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Morte de morador de rua

Ex-procurador alega ‘falhas graves’ em acusação e recorre de júri

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GERAL

A defesa do ex-procurador da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Luiz Eduardo Figueiredo Rocha e Silva, réu pelo assassinato do morador de rua Ney Müller Alves Pereira, afirmou que o processo contém “falhas graves” na acusação e informou que pretende levar o caso às instâncias superiores.

No último dia 21, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT) negou seguimento aos recursos apresentados pela defesa para levar o caso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o advogado Pedro Henrique Ferreira Marques, a decisão “não encerra a discussão”.

Ney Müller foi morto com um tiro em abril de 2025, em Cuiabá. Luiz Eduardo está preso e foi pronunciado a júri popular.

A manifestação foi divulgada por meio de nota nesta quinta-feira (28), após decisão da vice-presidente do TJ-MT, desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho. Segundo o advogado, a negativa de seguimento ocorreu em decisão monocrática e ainda pode ser contestada por meio dos recursos cabíveis.

“A decisão monocrática que negou seguimento aos recursos não encerra a discussão. Trata-se de pronunciamento que, por sua natureza, comporta impugnação pelos recursos próprios cabíveis”, afirmou.

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A defesa sustenta que o processo possui “falhas graves na versão apresentada pela acusação” e alega a existência de “nulidades absolutas” na primeira fase do processo do júri. Conforme a nota, as supostas irregularidades seriam graves a ponto de comprometer a validade de atos processuais praticados ao longo do caso.

“Esses vícios serão levados, com a devida demonstração, às instâncias competentes para apreciá-los”, diz trecho do documento.

A defesa também contestou a versão de que Luiz Eduardo teria efetuado o disparo em direção ao rosto da vítima. Conforme o advogado, o laudo de necropsia elaborado pela perícia oficial afastaria essa hipótese, apesar de a narrativa ter sido divulgada publicamente como “fato incontroverso”.

“Um exemplo concreto e incontornável dessas inconsistências acusatórias reside na própria prova técnica produzida nos autos: o laudo pericial de necropsia, elaborado por perito oficial, afasta categoricamente a versão de que o disparo teria sido efetuado na direção do rosto da vítima”.

Ainda segundo a defesa, os fatos apresentados no processo seriam diferentes da versão divulgada publicamente sobre o caso. Ele também afirmou que a inadmissão dos recursos ocorreu por critérios formais e não representa reconhecimento da correção das decisões tomadas até o momento.

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“O público tem o direito de saber que os fatos não são exatamente aquilo que tem sido narrado. A defesa dispõe de elementos concretos que contrariam a versão acusatória”.

O crime

Ney Pereira, que era morador de rua, foi assassinado com um tiro na testa, no dia 9 de abril, na Avenida Edgar Vieira, próximo à Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá.

Imagens de câmeras de segurança registraram o crime, que provocou a indignação da população.

Em depoimento, o ex-procurador afirmou que pouco antes de cometer o homicídio, ele estava no estacionamento do Posto Matrix jantando com a sua família.

Nesse momento, Ney começou a depredar alguns veículos que estavam estacionados, inclusive a Land Rover do procurador.

Depois de verificar o dano, Luiz Eduardo voltou a jantar com a família e, depois os levou para casa. Em seguida, ele alegou que iria a um posto policial para denunciar o dano, mas segundo a Polícia “caçou” a vítima pela região, e quando a encontrou na calçada, atirou em sua testa.

 

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MT é um dos que mais mata mulheres negras no Brasil; entenda

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Mato Grosso aparece entre os estados com as maiores taxas de homicídios de mulheres negras no Brasil, segundo dados do Atlas da Violência 2026. O levantamento mostra que, em 2024, o estado registrou 26 assassinatos de mulheres negras e 27 de mulheres não negras.

Os números revelam mudanças no perfil da violência letal feminina ao longo dos últimos anos. Entre as mulheres negras, Mato Grosso contabilizou 38 homicídios em 2020, 42 em 2021, 41 em 2022, 27 em 2023 e 26 em 2024. Já entre as mulheres não negras, foram 25 mortes em 2020, 19 em 2021, 23 em 2022, 28 em 2023 e 27 em 2024.

Na soma dos últimos 5 anos, o estado registrou 174 homicídios de mulheres negras, contra 122 homicídios de mulheres não negras, uma diferença de 52 mortes. Os dados reforçam que as mulheres negras seguem sendo as principais vítimas da violência letal em Mato Grosso.

Apesar da redução recente nos homicídios de mulheres negras no estado, Mato Grosso ainda figura entre as unidades federativas com os maiores índices proporcionais do país. Conforme o Atlas da Violência, o estado registrou taxa de 5,4 homicídios de mulheres negras por 100 mil habitantes em 2024, ficando atrás apenas de estados como Ceará, Pernambuco, Espírito Santo, Roraima e Alagoas.

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O estudo aponta que as mulheres negras seguem sendo as principais vítimas da violência letal no Brasil. Em 2024, elas representaram 67,5% de todos os homicídios femininos registrados no país. Nacionalmente, foram 2.457 mulheres negras assassinadas no período.

Segundo o levantamento, a violência contra mulheres não ocorre de forma homogênea e está diretamente relacionada a fatores estruturais, como desigualdade social, racismo estrutural e violência de gênero. O documento destaca que mulheres negras enfrentam maior vulnerabilidade justamente pela intersecção entre racismo e cultura patriarcal.

O Atlas também aponta que, embora tenha ocorrido queda nos homicídios femininos na última década, a desigualdade racial permanece significativa. Em 2024, a taxa nacional de homicídios de mulheres negras foi de 4 mortes por 100 mil mulheres, enquanto entre mulheres não negras a taxa foi de 2,4, uma diferença de 66,7%.

Os pesquisadores afirmam que o enfrentamento à violência contra a mulher exige políticas públicas que considerem fatores sociais, territoriais e raciais, especialmente em regiões periféricas e contextos de maior vulnerabilidade social.

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