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O desafio de transformar riqueza em dignidade

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OPINIÃO

Mato Grosso é um dos estados que mais simbolizam a força produtiva do Brasil. Segundo dados do IBGE, o estado registrou um dos maiores crescimentos médios anuais do PIB do país na série de 2002 a 2022, com alta de 4,8% ao ano, enquanto o Brasil cresceu 2,2% ao ano no mesmo período. No campo, projeta um Valor Bruto da Produção Agropecuária de R$ 205,96 bilhões em 2026, ocupando a primeira posição nacional, segundo o Ministério da Agricultura. Líder na produção de grãos, Mato Grosso coloca comida no prato do Brasil e do mundo.

Mas essa riqueza está chegando à casa das pessoas? A Síntese de Indicadores Sociais do IBGE mostra que, em 2024, 13,1% da população mato-grossense vivia em situação de pobreza, o equivalente a cerca de 496,2 mil pessoas. A extrema pobreza caiu para 1,6%, mas ainda alcançava aproximadamente 60,6 mil moradores. Dentro das discussões do Plano de Metas Mato Grosso 2050, o TCE-MT também tem chamado atenção para esse paradoxo: Mato Grosso cresce, produz e arrecada, mas ainda convive com desigualdades profundas, especialmente nas regiões mais vulneráveis. Esse é um contraste que não pode ser tratado como detalhe. Desenvolvimento não pode parar na porteira da cidade grande.

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Na educação, os avanços também convivem com desafios. A taxa de analfabetismo em Mato Grosso caiu para 3,8% entre pessoas de 15 a 59 anos em 2024, segundo a Secretaria de Estado de Educação com base na PNAD Contínua Educação do IBGE. Mas entre pessoas com 60 anos ou mais, o analfabetismo chegou a 15,7%. Isso mostra que uma parte da população envelheceu sem ter acesso pleno à educação básica.

A violência contra a mulher é outro retrato duro desse contraste social. Dados oficiais da Secretaria de Estado de Segurança Pública apontam que Mato Grosso registrou 47 feminicídios em 2024 – a maior taxa proporcional do país, pelo segundo ano consecutivo, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Entre as vítimas, 41 eram mães, deixando 89 filhos órfãos. Não há desenvolvimento verdadeiro quando mulheres seguem morrendo dentro de casa, muitas vezes sem que a rede de proteção chegue a tempo.

A dependência de programas sociais também revela que a prosperidade econômica não alcança todos da mesma forma. Em junho de 2025, mais de 244 mil famílias, nos 142 municípios de Mato Grosso, receberam o Bolsa Família, com investimento federal superior a R$ 165,78 milhões e benefício médio de R$ 679,68. É uma política essencial para garantir renda e comida, mas também é um sinal de que milhares de famílias ainda vivem no limite.

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Mato Grosso é um estado rico, trabalhador e produtivo. Mas riqueza de verdade precisa aparecer também na vida das pessoas, com comida na mesa, escola de qualidade, moradia digna, proteção às mulheres, oportunidades para os jovens e cuidado com os idosos. Saneamento é saúde, é respeito, é qualidade de vida. Educação é liberdade. Segurança é dignidade. E desenvolvimento, para ser completo, precisa chegar ao bairro, à comunidade, à periferia e à casa de quem mais precisa.

O agro faz Mato Grosso crescer. Agora, o desafio é fazer Mato Grosso cuidar melhor da sua gente.

 

*Irajá Lacerda é ex-secretário executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária e ex-presidente da Comissão de Direito Agrário da OAB-MT.

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OPINIÃO

Quem financia a campanha? A prestação de contas também interessa ao eleitor

Prazo para a prestação de contas parcial das Eleições 2026 termina neste domingo, 13 de setembro, e mostra por que acompanhar o dinheiro da campanha também faz parte do voto consciente.

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Durante uma eleição, o eleitor acompanha pesquisas, propostas, debates, alianças e propaganda. Mas há outro aspecto que também merece atenção: d e onde vem o dinheiro que financia uma campanha e como ele está sendo utilizado.

Neste domingo, 13 de setembro, termina o prazo para que partidos, candidatas e candidatos apresentem à Justiça Eleitoral a prestação de contas parcial das Eleições 2026 . Nela devem constar as movimentações financeiras e os recursos estimáveis em dinheiro registrados desde o início da campanha até 8 de setembro.

A prestação parcial funciona como uma espécie de fotografia financeira da campanha naquele momento. Ela permite verificar quanto foi arrecadado, quem contribuiu, quais despesas foram realizadas e como os recursos estão sendo empregados.

Mas é importante fazer uma distinção: informações financeiras da campanha podem aparecer antes da prestação parcial , porque os recursos recebidos devem ser informados à Justiça Eleitoral durante a própria campanha e os relatórios financeiros podem ser disponibilizados na internet em até 48 horas.

O dia 15 de setembro representa outro marco. Nessa data, a Justiça Eleitoral divulgará oficialmente, na internet, a prestação de contas parcial consolidada, com indicação dos doadores e dos respectivos valores declarados, observadas as regras de proteção de dados pessoais.

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Para o eleitor, essas informações ajudam a enxergar a campanha por outro ângulo. Conhecer propostas é essencial, mas compreender quem financia uma candidatura e para onde o dinheiro está sendo direcionado também contribui para uma escolha mais consciente.

Para candidatos e partidos, a atenção deve ser redobrada. A prestação parcial precisa refletir a movimentação real da campanha. Omissões, inconsistências ou informações incorretas podem repercutir posteriormente na análise das contas eleitorais.

Também é importante lembrar que essa é apenas uma etapa. Após as eleições, haverá a prestação de contas final, quando toda a movimentação financeira da campanha será submetida à análise da Justiça Eleitoral.

A transparência eleitoral não está apenas no discurso do candidato. Ela também está na origem dos recursos, nos gastos realizados e na possibilidade de fiscalização pela sociedade.

Em uma democracia, saber quem pede o voto é fundamental. Saber quem financia a campanha também.

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