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Esquecemos Rondon

O aniversário de Rondon virou uma data (quase) esquecida em Mato Grosso

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OPINIÃO

Um dos poucos heróis nacionais e o maior cidadão mato-grossense de todos os tempos faria hoje 161, anos. Nascido em Mimoso, Mato Grosso, em 1865, e falecido aos 92 anos no Rio de Janeiro, faltariam linhas para descrever o tamanho de Rondon.

Em um breve resumo, Cândido Mariano da Silva Rondon foi ex-militar, condecorado com mais de cinco medalhas internacionais, engenheiro e sertanista brasileiro, reconhecido mundialmente por proteger os povos indígenas sendo o idealizador do Parque do Xingu e patrono da arma de Comunicações do Exército Brasileiro, foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz por duas vezes, viajou com ex-presidente dos Estados Unidos Theodore Roosevelt, em 1913 pelos rios de Mato Grosso, e também trouxe junto a Comissão das Linhas Telegráficas nomes com Luiz Bueno Horta Barbosa para estudar doenças tropicais da Amazônia, como a malária, entre tantas outros feitos que ecoam nos dias atuais, através do desenvolvimento de medicações, fundação de cidades e de um estado: “Rondônia”.

Quando governador (1983-86) uma das minhas ações foi justamente transformar o dia 05 de maio, no dia de Rondon. Por anos, aconteceram inúmeras solenidades na Praça Alencastro, encabeçadas pela Sociedade dos Amigos de Rondon, que teve como um dos seus presidentes o pesquisador Ramis Bucair, entidade da qual tenho a honra de ser também sócio-presidente de honra.

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Apesar da extensa biografia, é muito triste perceber que nos esquecemos de nosso ilustre conterrâneo, o Marechal, cada vez menos lembrado entre as novas gerações. Apesar deste emprestar o seu nome a uma comenda na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, faltam iniciativas para trazer sua trajetória à luz dos dias atuais.

Rondon é inquestionavelmente um nome que faria bem aos jovens de Mato Grosso, cada vez mais carentes de heróis e bons exemplos. Mas, como engajar crianças e adolescentes se sequer temos um Museu dedicado ao nosso herói? O memorial Rondon ativo hoje está em Rondônia, muito distantes de sua terra natal.

Enquanto isso, nosso memorial, erguido na cidade natal de Rondon, segue fechado. Construído em meio às paisagens exuberantes do Pantanal mato-grossense, no distrito de Mimoso, em Santo Antônio de Leverger, a 35 km de Cuiabá, o Memorial Marechal Rondon é um espaço histórico e simbólico. Situado no lugar onde Rondon nasceu, o espaço abrigou objetos históricos, fotografias, documentos e reproduções em um dos poucos espaços que ajudavam a contar a trajetória de um dos brasileiros mais respeitados internacionalmente.

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Mas, o local segue fechado. Idealizado em 1997, no governo Dante de Oliveira, o Memorial teve obras iniciadas em 2001, na gestão do então governador Blairo Maggi e desde então acumula paralisações. A construção nunca foi concluída definitivamente. A reforma atual previa recuperação estrutural, revisão elétrica e hidráulica, climatização e melhorias na acessibilidade. A nova paralisação prolonga um ciclo de entraves que mantém fechado um espaço de importância histórica e cultural para Mato Grosso.

Apesar da promessa de reinauguração, no aniversário de 162 anos do nosso Marechal, temos pouco a comemorar e a oferecer a sua memória.

 

*Júlio José de Campos é deputado estadual de Mato Grosso, foi governador, senador e deputado federal durante três mandatos, além de prefeito da cidade de Várzea Grande.

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OPINIÃO

A infância não pode esperar

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Neste 27 de julho, quando celebramos o Dia do Pediatra, mais do que homenagear uma especialidade médica, somos convidados a refletir sobre uma responsabilidade que começa muito antes de qualquer doença aparecer: garantir às nossas crianças a oportunidade de crescer e se desenvolver com saúde e qualidade de vida.

A pediatria tem uma particularidade que a torna única: o paciente nem sempre consegue explicar o que sente, muitas vezes não sabe dizer onde dói e, em algumas situações, sequer percebe que algo está diferente. Por isso, cuidar de uma criança exige conhecimento técnico, mas também escuta, observação, sensibilidade e proximidade com a família.

O olhar do pediatra precisa enxergar além da queixa, uma consulta não deve ser apenas uma resposta para uma febre, uma tosse ou uma dor. Ela também é uma oportunidade para acompanhar o crescimento, observar o desenvolvimento, avaliar hábitos, orientar a alimentação, conferir a vacinação e conversar sobre aspectos que fazem parte da rotina daquela criança.

É nesse acompanhamento contínuo que a prevenção ganha força.

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Uma criança acompanhada de perto permite que mudanças sejam percebidas com mais rapidez. Alterações no desenvolvimento, dificuldades de aprendizagem, problemas relacionados ao sono, questões nutricionais ou sinais que indiquem a necessidade de uma avaliação especializada podem ser identificados mais cedo. E, na saúde, reconhecer um problema no momento certo pode mudar completamente o caminho a ser seguido.

Por isso, o cuidado pediátrico não deve ser lembrado somente quando a criança adoece.

Como médico e pediatra, aprendi que cada criança traz consigo uma realidade diferente. Não existe cuidado verdadeiramente integral sem considerar o ambiente em que ela vive, as relações que estabelece e as condições que influenciam sua saúde. Por isso, o diálogo com os pais e responsáveis é parte essencial do nosso trabalho.

Neste Dia do Pediatra, minha homenagem vai para todos os profissionais que escolheram dedicar sua trajetória à infância. Mas também deixo um convite às famílias: não esperem a doença para procurar cuidado. O acompanhamento regular, a prevenção e a orientação médica são investimentos que podem produzir resultados para toda a vida.

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A infância passa rápido. O cuidado, quando chega no tempo certo, pode deixar marcas para sempre.

 

*Mohamed Kassen Omais, é médico pediatra e diretor de Provimentos de Saúde da Unimed Cuiabá.

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