Artigo
Livre arbítrio
Então ele perguntou aos doze discípulos: Será que vocês também querem ir embora? João 6:67
OPINIÃO
Deus não força ninguém a fazer a Sua vontade. Deus não quer que ninguém O siga por obrigação. Ele espera que os seres humanos O amem de coração. Já percebeu que Jesus não lhe força a fazer nada? Quer segui-Lo? Que seja por vontade e desejo genuíno de suas escolhas.
O livre-arbítrio é a manifestação do amor de Deus por nós. Sem ele nós seríamos apenas robôs.
Quando Jesus esteve neste mundo ele não forçou nenhum dos Seus seguidores. Ele dirigiu apenas convites para os doze, os quais de pronto O aceitaram e se tornaram os Seus discípulos.
Além dos doze apóstolos de Jesus, o grupo mais íntimo que O acompanhava, havia uma imensa multidão que também fazia o mesmo, cada um com seus interesses, alguns por milagre e cura, outros para saciar a fome física, já outros com intuito de encontrar falhas na mensagem do Mestre para incriminá-Lo, como igualmente tínhamos pessoas sedentas pela mensagem de Boas Novas, enfim.
Volto a dizer: os seguidores seguiam porque queriam, seja lá quais fossem as suas intenções.
Dessa multidão, alguns participavam de um ou outro encontro com o Mestre e logo desistiam de segui-Lo. Pode ser que por atender a sua necessidade, o abandonava e já seguia o seu rumo de vida. Entretanto, outros indivíduos estiveram com Jesus por um tempo maior. Também encontramos pessoas que permaneceram conectadas com Jesus até a sua morte, como os discípulos, em seus martírios.
Cada ser humano presenciou Jesus de uma forma, maneira, sob uma perspectiva, com os seus desejos e vontades, os seus sonhos e esperança, dentre outras motivações. Será que é diferente do que acontece conosco hoje? Claro que não, todos nós temos as nossas motivações para seguir ou não seguir Jesus, com base no nosso livre-arbítrio.
Vamos ao relato bíblico. Em João 6:1-4: “Depois disso, Jesus atravessou o lago da Galileia, que também é chamado de Tiberíades. Uma grande multidão o seguia porque eles tinham visto os milagres que Jesus tinha feito, curando os doentes. Ele subiu um monte e sentou-se ali com os seus discípulos. A Páscoa, a festa principal dos judeus, estava perto”.
Observe que a multidão seguia Jesus, neste momento, devido a seus milagres. Na sequência, Jesus faz o milagre da multiplicação dos pães e peixes, pois o público estava com fome. Após isso, os participantes exclamaram (João 6:14): “Os que viram esse milagre de Jesus disseram: De fato, este é o Profeta que devia vir ao mundo!”
Depois disso, as multidões começaram a reunir-se em volta de Jesus, esperando receber mais comida, pois não era muito fácil conseguir trabalho e comida na época, vejamos João 6:26-27: “Jesus respondeu: — Eu afirmo a vocês que isto é verdade: vocês estão me procurando porque comeram os pães e ficaram satisfeitos e não porque entenderam os meus milagres. Não trabalhem a fim de conseguir a comida que se estraga, mas a fim de conseguir a comida que dura para a vida eterna. O Filho do Homem dará essa comida a vocês porque Deus, o Pai, deu provas de que ele tem autoridade”.
As multidões não o seguiam motivadas pela fé, mas pela curiosidade acerca dos milagres que ele havia realizado.
Se não bastasse o que já tinha acontecido, aquela multidão queria mais e mais milagres, isto é, era insaciável (João 6:30): “Eles disseram: — Que milagre o senhor vai fazer para a gente ver e crer no senhor? O que é que o senhor pode fazer?”
Então Jesus começou a pregar de forma mais incisiva a sua mensagem, a fim de fazer uma peneira, isto é, saber quem realmente desejava segui-Lo de coração e não por interesses camuflados.
Jesus fala sobre: o verdadeiro maná do céu e que Ele era Deus (versículos 32-41). Os líderes judeus e o povo entenderam a mensagem de Cristo e começaram a criticá-Lo (versículo 42). Jesus respondeu dizendo mais uma vez que ele era o verdadeiro pão da vida (versículo 48). Acrescentou que quem comer a Sua carne e beber o Seu sangue permanece em nEle, e eu, nele (versículos 54-56). Essa era a mensagem em que Jesus pediu compromisso aos seus seguidores.
Essa mensagem foi dada quando Jesus estava ensinando na sinagoga de Cafarnaum.
A multidão quando ouviu as palavras de Jesus resmungou (João 6:60-61): “Muitos seguidores de Jesus ouviram isso e reclamaram: — O que ele ensina é muito difícil! Quem pode aceitar esses ensinamentos? Não disseram nada a Jesus, mas ele sabia que eles estavam resmungando contra ele. Por isso perguntou: — Vocês querem me abandonar por causa disso?”. Quando a verdade chega a nós, muitos optam por criar barreiras, circunstâncias negativas e desculpas esfarrapadas.
Ao ouvir a falação, Jesus foi duro com eles e perguntou: se quiser, pode Me abandonar, em outras palavras, só fique quem quiser ouvir a mensagem de salvação. Os falsos discípulos foram embora. O mestre disse isso por que já sabia desde o começo quem era os que não iam crer nEle e sabia também quem ia traí-Lo (João 6:64).
Depois disso, o que aconteceu? Muitos abandonaram Jesus. Por quê? Provavelmente porque estavam seguindo-o pela motivação errada, em um alicerce raso e falso (João 6:66): “Por causa disso muitos seguidores de Jesus o abandonaram e não o acompanhavam mais”.
Naquele momento Jesus estava separando o joio do trigo. Estava dispensando aqueles que não seguiam Ele de forma genuína. Ele estava separando os fiéis dos infiéis.
Note o que o “Comentário bíblico de Matthew Henry” diz: “Muitos deles voltaram para suas casas, famílias e chamados, que haviam deixado por algum tempo para segui-lo; voltou, um para sua fazenda e outro para sua mercadoria; voltou, como Orpah fez, para seu povo, e para seus deuses, Rute i. 15. Eles haviam entrado na escola de Cristo, mas voltaram, não apenas faltaram às aulas uma vez, mas se despediram dele e de sua doutrina para sempre. Note, a apostasia dos discípulos de Cristo dele, embora realmente uma coisa estranha, tem sido uma coisa tão comum que não precisamos nos surpreender. Aqui estavam muitos que voltaram. Frequentemente é assim; quando alguns se apostatam, muitos se apostatam com eles; a doença é infecciosa”.
Se não bastasse a situação narrada, Jesus ainda se dirigiu ao Seu grupo mais íntimo e deu a oportunidade para que todos que quisessem poderiam sair do grupo e não mais segui-Lo. Em outras palavras, Jesus foi direto ao ponto, preto no branco, sem essa estória de meio-termo (João 6:67): “Então ele perguntou aos doze discípulos: Será que vocês também querem ir embora?”
Em outro momento, Mateus 12:30, também é direto quanto ao nosso desejo de decidir: “Quem não é a meu favor é contra mim; e quem não me ajuda a ajuntar está espalhando”.
E o episódio termina com a fala do líder Pedro confirmando que desejam ficar com o Mestre e, Jesus ratifica essa decisão (João 6:68-70): “Simão Pedro respondeu: Quem é que nós vamos seguir? O senhor tem as palavras que dão vida eterna! E nós cremos e sabemos que o senhor é o Santo que Deus enviou. Jesus disse: Fui eu que escolhi todos vocês, os doze”. Destaca-se que os verdadeiros discípulos permaneceram com Cristo.
Enfim, chegará um tempo em que essa mesma separação vai acorrer no futuro. Será necessário que Jesus dê um basta nas pessoas que O seguem pelas motivações erradas. Quiçá possamos decidir, com base nosso livre-arbítrio, o caminho de estar ao Seu lado, mesmo diante das dificuldades a serem enfrentadas.
Apocalipse 22:11 apresenta o momento futuro: “Quem é mau, que continue a fazer o mal, e quem é imundo, que continue a ser imundo. Quem é bom, que continue a fazer o bem, e quem é dedicado a Deus, que continue a ser dedicado a Deus”.
Em qual lado você estará? Você continuará sendo um seguidor do Mestre?
*Francisney Liberato é Auditor do Tribunal de Contas de Mato Grosso. Escritor. Palestrante e Professor há mais de 25 anos. Coach e Mentor. Mestre em Educação. Doutor Honoris Causa. Graduado em Administração, Ciências Contábeis (CRC-MT), Direito (OAB-MT) e Economia. Membro da Academia Mundial de Letras. https://francisneyliberato.my.canva.site/
OPINIÃO
Para reduzir o endividamento
Volto à questão do superendividamento da população, tema já tratado nesta coluna recentemente, mas que exige análise detalhada de suas origens, consequências e possíveis medidas para solução.
O problema, de característica microeconômica, tomou dimensão tão grande que está afetando a atividade econômica do país e contribuindo para aumentar a percepção popular de que a situação de sua família piorou, mesmo em um ambiente de aumento da renda do trabalho, inflação moderada, aumento real do salário-mínimo e menor taxa de desemprego da série histórica.
A Fundação Getúlio Vargas, por meio do Centro de Estudos de Microfinanças e Educação Financeira (Cemif/FGV) criou o Índice de Desconforto de Crédito (IDC). O índice mede o desconforto das pessoas com o crédito, numa escala que vai de 0 a 1, em que zero é desconforto mínimo e um é desconforto máximo. Neste início de 2026, o IDC/FGV chegou ao patamar recorde de 0,94, da série histórica iniciada em 2015, confirmando que o endividamento da população atingiu o limite máximo e exige ações urgentes para mediação do problema.
São amplamente conhecidas as razões estruturais que na última década alteraram de forma significativa o mercado financeiro nacional, turbinaram a oferta de crédito e levaram ao cenário crítico atual.
Com a pretensão de aumentar a bancarização e promover a concorrência bancária, o Banco Central estimulou o surgimento dos bancos digitais e fintechs, afrouxando o controle regulatório sobre essas novas instituições financeiras. A ampliação dos programas de transferência de rendas também aumentou a bancarização ao exigir uma conta bancária para recebimento dos benefícios. A legalização do crédito consignado para servidores públicos federais, estaduais, municipais, aposentados e pensionistas ampliou de forma geométrica o acesso ao crédito. O avanço da tecnologia levou para os smartfones todos os produtos bancários, facilitando enormemente a acesso a essas soluções financeiras. Mais recentemente, o surgimento do PIX forçou milhões de pessoas a abrirem conta bancária para utilização da barata e excelente ferramenta financeira.
A bancarização realmente deu um salto inédito na história econômica do país. Segundo a edição de 2025 do Relatório de Cidadania Financeira, publicado pelo Banco Central, 95% da população adulta mantém algum tipo de relacionamento com instituições financeiras físicas ou digitais. Em 2006 essa proporção era de apenas 60%.
Esse conjunto de fatores, aliados às tecnologias que facilitam o acesso ao crédito, criaram o ambiente perfeito para o superendividamento da população, transformando-o em problema nacional.
Virou moda colocar grande parte da culpa do aumento do comprometimento da renda das famílias com dívidas ao surgimento das plataformas digitais de jogos. Realmente, pesquisas recentes mostram que 40% dos apostadores afirmam que escalaram suas dívidas após começarem a jogar nas plataformas online. As mesmas pesquisas indicam que os gastos com jogos eletrônicos impactam proporcionalmente mais as famílias de renda de até três salários-mínimos.
Apesar de ser uma verdadeira praga social moderna, não vejo os jogos online como o principal fator do crescimento exponencial das dívidas da população. Trata-se de um efeito colateral. Os demais fatores são precedentes pois alteraram a estrutura de funcionamento do sistema bancário nacional e reduziram expressivamente a capacidade do Banco Central de fiscalizar, supervisionar e inibir a oferta de crédito, principalmente por meio digital.
Apesar de ser uma verdadeira praga social moderna, não vejo os jogos online como o principal fator do crescimento exponencial das dívidas da população
Tenho lido e ouvido a argumentação que atribui o elevado endividamento à manutenção da taxa básica de juros em 14,75% ao ano. Há de se reconhecer que a taxa de juros em patamar tão elevado agrava o problema das famílias que precisam recorrer ao crédito para consumo cotidiano e de bens duráveis. Mas não é o fator preponderante. Basta verificar que ao longo de 2019 e 2020, o Banco Central reduziu a taxa básica de juros para 2% ao ano e o nível de endividamento permaneceu em patamar muito alto, parecido ao atual.
Para enfrentar e reduzir o elevado nível de endividamento das famílias, é preciso que o Banco Central aumente a supervisão sobre as instituições financeiras, exigindo delas critérios mais rigorosos para a concessão de crédito, especialmente bancos digitais e fintechs, estabeleça barreiras para acesso ao crédito sem garantias (que têm custos financeiros mais elevados) e extinga do sistema financeiro do Brasil alguns instrumentos de crédito predatório como os famigerados cartão de crédito consignado e cartão de benefícios consignado.
Um acessível programa de educação é essencial, a despeito da relativa demora para apresentar resultados práticos.
Para cumprir satisfatoriamente sua atribuição regulatória e proteção financeira à sociedade, urge que a autoridade monetária atualize e aperfeiçoe suas ferramentas de fiscalização e monitoramento sobre a oferta de crédito, especialmente nos canais digitais das instituições financeiras.
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