NOVELA BILIONÁRIA
TJ suspende, de novo, julgamento de disputa entre banco e empresários em MT
GERAL
A Terceira Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça (TJMT) suspendeu, novamente, o julgamento que pode confirmar a anulação de um leilão de uma fazenda de 25 mil hectares, localizada entre os municípios de Nova Brasilândia e Planalto da Serra, no Centro-Sul de Mato Grosso, avaliada em R$ 2 bilhões. Nesta quarta-feira (13) a Terceira Câmara de Direito Privado deu continuidade ao julgamento após o pedido de vista (obter a guarda do processo e suas provas) pela desembargadora Anglizey Solivan de Oliveira, ocorrido no início da análise do caso pelo Poder Judiciário, no último dia 6 de maio.
No início do julgamento, o juiz convocado e relator do caso na segunda instância, Antônio Veloso Peleja Júnior, negou uma preliminar defendida pelo Banco Sistema S.A. – subsidiária do banco BTG Pactual -, que cobra títulos de crédito (cédula hipotecária rural) que motivaram o leilão. As terras em disputa nos municípios de Nova Brasilândia e Planalto da Serra (Fazenda Santa Emília) tiveram seu leilão anulado pela primeira instância do Poder Judiciário de Mato Grosso.
O BTG Pactual arrematou a propriedade rural, supostamente avaliada em R$ 2 bilhões, por “apenas” R$ 130 milhões. A anulação fez o BTG Pactual ingressar com o recurso para manter o seu negócio de R$ 130 milhões.
A dívida que motivou o leilão também é discutida nos autos – de um lado, a instituição financeira aponta um valor de quase R$ 80 milhões. Por outro, a Camponesa Agropecuária, garantidora da cédula hipotecária rural, e que conseguiu derrubar o leilão na Justiça, defende que o débito real seria de R$ 43 milhões.
O BTG Pactual alega em seu recurso que a perícia que apontou que a cédula hipotecária rural era de R$ 43 milhões possui vícios e equívocos, questionando, ainda, a competência do especialista que realizou os cálculos. O relator, Antônio Veloso Peleja Júnior, manteve o estudo, negando a realização de uma nova perícia – como pede a instituição financeira -, no início do julgamento, no dia 6 de maio.
No retorno de seu pedido de vista, neste dia 13 de maio, a desembargadora Anglizey Solivan de Oliveira também rejeitou a questão preliminar, porém, por motivos distintos do relator Antônio Veloso Peleja Júnior. A magistrada analisou apenas aspectos formais quanto à competência e curriculum do perito, deixando em aberto, na análise de mérito do caso, a necessidade ou não de uma nova perícia sobre a dívida cobrada pelo BTG Pactual.
“Examinando os autos, verifico que o profissional é inscrito no Conselho. A documentação juntada posteriormente indica formação em Ciências Contábeis, especialização em Direito Público e Gestão Financeira, com mestrado em andamento em Economia e experiência declarada em Perícia Financeira, conforme prova e curriculum constante dos autos”, analisou a desembargadora. Em razão de sua inclinação por negar a realização de uma nova perícia, Antônio Veloso Peleja Júnior pediu vista do próprio processo em que é o relator para analisar o voto da desembargadora Anglizey Solivan de Oliveira.
Assim, o julgamento foi suspenso novamente, até que o relator profira o seu voto – lembrando que a discussão ainda se encontra na fase de análise das preliminares, o que indica que seu desfecho ainda deve levar tempo. O processo tinha como relator na segunda instância do Poder Judiciário de Mato Grosso o desembargador Dirceu dos Santos, afastado de suas funções pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) pela suspeita de “venda de sentenças”.
GERAL
Rede Estadual de Ensino de MT passa a ter 227 escolas cívico-militares
A Rede Estadual de Ensino de Mato Grosso chegou a 227 escolas no modelo de gestão cívico-militar. O número supera a meta de 200 unidades prevista pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) para 2026.
As últimas conversões foram aprovadas nesta semana nas escolas estaduais João Sato, em Araputanga; 19 de Maio, em Alta Floresta; Professora Edeli Mantovani, em Sinop; e Arão Gomes Bezerra, em Sorriso. Com elas, a rede passa a ter 22 unidades acima da previsão inicial.
Antes dessas quatro escolas, Mato Grosso já havia alcançado 223 unidades no modelo, após a aprovação de 15 novas conversões em consultas realizadas em abril.
A Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) observa que a mudança para a gestão cívico-militar não ocorre automaticamente. Cada unidade passa por um processo de apresentação da proposta à comunidade escolar, consulta, votação e divulgação do resultado. Pais, responsáveis, estudantes e servidores participam da decisão.
As convocações para as consultas são publicadas no Diário Oficial do Estado e também divulgadas pela Seduc-MT, pelas escolas, pelas Diretorias Regionais de Educação e pela imprensa. A secretaria informa que esse procedimento visa garantir transparência nas etapas de conversão e a permitir que a comunidade acompanhe o processo antes da implantação do modelo.
Nas escolas cívico-militares, a unidade permanece pública e vinculada à Rede Estadual de Ensino. O currículo também permanece o mesmo. A parte pedagógica segue sob responsabilidade da equipe escolar, formada por diretores, coordenadores pedagógicos e professores, conforme as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
De acordo com a Pasta, a presença dos militares da reserva ocorre no apoio à gestão administrativa e à disciplina escolar. Eles atuam em atividades como a organização da rotina, o controle de entrada e de saída, o acompanhamento das normas de convivência e o apoio às ações cívicas. A condução das aulas e do processo de aprendizagem continua a ser realizada pelos profissionais da educação.
Segundo a secretária de Estado de Educação, Flávia Soares, a ampliação do modelo tem ocorrido por meio da adesão das próprias comunidades escolares. A aprovação em consulta pública é uma das etapas necessárias para a conversão da escola.
“A conversão de uma escola para o modelo cívico-militar nasce na própria comunidade. Primeiro, há a manifestação de interesse; depois, a proposta é apresentada e levada à votação, com a participação de pais, responsáveis, estudantes e profissionais da unidade. A decisão passa pela escuta e pela vontade da comunidade escolar, com transparência em todas as etapas”, afirmou a secretária.
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