Artigo
Saúde mental: urgência pública que exige ação e acolhimento
OPINIÃO
A saúde mental deixou de ser uma preocupação silenciosa e se consolidou como uma das grandes urgências públicas do Brasil. Em 2025, a Previdência Social concedeu o impressionante número de 546.254 benefícios por incapacidade temporária devido a transtornos mentais e comportamentais, o que representa uma alta de 15,66% em relação ao ano anterior. Transtornos ansiosos e episódios depressivos lideram os afastamentos, revelando um país emocionalmente adoecido.
O cenário nacional dialoga com os dados mais recentes da Organização Mundial da Saúde, divulgados no final 2025, que apontam que mais de 1 bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais no mundo. A OMS também estima que depressão e ansiedade custem à economia global cerca de US$ 1 trilhão por ano em perda de produtividade. Essa realidade ganhou ainda mais atenção no Brasil com a atualização da NR-1, que passou a incluir os fatores de risco psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, reforçando que a pressão no ambiente de trabalho e o esgotamento profissional exigem prevenção, responsabilidade e acolhimento.
Esses números não são apenas estatísticas. Por trás de cada linha há uma mãe exausta, um trabalhador no limite ou um jovem sofrendo em isolamento. Dados oficiais do IBGE em 2026, por meio da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), revelam que cerca de três em cada dez estudantes entre 13 e 17 anos relataram sentir tristeza frequente, 18,5% disseram sentir que a vida “não vale a pena ser vivida” e 32% afirmaram ter sentido vontade de se machucar de propósito.
O impacto vai além do ambiente escolar: estudos do Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM) apontam que o tratamento de jovens com transtornos mentais chega a comprometer metade da renda das famílias na busca por apoio. O cenário exige que família, escola, assistência social e saúde atuem de forma integrada para acolher crianças e jovens antes que a dor vire tragédia.
Em Mato Grosso, esse desafio também precisa ser encarado de frente. Em 2025, o estado registrou 5.556 afastamentos temporários por transtornos mentais e comportamentais, segundo a Previdência Social. Não adianta ostentarmos indicadores econômicos grandiosos se as nossas famílias sofrem desamparadas, sem acesso adequado a psicólogos, psiquiatras e tratamento contínuo. O desenvolvimento econômico perde o sentido se não vier acompanhado da dignidade humana.
Para mudar essa realidade no nosso estado, a ação precisa ser descentralizada. É urgente expandir os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) para o interior, garantindo que o morador de qualquer município tenha o mesmo direito ao cuidado que quem vive na capital. Além disso, precisamos estruturar programas de apoio emocional permanentes dentro das escolas estaduais, capacitando professores para identificar os primeiros sinais de crise em crianças e adolescentes, e criar parcerias com o setor privado para aplicar a NR-1 de forma humana e acolhedora.
Cuidar de pessoas significa olhar para aquilo que as grandes obras e os discursos políticos tradicionais ignoram. É enxergar a dor de quem não consegue pedir socorro e garantir que o orçamento público priorize a vida. O Brasil e Mato Grosso precisam transformar a saúde mental em prioridade absoluta. Uma sociedade só é verdadeiramente rica e desenvolvida quando protege sua gente, oferecendo a cada cidadão a oportunidade e o amparo necessários para viver bem e com dignidade.
*Irajá Lacerda é ex-secretário executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária e ex-presidente da Comissão de Direito Agrário da OAB-MT.
OPINIÃO
A resistência da economia
Os dados do desempenho do PIB no primeiro trimestre de 2026 divulgados pelo IBGE na última sexta-feira (29) mostram o robusto crescimento da economia brasileira.
Mesmo em ambiente desfavorável, com aumento das incertezas econômicas no cenário internacional, motivadas pela insana guerra dos Estados Unidos contra o Irã e pela política contracionista praticada pelo Banco Central, que mantém juros muito elevados para manter a inflação próxima à meta.
De janeiro a março deste ano, a atividade econômica cresceu 1,1% e 1,8% nos últimos doze meses, completando 21 trimestres seguidos de desempenho positivo.
Desta vez, o avanço não foi nenhuma surpresa. Na semana anterior, o jornal Valor Econômico publicou pesquisa com 71 instituições indicando que o desempenho do primeiro trimestre ficaria em 1,1% e o crescimento anual nos mesmos 1,8% confirmados pelas Contas Nacionais Trimestrais do IBGE.
Pelo lado da demanda, o consumo final das famílias foi o motor do crescimento, puxado pela expansão da renda disponível, aumento da massa salarial (baixo desemprego) e pelo aumento da oferta de crédito, que alavanca compras a prazo.
A parte crítica do desempenho do primeiro trimestre é que o crescimento está muito sustentado no consumo das famílias, estímulo ao crédito e gastos do governo (federal, estaduais e municipais)
Segundo pesquisadores do IBGE, os dados do mês de março começaram a sinalizar redução da atividade em razão dos juros elevados e das incertezas internacionais.
Por outro lado, o mercado de trabalho segue aquecido e a administração federal impulsiona o consumo com medidas como aumento real do salário-mínimo e o início da vigência da isenção do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) para quem ganha R$ 5 mil por mês a partir de janeiro.
Chama a atenção o aumento do acesso ao crédito em ambiente hostil de taxas de juros muito altas e elevado nível de endividamento das famílias.
Ainda na ótica da demanda, o aumento da formação bruta de capital fixo (FBCF), como o investimento é chamado nas contas do PIB, cresceu 3,5%, contribuindo para a boa performance do primeiro trimestre. Ainda assim, a participação do investimento na formação do PIB (taxa de investimento) ficou em 16,5%, abaixo do patamar de 17,6% alcançado no primeiro trimestre de 2025.
Pelo lado da produção, os destaques foram o bom desempenho da agropecuária, com a grande safra de soja, evolução da pecuária e da indústria extrativista, ancorada no aumento da produção de petróleo e gás. A indústria da construção também teve bom desempenho.
O PIB industrial só não colheu aumento mais expressivo porque a indústria de transformação (bens acabados, prontos para o consumo) ficou praticamente estagnada no primeiro trimestre.
O setor de serviços, que responde por 70% do PIB, teve crescimento baixo (0,5%), com melhor desempenho nos setores de informação/comunicação, atividades imobiliárias e comércio. Houve retração nos serviços de correios, transportes, armazenagem e atividades financeiras.
Não resta dúvidas que o desempenho da economia no primeiro trimestre foi bom, na comparação anual e trimestral. É o sexto maior crescimento anual e terceiro em crescimento trimestral entre os 45 países que já divulgaram dados do PIB no primeiro trimestre, inclusos as economias da OCDE e G-20, que são as maiores e mais desenvolvidas.
A parte crítica do desempenho do primeiro trimestre é que o crescimento está muito sustentado no consumo das famílias, estímulo ao crédito e gastos do governo (federal, estaduais e municipais), com baixa evolução do investimento e da poupança, componentes que garantem a sustentabilidade da economia em médio e longo prazos.
As evidências sugerem que vai se repetir o padrão de desempenho do PIB dos últimos anos. Com protagonismo da agropecuária e consumo das famílias, o primeiro trimestre tem avanço forte, seguido de alta moderada nos trimestres seguintes, o que pode garantir crescimento pouco acima de 2% ao final de 2026.
São pertinentes as críticas de que o atual perfil da evolução do PIB, baseado no consumo das famílias e oferta de crédito, não permite ao país explorar todo seu potencial de crescimento. Todavia, o histórico dos últimos anos é positivo.
Confirmadas as previsões de crescimento acima de 2% este ano, no período recente de 2022 a 2026 o crescimento acumulado do PIB será de 11,4%, o que assegura a posição do Brasil entre as dez maiores economias do mundo.
Nesse período, a economia brasileira mostrou-se bem resistente a choques. Enfrentamos a pandemia, guerra Rússia-Ucrânia, tarifaço de Trump e agora a guerra do Oriente Médio, que elevou os preços de petróleo, fertilizantes e fretamentos.
-
POLÍCIA7 dias atrásGefron apreende R$ 391 mil em pasta-base de cocaína
-
GERAL7 dias atrásMato Grosso é o sétimo Estado que mais mata no Brasil
-
GERAL6 dias atrásGoverno de MT nomeia mais 133 novos profissionais da Saúde e prorroga concurso por 2 anos
-
GERAL5 dias atrásMais de 37 milhões de contribuintes já enviaram declaração do IRPF 2026
-
GERAL6 dias atrásGovernador e municípios se unem por saúde e educação
-
GERAL7 dias atrásSeciteci publica resultado de sorteio das vagas para os cursos técnicos
-
GERAL6 dias atrásBancada bolsonarista de MT passam a defender fim da escala 6×1
-
GERAL7 dias atrásMendes chama WF de ‘cara de pau’ por criticar rodovia MT-170



