ARTIGO
A tempestade perfeita da agropecuária
OPINIÃO
Os anos de 2019, 2020 e 2021 foram marcados por uma euforia econômica na agropecuária brasileira. Juros baixos (a taxa Selic ficou em 2% durante 2019 e parte de 2020), ciclo extraordinário de valorização das commodities agrícolas nos mercados doméstico e internacional, clima favorável, aumento de produção e alta lucratividade.
Na pandemia, contrariando as expectativas iniciais, houve aumento do consumo de alimentos nos domicílios. O ambiente de juros baixos e demanda crescente, estimularam uma forte expansão do crédito rural.
Em 2022 os ventos mudaram de rumo com a alteração de vários fatores geopolíticos, financeiros e climáticos ao mesmo tempo.
A partir de 2021 o Banco Central, para combater a inflação, precisou aumentar a taxa básica de juros, que estava em 2% em 2020, chegou a 13,75% ao final de 2022. Houve queda de preços das mercadorias agrícolas e os preços dos fertilizantes nitrogenados e fosfatados importados aumentaram drasticamente com a invasão da Rússia sobre a Ucrânia. A mesma guerra iniciada pela Rússia aumentou o custo dos fretamentos marítimos, variável importante para as exportações de produtos agropecuários.
As companhias que sofreram menos com os choques são as que apresentam maior diversificação em seu portfólio produtivo e operam na produção, originação, comercialização, processamento de soja, milho, algodão, biodiesel e etanol
Outro choque que impactou o setor agropecuário foi o brutal aumento das tarifas comerciais imposto pelo governo dos Estados Unidos em 2025. A medida elevou novamente os custos das exportações e valorizou o real perante o dólar. Como boa parte das commodities agropecuárias são negociadas em dólar, a queda da moeda americana reduziu a receita dos agricultores em reais, pressionando a rentabilidade do segmento.
O cenário tornou-se ainda mais hostil em 2026 com a guerra deflagrada pelos Estados Unidos contra o Irã. Essa insana guerra reduziu a oferta de petróleo, gás e fertilizantes, gerando um inesperado choque de custos em todas as cadeias logísticas e de fornecimento de insumos, afetando novamente a rentabilidade da agropecuária. No mercado doméstico, a alta da taxa básica de juros para 15% ao ano encareceu o crédito, pressionou o custo operacional da agropecuária e inibiu investimentos para aquisição de máquinas e implementos agrícolas.
A “tempestade perfeita” resultou em expressivo aumento de pedidos de recuperação judicial de produtores e empresas ligadas às cadeias da atividade agropecuária, especialmente de pequenos e médios agentes econômicos, acentuando a percepção de instabilidade do setor por parte de investidores e agentes do mercado de capitais.
No período de euforia econômica da agropecuária (2019-2021) o mercado de capitais promoveu uma “chuva de oferta de crédito” para empresas e produtores do setor. Além dos grandes bancos que tradicionalmente já ofertam empréstimos agropecuários, uma quantidade elevada de pequenas instituições bancárias e fintechs passaram a operar com o setor sem ter expertise nem ferramentas adequadas de avaliação de risco da atividade rural.
Os sucessivos choques econômicos afetaram muitas instituições bancárias de menor porte que passaram a ter problemas de liquidez. Mas o impacto negativo não é privilégio exclusivo das pequenas instituições financeiras. Grandes bancos com maior exposição ao crédito rural registraram forte aumento da inadimplência e tiveram que elevar suas provisões para perdas, reduzindo seus lucros anuais.
Como consequência, os bancos aumentaram o nível de exigência para ofertar crédito rural, tornando mais caros e escassos os recursos para os negócios agropecuários. Soma-se a isso a percepção corrente no mercado financeiro de que boa parte dos pedidos de recuperação judicial do setor servem mais para preservar patrimônio familiar do que para recuperar as empresas.
As companhias que sofreram menos com os choques são as que apresentam maior diversificação em seu portfólio produtivo e operam na produção, originação, comercialização, processamento de soja, milho, algodão, biodiesel e etanol.
Pressionados pelas instituições empresariais representativas do setor rural, deputados e senadores da chamada frente agropecuária lideraram a aprovação de legislação que determina ao governo federal executar mais um programa de reestruturação de dívidas rurais. O programa prevê a substituição dos empréstimos atuais por novos financiamentos com prazo mais longo e juros subsidiados. Para atender essa demanda estima-se que serão necessários R$ 180 bilhões que sairão do caixa do Tesouro Nacional, portanto, do orçamento público federal.
Especialistas que pesquisam e acompanham o setor indicam que a melhor vacina para enfrentar situações de crises financeiras, econômicas ou geopolíticas, que são inevitáveis, é a conjunção de transformações que envolvam aumentar a eficiência operacional (da fazenda até o consumidor final), utilização das modernas tecnologias produtivas e logísticas disponíveis e melhorar a gestão financeira do negócio.
OPINIÃO
O problema da dívida
Os ricos mandam nos pobres, e quem toma emprestado é escravo de quem empresta. Provérbios 22:7
Já sabemos que a questão da dívida normalmente é maléfica para nossa vida. Temos que ter a consciência para gerenciar melhor os nossos recursos, pois a falta disso custa muito caro para você e sua família.
O sábio Salomão, um dos homens mais ricos de todos os tempos, é claro em dizer no livro Provérbios 22:7 que quem empresta dinheiro vira escravo: “Os ricos mandam nos pobres, e quem toma emprestado é escravo de quem empresta”.
Essa é uma grande verdade! A pessoa que empresta dinheiro tem o seu livre-arbítrio limitado. Não tem a total liberdade da sua vida. E vive nas ruínas da vida, se escondendo.
Ter dívidas em si não é pecado, porém é necessário fazer uma revolução na sua vida para que isso não ocorra mais, ou você quer ser escravo de alguém? A escritora Ellen G. White, no livro “O Lar Adventista”, nos ensina um princípio básico sobre a gestão financeira, o mesmo utilizado na Lei de Responsabilidade Fiscal brasileira. Vejamos: “Você precisa cuidar para que suas despesas não sejam maiores do que seus rendimentos”.
Pense em um funil, que tem uma abertura grande numa ponta e uma abertura pequena na outra. Assim também devemos pensar sobre dinheiro. Normalmente as nossas despesas e desejos são grandes, a parte maior do funil, entretanto, as suas receitas, a “boca” pequena, não comporta tudo o que queremos. Essa matemática nunca vai fechar!
Aprenda a economizar os seus recursos para o futuro. Não estou dizendo que você não deve viver bem no presente, mas sim que temos de lembrar que o amanhã pode existir, assim, é importante guardar um pouco. Poupar para o futuro foi um sábio conselho dado por Deus a José no Egito (Gênesis 41:46 e 47).
Tome nota: viva uma vida de acordo com o seu padrão financeiro; cuidado com o consumismo e materialismo do mundo moderno; desconfie de ganhos fáceis ou enriquecimento rápido; não conte com o “ovo da galinha”, pois pode ser que a galinha não bote; faça um pacto com Deus para revolucionar a sua vida financeira, incluindo a devolução a Ele dos seus dízimos e ofertas, pelas bênçãos recebidas; mesmo com problemas financeiros, jamais deixe de ajudar alguém ou o próximo.
Observe que o nosso Deus é tão zeloso e se preocupa tanto com os seus filhos que no Antigo Israel Ele deixou uma mensagem sobre o perdão das dívidas, a cada sete anos, cujo objetivo era evitar que o cidadão ficasse que esse peso, pobre e escravo de dívidas dos seus credores (Deuteronômio 15:1-5): “Moisés disse ao povo: — De sete em sete anos todas as dívidas serão perdoadas. Isso será feito assim: quem tiver emprestado dinheiro a outro israelita perdoará a dívida. Ele não exigirá pagamento, pois o Senhor Deus declara que a dívida foi perdoada. Vocês podem exigir que os estrangeiros paguem, mas devem perdoar as dívidas dos seus patrícios israelitas. O Senhor, nosso Deus, os abençoará ricamente na terra que lhes vai dar. Portanto, não haverá nenhum israelita pobre, se todos derem atenção ao que o Senhor ordena e obedecerem a todos os mandamentos que hoje eu estou dando a vocês”.
Acontece que o mundo moderno já não perdoa as dívidas, por isso é necessário se reequilibrar e cuidar de suas finanças.
Somente Deus deve ser o seu Senhor! Não entregue a sua vida nas mãos de outra pessoa que, neste caso, é o credor.
Quais são as possíveis fontes de dívidas?
- Extraordinárias – doenças, acidentes, catástrofes, guerra etc.
- Competência técnica – são dívidas que ocorrem devido à falta de conhecimento técnico sobre educação financeira, ignorância, experiências traumáticas e que se repetem, crenças mentais, enfim.
- Ilusão – vive pensando apenas no hoje, é um ser humano gastador, desperdiça recursos, gosta de ostentar o que não possui, é ganancioso, egoísta etc.
- Necessárias – são investimentos que custam muito alto, tais como: aquisição de um veículo, casa, investimento na empresa e nos filhos, ou seja, são indispensáveis para o crescimento e desenvolvimento.
Ter dívidas por coisas banais nos torna escravos de credores. As dívidas extraordinárias devem ser cobertas pela reserva de emergência, já para as necessárias, é possível fazer um planejamento melhor, economizar e emprestar o que não é possível pagar à vista, desde que se adeque ao seu orçamento familiar.
Enfim, tome uma atitude a partir de hoje e ressignifique a sua vida. Não seja a mesma pessoa de ontem. Se até aqui a sua vida financeira não anda bem, chegou o momento de melhorá-la e ter uma vida melhor e mais feliz.
*Francisney Liberato é Auditor do Tribunal de Contas de Mato Grosso. Escritor. Palestrante e Professor há mais de 25 anos. Coach e Mentor. Mestre em Educação. Doutor Honoris Causa. Graduado em Administração, Ciências Contábeis (CRC-MT), Direito (OAB-MT) e Economia. Membro da Academia Mundial de Letras.
-
POLÍCIA6 dias atrásPolícia Civil institui protocolo de atendimento e investigação de pessoas desaparecidas
-
GERAL7 dias atrásConferência nacional debate implantação da rastreabilidade bovina obrigatória até 2032
-
OPINIÃO7 dias atrásNa guerra só existem perdedores
-
ESPORTES5 dias atrásParque Novo MT recebe principal etapa do circuito brasileiro de skate
-
EDUCAÇÃO6 dias atrásSeduc intensifica apoio pedagógico nas escolas
-
GERAL7 dias atrásMTI abre processo seletivo em MT com salários de até R$ 15 mil; veja como se inscrever
-
GERAL7 dias atrásDados da ANTT apontam que obras do Governo de MT na BR-163 representam 28% dos investimentos em rodovias federais
-
GERAL5 dias atrásSoja produzida sem desmate em MT ajuda a abastecer aviação sustentável



