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Artigo

O problema da dívida

Os ricos mandam nos pobres, e quem toma emprestado é escravo de quem empresta. Provérbios 22:7

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OPINIÃO

Já sabemos que a questão da dívida normalmente é maléfica para nossa vida. Temos que ter a consciência para gerenciar melhor os nossos recursos, pois a falta disso custa muito caro para você e sua família.

O sábio Salomão, um dos homens mais ricos de todos os tempos, é claro em dizer no livro Provérbios 22:7 que quem empresta dinheiro vira escravo: “Os ricos mandam nos pobres, e quem toma emprestado é escravo de quem empresta”.

Essa é uma grande verdade! A pessoa que empresta dinheiro tem o seu livre-arbítrio limitado. Não tem a total liberdade da sua vida. E vive nas ruínas da vida, se escondendo.

Ter dívidas em si não é pecado, porém é necessário fazer uma revolução na sua vida para que isso não ocorra mais, ou você quer ser escravo de alguém? A escritora Ellen G. White, no livro “O Lar Adventista”, nos ensina um princípio básico sobre a gestão financeira, o mesmo utilizado na Lei de Responsabilidade Fiscal brasileira. Vejamos: “Você precisa cuidar para que suas despesas não sejam maiores do que seus rendimentos”.

Pense em um funil, que tem uma abertura grande numa ponta e uma abertura pequena na outra. Assim também devemos pensar sobre dinheiro. Normalmente as nossas despesas e desejos são grandes, a parte maior do funil, entretanto, as suas receitas, a “boca” pequena, não comporta tudo o que queremos. Essa matemática nunca vai fechar!

Aprenda a economizar os seus recursos para o futuro. Não estou dizendo que você não deve viver bem no presente, mas sim que temos de lembrar que o amanhã pode existir, assim, é importante guardar um pouco. Poupar para o futuro foi um sábio conselho dado por Deus a José no Egito (Gênesis 41:46 e 47).

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Tome nota: viva uma vida de acordo com o seu padrão financeiro; cuidado com o consumismo e materialismo do mundo moderno; desconfie de ganhos fáceis ou enriquecimento rápido; não conte com o “ovo da galinha”, pois pode ser que a galinha não bote; faça um pacto com Deus para revolucionar a sua vida financeira, incluindo a devolução a Ele dos seus dízimos e ofertas, pelas bênçãos recebidas; mesmo com problemas financeiros, jamais deixe de ajudar alguém ou o próximo.

Observe que o nosso Deus é tão zeloso e se preocupa tanto com os seus filhos que no Antigo Israel Ele deixou uma mensagem sobre o perdão das dívidas, a cada sete anos, cujo objetivo era evitar que o cidadão ficasse que esse peso, pobre e escravo de dívidas dos seus credores (Deuteronômio 15:1-5): “Moisés disse ao povo: — De sete em sete anos todas as dívidas serão perdoadas. Isso será feito assim: quem tiver emprestado dinheiro a outro israelita perdoará a dívida. Ele não exigirá pagamento, pois o Senhor Deus declara que a dívida foi perdoada. Vocês podem exigir que os estrangeiros paguem, mas devem perdoar as dívidas dos seus patrícios israelitas. O Senhor, nosso Deus, os abençoará ricamente na terra que lhes vai dar. Portanto, não haverá nenhum israelita pobre, se todos derem atenção ao que o Senhor ordena e obedecerem a todos os mandamentos que hoje eu estou dando a vocês”.

Acontece que o mundo moderno já não perdoa as dívidas, por isso é necessário se reequilibrar e cuidar de suas finanças.

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Somente Deus deve ser o seu Senhor! Não entregue a sua vida nas mãos de outra pessoa que, neste caso, é o credor.

Quais são as possíveis fontes de dívidas?

  1. Extraordinárias – doenças, acidentes, catástrofes, guerra etc.
  2. Competência técnica – são dívidas que ocorrem devido à falta de conhecimento técnico sobre educação financeira, ignorância, experiências traumáticas e que se repetem, crenças mentais, enfim.
  3. Ilusão – vive pensando apenas no hoje, é um ser humano gastador, desperdiça recursos, gosta de ostentar o que não possui, é ganancioso, egoísta etc.
  4. Necessárias – são investimentos que custam muito alto, tais como: aquisição de um veículo, casa, investimento na empresa e nos filhos, ou seja, são indispensáveis para o crescimento e desenvolvimento.

Ter dívidas por coisas banais nos torna escravos de credores. As dívidas extraordinárias devem ser cobertas pela reserva de emergência, já para as necessárias, é possível fazer um planejamento melhor, economizar e emprestar o que não é possível pagar à vista, desde que se adeque ao seu orçamento familiar.

Enfim, tome uma atitude a partir de hoje e ressignifique a sua vida. Não seja a mesma pessoa de ontem. Se até aqui a sua vida financeira não anda bem, chegou o momento de melhorá-la e ter uma vida melhor e mais feliz.

 

*Francisney Liberato é Auditor do Tribunal de Contas de Mato Grosso. Escritor. Palestrante e Professor há mais de 25 anos. Coach e Mentor. Mestre em Educação. Doutor Honoris Causa. Graduado em Administração, Ciências Contábeis (CRC-MT), Direito (OAB-MT) e Economia. Membro da Academia Mundial de Letras.

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OPINIÃO

Cada um por sim e Deus por todos

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A desunião da cadeia da pecuária de corte no Brasil é um paradoxo que se torna cada vez mais insustentável, afinal possuímos o maior rebanho comercial do mundo, somos líderes históricos em exportação, mas internamente operamos como um conjunto de feudos isolados. Cada elo da cadeia, do produtor ao frigorífico, passando pela indústria de insumos e pelo varejo, defende seu território com unhas e dentes, o que é legítimo em um ambiente de negócios competitivo. No entanto, essa fragmentação deixou de ser uma questão estratégica para se tornar um entrave sistêmico, e a guerra de posições, onde cada um só quer saber de proteger o seu quinhão, está corroendo a competitividade da proteína animal brasileira no cenário global, e o preço dessa desunião é alto e mensurável.

Semanalmente, a China, nosso maior comprador, suspende a habilitação de algum frigorífico brasileiro sob a alegação de excesso de resíduos químicos na carne, e essas suspensões não são eventos isolados, são o reflexo de uma cadeia que não consegue alinhar responsabilidades e rastreabilidade.

Enquanto isso, estamos fora da lista de países autorizados a exportar para a União Europeia, um mercado de alto valor agregado que exige conformidade sanitária e ambiental rigorosa.

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A perda não é apenas financeira, mas também reputacional. O Brasil, que deveria ser sinônimo de produção sustentável e segura, é visto com desconfiança por compradores exigentes, justamente por não conseguir demonstrar coesão em seus processos produtivos, e enfrenta gargalos que são inaceitáveis para um país que se pretende líder.

Um exemplo emblemático é a dificuldade crônica em oferecer o número mínimo necessário de doses de vacinas contra clostridiose para atender ao rebanho, já que essa é uma doença prevenível, de manejo básico, mas a falta de planejamento integrado entre governo, laboratórios, distribuidores e produtores resulta em desabastecimento e aumento da mortalidade animal. Até quando iremos continuar perdendo tempo, dinheiro e mercados?

A resposta está na ausência de uma visão coletiva, onde cada ator da cadeia prioriza sua margem imediata, e o sistema como um todo perde eficiência. É preciso, portanto, colocar os pontos em comum sobre a mesa e deixar de lado as disputas menores.

A defesa legítima de cada segmento não pode se sobrepor à necessidade de construir uma agenda unificada. O produtor precisa de rentabilidade, o frigorífico de escala e a indústria de insumos de previsibilidade. Esses interesses não são antagônicos, e sim, eles podem convergir se houver coordenação. A China não suspende frigoríficos por acaso, suspende porque há resíduos que poderiam ser evitados com protocolos compartilhados. A União Europeia não nos exclui por preconceito, exclui porque não apresentamos garantias sistêmicas. E a falta de vacinas não é um acidente de mercado, é o resultado de uma cadeia que não dialoga.

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O tamanho do rebanho brasileiro é uma vantagem natural, mas não é suficiente para sustentar a liderança, até porque, em um mercado global cada vez mais regulado e competitivo, a desunião é um luxo que não podemos mais pagar. Ou a pecuária de corte brasileira aprende a articular seus interesses em torno de padrões comuns de qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade, ou continuará perdendo espaço para concorrentes que, mesmo com rebanhos menores, oferecem o que o mercado exige: previsibilidade, confiança e garantia de origem.

A guerra interna precisa acabar, não por generosidade, mas por pragmatismo, porque o inimigo não está dentro da cadeia; está fora!

 

*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e CEO da NeoAgro Consultoria

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