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A nova corrida global pela segurança alimentar

Por que uma potência global que compra alimentos do mundo inteiro está investindo tanto para depender menos das importações?

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OPINIÃO

Essa pergunta nos ajuda a compreender uma transformação importante em curso na economia internacional. No início de setembro, a China anunciou um plano para fortalecer, até 2030, o financiamento de sua agricultura e de sua segurança alimentar. A estratégia articula recursos públicos, crédito bancário, seguros, títulos e capital privado para ampliar investimentos em produção de grãos, sementes, infraestrutura rural e modernização agrícola.

Não se trata apenas de política agrícola. Trata-se de estratégia nacional.

Durante décadas, o avanço da globalização fortaleceu uma lógica relativamente simples: os países não precisam produzir tudo aquilo que consomem. O comércio internacional permite adquirir de outras regiões aquilo que pode ser produzido de forma mais eficiente.

Essa lógica continua válida, mas já não parece suficiente.

Conflitos e tensões geopolíticas e comerciais, sanções e interrupções nas cadeias de suprimento mostraram que ter recursos para comprar alimentos não significa, necessariamente, ter garantia de abastecimento. Segurança alimentar passou a envolver não apenas disponibilidade e renda, mas também capacidade de resistir a choques externos.

É nesse contexto que surge uma nova corrida global pela segurança alimentar. Não necessariamente uma corrida pela autossuficiência absoluta, mas pela redução de vulnerabilidades.

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E o caso chinês merece nossa atenção. A China continua sendo um dos maiores protagonistas do comércio agrícola mundial e depende do exterior para parcelas importantes de seu abastecimento. Ao mesmo tempo, vem tratando a capacidade doméstica de produção como questão estratégica.

Agora, Pequim coloca também uma robusta estrutura financeira por trás dessa estratégia. Bancos serão estimulados a ampliar o crédito para regiões produtoras de grãos e sementes; governos locais poderão direcionar recursos para infraestrutura rural; seguros agrícolas deverão ganhar importância; e o capital privado será mobilizado para apoiar a modernização do campo.

A mensagem é clara: segurança alimentar não significa apenas produzir mais. Significa construir capacidade de resistir a choques.

Mas há outro aspecto particularmente interessante na estratégia chinesa. Ao mesmo tempo em que busca fortalecer sua produção doméstica, a China não abandona o mercado internacional. Pelo contrário: procura diversificar suas fontes de abastecimento.

A soja talvez seja o melhor exemplo.

Nos últimos anos, o Brasil consolidou-se como principal fornecedor de soja para o mercado chinês, com Mato Grosso ocupando posição de destaque nessa relação comercial. Ainda assim, neste mês, compradores chineses adquiriram cerca de 1 milhão de toneladas de soja dos Estados Unidos, em um movimento que ocorre em meio à aproximação diplomática entre Pequim e Washington.

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Esse exemplo ajuda a compreender que, no atual cenário internacional, uma commodity pode carregar significados que vão muito além de seu preço.

Soja também é diplomacia.

Comprar do Brasil, comprar dos Estados Unidos e, simultaneamente, investir para ampliar a própria produção não são movimentos contraditórios. São partes de uma mesma estratégia: aumentar opções e diminuir vulnerabilidades.

Essa talvez seja a principal característica da nova corrida global pela segurança alimentar. Seu objetivo não é necessariamente produzir tudo dentro das próprias fronteiras. É garantir que, diante da próxima crise, existam alternativas.

Produção doméstica, estoques, tecnologia, financiamento, seguros, infraestrutura, diversificação de fornecedores e diplomacia passam a compor uma mesma equação.

Para o Brasil, compreender como seus principais parceiros estão redesenhando suas estratégias alimentares será tão importante quanto continuar produzindo.

 

*Prof. Dr. Lucas Oliveira de Sousa é PhD em Ciências Agrícolas pela Universität Hohenheim, Alemanha, professor da UFMT, especialista em agronegócio e internacionalização.

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OPINIÃO

Quem financia a campanha? A prestação de contas também interessa ao eleitor

Prazo para a prestação de contas parcial das Eleições 2026 termina neste domingo, 13 de setembro, e mostra por que acompanhar o dinheiro da campanha também faz parte do voto consciente.

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Durante uma eleição, o eleitor acompanha pesquisas, propostas, debates, alianças e propaganda. Mas há outro aspecto que também merece atenção: d e onde vem o dinheiro que financia uma campanha e como ele está sendo utilizado.

Neste domingo, 13 de setembro, termina o prazo para que partidos, candidatas e candidatos apresentem à Justiça Eleitoral a prestação de contas parcial das Eleições 2026 . Nela devem constar as movimentações financeiras e os recursos estimáveis em dinheiro registrados desde o início da campanha até 8 de setembro.

A prestação parcial funciona como uma espécie de fotografia financeira da campanha naquele momento. Ela permite verificar quanto foi arrecadado, quem contribuiu, quais despesas foram realizadas e como os recursos estão sendo empregados.

Mas é importante fazer uma distinção: informações financeiras da campanha podem aparecer antes da prestação parcial , porque os recursos recebidos devem ser informados à Justiça Eleitoral durante a própria campanha e os relatórios financeiros podem ser disponibilizados na internet em até 48 horas.

O dia 15 de setembro representa outro marco. Nessa data, a Justiça Eleitoral divulgará oficialmente, na internet, a prestação de contas parcial consolidada, com indicação dos doadores e dos respectivos valores declarados, observadas as regras de proteção de dados pessoais.

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Para o eleitor, essas informações ajudam a enxergar a campanha por outro ângulo. Conhecer propostas é essencial, mas compreender quem financia uma candidatura e para onde o dinheiro está sendo direcionado também contribui para uma escolha mais consciente.

Para candidatos e partidos, a atenção deve ser redobrada. A prestação parcial precisa refletir a movimentação real da campanha. Omissões, inconsistências ou informações incorretas podem repercutir posteriormente na análise das contas eleitorais.

Também é importante lembrar que essa é apenas uma etapa. Após as eleições, haverá a prestação de contas final, quando toda a movimentação financeira da campanha será submetida à análise da Justiça Eleitoral.

A transparência eleitoral não está apenas no discurso do candidato. Ela também está na origem dos recursos, nos gastos realizados e na possibilidade de fiscalização pela sociedade.

Em uma democracia, saber quem pede o voto é fundamental. Saber quem financia a campanha também.

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