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Três Poderes

Disputa em São Paulo: O jogo está aberto — façam suas apostas

A pesquisa Real Time Big Data divulgada pelo Blog Três Poderes/R7/RECORD sobre a corrida eleitoral para São Paulo confirma que a eleição será muito disputada

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POLÍTICA

Foto: Divulgação

Uma pesquisa feita a aproximadamente sete meses da eleição tende a confirmar muito mais o nível de conhecimento dos candidatos, o chamado recall, do que a real intenção de voto dos cidadãos. Quanto mais a pesquisa se aproxima da data da votação, mais mede intenção de voto de verdade.

Sendo assim, a pesquisa divulgada mostra que Guilherme Boulos (PSOL) é, também, o mais conhecido dentre os candidatos. O segundo mais votado é também o segundo mais conhecido, o atual prefeito Ricardo Nunes (MDB). A única exceção a esta regra é Padre Kelmon (PRD), que foi candidato a presidente da República no último pleito, sendo muito conhecido e pouco votado.

Contudo, ao se avaliar o conhecimento associado ao potencial eleitoral e à rejeição, o quadro que se apresenta é desfavorável a Boulos e interessante para Ricardo Nunes e, especialmente, para Tábata Amaral (PSB). Boulos tem 89% de conhecimento, rejeição de 46% e um potencial eleitoral de 17%. Ou seja, 51,7% das pessoas que conhecem Boulos, o rejeitam. Já Ricardo Nunes é conhecido por 80% dos eleitores, tem uma rejeição de 38% e um potencial de 29%. Dos que conhecem Nunes, 47,5% não votariam nele, número que também é bem alto. E, por fim, dentre os três candidatos que mais pontuaram na pesquisa, Tábata aparece com 70% de conhecimento, 22% de rejeição e 41% de potencial. Ou seja, dentre as pessoas que conhecem a candidata, 31,4% não votariam nela.

Considerando apenas essas três variáveis, Tábata seria a candidata com maior potencial de crescimento, seguida por Nunes. Por esses critérios, a pior situação seria de Boulos, o mais conhecido, com maior rejeição e menor espaço para crescimento. Um número que confirma essa análise é a correlação entre o potencial eleitoral e a rejeição: Boulos teria menos 3 (resultado de “votaria com certeza” somado com “poderia votar” subtraído de “não votaria de jeito nenhum”). Na mesma conta, Ricardo Nunes obteve mais 4 e Tábata Amaral mais 26, confirmando numericamente seu grande potencial.

Outro número que confirma que Boulos tende a encontrar dificuldades pela frente é a diferença de votação do primeiro para o segundo turno. Na intenção de voto estimulada no primeiro turno, Boulos tem 34% e, Ricardo Nunes, 29%. Na projeção de segundo turno, Boulos cresce apenas 4 pontos percentuais e chega a 38%, enquanto Ricardo Nunes vai a 40%, crescendo 11%. Assim, mesmo que a projeção de segundo turno revele um empate técnico na margem de erro da pesquisa, a assimetria de crescimento entre os candidatos é extremamente preocupante para Boulos. Ela confirma o que foi dito acima — um limite estreito de crescimento imposto pela alta taxa de rejeição ao candidato do PSOL.

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Esse é o quadro mais geral da capital paulista. Ao se analisar os números mais detalhadamente, por meio dos cruzamentos de variáveis, é possível ver que Ricardo Nunes tem seu melhor desempenho nas classes sociais A e B e nas regiões Centro-Sul e Oeste. O que explica a liderança de Boulos é a sua grande penetração nos seguimentos sociais de mais baixa renda — classes C e D e nas regiões mais densamente populosas da cidade, Sul e Leste II (que representam somadas 52% do eleitorado). Ricardo Nunes vem conseguindo chegar ao eleitor mais pobre, mas a diferença para Boulos nestes estratos, como já foi dito, explica a liderança do candidato do PSOL. Nunes tem bom desempenho entre os mais velhos e Boulos e Tábata disputam o voto mais jovem.

Essa análise de desempenho dos candidatos entre as classes sociais é muito importante para explicar o atual cenário eleitoral. O voto em Tábata está diretamente proporcional à renda do eleitor, ou seja, quanto maior a renda, maior a intenção de voto na candidata. A dificuldade de Tábata é exatamente conseguir chegar neste eleitor das classes C2/D, especialmente nas zonas Sul e Leste II.

Boulos tem 20% de intenção de votos nas classes A e B1, empata com Tábata com 19%, e perde para Nunes neste eleitorado (que tende a ser preditor de tendências), com 33%. Quando se chega nas classes C2/D, Boulos lidera com 39%, Nunes tem 26% e, Tábata, apenas 4%.

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Nas classes C2/D, se encontra o maior percentual de indecisos, 14%. E para piorar a situação do líder Boulos, a história e a sociologia eleitoral revelam que é neste estrato do eleitorado onde há maior tendência de volatilidade no voto. Para crescer e ter chances de romper com a polarização eleitoral, Tábata precisa necessariamente chegar neste eleitor das classes mais baixas. Da mesma forma, para superar o líder, Nunes precisará convencer os eleitores das classes C e D que é melhor votar na continuidade da sua gestão do que apostar em uma mudança.

Independentemente dos grandes apoiadores na esfera federal — Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL), que tendem a se autoanular em função de suas rejeições — ou do apoio do bem avaliado governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), há uma variável-chave na disputa: a avaliação da gestão de Nunes a frente da Prefeitura de São Paulo. 43% dos paulistanos aprovam a sua administração, 45% desaprovam e 12% não sabem avaliar. Ou seja, o prefeito precisa melhorar seu desempenho.

Uma eventual mudança na percepção (para melhor ou pior) será determinante para o sucesso eleitoral de Nunes. Não resta dúvida de que se ele melhorar a percepção do cidadão em relação ao seu governo, consequentemente, tende a aumentar o grau de conversão de boa avaliação em votos. Esta é a variável crítica desta disputa.

A pesquisa mostra que o quadro da capital paulista está aberto, com um desfecho muito provável no segundo turno, em função da presença de pelo menos três candidatos eleitoralmente viáveis. Revela que Boulos, o líder da sondagem, terá muita dificuldade na disputa, que o atual prefeito precisa melhorar a percepção em relação a sua gestão e chegar no eleitorado mais pobre e que Tábata, a pré-candidata com o maior potencial eleitoral, precisará se tornar mais conhecida nas periferias e bairros mais distantes — o que, em definitivo, não é tarefa fácil. Agora é aguardar os próximos lances do jogo.

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POLÍTICA

‘‘Eu conheço a realidade de Mato Grosso, posso defender com propriedade’’

Rosana Martinelli quer um Congresso forte para frear o Poder Judiciário e representar municípios

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Foto: GC Notícias

“Deus, Pátria e Família”, mas também desenvolvimento econômico, emprego, segurança para as mulheres e uma postura de enfrentamento ao Poder Judiciário, especificamente ao STF. Esses foram os motes principais citados por Rosana Martinelli durante a entrevista concedida ao GC Notícias nesta segunda-feira (14). Uma semana após se desligar do PL e confirmar a sua filiação ao MDB, a ex-prefeita de Sinop e suplente de Senador coloca na rua sua pré-candidatura para deputada federal, mantendo-se na pista da Direita e reforçando que conhece os caminhos de Mato Grosso.

Rosana lembrou que muito antes de atuar na política, ela viveu a formação do Norte do Estado. Foi uma das pioneiras de Sinop, chegando na cidade ainda criança. Depois empreendeu no setor madeireiro, também trabalhou com pecuária e ainda é produtora rural – experienciando a tríade da economia local. “Eu conheço a realidade de Mato Grosso e por isso posso defender o Estado com propriedade. Quando ocorreram as grandes discussões no Senado Federal envolvendo Mato Grosso e o setor produtivo, eu sabia do que estava falando, porque eu conhecia o assunto. Fazia parte da minha realidade”, comentou Rosana.

Ela citou como exemplo os debates em torno das queimadas, quando parte das lideranças políticas e institutos ambientais tentavam responsabilizar os produtores rurais pelos sinistros. “O maior patrimônio do produtor rural é sua fazenda. Ele é quem mais preserva. Ele é o guardião da propriedade rural e das reservas florestais que existem nela”, reforçou a pré-candidata.

O mesmo ocorre quando o assunto são os desmatamentos. “No restante do Brasil o desmatamento é colocado na conta do setor madeireiro. O que não é verdade. É um setor que depende da floresta em pé para trabalhar. Então, quando esses temas surgiram no Senado, tratamos de falar de manejo florestal sustentado e ver a percepção das pessoas sobre o assunto mudando”, afirmou Rosana.

Esse conhecimento da realidade de Mato Grosso também balizou Rosana na discussão dos grandes projetos de infraestrutura, como a implantação de ferrovias no Estado e a duplicação da malha federal. “Logística sempre foi nosso gargalo. Mato Grosso tem um potencial produtivo indiscutível, que gera ainda mais resultado à medida que a indústria se desenvolve. Cito sempre como exemplo a usina de etanol da Inpasa, que conseguimos atrair para Sinop quando eu era prefeita. Além do grande investimento, gerou empregos, negócios e mudou o mercado do milho. Mato Grosso ainda tem muito potencial para avançar nesse sentido, mas para isso um dos pontos necessários é melhorar a logística”, defendeu Rosana.

Quando o Congresso Nacional discutia a implantação de um novo Código Tributário, Rosana estava Senadora. Sua percepção das demandas de Mato Grosso levou ela a apresentar 42 indicações ao projeto de lei. No fim, 8 acabaram sendo absorvidas no texto original. “Sei do meu tamanho. Apesar da minha passagem pelo Senado, ainda não estou pronta para uma eleição desse patamar. Mas quero exercer minha representação política como deputada federal”, comentou.

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Para além do setor produtivo e das questões inerentes ao desenvolvimento econômico de Mato Grosso, Rosana também se posiciona como uma representante do eleitorado feminino. Durante sua passagem pelo Senado, foi autora de projetos de lei relacionados à segurança da mulher. Como foi o caso da facilitação do porte de arma para mulheres que estão sob medida protetiva. Ela também defendeu intensificar as campanhas e ações para combater a violência contra as mulheres e o acesso gratuito à Justiça para vítimas de violência doméstica e familiar. “Precisa mudar a cultura, entender a posição de insegurança e atuar em defesa das mulheres, que hoje não conseguem confiar na capacidade do Estado de protegê-las. Precisamos mudar isso e uma das formas é garantir que o agressor seja punido e que continue preso. Eu defendo penas mais duras para crimes violentos”, opinou Rosana.

Outra bandeira levantada pela pré-candidata é a representatividade regional. Em sua leitura, o Norte de Mato Grosso, com aproximadamente 900 mil eleitores, tem condições de aumentar sua representatividade política escolhendo candidatos que tem identificação com a região. “Os recursos estão em Brasília. Independentemente de quem esteja na presidência da República, o dinheiro da União tem que chegar até a população e fazer a sua função. Como deputada federal vamos fazer essa ponte. Porque conheço as necessidades, principalmente na saúde e na educação”, apontou.

 

Extensão da Direita

Nos últimos anos Rosana militou em prol do ex-presidente Jair Bolsonaro, ajudou a fechar rodovia, fez discurso de ordem em cima de pá-carregadeira enrolada na bandeira do Brasil durante os manifestos regionais, teve seus bens bloqueados pelo judiciário e seu passaporte preso. Foi acusada de patrocinar os atos de 8 de janeiro de 2023. Além disso, promoveu diversas ações para fortalecer o PL Mulher. Depois de todo empenho em prol dessa corrente política, na reta final Rosana deixou a sigla e se filiou ao MDB. “Foi um pedido do próprio [Jair] Bolsonaro”, justificou Rosana.

Segundo ela, o PL de Mato Grosso contava com 11 nomes para disputar a eleição de deputado federal – sendo que o partido só poderia lançar 9 candidatos. Rosana acredita que estaria entre os nomes confirmados pelo PL para disputa. No entanto, seria mais difícil viabilizar sua candidatura no partido. Com as mudanças nas regras do coeficiente eleitoral, analistas políticos apontam que o PL deve eleger, no máximo, 3 deputados federais. Rosana poderia estar entre esses 3 ou não. Enquanto isso, no MDB, a projeção é de que o partido eleja um deputado federal. E nesse caso, Rosana é tida como favorita. “São projeções. Mesmo disputando a eleição no MDB, continuo sendo a mesma pessoa, com o mesmo discurso, defendendo as mesmas pautas. A mudança de partido teve a anuência do PL, faz parte de um projeto para atender ao pedido de Bolsonaro, que é eleger o máximo possível de deputados federais e senadores de Direita”, afirmou Rosana.

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Por isso, mesmo correndo pelo MDB, Rosana segue apoiando a candidatura para o governo do Estado de Wellington Fagundes, cacique do PL e seu padrinho político de longa data. Dentro do MDB, a pré-candidatura de Rosana ganhou o apoio declarado da deputada estadual Janaina Riva. “Não perco minhas bases indo para o MDB. Provavelmente ganharei algumas do partido, que recentemente foi esvaziado, com a saída de muitos pré-candidatos”, avaliou.

 

Contrapeso do Supremo

Enquanto alguns analistas entendem o clamor de Bolsonaro para alcançar uma maioria absoluta no Congresso Nacional como uma tentativa de governar o Brasil sem disputar a eleição, Rosana vê como uma medida para reestabelecer os freios e contrapesos dos poderes nacionais. Na sua avaliação, o STF (Supremo Tribunal Federal) tem se tornado absoluto, revisando decisões do Senado, perseguindo a liberdade de expressão e atuando de forma arbitrária, sem responder a ninguém. “O povo não o reconhece. Ninguém votou no Supremo. Por uma questão de equilíbrio dos poderes é preciso que haja um mecanismo que possa conter os abusos do STF, quando estes forem cometidos. Ninguém é o dono da verdade. Quem erra, mesmo se for do judiciário, deve ser afastado”, argumentou Rosana.

Ela também defende um impeachment do ministro Alexandre de Morais – o que possivelmente aconteceria com uma bancada Bolsonarista majoritária no Congresso Nacional. Autora de um dos projetos de lei que previa a anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, Rosana, vê a atuação da justiça no processo como abusiva, arbitrária e repleta de estranhezas. “Soltaram criminosos e prenderam patriotas. Para alguns, penas arbitrárias de 14 a 17 anos de prisão, pesadas demais; sem sentido. Agora, uma leva de multas, mais de R$ 7,1 bilhões em multas para quem estava com os carros estacionados em Brasília no dia. Para mim o processo todo é muito viciado, com clara perseguição política”, avaliou Rosana.

Na sua visão, um Congresso Nacional identificado à Direita seria capaz de fazer um contrapeso de poder ao Supremo.

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