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Jornalista denuncia suposto plano para matá-lo, aguarda apuração e sai de Mato Grosso

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Ziad Fares e Ivancury Barbosa. Foto: Reprodução

O jornalista Alexandre Aprá apresentou uma notícia-crime na Superintendência da Polícia Federal em Cuiabá dizendo-se vítima de um suposto plano para difamá-lo e até para matá-lo que teria o envolvimento do governador Mauro Mendes (DEM), da primeira-dama Virgínia Mendes, do publicitário Ziad Fares e do detetive particular Ivancury Barbosa. O protocolo foi registrado na sexta-feira (3), mas a polícia ainda não definiu se vai instaurar inquérito para investigar as denúncias. Com medo, Aprá saiu de Mato Grosso e refugiou-se em outro estado enquanto aguarda a apuração policial e que seu pedido de entrada no programa de proteção à testemunha seja aceito.

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Aprá contextualizou a notícia-crime dizendo que desde 2013 dedica-se ao jornalismo investigativo e destacou que recentemente publicou uma série de reportagens expondo os gastos do Governo de Mato Grosso com publicidade, o que envolve a empresa de Ziad Fares, a ZF Comunicação, uma das quatro agências de publicidade contratadas pelo Estado com dispensa de licitação para gerir um orçamento de R$ 53 milhões.

O jornalista informou que passou a receber recados em “off” sugerindo que ele parasse com o trabalho e chegou a procurar o Ministério Público Estadual, mas não avançou porque não conseguiu que os colegas de profissão confirmassem as informações em juízo.

Aprá acrescentou que há pouco mais de duas semanas foi procurado por um amigo que teria se encontrado, casualmente, com o detetive Ivancury Barbosa em Campo Grande (MS). O amigo teria informado que o detetive tinha sido contratado para investigá-lo e que buscava um desafeto de Aprá para a missão. “De posse desta informação, o jornalista conseguiu infiltrar uma pessoa junto ao detetive que se passou por um ex-amigo e que teria uma rixa com Alexandre”, disse em outro trecho da denúncia.

O “anjo”, como Aprá se referiu ao infiltrado, revelou que “o plano era forjar falsos flagrantes para promover uma espécie de ‘assassinato de reputação’ cogitando até de eliminar o jornalista”. A intenção seria a de vincular Aprá ao tráfico de drogas e à pedofilia tentando contratar um menor de idade para uma aproximação íntima com o jornalista. Para isso, o detetive teria instalado um aparelho de GPS no carro de Aprá a fim de monitorar seus passos e de “armar um falso flagrante”.

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Aprá garantiu ao MT Notícias que tem filmagens e gravações do detetive e do “anjo” envolvendo os denunciados. “Nas imagens, o detetive cita como intermediário da contratação o Sr. Ziad Fares, dono da ZF Comunicação, que detém o contrato com o Governo, a senhora Virgínia Mendes e o governador Mauro Mendes. O objetivo do serviço, conforme o detetive, é calar o jornalista em seu exercício profissional”, enfatizou na notícia-crime.

Além da denúncia protocolada na Polícia Federal, Aprá comunicou o caso à Associação Brasileira dos Jornalistas Investigativos (Abraji) e ao Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor-MT). O presidente do Sindicato, Itamar Perenha, disse que o departamento jurídico vai acompanhar os procedimentos e estuda a possibilidade de ingressar na ação como amicus curiae e auxiliar no processo.

Enquanto não recebe a resposta do pedido de investigação nem sobre o ingresso ao programa de proteção à testemunha, Aprá segue fora de Mato Grosso e sem previsão de retorno. “Quero continuar em Mato Grosso, mas preciso que isso se resolva. Enquanto isso minha equipe segue trabalhando de lá e eu trabalho à distância”, disse.

Detetive nega participação de publicitário e governo

Ivancury Barbosa explicou que trabalha como detetive em Campo Grande há 29 anos e confirmou ao MT Notícias que investiga Alexandre Aprá, mas não revelou o nome do contratante nem o motivo da investigação. Barbosa negou que Ziad Fares, que o governador Mauro Mendes e que a primeira-dama Virgínia Mendes sejam os patrocinadores da investigação e que a intenção seja a de matar Alexandre Aprá.

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“Estou monitorando sim, mas não para matá-lo. Se fosse para matar, não tinha necessidade de monitorar”, declarou. O detetive ainda negou que seja pistoleiro, conforme circula em grupos de mensagens, e garantiu que a frase foi usada para contextualizar uma situação hipotética.

Em áudio enviado diretamente a Aprá, Barbosa reforçou que não foi contratado para matá-lo e afirmou que buscava ligá-lo ao uso de drogas. Mas fez ameaças dizendo para o jornalista “ver bem o que está fazendo para não ter reclamação depois”.

O investigador admitiu o contato com Ziad (filmado por Aprá), mas disse que foi para buscar informações sobre o jornalista. “Eu sabia que o Ziad tinha problemas com o Aprá e o procurei para ver se ele tinha alguma coisa para colaborar. Não tem nada disso do Ziad [ser o contratante]”, acrescentou.

Barbosa ainda confirmou que instalou o aparelho localizador no carro de Aprá quando o veículo estava estacionado no Parque das Águas, que contratou o “anjo” e que chegou a pagar R$ 2 mil por informações. O detetive acrescentou que se sentiu traído pelo informante e reclamou que Aprá estaria investigando-o de forma ilegal, já que não é detetive.

Por fim, o investigador disse que entregou à polícia provas do envolvimento de Aprá com traficantes em Cuiabá.

O jornalista negou o envolvimento e disse que guardou o dinheiro com as impressões digitais de Barbosa para entregar à polícia.

Ziad Fares disse ao MT Notícias, por meio do seu advogado, que a denúncia de Aprá é “falsa” e que “não corresponde com a verdade”. Também negou que tenha contratado Ivancury Barbosa e garantiu que o único encontro que tiveram foi em frente à ZF Comunicação (onde foi filmado) a pedido do detetive para informar que o empresário estaria sendo monitorado e que corria risco.

Procurados, o governador e a primeira-dama informaram que não vão se pronunciar.

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Jayme Campos cobra duplicação da BR-163 e chama pedágios de caça-níqueis

Senador intensificará cobranças para que melhorias entre VG e Sinop sejam efetivadas por concessionária

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O senador Jayme Campos (DEM) disse que intensificará as cobranças para que a duplicação da BR-163 entre o Trevo do Lagarto, em Várzea Grande, até Sinop, seja concluída. O político chamou a rodovia de ‘Estrada da Morte’ e indicou que as cobranças não competem com o serviço prestado, comparando os pedágios a caça-níqueis.

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A declaração do parlamentar foi feita durante a solenidade para formalizar a assinatura de contrato com a Rumo para a construção da primeira ferrovia estadual em Mato Grosso, na tarde de ontem (20).

“Uma das empreitadas que vou pegar, agora, a unha e a dedo, será a duplicação da BR-163. Está instalado ao longo dessa BR, que hoje é considerada a estrada da morte, um verdadeiro caça-níquel. Daqui a pouco o pedagiamento ao longo dela vai ser mais caro que o frete que é pago ao transportador”, falou Jayme Campos.

A rodovia é a principal rota de escoamento da produção de grãos de Mato Grosso e, em julho, motivou audiência pública na OAB-MT com a presença do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas para definir Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com atual administradora da via, a Rota Oeste, parte do grupo Odebrecht.

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Na ocasião, ficou acordado que a empresa continuará detendo a concessão da rodovia, só que com um novo parceiro e com investimentos de R$ 12 bilhões.

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