PROVA PRÁTICA
Detran-MT muda prova da CNH e cria novas regras para estacionamento e aprovação
GERAL
Quem vai tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) em Mato Grosso terá que se adaptar a novas regras na prova prática de direção. Entre as principais mudanças está o limite de três minutos para concluir o estacionamento na categoria B, destinada a carros. As novas normas também mudam a função do agente que acompanha o candidato durante o exame e passam a exigir que o resultado seja analisado por uma comissão de servidores do Detran-MT.
As regras foram assinadas pelo presidente do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso (Detran-MT), Gustavo Reis Lobo de Vasconcelos, e publicadas no Diário Oficial do Estado nesta quarta-feira (2). Com a publicação, a portaria anterior, que estava em vigor desde o começo do ano, foi revogada.
Estacionamento terá tempo máximo na prova para carros
Para quem busca a habilitação na categoria B, a prova prática continuará sendo realizada em uma única etapa, nas ruas e avenidas, com situações semelhantes às encontradas no trânsito do dia a dia.
A prova terá duração mínima de cinco minutos, sem contar o período reservado exclusivamente para estacionar. Para essa manobra, o candidato terá até três minutos.
Durante esse intervalo, será permitido fazer os ajustes necessários para colocar o veículo corretamente na vaga. Depois que o candidato informar que terminou o estacionamento, no entanto, não será mais possível mexer na posição do carro.
Caso o veículo fique desalinhado, não esteja paralelo ao meio-fio ou descumpra alguma regra prevista no Código de Trânsito Brasileiro, o exame será considerado não concluído. Nesse caso, será necessário marcar uma nova prova.
Agente não poderá mais decidir se candidato foi aprovado
Outra mudança importante está no papel do profissional que acompanha o candidato dentro do veículo. Pelas novas regras, esse agente passa a ser chamado de preposto. Ele deverá orientar o candidato, acompanhar a execução da prova e registrar todas as ocorrências observadas durante o exame.
O preposto, porém, não poderá atribuir pontos nem informar antecipadamente se o candidato foi aprovado ou reprovado. A decisão final ficará a cargo de uma comissão examinadora formada por pelo menos três servidores do Detran-MT. O grupo vai analisar os registros feitos durante a prova e validar eletronicamente o resultado.
Dessa forma, a aprovação ou reprovação só será considerada definitiva depois da análise da comissão.
Como será a prova para motos
Na categoria A, destinada a motocicletas, o exame prático continuará sendo realizado em uma única etapa e em circuito fechado, seguindo o modelo atualmente utilizado.
O Detran-MT, entretanto, poderá modificar o formato no futuro. Isso porque, segundo a nova regulamentação, ainda não existem regras específicas para esse procedimento no Manual Brasileiro de Exames Práticos de Direção Veicular.
Categorias C, D e E mantêm duas etapas
Para os candidatos às categorias C, D e E, voltadas a veículos de maior porte, a prova continuará dividida em duas fases.
A primeira envolve a baliza. Depois, o candidato precisa realizar o percurso em via pública. A parte realizada no trânsito terá duração mínima de cinco minutos, sem incluir o período destinado à manobra de garagem. Para essa manobra, o tempo máximo será de seis minutos.
A pontuação continua seguindo o padrão nacional. O candidato poderá somar até 10 pontos e ainda ser aprovado. Quem ultrapassar esse limite será considerado reprovado. Entre as infrações que podem resultar em seis pontos estão avançar o sinal vermelho, dirigir na contramão em uma via de sentido único e realizar ultrapassagem sobre faixa de pedestres.
Fraude e desrespeito podem eliminar candidato
As novas regras também estabelecem que atitudes como fraude, desacato ou falta de respeito com o examinador podem levar à eliminação do candidato, independentemente da categoria da CNH.
Antes do início da prova, também deverá ser assinada uma declaração de responsabilidade. O documento estabelece que o candidato e a autoescola ou instrutor autônomo assumem, de forma conjunta, possíveis responsabilidades civis, administrativas e penais por danos provocados durante a condução do veículo.
O examinador não será responsabilizado por esses danos. O Detran-MT também não terá responsabilidade solidária ou subsidiária sobre essas ocorrências.
Registro eletrônico permitirá fiscalização
Todas as situações observadas durante o exame deverão ser registradas em um laudo eletrônico. O prontuário do candidato também ficará com os nomes dos examinadores responsáveis pela avaliação e do preposto que acompanhou a prova. As portarias que designam esses servidores serão disponibilizadas no site do Detran-MT.
O órgão poderá ainda realizar auditorias nos exames. Se forem encontradas irregularidades nos registros ou na validação dos resultados, o Detran poderá abrir uma investigação administrativa contra os agentes envolvidos.
GERAL
Corredor rodoviário entre Mato Grosso e Bolívia depende de decisão da ANTT; entenda
O corredor rodoviário que pretende ligar Mato Grosso à Bolívia pela região de Vila Bela da Santíssima Trindade (MT) ainda depende de uma decisão da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para avançar. O processo de habilitação do novo ponto de fronteira entre Vila Bela e San Ignacio de Velasco, na Bolívia, está em análise e entrou em uma etapa considerada decisiva para a implantação da nova rota internacional.
Segundo o prefeito de Vila Bela, Jacob André Bringsken (MDB), uma reunião realizada nesta terça-feira (2) na ANTT, com a participação do senador Carlos Fávaro (PSD), de representante do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e da direção da agência, definiu os últimos compromissos que precisam ser formalizados para que o processo avance.
De acordo com o prefeito, a ANTT solicitou uma declaração da Casa Civil de Mato Grosso confirmando o compromisso do Estado com a conclusão da pavimentação até a região da fronteira. A Prefeitura também formalizou que disponibilizará a estrutura necessária para servir de apoio às autoridades que atuarão no futuro ponto de fronteira.
“Está caminhando. Eu acho que agora, com esses dois pontos finais, nós vamos ter o ponto fronteiriço aprovado”, afirmou Jacob.
O que está travando o processo?
O principal impasse está relacionado às condições da infraestrutura de acesso à fronteira. Em entrevista, o prefeito afirmou que técnicos da ANTT levantaram questionamentos sobre a ausência de uma previsão de pavimentação completa do lado boliviano e de um trecho do lado brasileiro.
Para Jacob, essa exigência estaria dificultando a definição do ponto de fronteira brasileiro. Ele argumenta que a pavimentação do lado boliviano não estaria sob responsabilidade da ANTT e defende que a agência primeiro habilite o ponto para que os demais órgãos possam dar sequência à implantação da estrutura aduaneira.
A ANTT, por outro lado, informou que o processo segue em análise conforme os procedimentos estabelecidos pela Resolução nº 5.991/2022. A agência afirma que atualmente avalia as condições da infraestrutura rodoviária de acesso entre as localidades.
Somente após a comprovação do atendimento de todos os requisitos o ponto poderá ser habilitado pela ANTT. Mesmo depois dessa etapa, a operação do corredor dependerá da autorização formal concedida pela Receita Federal para que o ponto de fronteira opere com o tráfego, armazenamento e fiscalização de cargas e passageiros internacionais.
O que a ANTT exige?
A Resolução nº 5.991/2022 estabelece os requisitos para a habilitação de novos pontos de fronteira ao tráfego internacional terrestre.
Entre as exigências estão a existência de acordo entre os países, a necessidade e conveniência da nova ligação para os dois lados da fronteira, condições adequadas de infraestrutura rodoviária, ou soluções de continuidade para o transporte e instalações para abrigar as autoridades fronteiriças.
A norma também estabelece que um ponto habilitado pela ANTT somente poderá receber o tráfego internacional depois da instalação da Receita Federal e de outros órgãos responsáveis pela fiscalização do fluxo de pessoas e cargas nas fronteiras.
É justamente nesse processo que estão concentradas as discussões envolvendo Vila Bela.
Prefeitura se compromete com estrutura para órgãos federais
Em ofício encaminhado ao Ministério da Agricultura e Pecuária, a Prefeitura de Vila Bela formalizou o compromisso de disponibilizar, sem custos para os órgãos públicos, espaço adequado para abrigar as autoridades que deverão atuar no futuro ponto de fronteira.
O documento cita Receita Federal, Polícia Federal, MAPA, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
A estrutura deverá contar, entre outros itens, com ambientes para acomodação e permanência das equipes, instalações sanitárias, energia elétrica, abastecimento de água, esgotamento sanitário, internet, segurança, iluminação e acesso viário.
A Prefeitura também afirma que pretende participar de reuniões técnicas com os órgãos federais para definir as características e os requisitos das instalações.
E a pavimentação?
Do lado brasileiro, as obras de pavimentação do trecho que integra o corredor já estão em andamento. A questão que permanece no centro do impasse é a continuidade da infraestrutura do lado boliviano.
O prefeito defende que a falta de pavimentação completa na Bolívia não impeça a habilitação do ponto de fronteira brasileiro. Segundo Jacob, a própria legislação permitiria a implantação da aduana em uma estrada ainda não totalmente pavimentada, desde que atendidas determinadas condições de fluxo
Na avaliação dele, sem a definição oficial do ponto de fronteira, também fica mais difícil atrair investimentos privados para a estrutura aduaneira.
A ANTT, entretanto, afirma que ainda avalia as condições da infraestrutura de acesso e aguarda informações complementares antes de concluir a análise.
Corredor pode criar nova rota para o agronegócio
A ligação entre Vila Bela da Santíssima Trindade e San Ignacio de Velasco está sendo tratada como uma alternativa estratégica de integração entre Brasil e Bolívia.
O projeto prevê um trecho de aproximadamente 129 quilômetros entre as duas localidades. A expectativa é que, com a conclusão das obras nos dois países e a implantação da estrutura de fronteira, a rota amplie as possibilidades de circulação de cargas entre os mercados sul-americanos.
A nova ligação também é apontada como uma alternativa logística para o agronegócio de Mato Grosso. Entre as possibilidades está a importação de fertilizantes da Bolívia, como a ureia, além do transporte de produtos agrícolas brasileiros pelo território boliviano.
A rota também poderá ampliar o acesso da Bolívia ao Oceano Atlântico, por meio de Porto Velho, enquanto cria uma alternativa para que produtos brasileiros alcancem o Oceano Pacífico pelo território boliviano.
Enquanto isso, a definição do ponto de fronteira permanece como a principal etapa para transformar o projeto do corredor entre Mato Grosso e Bolívia em uma rota internacional de transporte efetivamente operacional.
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