas plantadas quanto o manejo florestal sustentável como fontes de fornecimento de biomassa para o setor produtivo.
Transição até 2034
O plano estabelece um cronograma de transição para reduzir a dependência de matéria-prima oriunda de áreas de desmatamento autorizado, substituindo-a por fontes consideradas mais sustentáveis, como florestas de eucalipto, teca e outras espécies cultivadas para fins comerciais.
Pelas regras definidas no acordo, grandes consumidores de biomassa deverão promover a substituição gradual da madeira proveniente de desmatamento. A meta é que, a partir de 2034, o abastecimento industrial seja realizado exclusivamente por meio de florestas plantadas, manejo florestal sustentável e demais fontes renováveis.
Além das metas de produção, o termo prevê a implantação de mecanismos de rastreabilidade da matéria-prima florestal, monitoramento contínuo dos Planos de Suprimento Sustentável (PSS), realização de auditorias independentes e ampliação da transparência das informações ambientais.
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