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Tragédia anunciada

Em 1 de cada 5 feminicídios em MT, a mulher já tinha medida protetiva contra o agressor

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GERAL

Foto: Divulgação

Em Mato Grosso, 1 em cada 5 casos de feminicídio registrados, a mulher assassinada já havia quebrado o silêncio, procurado o sistema de justiça e obtido uma Medida Protetiva de Urgência que deveria garantir seu afastamento do agressor.

Os dados constam em um levantamento da Diretoria de Inteligência da Polícia Civil do Estado de Mato Grosso (PJC-MT) analisado no estudo “Retrato dos Feminicídios no Brasil”, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

O levantamento revela uma variação preocupante entre os estados e coloca Mato Grosso na segunda maior proporção do país em falha de proteção institucional. Veja a lista abaixo:

– 25,0% das vítimas no Acre possuíam medida protetiva ativa quando foram mortas

– 22,2% das vítimas em Mato Grosso possuíam medida protetiva ativa quando foram mortas

– 21,7% das vítimas em São Paulo possuíam medida protetiva ativa quando foram mortas

– 13,1% é a média nacional de vítimas assassinadas com amparo de decisão judicial

– 86,9% das vítimas no país não possuíam medida protetiva

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A pesquisa ressalta que a concessão formal da ordem judicial não tem sido suficiente para conter os agressores no dia a dia, evidenciando gargalos na fiscalização e no monitoramento das decisões.

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O perfil das vítimas e as circunstâncias dos crimes em todo o país detalham a proximidade dos agressores: 59,4% dos feminicídios são cometidos pelo atual companheiro da vítima; 21,3% dos assassinatos são praticados pelo ex-companheiro que não aceita o término e 10,2% dos crimes são cometidos por outros familiares.

Apenas 4,9% dos casos envolvem agressores desconhecidos da mulher.

– 66,3% dos crimes ocorrem dentro da própria residência da vítima

– 48,7% dos assassinatos são cometidos com armas brancas (facas, canivetes ou machados)

Feminicídios

Mato Grosso encerrou o ano de 2025 com o registro de 53 mulheres assassinadas por razões de gênero, o que representa seis mortes a mais do que as 47 contabilizadas no ano anterior, dando um salto de 11,0% na letalidade.

Os dados consolidam o estado, pelo quinto ano consecutivo (2021-2025), no grupo das Unidades da Federação com maior taxa de mortes violentas de mulheres.

A evolução dos casos apurados pelas forças policiais revela uma escalada contínua das mortes no estado: em 2021: foram 43 mulheres mortas; em 2022: 47, em 2023: 46; em 2024: 47 e em 2025: 53.

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Prevista na Lei Maria da Penha (Lei Federal nº 11.340/2006), a medida protetiva é uma decisão judicial rápida que determina o afastamento do agressor da residência, proíbe a aproximação física e veda qualquer tipo de contato por telefone ou redes sociais.

Desde 2018, desobedecer a uma ordem judicial de medida protetiva é crime com pena de prisão de 3 meses a 2 anos.

 

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GERAL

Empreendedorismo 60+ cresce e impulsiona mercado; ‘nunca mais parei’

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Longe do estereótipo que associa a chegada aos 60 anos exclusivamente à aposentadoria, uma parcela crescente da população sênior assume o protagonismo econômico. Impulsionados pela busca por autonomia, pelo combate ao etarismo e pelo desejo de continuar produzindo, os chamados “empreendedores prateados” encontram um cenário promissor no estado, que reúne 338.784 empresas ativas e 287.479 Microempreendedores Individuais (MEI’s), segundo a Junta Comercial do Estado de Mato Grosso (Jucemat), onde a bagagem dos mais velhos se torna o grande diferencial para a longevidade dos negócios.

Em nível nacional, o Brasil contabiliza cerca de 4,5 milhões de donos de negócios com 60 anos ou mais, segundo o Sebrae e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em um crescimento superior a 58% na última década. Em Mato Grosso, no recorte a partir dos 45 anos, já são mais de 129 mil empreendedores (26% do total formalizado). Mas esse movimento vai além da renda, uma vez que a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor revela que quase 63% dos brasileiros entre 65 e 74 anos empreendem por oportunidade, em busca de propósito e realização pessoal, e não apenas por necessidade.

A trajetória da mestre em Educação, escritora e mentora Maria Amélia Ramos, 75, resume esse espírito de reinvenção. Após se aposentar no serviço público formal aos 56 anos, ela conta que a inatividade durou pouco.

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“Eu comecei em 2006, quando me aposentei. Fiquei 17 dias aposentada e isso já faz 20 anos. Nunca mais parei de trabalhar. Peguei logo um segundo emprego e fui me lançando em novos desafios”, relembra Maria Amélia.

Com passagens pelo Ministério da Educação e pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc), o fim de seu último contrato em 2020 foi o empurrão que faltava para criar o próprio negócio. No isolamento da pandemia, ela desenvolveu o projeto “Refletindo, agindo e mudando sua vida”, que impactou mais de 500 famílias vulneráveis, deu origem ao livro “A chave da mudança” (2024) e abriu portas para suas mentorias, palestras e o projeto “Mulheres em Movimento”.

Para Maria Amélia, incentivar o empreendedorismo na maturidade é mostrar que o trabalho nessa fase une satisfação, utilidade social e retorno financeiro.

“Para mim não é um passatempo. O diferencial é a alegria de ver a transformação de outra pessoa. A maior trava é a insegurança e o medo de não dar certo. A gente precisa se reinventar porque, muitas vezes, passa a vida trabalhando e não descobre uma habilidade ligada ao seu propósito que pode trazer renda extra, alegria e satisfação”, argumenta.

Essa experiência prática do público sênior ganha ainda mais relevância quando observados os dados de mortalidade das empresas em MT. Embora a Jucemat mostre um ritmo forte de aberturas, como os 7.493 novos negócios e 23.797 MEIs registrados apenas no 3.º quadrimestre de 2025, o estado também viu o encerramento de atividades saltar de 21 mil no início da década para 55 mil no ano passado.

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É justamente nessa alta rotatividade que a maturidade dos empreendedores se destaca, já que dados do Sebrae apontam que 58% dos negócios comandados por pessoas 60+ no estado ultrapassam 10 anos de funcionamento. O número revela alta resiliência, superando a média do mercado tradicional, no qual a maior taxa de mortalidade dos novos negócios ocorre justamente nos primeiros 2 a 5 anos de atividade.

Para quem deseja vencer a insegurança e empreender na terceira idade, Maria Amélia reforça que o segredo do sucesso está no preparo e na humildade para aprender.

“A pessoa tem que saber o que quer e buscar conhecimento. Não é só comprar o equipamento e ir para a rua. É pesquisar custos, fornecedores, licenças e buscar ajuda de quem tem experiência”, orienta a palestrante.

Aos 75 anos, com uma rotina ativa entre mentorias, exercícios e lazer, ela deixa um convite final ao incentivo e à persistência.

“Digo para nunca pararem de tentar e persistirem até conseguirem. Não desistam daquilo que vocês começaram. Tenha foco, fé, resiliência e persistência até dar certo”, conclui.

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