Pesquisar
Close this search box.
CUIABÁ
Pesquisar
Close this search box.

ARTIGO

Horário eleitoral gratuito: é hora de conhecer as propostas

Publicado em

OPINIÃO

A partir desta sexta-feira, 28 de agosto, rádio e televisão abrem um importante espaço para que o eleitor conheça melhor os candidatos e compare seus projetos para o país e para os estados.

Nesta sexta-feira, *28 de agosto*, começa o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão para as Eleições de 2026. A propaganda eleitoral já está autorizada desde 16 de agosto, mas a chegada da campanha à programação das emissoras marca uma nova etapa da disputa.

Em tempos de redes sociais, vídeos curtos e informações que circulam em poucos segundos, o horário eleitoral ainda desempenha uma função importante: oferecer ao eleitor a oportunidade de *conhecer melhor quem está pedindo seu voto*.

É o momento de observar não apenas nomes, números e slogans, mas principalmente *propostas*. O que cada candidato pretende fazer? Quais são suas prioridades? Como pretende enfrentar os problemas do Estado e do país? Existe coerência entre o discurso apresentado e a trajetória daquele candidato?

A propaganda será exibida por meio de programas em bloco e também de inserções de *30 e 60 segundos* distribuídas ao longo da programação. O horário eleitoral do primeiro turno seguirá até *1º de outubro*.

Embora seja chamado de “gratuito”, o espaço não é comprado diretamente pelos candidatos nas emissoras. O tempo é distribuído entre partidos, federações e coligações conforme os critérios estabelecidos pela legislação eleitoral. Por isso, os candidatos não dispõem necessariamente do mesmo espaço para apresentar suas mensagens.

Nas eleições de 2026, existe ainda um desafio adicional: distinguir comunicação política de manipulação. O avanço da inteligência artificial permite produzir conteúdos cada vez mais sofisticados, mas a tecnologia não pode ser utilizada para enganar o eleitor. A legislação eleitoral estabelece regras específicas para seu uso e exige transparência na utilização de conteúdos produzidos ou alterados artificialmente.

Mais do que assistir à propaganda, portanto, cabe ao eleitor *comparar*. Eleição não deve ser apenas uma disputa de imagens ou frases de efeito. É uma escolha sobre quem receberá poderes para tomar decisões que terão consequências durante os próximos anos.

O horário eleitoral gratuito pode parecer uma ferramenta tradicional diante da velocidade das redes sociais, mas continua oferecendo algo essencial à democracia: *tempo para conhecer, comparar e decidir*.

A partir desta sexta-feira, os candidatos terão espaço para falar. Ao eleitor cabe uma tarefa ainda mais importante: *ouvir as propostas e escolher com consciência.*

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

OPINIÃO

O Estado midiático

Publicados

em

O vedetismo é característico do atual ciclo de declínio dos meca­nismos clássicos da política – partidos, parlamentos, ideologias. Tem mais impacto em sociedades menos desenvolvidas, como a nossa, do que em democracias consolidadas, onde a mídia ainda costuma refle­tir, ao lado da competição entre quadros, diferenças de visões doutri­nárias. Aqui, a política se transforma, a olhos vistos, em monumental espetáculo, em que atores fazem absoluta questão de ocupar o espaço institucional com a imagem de seus perfis. Nos Estados Unidos ou em Países europeus, são perceptíveis as diferenças de posições entre repu­blicanos e democratas ou entre liberais e conservadores, esquerdistas e direitistas, trabalhistas e socialdemocratas.

Na verdade, a espetacularização da política brasileira faz parte da cultura de um Estado cujas instituições e atores balizam, cada vez mais, atitudes e ações por influência dos meios de comunicação. Tudo parece ser delineado pela indústria midiática. Se não passarem pela tuba de ressonância formada pelos veículos impressos e eletrônicos, os fatos inexistem. Se não ocorrem, não há figurantes nem história. Se é assim, os políticos tratam logo de fazê-la, puxando, claro, a brasa para a sua sardinha. Até a sagrada instituição da Justiça, na esteira da magia poderosa da mídia, para ampliar a visibilidade, à maneira das casas congressuais, tem o seu canal próprio de televisão, o que nos proporciona a agradável surpresa de ver que magistrados da mais alta Corte também dão sonoras risadas e até constroem tiradas jocosas, eles, que pareciam a nós, simples mortais, deuses solenes e medita­bundos, compenetrados de divina onipotência. Não há dúvida que o acesso democrático à informação institucional é um avanço. A ques­tão, porém, não é esta. Nefasto é usar o espaço de comunicação, pú­blico ou privado, para que um cidadão, a serviço do povo e do Estado, queira estabelecer para si aquele objetivo que Mussolini desgraçada­mente se impôs: “Fazer da própria vida a sua obra-prima”. Essa é uma praga que tem assolado o Estado brasileiro.

No Brasil, a festejada Constituição-cidadã, de 1988, foi um marco nessa direção. Detalhista ao extremo, corporativista em sua extensão, foi concebida como abrigo de tendências e expectativas de grupos. Mais que sinal de um novo horizonte democrático, traduziu um arrazoado de intenções para tornar mais fortes determinadas representações so­ciais. A trombeta da mídia, por seu lado, foi fundamental para dar eco aos discursos e abrir espaços. Neste momento, instala-se nos desvãos institucionais o espelho de Narciso. As caras de indivíduos e institui­ções ingressam na arena, disputando os melhores palanques. As casas congressuais e os partidos começam a perder o monopólio da ação po­lítica. Os poderes do Estado, agora energizados por esferas participati­vas e núcleos descentralizados e difusos de poder, passam a ser foco dos holofotes da mídia. Na esteira do desaparecimento de grandes ícones do Parlamento (Tancredo, Ulysses, entre outros), o cenário das grandes lideran­ças é ocupado por políticos homogêneos, que passam a preocupar-se exageradamente com o perfil pessoal. A lapidação de imagem inspira-se no lema: captar o máximo interesse e fixar a atenção do público.

Desenvolve-se capilarmente um Estado midiático, assentado so­bre uma imensa estrutura de comunicação. A personalização do po­der é o leitmotiv da nova ordem. De dois em dois anos, novos e velhos atores sobem aos palcos para desfilar qualidades pessoais num espe­táculo regrado pelo uso e abuso de miragens, promessas, esperanças e sonhos, todos voltados para cooptar a adesão de grupos descrentes. Nos interstícios, governantes do Executivo se esmeram num exercí­cio de maquiagem para limpar protuberâncias no perfil, enquanto os níveis de representação popular, para não serem esquecidos, buscam as luzes da imprensa. Inversões de valores se multiplicam. A mídia cria pautas, determinando ações e comportamentos políticos. Quem não quer fazer parte do jogo não tem chances de aparecer. O vede­tismo se impõe. O acessório ocupa o lugar do principal. Uma fei­ra de personalidades, disputando visibilidade, canibaliza os escopos partidários. Verba e verbo estabelecem relação promíscua. Assim, a autoglorificação de perfis contribui para fazer florescer a semente de uma democracia pervertida, em que o Estado e suas representações passam a fazer da política nada mais que um exercício de fuga diante da realidade.

Ao político há de se cobrar aquilo que o filósofo dinamarquês So­ren Kierkegaard costumava cobrar dos cidadãos: ser uma exceção.

 

*Gaudêncio Torquato é professor emérito da USP, jornalista, escritor e consultor político.

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

ENTRETENIMENTO

MAIS LIDAS DA SEMANA