LEVANTAMENTO
Mato Grosso tem mais de 1,5 milhão de pessoas inadimplentes com mais de R$ 12,3 bilhões em dívidas
GERAL
Mato Grosso tem cerca de 1,5 milhão de pessoas inadimplentes, segundo levantamento divulgado pela Serasa. Juntos, os consumidores acumulam cerca de 7,8 milhões de dívidas, que ultrapassam R$ 12,3 bilhões no estado.
De acordo com a pesquisa, 49% dos endividados com bancos concentram mais de uma dívida na mesma instituição financeira.
Além disso, o cartão de crédito é o principal responsável pelo endividamento dos brasileiros, citado por 73% dos entrevistados. Em seguida aparecem os empréstimos, com 56%, e o uso do cheque especial ou limite da conta, com 33%.
Perfil
O estudo aponta que os homens representam a maior parte dos inadimplentes no estado, com 53,2% dos casos. A faixa etária mais afetada é a de 26 a 40 anos, que concentra 35,8% das dívidas, seguida pelo grupo entre 41 e 60 anos, com 34,9%.
A pesquisa também mostrou que o desemprego e a perda de renda estão entre os principais fatores que levaram ao endividamento. Para 38% dos entrevistados, as dívidas começaram após dificuldades financeiras relacionadas à manutenção de despesas básicas, como alimentação, saúde e pagamento de contas.
Veja os principais motivos apontados pelos entrevistados para endividamento:
- Desemprego ou perda de renda
- Gastos de emergência (saúde, acidentes, etc.)
- Descontrole/ desorganização financeira
- Apoio financeiro a familiares ou amigos
- Atraso no pagamento de contas básicas
Cuiabá lidera o ranking de inadimplência em Mato Grosso, com 288.684 moradores com dívidas em atraso, segundo levantamento da Serasa. Na sequência aparecem Rondonópolis e Sinop que, juntas, somam quase 200 mil inadimplentes.
Renegociação de dívidas
Ainda conforme a pesquisa, 71% dos entrevistados afirmaram já ter tentado negociar as dívidas com bancos. Em Mato Grosso, a plataforma Serasa Limpa Nome disponibiliza quase 130 mil ofertas de renegociação com instituições financeiras, com possibilidade de descontos de até 90%.
A Serasa também informou que terá uma plataforma voltada para renegociação de dívidas dentro do Desenrola 2.0.
Segundo o órgão, 7,7 milhões de ofertas do Novo Desenrola já estão disponíveis no ecossistema de renegociação. As ofertas também estão disponíveis no aplicativo do Serasa.
Entre os participantes, estão o Itaú, o Santander, o Bradesco, o Banco Pan, o Banco BMG, o BV, o Neon e o NU.
Desenrola 2.0
Lançado nesta semana, o Desenrola 2.0 é voltado para brasileiros endividados com o sistema bancário que têm renda mensal de até cinco salários mínimos, o equivalente a R$ 8.105.
Serão feitos novos empréstimos, pelos bancos, para dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 e que estejam atrasadas entre 90 dias e 2 anos, com cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC).
A dívida renegociada terá:
- Descontos entre 30% e 90%;
- Taxa de juros máxima de 1,99% ao mês;
- Até 48 meses de prazo;
- Prazo de até 35 dias para pagamento da primeira parcela;
- Limite da nova dívida (após descontos) até R$ 15 mil por pessoa, por instituição financeira;
Também será permitido ao trabalhador usar 20% do saldo da conta do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), ou até R$ 1 mil, o que for maior, para pagar parcial ou integralmente dívidas.
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GERAL
TJ suspende, de novo, julgamento de disputa entre banco e empresários em MT
A Terceira Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça (TJMT) suspendeu, novamente, o julgamento que pode confirmar a anulação de um leilão de uma fazenda de 25 mil hectares, localizada entre os municípios de Nova Brasilândia e Planalto da Serra, no Centro-Sul de Mato Grosso, avaliada em R$ 2 bilhões. Nesta quarta-feira (13) a Terceira Câmara de Direito Privado deu continuidade ao julgamento após o pedido de vista (obter a guarda do processo e suas provas) pela desembargadora Anglizey Solivan de Oliveira, ocorrido no início da análise do caso pelo Poder Judiciário, no último dia 6 de maio.
No início do julgamento, o juiz convocado e relator do caso na segunda instância, Antônio Veloso Peleja Júnior, negou uma preliminar defendida pelo Banco Sistema S.A. – subsidiária do banco BTG Pactual -, que cobra títulos de crédito (cédula hipotecária rural) que motivaram o leilão. As terras em disputa nos municípios de Nova Brasilândia e Planalto da Serra (Fazenda Santa Emília) tiveram seu leilão anulado pela primeira instância do Poder Judiciário de Mato Grosso.
O BTG Pactual arrematou a propriedade rural, supostamente avaliada em R$ 2 bilhões, por “apenas” R$ 130 milhões. A anulação fez o BTG Pactual ingressar com o recurso para manter o seu negócio de R$ 130 milhões.
A dívida que motivou o leilão também é discutida nos autos – de um lado, a instituição financeira aponta um valor de quase R$ 80 milhões. Por outro, a Camponesa Agropecuária, garantidora da cédula hipotecária rural, e que conseguiu derrubar o leilão na Justiça, defende que o débito real seria de R$ 43 milhões.
O BTG Pactual alega em seu recurso que a perícia que apontou que a cédula hipotecária rural era de R$ 43 milhões possui vícios e equívocos, questionando, ainda, a competência do especialista que realizou os cálculos. O relator, Antônio Veloso Peleja Júnior, manteve o estudo, negando a realização de uma nova perícia – como pede a instituição financeira -, no início do julgamento, no dia 6 de maio.
No retorno de seu pedido de vista, neste dia 13 de maio, a desembargadora Anglizey Solivan de Oliveira também rejeitou a questão preliminar, porém, por motivos distintos do relator Antônio Veloso Peleja Júnior. A magistrada analisou apenas aspectos formais quanto à competência e curriculum do perito, deixando em aberto, na análise de mérito do caso, a necessidade ou não de uma nova perícia sobre a dívida cobrada pelo BTG Pactual.
“Examinando os autos, verifico que o profissional é inscrito no Conselho. A documentação juntada posteriormente indica formação em Ciências Contábeis, especialização em Direito Público e Gestão Financeira, com mestrado em andamento em Economia e experiência declarada em Perícia Financeira, conforme prova e curriculum constante dos autos”, analisou a desembargadora. Em razão de sua inclinação por negar a realização de uma nova perícia, Antônio Veloso Peleja Júnior pediu vista do próprio processo em que é o relator para analisar o voto da desembargadora Anglizey Solivan de Oliveira.
Assim, o julgamento foi suspenso novamente, até que o relator profira o seu voto – lembrando que a discussão ainda se encontra na fase de análise das preliminares, o que indica que seu desfecho ainda deve levar tempo. O processo tinha como relator na segunda instância do Poder Judiciário de Mato Grosso o desembargador Dirceu dos Santos, afastado de suas funções pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) pela suspeita de “venda de sentenças”.
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