Campus Sinop
Estudante da rede estadual entra na UFMT via projeto científico
EDUCAÇÃO
A caloura do curso de Zootecnia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) Campus Sinop, Sabrina Rodrigues Teles, ingressou na instituição após participar de um projeto de iniciação científica voltado a estudantes do ensino médio da rede pública. Esta ação foi desenvolvida na escola estadual Renee Menezes, localizada no bairro Camping Club, e contou com uma bolsa para a estudante via edital de iniciação científica promovido anualmente pela Pró-reitoria de Pesquisa (Propesq).
O projeto foi coordenado pelo professor do Instituto de Ciências Naturais, Humanas e Sociais (ICNHS), Rafael Arruda, que também é pesquisador sobre morcegos. Ao submeter a proposta ao edital, o docente decidiu atuar em uma escola que, por conta da distância, geralmente recebe menos ações desse tipo.
Para escolha da bolsista, o professor realizou uma reunião inicial com a direção da escola. A indicação ficou sob responsabilidade da equipe escolar e foram consideradas proatividade, frequência e desempenho acadêmico. “A Sabrina foi uma estudante que reuniu todas essas qualidades, o que fez com que a direção a escolhesse”.
Paralelamente, a mestranda do Programa de Pós-graduação em Ciências Ambientais (PPGCAM), Evelin Silveira, também desenvolvia sua pesquisa na escola, o que ampliou o alcance das atividades. Ela acompanhou de perto Sabrina e os demais bolsistas, promovendo treinamentos e atividades práticas. “A devolutiva foi que a Sabrina e os estudantes aprenderam um pouco mais sobre pesquisa científica, sobre os morcegos e conseguiram fazer pequenas intervenções com colegas de turma e com o corpo docente da escola”.
Sabrina, hoje aluna do curso de Zootecnia, lembra que a seleção para a bolsa começou com um chamado inesperado na escola. “Quando a diretora e coordenadoras me chamaram para conversar fora da sala, já deu aquele medo de estudante, né? A diretora chamou e pensei: ‘pronto, deu problema’”.
Na conversa, a equipe gestora apresentou o projeto levado pelo professor Rafael à escola e explicou os motivos da indicação. “Elas me falaram que me escolheram porque eu tinha ótima presença e eu sou muito curiosa, qualquer dúvida eu já estou lá para tentar descobrir. Disseram que seria interessante eu participar pelo meu jeito de sempre correr atrás das coisas”.
O interesse pela área já fazia parte dos planos de Sabrina durante o ensino médio. Inicialmente, o objetivo era cursar Medicina Veterinária, seguindo uma tendência comum entre colegas de turma. Diante das possibilidades de ingresso, porém, a estudante recebeu uma nova orientação da própria diretora que havia indicado seu nome para o projeto de iniciação científica. “Eu não consegui entrar em Medicina Veterinária na primeira chamada. A diretora que me indicou para o projeto dos morcegos me sugeriu tentar Zootecnia”.
Com pouco mais de uma semana de aulas no primeiro semestre, a caloura avalia positivamente a escolha. “Até o momento estou gostando muito. Estou aprendendo coisas que antes eu não sabia e pretendo ficar no curso até o final”.
Além da experiência acadêmica e da aproximação com a pesquisa científica, a bolsa de iniciação no ensino médio teve impacto direto nas condições de permanência e planejamento da estudante e de sua família. Sabrina ressalta a importância do auxílio financeiro no período que antecedeu seu ingresso na UFMT. “Isso ajudou para poder vir aqui”.
Segundo o professor Rafael Arruda, Sabrina foi a primeira estudante que, após receber a bolsa de iniciação científica no ensino médio em projeto sob sua coordenação, ingressou na UFMT. “Em específico para mim, enquanto docente, eu tenho a satisfação de dizer que ela foi a primeira”.
O professor destaca que a iniciativa com escolas públicas estaduais não se encerra com essa primeira experiência. “Agora estamos no momento de abertura dos próximos editais de seleção para bolsas de iniciação científica, inclusive para o ensino médio. Um novo estudante de mestrado que vai trabalhar comigo já está iniciando o processo de escolha dos estudantes com os quais vamos tentar solicitar bolsas, para dar continuidade a esse trabalho”.
Para o gerente de Pós-Graduação e Pesquisa do Campus, professor Anderson Corassa, iniciativas de iniciação científica para estudantes do ensino médio ampliam o alcance da universidade e fortalecem a relação com a sociedade. “É uma iniciativa que dá capilaridade à pesquisa para a sociedade”.
Ele ressalta que muitas pessoas ainda desconhecem a existência desse tipo de oportunidade para alunos da educação básica e que a divulgação é fundamental para aumentar a participação.
Na avaliação do gerente, o contato direto dos jovens com pesquisadores universitários e com a prática científica tem potencial transformador. “Isso dá um efeito na sociedade gigante. Imagina estes alunos do ensino médio tendo possibilidade de ter contato com pesquisa, com professor universitário, com alguém de referência na área. Você está plantando uma semente de produção de conhecimento em nível de ensino médio de forma muito concreta”.
EDUCAÇÃO
Mural científico celebra 20 anos da UFMT Sinop
UFMT Campus Sinop terá mural inspirado na ciência e biodiversidade em comemoração aos 20 anos
O artista plástico e muralista, Marcos Andruchak, está esculpindo o mural monumental “Conhecimento que Transforma” na entrada da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) Campus Sinop. A obra faz parte das comemorações dos 20 anos do Campus, que será em agosto, e tem como tema a relação entre ciência, educação, biodiversidade e desenvolvimento regional.
Com aproximadamente 156 m², o mural terá quatro metros de altura por 39 metros de comprimento. A obra será produzida em cimento esculpido, com elementos em alto e baixo-relevo, e receberá acabamento nas cores azul e cinza, em referência à identidade visual da Universidade.
A composição reunirá referências à fauna e à flora amazônicas, à biodiversidade de Mato Grosso, às ciências agrárias, às ciências da saúde, às ciências naturais, à medicina veterinária, à pesquisa científica e à extensão universitária. A proposta também destaca a relação entre natureza, conhecimento e sociedade, além da contribuição da UFMT para a formação profissional, a produção científica e o desenvolvimento da região.
O mural será integrado à arquitetura do Campus e passará a compor o patrimônio artístico e cultural permanente da UFMT. A expectativa é que a obra se torne um espaço de memória, identidade e valorização da educação pública, da ciência e da cultura.
Andruchak desenvolve murais monumentais integrados a espaços públicos e institucionais há mais de duas décadas. Seu trabalho combina escultura em cimento, geometria e policromia para criar narrativas visuais relacionadas à história, à cultura e às características de cada local. Ao longo da carreira, o artista realizou mais de 120 murais em universidades, instituições públicas, centros culturais e espaços urbanos no Brasil e no exterior. Também desenvolveu projetos em países como Itália, Portugal e México.
O mural da UFMT Campus Sinop integra o Projeto Arte Brasil, criado em 2009 por Marcos Andruchak, professor titular e doutor do Curso de Design da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
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