Assassinato de Zampieri
Trio é condenado por matar advogado de MT a tiros; veja as penas
GERAL
Após três dias de julgamento, o Tribunal do Júri condenou, na noite desta quinta-feira (1º), Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas pela morte do advogado Roberto Zampieri, assassinado em dezembro de 2023, em Cuiabá.
Antônio, apontado como executor dos disparos, foi condenado a 21 anos, 10 meses e 15 dias de reclusão, mesma pena de Caçadini, apontado pelo Ministério Público como financiador do crime. Na definição das penas, Antônio teve reconhecida a atenuante por confessar o crime. Caçadini teve a pena atenuada por ter mais de 70 anos de idade.
Hedilerson, acusado de intermediar o crime, foi condenado a 25 anos de reclusão. Para ele, não foi reconhecida nenhuma atenuante.
Os réus podem recorrer da decisão, como ocorre nos julgamentos em primeiro grau.
Os três réus foram condenados por homicídio qualificado, cometido por motivo torpe, com recurso que dificultou a defesa da vítima e emprego de arma de fogo de uso restrito ou proibido.
Foram mais de 38 horas de trabalho em plenário. No primeiro dia, terça-feira (29), os trabalhos ocorreram das 9h às 22h. Na quarta-feira (30), começaram às 9h e terminaram às 18h30. No terceiro dia, quinta-feira, a sessão começou às 9h, com debates entre acusação e defesa que avançaram pela noite. O julgamento foi encerrado na madrugada de sexta-feira.
O julgamento, presidido pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, da 11ª Vara Criminal Especializada da Justiça Militar de Cuiabá, começou na terça-feira. Atuaram na acusação os promotores de Justiça Samuel Frungilo e Vinícius Gahyva Martins, com o advogado Giovani Santin como assistente da acusação.
O advogado foi morto com dez tiros em 5 de dezembro de 2023, dentro de seu veículo, nas proximidades do escritório onde trabalhava, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá.
O casal Aníbal Manoel Laurindo e Elenice Ballarotti Laurindo, apontado como mandante do crime, responde a um processo separado.
Segundo as investigações, uma disputa envolvendo a Fazenda Lagoa Azul, em Paranatinga, avaliada em cerca de R$ 100 milhões, estaria entre as possíveis motivações do assassinato.
A morte de Zampieri também deu origem a investigações sobre um suposto esquema de venda de decisões judiciais envolvendo magistrados de Mato Grosso e integrantes de tribunais superiores. Um dos desdobramentos foi a Operação Sisamnes, deflagrada pela Polícia Federal em 2024.
Segundo a denúncia do Ministério Público, por motivos ainda não esclarecidos, Caçadini teria contratado Antônio e Hedilerson para matar Zampieri.
Em novembro de 2023, Antônio teria procurado o advogado sob o pretexto de contratar seus serviços e chegou a marcar uma visita a uma propriedade rural, onde pretendia matá-lo com uma marreta. Na data combinada, porém, Zampieri enviou um amigo em seu lugar, frustrando o plano.
Posteriormente, segundo a acusação, Antônio pediu a Hedilerson uma arma para executar o crime e recebeu uma pistola Taurus 9mm. O Ministério Público afirma que Antônio receberia R$ 40 mil pela execução.
O júri havia sido inicialmente marcado para julho, mas foi dissolvido depois que um dos jurados passou mal e precisou de atendimento médico. Um novo conselho de sentença foi formado para o julgamento desta semana.
Primeiro dia
No primeiro dia, foram ouvidas seis testemunhas, entre elas os delegados Edison Pick e Nilson Farias, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), e o delegado federal Marco Bontempo.
Os policiais detalharam as provas reunidas durante a investigação que levou ao indiciamento dos três réus.
Montagem/MidiaNews
Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas
Bontempo afirmou que havia elementos “muito robustos para identificação dos executores” e disse não ter dúvidas sobre a participação do trio.
“Não tenho nenhuma dúvida que os três participaram. As conversas, os documentos, inclusive do Caçadini, que tinha a certidão de óbito do Zampieri e fez pesquisas sobre o advogado após a morte”, afirmou.
Interrogatórios
Na quarta-feira, os três réus foram interrogados.
Antônio confessou o assassinato e afirmou que deveria ser condenado. Segundo ele, o crime foi motivado por casos de corrupção no Judiciário brasileiro.
“Um corrupto eu mandei para o inferno”, declarou.
Ele afirmou ainda que recebeu uma fotografia de Zampieri em Belo Horizonte (MG) e veio a Cuiabá para verificar se terras vendidas pelo advogado estavam envolvidas em desapropriações de famílias devido a conflitos agrários.
“Cometi esse pecado, esse crime. É verdade. Se esse homem não tivesse entrado na corrupção, ele estava vivo e eu estava solto”, disse.
Antônio, porém, não revelou quem teria lhe entregue a fotografia.
O segundo interrogado foi Hedilerson, que negou participação no homicídio, mas reconheceu que a arma utilizada por Antônio era sua.
Hedilerson chorou durante o interrogatório e afirmou ter sido “traído” por Antônio. Os dois se conheciam por meio de um clube de tiro, onde Hedilerson atuava como instrutor.
Segundo ele, veio a Cuiabá no dia do crime para participar de uma prova de tiro e foi chamado por Antônio para ficar em seu quarto de hotel. Ao sair para jantar, deixou a arma usada na competição no local. Ele afirmou que Antônio pegou o armamento “sorrateiramente”.
“Não acreditei que ele tinha usado minha arma. Traiu minha confiança. Ele era uma pessoa, até então, idônea”, declarou.
A denúncia do Ministério Público apontava Hedilerson como responsável por fazer a ligação entre Antônio e Caçadini.
Os dois teriam se conhecido por meio da “Frente Ampla Patriótica”, grupo político do qual Caçadini fazia parte.
Em seu interrogatório, Caçadini negou envolvimento no assassinato e afirmou ter sido “injustiçado e lesado” pelas acusações.
As investigações apontaram que o coronel esteve em Cuiabá ao menos quatro vezes em 2023. Ele afirmou que as viagens estavam relacionadas ao grupo político e disse conhecer Aníbal por afinidade de ideias.
“Para mim, alguma coisa está acontecendo, que seja compra ou ameaça, para colocar meu nome nesse processo”, afirmou.
Caçadini também disse que houve uma tentativa de construir uma narrativa contra ele e afirmou ter tentado fazer uma delação premiada, mas que a iniciativa foi barrada.
Após os interrogatórios, a defesa de Antônio requereu a suspensão do julgamento, com o desmembramento do processo e a submissão do réu a incidente de insanidade mental.
De forma alternativa, pediu que os jurados analisassem eventual inimputabilidade ou semi-imputabilidade de Antônio.
Os promotores de Justiça se manifestaram contra os pedidos, que foram indeferidos pelo juiz José Mauro Nagib Jorge.
GERAL
Investigações indicam que professor desaparecido em VG pode ter sido assassinado
A Polícia Civil passou a investigar o desaparecimento do professor Breno Antônio Humberto de Moraes, de 25 anos, ocorrido em Várzea Grande, como um possível caso de homicídio. A investigação, que inicialmente estava sob responsabilidade do Núcleo de Pessoas Desaparecidas (NPD), da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), foi transferida para o Cartório de Homicídio Consumado da unidade.
O caso agora é conduzido pelo delegado Bruno Abreu, que confirmou ao Repórter MT que há indícios que apontam para a possibilidade de homicídio. Questionado se, neste momento, a polícia já trabalha com essa hipótese, o delegado respondeu: “Indícios são esses”.
Breno está desaparecido desde sábado (26), quando saiu de casa, no bairro Capela do Piçarrão, em Várzea Grande, dizendo que voltaria em pouco tempo. Câmeras de segurança registraram o momento em que ele foi até uma moto e deixou o local na garupa do veículo.
Conforme as imagens divulgadas pela Guarda Municipal, Breno aparece andando pela calçada com um celular e um capacete nas mãos. Minutos depois, ele conversa com uma pessoa em uma motoc, coloca o capacete e sobe na garupa. O piloto usava calça jeans azul e camisa preta, mas não foi possível identificar o modelo ou a placa da motocicleta.
Desde o desaparecimento familiares também relataram ter recebido mensagens consideradas estranhas pelo celular de Breno. A mãe chegou a receber uma mensagem informando que o filho estaria em um motel com outra pessoa, mas desconfiou da resposta porque ele costumava atender às ligações. A família também recebeu uma foto que, segundo o irmão, aparentava ter sido produzida ou alterada por inteligência artificial.
Reprodução

Breno na garupa da moto no dia do desaparecimento.
Caso em sigilo
O delegado Bruno Abreu afirmou que nenhuma possibilidade está descartada neste momento, incluindo a hipótese de Breno ter sido vítima do chamado “Tribunal do Crime” ou de o desaparecimento estar relacionado a uma motivação passional.
“Nada descartado. Tudo está sendo investigado. Mas estamos trabalhando duro e há uma linha de investigação que não posso relevar. Peguei o caso ontem”, afirmou.
O delegado explicou que a divulgação de detalhes poderia prejudicar o andamento das diligências. “Não posso falar senão atrapalha. Infelizmente. Já já a DHPP dará a resposta. Muito em breve”, disse.
Em nota divulgada nesta manhã, a Polícia Civil classificou o caso como de alta complexidade e informou que uma equipe conjunta da DHPP realiza diligências, oitivas, levantamentos e análise das informações obtidas.
A corporação também informou que uma pessoa considerada de interesse para a investigação foi identificada e é tratada, neste momento, como possível suspeito. A eventual participação dessa pessoa nos fatos ainda está sendo apurada.
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