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MT PRODUTIVO

Seaf abre edital para associações e cooperativas

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GERAL

A Secretaria de Estado de Agricultura Familiar de Mato Grosso (Seaf-MT) publicou ontem (3.9), o Edital de Chamada Pública de Manifestação de Interesse nº 002/2026/SEAF-MT, destinado a associações e cooperativas da agricultura familiar. A iniciativa selecionará organizações produtivas para a elaboração de Planos de Negócios, com investimentos voltados à melhoria da produção e à inserção sustentável de agricultores familiares, povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais nos mercados.

O Projeto MT Produtivo conta com investimento total de US$ 100 milhões, sendo US$ 80 milhões financiados pelo Banco Mundial e US$ 20 milhões de contrapartida do Governo de Mato Grosso. A chamada pública atenderá 61 municípios selecionados com base em indicadores sociais, ambientais e econômicos. Nesses municípios, estão concentradas organizações produtivas com potencial de participação e as oito cadeias de valor priorizadas pelo projeto.

“Este edital representa uma grande oportunidade para as associações e cooperativas fortalecerem a produção, ampliarem a comercialização e gerarem mais renda para as famílias. Além dos investimentos, os produtores terão assistência técnica contínua para desenvolver negócios sustentáveis e acessar novos mercados. Nosso compromisso é fazer com que esses recursos cheguem à ponta e transformem a vida das pessoas, com atenção especial às mulheres, aos jovens, aos povos indígenas, quilombolas e às comunidades tradicionais”, destacou a secretária de Estado de Agricultura Familiar, Andreia Fujioka.

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Duas modalidades de apoio

Para garantir uma concorrência mais justa na seleção das propostas, o edital apoiará projetos de duas categorias de organizações:

  1. Comercial: destinada a associações ou cooperativas estruturadas, com atividade regular e atuação comprovada nos mercados formais. Os projetos poderão receber até R$ 3 milhões.
  2. Emergente: direcionada a associações e cooperativas que precisam melhorar sua estrutura, desenvolver a produção e ampliar a comercialização. Os projetos poderão receber até R$ 1 milhão.

Oito cadeias de valor prioritárias

As propostas deverão contemplar investimentos relacionados a uma das oito cadeias de valor prioritárias do projeto: bovinocultura de leite, olericultura, fruticultura, mandioca, café, apicultura e meliponicultura, cacau e produtos da sociobiodiversidade. Entre esses produtos estão castanha-do-brasil, baru, babaçu, buriti, açaí, pequi e sementes provenientes do extrativismo não madeireiro.

Investimento estruturado e assistência técnica

As organizações produtivas selecionadas receberão recursos para promover melhorias nos estabelecimentos rurais. Um dos diferenciais do edital é a oferta de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) de forma intensiva e contínua. Equipes da Empaer, técnicos contratados e agentes comunitários de Ater atuarão junto aos agricultores, com orientações sobre gestão financeira, aumento da produtividade, regularização ambiental e acesso aos canais de comercialização.

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Participação de mulheres, jovens, povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais (PIQCTs)

Como prioridade estratégica de impacto social e em conformidade com os princípios de sustentabilidade do Banco Mundial, o edital atribuirá maior pontuação às organizações produtivas que tenham mulheres, jovens, povos indígenas, quilombolas e integrantes de comunidades tradicionais em sua composição.

As inscrições e a documentação completa podem ser consultadas no portal oficial do Projeto MT Produtivo – Desenvolvimento e Sustentabilidade. O prazo para a Manifestação de Interesse termina no dia 5 de outubro de 2026.

Serviço

Edital: Chamada Pública de Manifestação de Interesse nº 002/2026/SEAF-MT

Publicação: 4 de setembro de 2026

Inscrições até: 5 de outubro de 2026

Site: smi.agriculturafamiliar.mt.gov.br

E-mail: [email protected]

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GERAL

Corredor rodoviário entre Mato Grosso e Bolívia depende de decisão da ANTT; entenda

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Foto: Reprodução

O corredor rodoviário que pretende ligar Mato Grosso à Bolívia pela região de Vila Bela da Santíssima Trindade (MT) ainda depende de uma decisão da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para avançar. O processo de habilitação do novo ponto de fronteira entre Vila Bela e San Ignacio de Velasco, na Bolívia, está em análise e entrou em uma etapa considerada decisiva para a implantação da nova rota internacional.

Segundo o prefeito de Vila Bela, Jacob André Bringsken (MDB), uma reunião realizada nesta terça-feira (2) na ANTT, com a participação do senador Carlos Fávaro (PSD), de representante do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e da direção da agência, definiu os últimos compromissos que precisam ser formalizados para que o processo avance.

De acordo com o prefeito, a ANTT solicitou uma declaração da Casa Civil de Mato Grosso confirmando o compromisso do Estado com a conclusão da pavimentação até a região da fronteira. A Prefeitura também formalizou que disponibilizará a estrutura necessária para servir de apoio às autoridades que atuarão no futuro ponto de fronteira.

“Está caminhando. Eu acho que agora, com esses dois pontos finais, nós vamos ter o ponto fronteiriço aprovado”, afirmou Jacob.

O que está travando o processo?

O principal impasse está relacionado às condições da infraestrutura de acesso à fronteira. Em entrevista, o prefeito afirmou que técnicos da ANTT levantaram questionamentos sobre a ausência de uma previsão de pavimentação completa do lado boliviano e de um trecho do lado brasileiro.

Para Jacob, essa exigência estaria dificultando a definição do ponto de fronteira brasileiro. Ele argumenta que a pavimentação do lado boliviano não estaria sob responsabilidade da ANTT e defende que a agência primeiro habilite o ponto para que os demais órgãos possam dar sequência à implantação da estrutura aduaneira.

A ANTT, por outro lado, informou que o processo segue em análise conforme os procedimentos estabelecidos pela Resolução nº 5.991/2022. A agência afirma que atualmente avalia as condições da infraestrutura rodoviária de acesso entre as localidades.

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Somente após a comprovação do atendimento de todos os requisitos o ponto poderá ser habilitado pela ANTT. Mesmo depois dessa etapa, a operação do corredor dependerá da autorização formal concedida pela Receita Federal para que o ponto de fronteira opere com o tráfego, armazenamento e fiscalização de cargas e passageiros internacionais.

O que a ANTT exige?

A Resolução nº 5.991/2022 estabelece os requisitos para a habilitação de novos pontos de fronteira ao tráfego internacional terrestre.

Entre as exigências estão a existência de acordo entre os países, a necessidade e conveniência da nova ligação para os dois lados da fronteira, condições adequadas de infraestrutura rodoviária, ou soluções de continuidade para o transporte e instalações para abrigar as autoridades fronteiriças.

A norma também estabelece que um ponto habilitado pela ANTT somente poderá receber o tráfego internacional depois da instalação da Receita Federal e de outros órgãos responsáveis pela fiscalização do fluxo de pessoas e cargas nas fronteiras.

É justamente nesse processo que estão concentradas as discussões envolvendo Vila Bela.

Prefeitura se compromete com estrutura para órgãos federais

Em ofício encaminhado ao Ministério da Agricultura e Pecuária, a Prefeitura de Vila Bela formalizou o compromisso de disponibilizar, sem custos para os órgãos públicos, espaço adequado para abrigar as autoridades que deverão atuar no futuro ponto de fronteira.

O documento cita Receita Federal, Polícia Federal, MAPA, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

A estrutura deverá contar, entre outros itens, com ambientes para acomodação e permanência das equipes, instalações sanitárias, energia elétrica, abastecimento de água, esgotamento sanitário, internet, segurança, iluminação e acesso viário.

A Prefeitura também afirma que pretende participar de reuniões técnicas com os órgãos federais para definir as características e os requisitos das instalações.

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E a pavimentação?

Do lado brasileiro, as obras de pavimentação do trecho que integra o corredor já estão em andamento. A questão que permanece no centro do impasse é a continuidade da infraestrutura do lado boliviano.

O prefeito defende que a falta de pavimentação completa na Bolívia não impeça a habilitação do ponto de fronteira brasileiro. Segundo Jacob, a própria legislação permitiria a implantação da aduana em uma estrada ainda não totalmente pavimentada, desde que atendidas determinadas condições de fluxo

Na avaliação dele, sem a definição oficial do ponto de fronteira, também fica mais difícil atrair investimentos privados para a estrutura aduaneira.

A ANTT, entretanto, afirma que ainda avalia as condições da infraestrutura de acesso e aguarda informações complementares antes de concluir a análise.

Corredor pode criar nova rota para o agronegócio

A ligação entre Vila Bela da Santíssima Trindade e San Ignacio de Velasco está sendo tratada como uma alternativa estratégica de integração entre Brasil e Bolívia.

O projeto prevê um trecho de aproximadamente 129 quilômetros entre as duas localidades. A expectativa é que, com a conclusão das obras nos dois países e a implantação da estrutura de fronteira, a rota amplie as possibilidades de circulação de cargas entre os mercados sul-americanos.

A nova ligação também é apontada como uma alternativa logística para o agronegócio de Mato Grosso. Entre as possibilidades está a importação de fertilizantes da Bolívia, como a ureia, além do transporte de produtos agrícolas brasileiros pelo território boliviano.

A rota também poderá ampliar o acesso da Bolívia ao Oceano Atlântico, por meio de Porto Velho, enquanto cria uma alternativa para que produtos brasileiros alcancem o Oceano Pacífico pelo território boliviano.

Enquanto isso, a definição do ponto de fronteira permanece como a principal etapa para transformar o projeto do corredor entre Mato Grosso e Bolívia em uma rota internacional de transporte efetivamente operacional.

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