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Eleições 2026

Heritage coloca Pivetta entre manter Garcia ou afastar União no 1º turno

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A Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal na última quinta-feira (6), colocou o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) diante de uma escolha que pode redefinir a composição de sua candidatura à reeleição: manter o deputado federal Fábio Garcia (União) como candidato a vice-governador ou buscar uma fórmula que permita ao Republicanos disputar o primeiro turno sem uma coligação formal com o União Brasil.

A discussão ganhou força nesta segunda-feira (10), primeiro dia útil após a operação autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação apura suspeitas relacionadas ao pagamento de R$ 308 milhões pelo Governo de Mato Grosso em acordo envolvendo créditos da Oi S.A. A ofensiva policial cumpriu 25 mandados de busca e apreensão e atingiu integrantes do núcleo político que governou o Estado durante a gestão de Mauro Mendes (União).

O reflexo chegou ao Palácio Paiaguás. Durante todo o dia, o entra e sai de aliados e integrantes do grupo político no gabinete de Pivetta, inclusive pela entrada privativa, evidenciou a intensidade das articulações em torno dos efeitos políticos da operação. Uma entrevista coletiva do governador chegou a ser anunciada para as 16h30, mas acabou cancelada pela Secretaria de Estado de Comunicação.

No centro das discussões está Fábio Garcia.

Escolhido por Pivetta para a vice apenas três dias antes da Operação Heritage, Garcia figura entre os investigados. A situação colocou em discussão uma composição que já havia sido construída com dificuldades e depois de negociações entre Pivetta e Mauro Mendes.

Antes da operação, o União Brasil havia rejeitado a possibilidade de candidatura própria ao Governo e optado pela aliança com o Republicanos. Garcia e Virginia Mendes, por sua vez, haviam sido apresentados como candidatos à Câmara Federal. A indicação do deputado para vice alterou esse desenho e reforçou a presença do grupo de Mauro na chapa governista.

TROCA TERIA CUSTO POLÍTICO

A substituição de Garcia permitiria a Pivetta estabelecer maior distância eleitoral dos investigados e concentrar a campanha em sua própria administração. O governador, que assumiu definitivamente o Palácio Paiaguás em 31 de março, não está entre os investigados na Operação Heritage.

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A decisão, entretanto, teria custo político.

Mauro Mendes e aliados resistem à possibilidade de retirada de Garcia. A avaliação nesse grupo é de que uma substituição imediatamente após a operação poderia ser interpretada politicamente como reconhecimento das suspeitas investigadas, embora a existência de uma investigação não represente condenação ou comprovação de responsabilidade.

Esse dilema explica parte da dificuldade enfrentada pelo grupo: manter Garcia significa levar para a chapa o desgaste de uma investigação que tende a ser explorada pelos adversários; substituí-lo pode ser apresentado pelos mesmos adversários como um recuo provocado pela operação policial.

A situação de Pivetta é diferente. Apesar de ter sido vice-governador durante praticamente toda a administração Mauro Mendes, entre 2019 e março deste ano, o atual governador não figura entre os investigados.

Até mesmo Joci Piccini, megaempresário, vice-prefeito de Lucas do Rio Verde e politicamente próximo de Pivetta, aparece entre os nomes alcançados pela investigação. Isso reforça, dentro do núcleo do governador, a avaliação de que sua candidatura precisa evitar que a Operação Heritage passe a dominar a agenda eleitoral.

PALANQUES SEPARADOS ENTRAM NO DEBATE

Uma alternativa que passou a circular nos bastidores seria mais ampla do que simplesmente trocar o candidato a vice.

Republicanos e União Brasil poderiam disputar separadamente o primeiro turno, preservando uma aliança política para eventual segundo turno. Nesse cenário, Pivetta seguiria candidato pelo Republicanos enquanto o grupo hoje reunido em torno do União buscaria uma candidatura própria.

Entre as possibilidades discutidas aparece o nome do ex-senador Cidinho Santos (PP), aliado do grupo, como eventual candidato ao Governo.

A engenharia permitiria aos aliados evitar um rompimento definitivo e, simultaneamente, estabelecer alguma distância entre as campanhas durante a fase mais sensível da Operação Heritage. Uma eventual recomposição ficaria para o segundo turno, dependendo do resultado das urnas.

Até agora, entretanto, essa possibilidade permanece no terreno das articulações políticas e não foi confirmada publicamente pelos partidos.

SEGUNDO TURNO ENTRA NOS CÁLCULOS

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A hipótese considera ainda um cenário pouco habitual em Mato Grosso: uma eleição para governador decidida em segundo turno.

Para vencer no primeiro turno, um candidato ao Governo precisa obter mais da metade dos votos válidos. Caso ninguém alcance a maioria absoluta, os dois mais votados voltam às urnas no último domingo de outubro.

Em uma eleição fragmentada, forças políticas hoje aliadas poderiam apresentar candidaturas distintas e reconstruir a unidade posteriormente, caso uma delas chegasse à segunda votação.

A estratégia, contudo, envolve riscos. As disputas pelo Senado, Câmara Federal e Assembleia Legislativa são definidas no primeiro turno. Assim, uma separação entre Republicanos e União Brasil teria consequências que ultrapassariam as candidaturas de Pivetta e Garcia e atingiriam os demais palanques e interesses eleitorais dos partidos.

RESPOSTA PODE SAIR HOJE

A resposta para o dilema de Pivetta poderá ser conhecida às 10 horas desta terça-feira (11). Para esse horário foi reagendada, caso não haja uma nova mudança, a entrevista coletiva que estava prevista para as 16h30 de segunda-feira e acabou cancelada pela Secretaria de Estado de Comunicação.

A expectativa é de que o governador se manifeste não apenas sobre os efeitos da Operação Heritage em seu governo, mas também sobre a composição eleitoral construída com o União Brasil e a permanência de Fábio Garcia como candidato a vice.

Pivetta terá de indicar qual custo político considera administrável: preservar a composição anunciada antes da Heritage e enfrentar durante a campanha o desgaste provocado pela investigação ou reorganizar a aliança às vésperas do fechamento das chapas.

O pronunciamento poderá mostrar também até onde permanece de pé o acordo político que manteve Pivetta e Mauro Mendes unidos nos últimos anos e que, até a semana passada, parecia destinado a chegar praticamente intacto às urnas.

Mais do que o futuro de Fábio Garcia na vice, portanto, a decisão poderá definir a configuração do principal grupo governista para a eleição de outubro e o grau de distância que Pivetta pretende estabelecer da crise política provocada pela Operação Heritage.

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Gisela Simona é confirmada como candidata a vice na chapa de Otaviano Pivetta ao Governo de Mato Grosso

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Foto: Conexão Poder

A deputada federal e presidente do União Brasil em Cuiabá, Gisela Simona, foi oficialmente anunciada como candidata a vice-governadora. Ela aceitou o convite para compor a chapa majoritária encabeçada pelo governador Otaviano Pivetta (Republicanos) na disputa ao Governo de Mato Grosso nas eleições de outubro.

A definição ocorre no mesmo dia em que o deputado federal Fábio Garcia (União) anunciou a renúncia à condição de candidato a vice-governador, optando por retornar à disputa pela Câmara dos Deputados em meio aos desdobramentos jurídicos da Operação Heritage.

Com a baixa de Garcia, o Palácio Paiaguás agiu nos bastidores para selar o nome de Gisela, unindo capilaridade urbana, perfil técnico e o peso da bancada feminina na articulação da aliança.

Cuiabana, advogada formada pela Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e servidora pública de carreira, Gisela construiu sua projeção política à frente do Procon de Mato Grosso, onde atuou por anos na defesa do consumidor.

Em julho de 2023, assumiu uma cadeira na Câmara dos Deputados, onde permaneceu por 33 meses, destacando-se na relatoria do Pacote Antifeminicídio e em pautas de proteção contra golpes financeiros e abusos corporativos.

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A oficialização do nome de Gisela Simona sela a nova configuração do palanque governista, que tenta virar a página após o turbilhão institucional provocado pelas investigações da Polícia Federal e reorganizar suas forças para a largada oficial da campanha eleitoral.

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