EMENDAS PARLAMENTARES
Janaina faz duras críticas a Fábio Garcia e manda recado a Mauro Mendes
POLÍTICA
Mais do que reafirmar sua posição de independência política e partidária, as críticas da deputada Janaina Riva (MDB), da tribuna da Assembleia Legislativa, endereçadas sem meias palavras ao governador Mauro Mendes e seus asseclas, pode ser interpretada como a largada para a disputa do processo eleitoral de 2026.
É público e notório que a relação política, entre Mauro Mendes (União Brasil), governador desde 2019 e Janaina Riva (MDB), deputada estadual desde 2015, sempre foi de se tolerarem, se respeitarem, apesar do alinhamento.
Mas nem sempre a cordialidade imperou, tanto que o chefe do Poder Executivo conspirou e endureceu o jogo até conseguir retirar a única deputada estadual mulher em Mato Grosso da composição da atual Mesa Diretora, atualmente presidida pelo conservador e conciliador Max Russi (PSB).
Para ser compensada, pelos seus próprios pares, que preferiram colocar panos quentes na crise com o Palácio Paiaguás durante a eleição da atual Mesa Diretora e evitar maiores problemas, coube a Janaina Riva indicar seu maior aliado na atualidade, Dr. João (MDB) como primeiro secretário, mesmo assim este vem sendo constantemente assediado para deixar o partido e se aliar ainda mais ao atual chefe do Executivo Estadual, o que acabaria gerando desconforto para a deputada estadual.
Pois bem, nesta quarta-feira, 30 de abril de 2025, a exatos 18 meses da próxima eleição geral que vai do cargo de presidente da República, governadores de Estado, senadores, deputados federais e deputados estaduais, a fala de Janaina Riva no Plenário da Casa de Leis de que não teme o governador Mauro Mendes, nem o secretário da Casa Civil, Fábio Garcia, a quem acusou de estar usando a estrutura do Governo de Mato Grosso para angariar votos, demarcou o terreno e deflagrou o processo da disputa eleitoral.
A cada dia que passa fica mais claro que a parlamentar que nasceu em berço político e angariou na atualidade mais simpatia e prestigio do que o próprio pai, José Riva, considerado uma sumidade em política eleitoral partidária e um dos maiores articuladores de Mato Grosso, define seu novo perfil e a busca de uma disputa majoritária, que pode ser tanto para uma das duas vagas no Senado da República que estarão em disputa em 2026, como também para o Governo do Estado.
Toda a celeuma da crítica da deputada Janaina Riva, foi iniciada por uma dura cobrança do também deputado estadual, Valdir Barranco (PT) que cobrou posição dos demais parlamentares quanto ao tratamento dispensado pelo governador Mauro Mendes ao Parlamento Estadual.
Barranco chegou a frisar que Mauro Mendes trata a Assembleia Legislativa e seus deputados com desdém e com falta de respeito e cobrou atitudes da Mesa Diretora e de todos os parlamentares chamados de “13 caboclos que defendem mercadinho para bandidos” quando estes derrubaram o veto do chefe do Executivo que tentou impedir o fornecimento de mantimentos e materiais de higiene pessoal aos condenados que cumprem pena em estabelecimentos de responsabilidade do Governo do Estado.
O pior de tudo que os deputados autorizaram o funcionamento dos estabelecimentos comerciais, apenas para com os produtos que o Estado tem a obrigação de atender aos apenados com pena restritiva de liberdade e não o faz, ou seja, os deputados apenas cumpriram o que estipula a Lei de Execução Penais (LEP).
Barranco foi mais longe ao criticar o governador por ingressar no Supremo Tribunal Federal contra as emendas impositivas de bancada e exclamou: “Aqui quando não se faz o que o governador quer ele se socorre na Justiça ou dispara inverdades. É preciso respeitar a Casa de Leis e estes deputados”, disparou Barranco, sinalizando que se ele deseja tanto mandar na Assembleia Legislativa que dispute uma vaga e vire deputado estadual.
A fala de Barranco, levou Janaina Riva a tribuna do Parlamento Estadual para relatar que um prefeito procurou o senador Jayme Campos em busca de uma emenda que não pode ser atendida, mas o senador imediatamente procurou a deputada e ambos acordados combinaram que ela atenderia ao pedido do chefe do Executivo Municipal, em uma troca salutar e importante para atender aos anseios da população, já que a emenda é para a área de saúde pública.
“Eis que ao levar o assunto da emenda ao chefe da Casa Civil, o senador Jayme Campos ouviu o seguinte recado de Fábio Garcia: Não vamos pagar emendas desta deputada”, teria dito o também deputado federal e secretário da Casa Civil do Governo de Mato Grosso, Fábio Garcia, que comanda com mão de ferro e ordem do chefe, a liberação de emendas parlamentares e já foi anteriormente apontado como aquele que privilegia os mais chegados ao governo com mais emendas que outros.
Janaina Riva não economizou nas críticas e repudiou toda e qualquer mensuração que desmereça sua atuação como deputada estadual eleita pelo voto popular e segundo ela mesma com muitos votos, ou seja, mais de 82 mil votos em 2022. “Vai pagar minhas emendas centavo por centavo. Aqui não é puxadinho do Governo. Emenda é um direito dos 24 deputados”, reclamou ela falando que não foi a primeira vez que este fato aconteceu.
Janaina reforçou: “Pasmem que ele disse em uma roda enorme de pessoas que as emendas da Janaina não vou pagar. Vai pagar todas elas e se não pagar, vai me enfrentar com uma força de uma forma como ele nunca viu. Este é um direito que conquistei nas urnas e ninguém vai tirar ele de mim. Se ele deseja me enfrentar, me perseguir que ele use o que é dele, pessoal e não o que é público do Estado. Não tenho medo dele, nem do governador e nem de nenhum secretário de Estado. Se acha que vai me fazer de palhaça está muito enganado. Sou a deputada mais votada deste Estado. Não venha com ameaçazinha. Fez comigo, fez com Cattani, com Barranco com Lúdio. Ele não sabe o que vai enfrentar aqui na Assembleia”, disparou a parlamentar emedebista.
Ela foi mais longe ao frisar que se o Governo quer entrar na Justiça para acabar com as emendas de bancada e um monte de deputados fica quieto, está tudo bem, tudo certo, tudo ótimo. “Aqui não é puxadinho do Estado. Aqui não tem apenas pau-mandado do Estado. Não sou pau mandado do Estado. Vamos às últimas consequências sejam elas judiciais ou não. Vai pagar tudo. Cada centavo. Este discurso não nos serve. Nunca aceitamos deputado nenhum ficar sem receber emendas. Este tipo de chantagem barata, ridícula e feita pelas costas. Seja homem… Seja homem… Fala isto para mim, pois eu não gosto de molecagem. Sou mulher, descente e estou aqui desempenhando meu papel, então não venha com ameaçazinha, molecagem. Faz isto para suas negas, para lá. Não aceito este tipo de ameaça. Vai fazer com seus. Não sou dessas”, relatou Janaina Riva.
A parlamentar ainda cobrou uma posição do deputado Carlos Avalone, presidente da Comissão de Fiscalização e Acompanhamento da Execução Orçamentária (CFAEO) por onde são apresentadas nas leis orçamentárias as emendas parlamentares impositivas, aquelas obrigatórias de serem executadas no ano apresentada e as não impositivas.
A emedebista alertou que tem ouvido relatos de várias pessoas e autoridades de promessas de emendas, ou seja, estão fazendo campanha eleitoral com dinheiro do Estado. “Todos chegam aqui e falam em 3, 4 ou 5 milhões. Fez isto com o prefeito de São Felix do Araguaia (Dr. Acácio Silva do Republicanos) e eu não vou aceitar isto”, disse Janaina.
As ásperas insinuações da única deputada mulher provocaram alvoroço, principalmente nas salas dos fundos do Plenário Renê Barbour, aonde os deputados colocam para fora todas suas reclamações que não podem ser publicizadas, mas também, acalmam os ânimos as vezes aumentando, as vezes diminuindo o tom das críticas contra o governo de plantão.
A parlamentar do MDB que caminha para ter sua postura política e pretensões futuras ainda mais reforçada, já que tende a ser presidente da sigla em Mato Grosso com a saída do atual presidente, reforçou que o chefe da Casa Civil deveria ter uma atitude de homem, uma atitude de coragem.
“O recado da deputada Janaina foi um tiro no peito dos demais deputados estaduais que sempre consente a tudo que o governador Mauro Mendes deseja, ou seja, aqui poucos ou quase nenhum tem opinião própria” se limitou a dizer um deputado estadual que também preferiu ficar no anonimato para não aumentar ainda mais pressão que foi gigantesca nesta quarta-feira.
Apostando em um feriado prolongado para acalmar os ânimos, o presidente Max Russi que chegou a ir ao Palácio Paiaguás, assinalou que apesar de tudo, o governo do Estado cumpre em quase toda sua totalidade a liberação das emendas e não deixou polemizar o assunto ainda mais, assinalando que críticas são comuns no Poder Legislativo e na política.
Ao sair da sessão plenária, Janaina ainda atendeu a imprensa e manteve suas palavras e assinalou que recebe por parte do Governo do Estado um tratamento de machismos institucionalizado, pois outros deputados também criticam o governo Mauro Mendes e nem por isso são perseguidos pelo mesmo.
Ela ainda aproveitou a sessão para se redimir e pedir desculpas públicas pelo fato de ter usado uma expressão, um vocábulo racista ao falar de “suas negas” e condenou qualquer tipo de insinuação neste sentido, admitindo ter se exaltado, mas somente em relação ao vocábulo racista e nada mais.
POLÍTICA
‘‘Eu conheço a realidade de Mato Grosso, posso defender com propriedade’’
Rosana Martinelli quer um Congresso forte para frear o Poder Judiciário e representar municípios
“Deus, Pátria e Família”, mas também desenvolvimento econômico, emprego, segurança para as mulheres e uma postura de enfrentamento ao Poder Judiciário, especificamente ao STF. Esses foram os motes principais citados por Rosana Martinelli durante a entrevista concedida ao GC Notícias nesta segunda-feira (14). Uma semana após se desligar do PL e confirmar a sua filiação ao MDB, a ex-prefeita de Sinop e suplente de Senador coloca na rua sua pré-candidatura para deputada federal, mantendo-se na pista da Direita e reforçando que conhece os caminhos de Mato Grosso.
Rosana lembrou que muito antes de atuar na política, ela viveu a formação do Norte do Estado. Foi uma das pioneiras de Sinop, chegando na cidade ainda criança. Depois empreendeu no setor madeireiro, também trabalhou com pecuária e ainda é produtora rural – experienciando a tríade da economia local. “Eu conheço a realidade de Mato Grosso e por isso posso defender o Estado com propriedade. Quando ocorreram as grandes discussões no Senado Federal envolvendo Mato Grosso e o setor produtivo, eu sabia do que estava falando, porque eu conhecia o assunto. Fazia parte da minha realidade”, comentou Rosana.
Ela citou como exemplo os debates em torno das queimadas, quando parte das lideranças políticas e institutos ambientais tentavam responsabilizar os produtores rurais pelos sinistros. “O maior patrimônio do produtor rural é sua fazenda. Ele é quem mais preserva. Ele é o guardião da propriedade rural e das reservas florestais que existem nela”, reforçou a pré-candidata.
O mesmo ocorre quando o assunto são os desmatamentos. “No restante do Brasil o desmatamento é colocado na conta do setor madeireiro. O que não é verdade. É um setor que depende da floresta em pé para trabalhar. Então, quando esses temas surgiram no Senado, tratamos de falar de manejo florestal sustentado e ver a percepção das pessoas sobre o assunto mudando”, afirmou Rosana.

Esse conhecimento da realidade de Mato Grosso também balizou Rosana na discussão dos grandes projetos de infraestrutura, como a implantação de ferrovias no Estado e a duplicação da malha federal. “Logística sempre foi nosso gargalo. Mato Grosso tem um potencial produtivo indiscutível, que gera ainda mais resultado à medida que a indústria se desenvolve. Cito sempre como exemplo a usina de etanol da Inpasa, que conseguimos atrair para Sinop quando eu era prefeita. Além do grande investimento, gerou empregos, negócios e mudou o mercado do milho. Mato Grosso ainda tem muito potencial para avançar nesse sentido, mas para isso um dos pontos necessários é melhorar a logística”, defendeu Rosana.
Quando o Congresso Nacional discutia a implantação de um novo Código Tributário, Rosana estava Senadora. Sua percepção das demandas de Mato Grosso levou ela a apresentar 42 indicações ao projeto de lei. No fim, 8 acabaram sendo absorvidas no texto original. “Sei do meu tamanho. Apesar da minha passagem pelo Senado, ainda não estou pronta para uma eleição desse patamar. Mas quero exercer minha representação política como deputada federal”, comentou.
Para além do setor produtivo e das questões inerentes ao desenvolvimento econômico de Mato Grosso, Rosana também se posiciona como uma representante do eleitorado feminino. Durante sua passagem pelo Senado, foi autora de projetos de lei relacionados à segurança da mulher. Como foi o caso da facilitação do porte de arma para mulheres que estão sob medida protetiva. Ela também defendeu intensificar as campanhas e ações para combater a violência contra as mulheres e o acesso gratuito à Justiça para vítimas de violência doméstica e familiar. “Precisa mudar a cultura, entender a posição de insegurança e atuar em defesa das mulheres, que hoje não conseguem confiar na capacidade do Estado de protegê-las. Precisamos mudar isso e uma das formas é garantir que o agressor seja punido e que continue preso. Eu defendo penas mais duras para crimes violentos”, opinou Rosana.
Outra bandeira levantada pela pré-candidata é a representatividade regional. Em sua leitura, o Norte de Mato Grosso, com aproximadamente 900 mil eleitores, tem condições de aumentar sua representatividade política escolhendo candidatos que tem identificação com a região. “Os recursos estão em Brasília. Independentemente de quem esteja na presidência da República, o dinheiro da União tem que chegar até a população e fazer a sua função. Como deputada federal vamos fazer essa ponte. Porque conheço as necessidades, principalmente na saúde e na educação”, apontou.

Extensão da Direita
Nos últimos anos Rosana militou em prol do ex-presidente Jair Bolsonaro, ajudou a fechar rodovia, fez discurso de ordem em cima de pá-carregadeira enrolada na bandeira do Brasil durante os manifestos regionais, teve seus bens bloqueados pelo judiciário e seu passaporte preso. Foi acusada de patrocinar os atos de 8 de janeiro de 2023. Além disso, promoveu diversas ações para fortalecer o PL Mulher. Depois de todo empenho em prol dessa corrente política, na reta final Rosana deixou a sigla e se filiou ao MDB. “Foi um pedido do próprio [Jair] Bolsonaro”, justificou Rosana.
Segundo ela, o PL de Mato Grosso contava com 11 nomes para disputar a eleição de deputado federal – sendo que o partido só poderia lançar 9 candidatos. Rosana acredita que estaria entre os nomes confirmados pelo PL para disputa. No entanto, seria mais difícil viabilizar sua candidatura no partido. Com as mudanças nas regras do coeficiente eleitoral, analistas políticos apontam que o PL deve eleger, no máximo, 3 deputados federais. Rosana poderia estar entre esses 3 ou não. Enquanto isso, no MDB, a projeção é de que o partido eleja um deputado federal. E nesse caso, Rosana é tida como favorita. “São projeções. Mesmo disputando a eleição no MDB, continuo sendo a mesma pessoa, com o mesmo discurso, defendendo as mesmas pautas. A mudança de partido teve a anuência do PL, faz parte de um projeto para atender ao pedido de Bolsonaro, que é eleger o máximo possível de deputados federais e senadores de Direita”, afirmou Rosana.
Por isso, mesmo correndo pelo MDB, Rosana segue apoiando a candidatura para o governo do Estado de Wellington Fagundes, cacique do PL e seu padrinho político de longa data. Dentro do MDB, a pré-candidatura de Rosana ganhou o apoio declarado da deputada estadual Janaina Riva. “Não perco minhas bases indo para o MDB. Provavelmente ganharei algumas do partido, que recentemente foi esvaziado, com a saída de muitos pré-candidatos”, avaliou.

Contrapeso do Supremo
Enquanto alguns analistas entendem o clamor de Bolsonaro para alcançar uma maioria absoluta no Congresso Nacional como uma tentativa de governar o Brasil sem disputar a eleição, Rosana vê como uma medida para reestabelecer os freios e contrapesos dos poderes nacionais. Na sua avaliação, o STF (Supremo Tribunal Federal) tem se tornado absoluto, revisando decisões do Senado, perseguindo a liberdade de expressão e atuando de forma arbitrária, sem responder a ninguém. “O povo não o reconhece. Ninguém votou no Supremo. Por uma questão de equilíbrio dos poderes é preciso que haja um mecanismo que possa conter os abusos do STF, quando estes forem cometidos. Ninguém é o dono da verdade. Quem erra, mesmo se for do judiciário, deve ser afastado”, argumentou Rosana.
Ela também defende um impeachment do ministro Alexandre de Morais – o que possivelmente aconteceria com uma bancada Bolsonarista majoritária no Congresso Nacional. Autora de um dos projetos de lei que previa a anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, Rosana, vê a atuação da justiça no processo como abusiva, arbitrária e repleta de estranhezas. “Soltaram criminosos e prenderam patriotas. Para alguns, penas arbitrárias de 14 a 17 anos de prisão, pesadas demais; sem sentido. Agora, uma leva de multas, mais de R$ 7,1 bilhões em multas para quem estava com os carros estacionados em Brasília no dia. Para mim o processo todo é muito viciado, com clara perseguição política”, avaliou Rosana.
Na sua visão, um Congresso Nacional identificado à Direita seria capaz de fazer um contrapeso de poder ao Supremo.
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