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De 2017 a 2021

Estudo do Imea aponta avanço do endividamento rural e alerta para desafio financeiro no agro

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GERAL

Um novo estudo sobre endividamento rural elaborado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) aponta aumento do crédito problemático, da inadimplência e das renegociações no estado. Esse crescimento, considerado expressivo pelo Imea, aconteceu diante do reflexo da queda nos preços das commodities, de juros mais altos, conflitos internacionais e de custos de produção elevados.

O levantamento compara os períodos de 2017 a 2021, marcado por um ciclo favorável ao setor, e com os anos de 2022 a 2026, quando o cenário econômico passou a pressionar a rentabilidade do produtor rural em todo o Brasil.

De acordo com o Imea, os novos dados mostram que Mato Grosso teve uma alta na expansão do crédito rural. O volume de recursos utilizados pelos produtores saltou de R$ 15,58 bilhões na safra 2016/17 para R$ 47,43 bilhões em 2023/24. Somente o custeio das lavouras de soja e milho, por exemplo, avançou de R$ 5,65 bilhões para R$ 15 bilhões no mesmo período.

Paralelamente, o custo desse financiamento aumentou de forma gradativa, e programas de crédito tiveram elevação nas taxas de juros. Enquanto isso, a taxa Selic atingiu 14,25% ao ano, o que elevou o custo financeiro das operações e reduziu a capacidade de investimento dos produtores.

Segundo o superintendente do Imea, Cleiton Gauer, o estudo mostra que a produção não é o maior desafio para as propriedades. “O produtor continua produzindo bem, mas esse esforço já não tem se traduzido em resultado financeiro. Além da produtividade, ele precisa administrar custos de produção elevados, preços menores do que os registrados no pós-pandemia e, agora, um volume maior de dívidas acumuladas. Tornar a operação cada vez mais eficiente passou a ser fundamental para atravessar esse momento”, afirma.

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O levantamento do instituto mostra que, até abril deste ano, o chamado crédito problemático (que reúne operações inadimplentes, renegociadas e prorrogadas) chegou a R$ 21,79 bilhões em Mato Grosso. O montante representa 18,22% de toda a carteira de crédito rural do estado, ou seja, o maior percentual da série histórica. Para efeito de comparação, o Imea aponta que em 2022 esse índice era de apenas 2,08%.

Estudo mostra que taxa de crédito problemático chega a 18,22% em MT
De acordo com Cleiton, mais da metade desse volume corresponde a operações renegociadas, indicando que vários produtores buscam reorganizar suas finanças para manter a atividade.

“Quando somamos inadimplência, operações renegociadas e prorrogadas, quase 20% do crédito rural de Mato Grosso apresenta algum tipo de desafio. Grande parte dessas dívidas vai atravessar as próximas safras, exigindo planejamento financeiro para que o produtor consiga honrar seus compromissos”, sugere.

A pesquisa também aponta que a inadimplência superior a 90 dias chegou a 4,98% da carteira estadual, totalizando R$ 5,25 bilhões em operações atrasadas.

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Conforme destaca o Imea, com base em dados do Serasa Experian, o número de Recuperações Judiciais (RJ) no agronegócio também é outro fator que precisa de atenção. Desde 2023, Mato Grosso lidera o ranking nacional e, somente em 2025, registrou 332 pedidos, superando estados como Goiás (296) e Paraná (248).

Para o superintendente do Imea, esse cenário evidencia que o principal risco para o setor atualmente é financeiro. “Não existe uma preocupação imediata de insolvência generalizada, mas os indicadores cresceram muito rapidamente. Em poucos anos saímos de um cenário em que aproximadamente 2% da carteira apresentava problemas para mais de 18%. Esse é o grande desafio que o produtor terá de administrar nas próximas safras.”

Cleiton avalia ainda que esse aumento do endividamento é consequência da combinação de três fatores: queda das cotações de soja e milho após o ciclo de preços elevados do pós-pandemia, manutenção de custos de produção ainda elevados, influenciados pelos reflexos da guerra entre Rússia e Ucrânia, e o aumento das taxas de juros.

A pesquisa elaborada utilizou dados do Imea, Banco Central (BC), Ministério da Agricultura, Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar MT) e Serasa Experian para avaliar os indicadores de crédito, seguro rural e risco financeiro.

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Técnicos-administrativos da UFMT aprovam fim de greve e retorno é marcado para o dia 13

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Foto: Divulgação

Os servidores técnico-administrativos da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) aprovaram, em assembleia geral realizada nesta quarta-feira (8), o encerramento da greve por tempo indeterminado na instituição. A informação foi confirmada pela assessoria de comunicação da universidade, que estipulou o retorno integral das atividades da categoria para a próxima segunda-feira, dia 13 de julho.

O movimento grevista havia sido deflagrado em adesão à paralisação nacional coordenada pela Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra).

Conduzida regionalmente pelo Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação (SINTUF-MT), a categoria cobrava o cumprimento integral dos acordos de reestruturação de carreira firmados com o governo federal ao término da greve do ano de 2024, além de outras pendências trabalhistas.

Com a aprovação do fim do movimento, a rotina institucional nos campus da UFMT deve ser normalizada de forma gradativa. Durante o período de paralisação, serviços de apoio acadêmico foram diretamente afetados, resultando no fechamento de bibliotecas, lentidão na tramitação de processos administrativos internos, suspensão no atendimento de secretarias e na emissão de documentos como diplomas e certificados acadêmicos.

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As unidades de saúde vinculadas à instituição, como o Hospital Universitário Júlio Müller (HUJM) e o Hospital Veterinário, que operaram sob regime de escala mínima de 30% para garantir os atendimentos essenciais e de urgência, voltarão a funcionar com capacidade total a partir da data de retorno.

Os comandos local e nacional de greve devem oficializar os termos finais da negociação junto ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) nas próximas horas.

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