ARTIGO
A força da economia de Mato Grosso
OPINIÃO
A economia de Mato Grosso cresceu 12,9% em 2025, em comparação com 2024.
O excepcional desempenho do PIB estadual teve a agropecuária como grande protagonista, com crescimento de 30,8%. O setor de serviços cresceu 3,7% e a indústria 0,4%.
Conforme já divulgado pelo IBGE, em 2025 o Brasil teve um moderado crescimento de 2,3%.
Pela métrica de cálculo do PIB, a comparação é sempre feita com o ano anterior. Em 2024, a economia de Mato Grosso teve queda de 3%, afetada por fatores climáticos que reduziram a produção agropecuária, com impacto negativo em todas as demais cadeias produtivas do estado.
Os dados são preliminares e foram publicados pela Secretaria Estadual de Planejamento e Gestão (Seplag-MT), por meio de uma bem treinada e capacitada equipe técnica da Coordenadoria de Estudos e Indicadores Socioeconômicos, em parceria com o IBGE.
As estatísticas do desempenho do PIB dos estados são publicadas pelo IBGE com dois anos de defasagem. Para melhor acompanhar a dinâmica econômica estadual, o governo de Mato Grosso firmou parceria com o IBGE e passou, desde 2017, a calcular e divulgar trimestralmente o comportamento do PIB estadual, utilizando a mesma metodologia do PIB nacional.
Devido às características específicas desse tipo de pesquisa, as estimativas trimestrais podem sofrer revisões periódicas e os resultados definitivos somente são conhecidos quando divulgados pelo IBGE.
Sob a ótica da oferta, a boa performance da agropecuária mato-grossense é explicada pelo expressivo aumento de produção das principais lavouras. Em 2025 o estado produziu a maior safra da história, com destaque para soja, milho, algodão e cana-de-açúcar. A produção de café também apresentou aumento e eleva a cada ano sua participação na produção agrícola local. Registrou-se ainda aumento na produção de aves e suínos e estabilidade na produção de bovinos.
Nas últimas décadas, com exceção de alguns anos, independente do perfil ideológico ou administrativo de quem esteja à frente da administração federal ou estadual, a economia de Mato Grosso cresce acima do PIB nacional.
O setor de serviços beneficiou-se do bom desempenho da agropecuária e do aumento do emprego e da renda média do trabalho ao longo do ano. Os melhores resultados vieram do comércio varejista (destaque para vendas em supermercados, veículos e autopeças), atividades profissionais, administração pública, transportes, hospedagens e aluguéis.
O crescimento de 0,4% da indústria veio da leve retração, no último trimestre, das indústrias de biocombustíveis, minerais não metálicos, derivados de madeiras e bebidas. Os segmentos industriais que mais cresceram foram etanol de milho, alimentos, químicos, construção civil, serviços industriais de utilidade pública (energia elétrica e saneamento básico).
Do lado da demanda, os fatores que tiveram papel relevante no desempenho da atividade econômica de Mato Grosso foram aumento do consumo das famílias, beneficiadas pela boa oferta de postos de trabalho formal e informal, melhora da renda média do trabalho e maior oferta de crédito para consumo.
A demanda externa aquecida contribuiu de forma expressiva para a performance positiva do PIB estadual. Mesmo enfrentando cenário internacional desafiador, ocasionado pelo aumento das tarifas comerciais impostas pelo governo dos Estados Unidos, as exportações de produtos agropecuários cresceram. A China aumentou expressivamente as compras da produção agropecuária mato-grossense e os empresários rurais conquistaram novos mercados para alocação de parte da produção.
A expansão dos investimentos públicos e privados também exerceu importante papel no aquecimento da atividade econômica do estado. Na área de infraestrutura e logística, o ciclo de privatizações de rodovias, aeroportos, ferrovias e operações municipais de água e esgotamento sanitário efetuados em anos anteriores exigiram das novas concessionárias elevados investimentos para expandir e melhorar as operações, em busca de melhorar margens de lucro e cumprir metas estabelecidas em cláusulas contratuais nos processos de privatização. Destaque para a construção do novo trecho ferroviário Rondonópolis-Cuiabá-Lucas do Rio Verde e avanços da duplicação da BR 163.
A expansão do investimento privado em novas plantas industriais que entraram em operação em 2025 e várias outras começaram a ser construídas, aumentaram a Formação Bruta de Capital Fixo, item de grande importância na composição do PIB.
A atividade econômica aquecida impulsionou aumento da arrecadação de tributos estaduais e municipais, criando as condições para o aumento dos investimentos públicos em infraestrutura econômica por parte do governo estadual e das prefeituras municipais.
Os dados preliminares do desempenho econômico de Mato Grosso em 2025 confirmam uma espécie de autodeterminação da economia do estado. Isso fica demonstrado quando o crescimento estadual acontece de forma independente do PIB nacional.
Nas últimas décadas, com exceção de alguns anos, independente do perfil ideológico ou administrativo de quem esteja à frente da administração federal ou estadual, a economia de Mato Grosso cresce acima do PIB nacional.
OPINIÃO
Os princípios fundamentais
A fé pública é um pilar invisível que sustenta a confiança nas instituições e nos atos do Estado. É a crença coletiva de que os procedimentos oficiais são legítimos, verídicos e realizados com integridade, onde, no coração dessa confiança, atuam dois princípios fundamentais: a boa-fé, que pressupõe honestidade e lealdade nas relações, e a presunção de inocência, que assegura que ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de uma sentença condenatória.
Em um ambiente ideal, guiado pela boa-fé objetiva, o servidor público parte da premissa de que a requisição é legítima, buscando enxergar o direito por trás da formalidade. Contudo, os milhares de processos, a falta de recursos adequados e uma estrutura ineficiente levam a uma leitura fria e burocrática, onde a exceção vira regra e o indeferimento, um caminho mais seguro e rápido para se livrar do problema.
Mas essa postura defensiva não é um defeito de caráter individual, e sim um sintoma de um Estado ultrapassado, lento e de processos ineficientes, afinal, muitas de nossas normas e fluxos de trabalho foram concebidos em uma era analógica, incapazes de dar respostas ágeis a uma sociedade digital e dinâmica. Por outro lado, o cidadão, que vive na velocidade da internet, esbarra em um aparato que ainda depende de papéis, carimbos, prazos e deslocamentos físicos desnecessários.
Em resumo, a ineficiência gera atrasos, os atrasos geram frustração e descrença; e a descrença corrói a própria fé pública que o sistema deveria encarnar. A demora injustificada na análise de um processo ou na concessão de um direito básico é, em si, uma violação da boa-fé, pois desrespeita o tempo, a dignidade e a expectativa legítima da pessoa.
E para piorar, por trás dos processos obsoletos, operam sistemas de tecnologia defasados, com interfaces confusas, quedas constantes, incompatibilidade entre bancos de dados e falta de integração entre os departamentos são a realidade diária, gerando servidores exaustos física, mental e emocionalmente, fazendo com que não exerçam a discricionariedade técnica com a sensibilidade e o cuidado que a boa-fé exige. Como esperar que um profissional no limite de sua resistência seja o guardião empático dos princípios da inocência presumida e da lealdade regulatória?
Diante deste cenário complexo, conclui-se que a erosão da fé pública não é uma falha abstrata, mas um resultado direto e previsível do colapso operacional do Estado. A busca por motivos para indeferir um pedido está longe de ser mera rigidez legal, é o sintoma de um sistema que perdeu sua capacidade de funcionar como indutor de crescimento e guardião segurança jurídica, por sua vez, a estrutura arcaica, os processos emperrados, a tecnologia deficiente e a exaustão humana formam um círculo vicioso que prejudica a todos: o cidadão que vê seu direito adiado, o servidor que não encontra realização em seu trabalho, as empresas que sofrem com a imprevisibilidade e o próprio Estado, que vê sua legitimidade se esvair.
Reverter esse cenário exige mais do que ajustes pontuais. É necessária uma revolução de gestão e de cultura, que coloque a eficiência a serviço da humanização. Investir em sistemas integrados e intuitivos, redesenhar processos com foco no produto, oferecer condições dignas de trabalho e formação continuada aos servidores são passos urgentes.
Só assim a máquina estatal poderá realinhar-se com sua missão primordial, a não de criar obstáculos, mas de facilitar, com presteza e respeito, a concretização dos direitos, restaurando, dia após dia, a confiança que chamamos de fé pública. Afinal, um sistema que presume a inocência e opera com boa-fé deve começar presumindo a boa-fé de quem a ele recorre e o inocente da culpa de sua própria ineficiência.
*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e CEO da NeoAgro Consultoria.
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