Neste sábado
Cuiabá recebe o MT Warriors Championship com entrada gratuita
O espaço possui capacidade para mais de mil pessoas, entre arquibancadas e área exclusiva. Saiba como retirar os ingressos
OPINIÃO
A quarta edição do MT Warriors Championship será realizada neste sábado (12), às 19h, no Palácio das Artes Marciais Iusso Sinohara, anexo à Arena Pantanal, em Cuiabá. Com entrada gratuita, o evento reúne atletas de diferentes estados brasileiros em um card 100% profissional de kickboxing. Os ingressos devem ser retirados antecipadamente pelo site sympla.com.br.
A competição contará com 10 lutas profissionais e 20 atletas, incluindo duas disputas de cinturão na modalidade K-1. O card reúne competidores de Mato Grosso, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul, Espírito Santo e Rondônia, além de atletas com trajetória entre a Argentina e Cuiabá.
Uma superestrutura está sendo preparada para receber o público, incluindo ringue oficial, iluminação especial, ambiente climatizado, decoração temática e painel de LED P2 de alta definição. O espaço possui capacidade para mais de mil pessoas, entre arquibancadas e área exclusiva para convidados e apoiadores.
Para garantir o ingresso, basta acessar o site sympla.com.br e preencher os dados solicitados, como nome completo e e-mail. O ticket será enviado diretamente para o e-mail cadastrado. As vagas são limitadas.
No card principal, Allysson Campos, campeão da primeira edição do MT Warriors Championship, retorna ao ringue para colocar o cinturão em disputa e defender o título conquistado na estreia do campeonato. Na outra disputa da noite, Matheus Gomes, campeão da segunda edição, também volta ao ringue para defender o cinturão MT Warriors – K-1, em um confronto que promete reunir experiência, pressão e alto nível técnico.
O MT Warriors Championship conta com o apoio do Governo de Mato Grosso e chancela da Confederação Brasileira de Kickboxing Profissional (CBKB PRO) e da World Association of Kickboxing Organizations Professional (WAKO PRO).
Card completo
Cruzador Leve – até 85,000 kg
Thiago Araújo da Rosa “Kakarotto” (Cuiabá/MT) × Uedson Oliveira de Souza ( Cuiabá/MT)
Leve Ligeiro – até 64,500 kg
Otávio Barreto (Cuiabá/MT) × Iago Alves (Porto Velho/RO)
Super Leve – até 62,200 kg
Otávio Henrique (Cuiabá/MT) × João Felipe Sousa (Porto Velho/RO)
Médio – até 75,000 kg
Diogo Kauan Barros da Silva “Zukashi” (Cuiabá/MT) × Augusto Daniel Costa (Ji-Paraná/RO)
Cruzador Leve – até 85,000 kg
Marcos Vinicius “Raio” (Cuiabá/MT) × André Cabelo “Cabelo” (Cuiabá/MT)
Card principal – 4 lutas
6ª Luta | Feminino – até 59,000 kg
Nádia Fedoruk (Argentina/Cuiabá-MT) × Fabiana Peixoto Fraga “PXT” (Vitória/ES)
7ª Luta | Meio-Médio – até 71,800 kg
Marcos Gabriel “La Daga Bohn” (Argentina/Cuiabá-MT) × Edivan dos Santos (Primavera do Leste/MT)
Luta | Cruzador – até 94,100 kg – Cinturão MT Warriors – K-1
Raphael Soares dos Reis (Rio de Janeiro/RJ) × Allysson Campos (Vendrane Cascavel/PR)
Meio-Médio – até 71,800 kg – Cinturão MT Warriors – K-1
Leandro Barbosa “Predador” (Farroupilha/RS) × Matheus Gomes (Primavera do Leste/MT)
OPINIÃO
Os brasileiros estão saturados da polarização
Os brasileiros dão sinais de cansaço diante do interminável bate-boca da polarização. Prova disso é o súbito crescimento do professor Augusto Cury na última pesquisa Nexus/BTG, o único dos candidatos “nanicos” a chegar ao índice de dois dígitos (11%). Para ele, a polarização política é uma “doença, um fator que adoeceu e dividiu o Brasil de forma psicótica e esquizofrênica”. Ou seja, Cury se apresenta como o candidato anti-polarização.
Há mais de uma década, a política nacional parece aprisionada a uma fotografia de duas cores, na qual tudo deve ser enquadrado como luta entre esquerda e direita, lulismo e bolsonarismo, democracia e autoritarismo, povo e elite. A realidade, porém, é mais complexa do que essa moldura. O cidadão que enfrenta o ônibus lotado, a fila do posto de saúde, o preço dos alimentos, a violência e a insegurança do emprego já não encontram utilidade numa guerra verbal que se alimenta de si mesma.
A polarização não é, por definição, um mal. Divergências fazem parte da democracia, organizam escolhas e permitem ao eleitor distinguir projetos. O problema começa quando a diferença se converte em hostilidade permanente e a disputa deixa de buscar soluções para produzir inimigos. Nesse ambiente, não se debate o mérito de uma proposta; investiga-se de que lado ela veio. O adversário já não é alguém a ser vencido pelo voto, mas um inimigo a ser desmoralizado, silenciado ou expulso da vida pública.
As redes sociais agravaram o processo. Sua lógica premia a indignação, o insulto e a frase cortante. A ponderação circula devagar; a agressão ganha velocidade. Algoritmos aproximam pessoas que pensam do mesmo modo e lhes oferecem a ilusão de unanimidade. O debate público perde a capacidade de produzir entendimento. Em vez de uma praça onde opiniões se encontram, formam-se trincheiras digitais, nas quais todos falam, poucos escutam e quase ninguém admite rever uma posição.
Os dirigentes políticos aprenderam a explorar essa engrenagem. É mais fácil mobilizar o medo do outro lado do que explicar como melhorar a educação, reduzir o déficit público, enfrentar o crime organizado ou elevar a produtividade. A polarização funciona como atalho: dispensa programas consistentes, encobre contradições e transforma toda cobrança em traição. Governos culpam adversários por seus fracassos; oposições torcem pelo fracasso dos governos para confirmar suas narrativas. Enquanto isso, problemas antigos permanecem à espera de decisões que exigem diálogo, continuidade administrativa e algum consenso nacional.
O efeito mais perverso desse bate-boca é a substituição da política pela torcida. O eleitor é convocado a vestir uma camisa e a defender seu time mesmo quando os fatos recomendam crítica. Escândalos são relativizados se atingem os nossos e ampliados se envolvem os outros. Erros semelhantes recebem julgamentos opostos, conforme a identidade do acusado. A ética deixa de ser princípio e vira instrumento de combate. Nessa guerra de conveniências, perde-se a medida comum pela qual uma sociedade avalia governantes, partidos, instituições e autoridades.
A saturação não significa o desaparecimento dos polos. Enquanto a hostilidade render votos, audiência, seguidores e poder, haverá interessados em mantê-la acesa. Os extremos dispõem de militâncias barulhentas e repertórios emocionais. O centro social, mais numeroso do que parece, costuma ser menos organizado e menos ruidoso. Seu desafio é deixar de ser apenas um estado de espírito e transformar o desejo de normalidade em exigência política. Cansaço sem participação pode produzir apatia; cansaço convertido em escolha pode renovar prioridades e comportamentos.
O Brasil precisa recuperar a política como exercício de construção, e não como concurso de ofensas. Isso pressupõe trocar o “quem disse?” pelo “o que está sendo proposto?”, comparar custos, metas e resultados, cobrar prazos e rejeitar promessas sem caminho de execução. Também exige distinguir firmeza de truculência. Um líder pode defender convicções claras sem humilhar adversários, assim como pode negociar sem abandonar princípios. A democracia amadurece quando o diálogo deixa de ser visto como fraqueza e o acordo deixa de ser confundido com rendição.
A eleição deste ano será uma oportunidade para saber se os candidatos compreenderam essa fadiga nacional. Quem insistir na reedição das velhas batalhas talvez mobilize suas bases, mas terá dificuldade para conversar com o eleitor que deseja olhar para a frente. O país real quer saber como crescer, gerar empregos, controlar gastos, melhorar a saúde, garantir segurança e oferecer ensino de qualidade. Quer conhecer o “como”, e não apenas ouvir a repetição do “vou fazer”. Entre slogans inflamados e soluções verificáveis, aumenta o espaço para quem demonstrar competência, serenidade e capacidade de unir.
Os brasileiros não ficaram indiferentes à política; ficaram impacientes com uma política que fala muito de seus próprios conflitos e pouco das necessidades da população. A saturação é um aviso. O eleitor já percebe que gritos não baixam os preços, insultos não abrem leitos, ataques pessoais não alfabetizam crianças e guerras culturais não protegem famílias do crime. A fotografia em duas cores envelheceu. O Brasil é plural, desigual, contraditório e maior do que seus polos. A liderança que compreender essa mudança não precisará apagar diferenças, mas terá de colocá-las a serviço de um projeto comum. Depois de tantos anos de ruído, talvez a novidade mais poderosa seja oferecer ao país uma conversa adulta.
*Gaudêncio Torquato é escritor, jornalista, professor titular da USP e consultor político.
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