Eleições da Ordem
‘A OAB precisa funcionar bem para todos os advogados’
Xênia Guerra defende uma entidade que seja capaz de enxergar as diferentes realidades dos profissionais da advocacia
MATO GROSSO
O advogado de Cuiabá e o de Vila Rica pagam o mesmo valor de mensalidade da OAB/MT (Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso). Então, o justo é que a Ordem opere para ambos da mesma forma. O mesmo vale para o advogado experiente, com clientela formada e aquele que acaba de ingressar na advocacia. Essa visão de equiparidade é um dos pilares da discussão proposta por Xênia Guerra.
A advogada criada e residente em Sinop encabeça uma iniciativa inédita nas eleições da Ordem. Pela primeira vez, em 91 anos de OAB/MT, um movimento entra na disputa tendo a mesma quantidade de advogados do interior e da capital, com 50% de mulheres, 30% de negros e pardos, tendo como candidata a presidente uma advogada que não seja de Cuiabá. Essa combinação heterogênea tem um motivo para ser. “OAB precisa ser tão plural quanto a advocacia. Quem está no comando da Ordem precisa entender a realidade dos mais de 27 mil advogados de Mato Grosso, que operam em um Estado enorme, rico, mas com diferenças significativas em seus 142 municípios”, argumentou Xênia.
Advogada há 14 anos, Xênia atua junto a OAB/MT há uma década. Seu trabalho com a entidade começou em 2014, como membro das Comissões Temáticas da Ordem. Sua primeira busca para pluralizar a OAB foi atacando a disparidade na representação feminina, através do Projeto OAB Mulher. Na época, apenas 14% dos cargos eletivos da Ordem eram ocupados por mulheres. Com mais 4 advogadas, Xênia rodou pelo interior difundindo a importância da participação feminina nos quadros da OAB. O movimento tornou obrigatório, em 2016, que pelos menos 30% dos membros de uma chapa fossem mulheres. Em 2021 alcançou-se a paridade, com participação obrigatória de 50% de advogadas nas disputadas a Ordem. Atualmente a OAB tem uma cota para negros e pardos, que devem ocupar 30% dos cargos eletivos. “Nosso novo objetivo é que a paridade entre capital e interior esteja na proporção de membros da Seccional”, explica Xênia.
O pleito é estatístico. Assim como as mulheres representam 51% dos operadores do Direito em Mato Grosso, 52% de todos os advogados, estagiários e suplementares estão no interior. A capital, embora seja o maior núcleo da advocacia, concentra 48% dos assistidos pela OAB. “Não se trata de diminuir a capital em detrimento do interior. Nem melhores nem piores, apenas diferentes. Assim deve ser visto o movimento conjunto da capital e interior. É apenas uma questão de equilíbrio representativo e de compreender que a seccional, instalada em Cuiabá, atende esses 48% da advocacia. Agora precisamos fazer com que a OAB funcione plenamente também para os outros 52% que estão no interior”, aponta Xênia.
Xênia vivenciou essa miopia da Ordem com o interior quando foi vice-presidente da CAAMT (Caixa de Assistência dos Advogados de Mato Grosso), braço da OAB que trata dos benefícios e serviços prestados para os advogados. Ela foi a única diretora do interior no período que passou na CAAMT, entre 2016 e 2021. Na função, Xênia implantou a assistência psicológica para advogados, realizou a campanha de vacinação ao mesmo tempo em todo o Estado e viabilizou o auxílio financeiro para advogados que contraíram Covid-19. “Algumas pessoas questionaram o auxílio, que era de R$ 1.000,00, falando que o valor era baixo. O que é preciso entender é que existem advogados de todas as realidades no Mato Grosso. O auxílio poderia ser dispensável para o profissional já estabelecido. Para aqueles no começo da jornada, foi determinante. A OAB deve enxergar todos”, argumenta Xênia.
Sobre a OAB servir também os recém iniciados e a promoção do entrosamento da advocacia com a Ordem, Xênia tem experiências realizadas como presidente da subseção de Sinop que pretende levar para o Estado. É o caso do Projeto Botando Banca, que propicia o acesso de profissionais jovens a advogados mais experientes, que passam orientações e a logística de funcionamento de cada comarca. Outra iniciativa são os cursos de pós-graduação e aperfeiçoamento ofertado para os advogados. Foram 4 pós-graduações nos dois anos de Xênia como presidente. “Hoje existem Varas Regionais Especializadas, que são uma boa oportunidade para os advogados do interior pegar causas mais robustas. Mas para isso é preciso especialização e a OAB deve promover essa formação do advogado. Acredito que a Ordem possa fortalecer o advogado de maneira que ele atue da melhor forma, independente do lugar que escolheu para morar”, provocou a candidata.
Na mesma toada, o advogado tem que sentir que a OAB é algo além de um boleto para pagar. Em Sinop Xênia trouxe a advocacia para dentro da Ordem fortalecendo as comissões temáticas. Atualmente a subseção tem 27 comissões, que envolvem 450 advogados – cerca de 25% dos profissionais inscritos na cidade. É possível inclusive encontrar adversários de Xênia no pleito anterior conduzindo comissões temáticas. Regidas por um calendário, as comissões tem um itinerário que envolve os advogados, que prestam um serviço para a advocacia e como consequência acabam ganhando destaque na comunidade local e construindo seu nome profissional. “Municípios maiores, como Rondonópolis, Cáceres, Alta Floresta também podem implantar Conselhos assim como tem na seccional. Essa é uma forma importante de descentralizar e levar para o interior os serviços da OAB, suas câmaras julgadoras e tribunais, gerando o envolvimento da advocacia”, afirma Xênia.
Para Xênia, esta eleição pode estabelecer um novo “ponto de corte” para a OAB de Mato Grosso. Caso uma chapa com 50% de advogados do interior vença, as próximas disputadas não vão poder ignorar a necessidade de compor com os profissionais que estão fora de Cuiabá. Até porque sua eleição também implica em dividir o escritório da seccional em dois: uma sede na capital e outra no interior. “Caso seja a vontade da advocacia, não vou chegar mudando tudo, como quem quer reinventar a roda. Não sou extremista, nunca fui. Mas também não sou morna. Eu tenho uma postura firme quando se trata de fazer a defesa da advocacia. É algo que me motiva fazer e que tenho feito nesses últimos 10 anos. Acredito que a política da OAB deve ser desenhada de forma coletiva e plural, observando as diferentes formas de visão que temos em Mato Grosso. A defesa sempre será para garantir os direitos e prerrogativas dos advogados e a orientação sempre será o bom senso”, finaliza Xênia.
As eleições da OAB/MT serão realizadas na segunda quinzena de novembro. A atual presidente, Gisela Cardoso é pré-candidata à reeleição. Além do movimento capitaneado por Xênia, também se apresenta para a disputa o advogado Pedro Paulo Peixoto.
MATO GROSSO
Deputados estaduais rejeitam prorrogar concessão da Energisa S/A por mais 30 anos e não descartam CPI
Em um processo que passava desapercebido por todas as autoridades públicas do Estado de Mato Grosso, a exceção do deputado Wilson Santos (PSDB), o primeiro que alertou para o fim da concessão dos serviços de distribuição de energia elétrica em Mato Grosso, mesmo faltando dois anos para ser concretizado, pode levar os deputados estaduais a instalarem uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e até mesmo acionar judicialmente o Governo Federal e a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) para que não promova a prorrogação automática da referida concessão como já se encontra em curso em Brasília.
Após uma Audiência Pública realizada no final de maio último na Assembleia Legislativa, o representante do Ministério das Minas e Energia, Frederico Teles, alertou aos presentes que a Energisa S/A cumpria com as exigências técnicas do Decreto 12.068/2024 e que caminhava seguramente para a prorrogação do concessão por mais 30 anos a partir do final do ano de 2027.
Esse posicionamento técnico do Ministério das Minas e Energia e da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) levou a uma série de críticas por parte dos deputados estaduais e também de segmentos empresariais, industriais, comerciais e representantes da sociedade organizada, tanto que a Assembleia Legislativa por determinação do presidente Max Russi (PSB), instituiu uma Comissão Especial que agendou através da deputada a presidente do MDB, Janaina Riva, uma série de reuniões em Brasília aonde foram notificados que o processo de renovação estava instalado e correndo.
“ Tanto no Ministério das Minas e Energia, bem como na ANEEL, ficou claro que as autoridades não tinham conhecimento da realidade de Mato Grosso no tocante a questão da energia elétrica e o tanto que a sua falta e irregularidade no abastecimento tem impedido um maior desenvolvimento do Estado e de seus potenciais”, disse a deputada e presidente do MDB, Janaina Riva ressaltando a disposição tanto do Ministro Alexandre Silveira como de Fernando Mosna, Diretor da ANEEL em abrir uma ampla discussão e até mesmo acatar decisões da Assembleia Legislativa de Mato Grosso..
“Não se pode fazer um processo desta envergadura assim”, reclamou o deputado Eduardo Botelho (UB) que durante anos trabalhou na antiga Centrais Elétricas Mato-grossenses – CEMAT, que em 1997 foi privatizada na Bolsa de Valores e assumida por um consórcio de empresas que criou a Rede Cemat.
O problema é que em 2012, após alguns anos de funcionamento através da iniciativa privada, a Rede Cemat acabou sofrendo uma intervenção do Governo Federal, diante da instabilidade econômica e da real possibilidade de a empresa entrar em falência.
Após a condução de um novo processo em que cinco grupos distintos disputaram a nova concessão, em 2014, a Energisa S/A, uma das maiores empresas do Brasil e que já atendia diversos Estados, principalmente no Nordeste do Brasil, assumiu a Rede Cemat com dividas à época estimadas em R$ 2 bilhões que se somadas a outras empresas administradas pelo Grupo Rede atingiam a R$ 5,7 bilhões.
Neste processo a Energisa também assumiu outras empresas que estavam sob a gestão do grupo Rede como a Celtins (TO); Enersul (MS); Companhia de Força e Luz do Oeste (PR); Caiuá (SP); Bragantina (SP/MG), Vale do Paranapanema (SP) e Nacional (SP).
“Só pelos critérios técnicos de avaliação da ANEEL e do Ministério das Minas e Energia não será possível adotar uma concessão de 30 anos. As regras são desfavoráveis para Mato Grosso, para as cidades e principalmente para as pessoas que se veem reféns de um serviço precário e sem resolutividade dos seus problemas”, disse o deputado Eduardo Botelho (UB) que por muitos anos trabalhou na extinta CEMAT – Centrais Elétricas de Mato Grosso, empresa estatal que foi privatizada em 2007 no Governo Dante de Oliveira.
Já para o deputado Wilson Santos, o primeiro que alertou para a necessidade de uma nova discussão sobre a concessão dos serviços de distribuição de energia elétrica, o que impede a mesma de ser geradora, “os argumentos apresentados pela Energisa são muito pobres. Falar em investir bilhões e mais bilhões ao longo de anos, não vai mudar a necessidade premente que é hoje ocorre em todo Mato Grosso”, alertou o parlamentar do PSD, sinalizando para os relatos de instabilidade no fornecimento de energia elétrica, falta de pontos de atendimento em todos os 141 municípios e o principal, investimentos acanhados diante da necessidade emergencial que existe.
O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Max Russi (PSB) também defende que haja uma ampla e efetiva discussão aonde todos os atores fiquem sabendo das adversidades que deverão ser enfrentadas para se mudar o atual cenário, que nos grandes centros pode até parecer sob controle, mas na maioria das localidades e cidades é de descontrole e de serviços precários.
Mesmo existindo um prazo de 90 dias concedidos pela ANEEL, após a missão oficial que foi a Brasília discutir a prorrogação da concessão dos serviços de distribuição de energia elétrica é provável que o Poder Legislativo de Mato Grosso avance para uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) defendida pelo deputado Dilmar Dal´Bosco (UB), líder do Governo e que tem sua base eleitoral no interior de Mato Grosso e que conhece a realidade dos serviços prestados pela Energisa S/A.
“Nos grandes centros, a solução dos problemas são mais efetivos, no interior existem relatos de mais de semana sem energia elétrica diante de qualquer adversidade, sem contar outros tipos de problemas, como os mais de 300 mil quilômetros de rede de distribuição que em pleno século 20 ainda monofásico, quando deveria ser trifásico”, alertou Dilmar Dal´Bosco, asseverando que a diferença entre monofásico e trifásico é que tem segurado o desenvolvimento de Mato Grosso e sua industrialização.
Eduardo Botelho ressaltou que “a energia elétrica é fator fundamental para o desenvolvimento, principalmente a industrialização. Se Mato Grosso que já desponta como potência do agronegócio tivesse energia elétrica disponível estaria em um ritmo ainda mais acelerado de desenvolvimento e de geração de emprego e renda”, disse Botelho se colocando contra qualquer tipo de atitude neste momento que permita uma renovação da concessão mesmo que de forma precária.
Para o deputado do União Brasil, se falta dois anos para que o contrato de concessão adotado no final de 1997 seja reavaliado e revisto, é necessário se esgotar todo este prazo, todos os argumentos para então decidir qual a melhor decisão a ser adotada, por todos e não unilateralmente por técnicos que nem conhecem a realidade de Mato Grosso.
Max Russi vai mais longe ao sinalizar que o anuncio por parte da Energisa de novos investimentos é pouco diante do quadro vivenciado por Mato Grosso e que se não houver respostas mais concretas, o melhor é promover um novo processo licitatório com novas empresas aportando e decidindo o melhor caminho a ser adotada.
Botelho foi mais longe ao analisar que diante das dificuldades e da falta de propostas concretas e palpáveis, que o Governo Federal deveria pensar e adotar até mesmo uma licitação internacional, já que existem em várias partes do mundo, empresas, novas tecnologias que permitem se ter uma perspectiva diferente da atual quanto ao nível e o grau de investimentos em geração, distribuição e atendimento na área de energia elétrica, eólica, solar.
“O que não pode acontecer em Mato Grosso, é você conseguir trazer uma grande investidor e ver que o mesmo está disposto a se instalar aqui, gerar emprego e renda, mas tem que planejar seus investimentos com a construção de usinas de energia solar para que seu negócio seja rentável”, assinala Eduardo Botelho lembrando que trabalhou muitos anos no sistema e conhece a realidade do mesmo e as dificuldades impostas por se ter um Estado com as dimensões de Mato Grosso.
Para ele, quando o industrial percebe que necessitará aportar mais recursos para sua instalação em Mato Grosso, por causa do problema de energia elétrica, ele acaba optando por outro Estado que oferta e energia de forma mais prática e menos onerosa.
Outro critico da atuação da Energisa S/A, deputado Faissal Calil (Cidadania) lembra que além de proporcionar um serviço deficitário, a empresa cria dificuldades na instalação de usinas de geração de energia solar, muito comum nos dias de hoje, seja para pequenos, médios ou grandes consumidores.
“São diversos os relatos de dificuldades impostos pela Energisa para atender aos pedidos, aos direitos dos consumidores”, assinala Faissal Calil lembrando que a empresa jamais digeriu sua derrota, assim como o Governo do Estado, na cobrança de tributos como o ICMS nas contas de energia solar”, assinala ele ressaltando que o Governo de Mato Grosso propôs cobrar imposto do sol e como não conseguiu, foi barrado até na Justiça, fica criando dificuldades para que as pessoas não tenham sua própria energia de forma transparente e eficiente.
Calil assinalou que empresas como a Energisa criam subterfúgios, pois como distribuidora ela não pode gerar energia, mas está gerando energia solar e obrigando as pessoas a adquirirem dela colocando empecilhos quando a geração é própria.
Eduardo Botelho lembrou que Mato Grosso tem uma das maiores cargas de impostos sobre a energia elétrica e isto também afasta novos investidores. “Estamos entre os Estados do Brasil que mais cobram ICMS sobre a energia elétrica e isto torna a vida das pessoas mais difícil e mais onerosa para os empresários, comerciantes e industriais e a execução de novos investimentos e a atração de novos investidores”, assinala ele.
Botelho frisou que o momento de se esgotar todas as possibilidades é agora diante do fim da concessão que se demonstrou eficiente e resolutiva, mas de forma limitada, pois “deslanchamos nos primeiros anos com novos investimentos e obras, mas depois ficamos parados no tempo e o pior em 2014 passamos por uma intervenção do Governo Federal na então Rede Cemat, a primeira concessionária por dificuldades financeiras que levaram a novo processo de escolha e a chegada da Energisa que agora precisa ser revista. Ou pensamos em Mato Grosso como um todo ou continuaremos a ter nichos de desenvolvimentos enquanto alguns irão padecer em pleno século 20 por falta de energia”, declarou ele.
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