Atropelamento em Cuiabá
STJ mantém na cadeia advogado que matou idosa, fugiu sem prestar socorro e tem histórico criminoso
GERAL
O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Joel Ilan Paciornik, manteve a prisão do advogado Paulo Roberto Gomes dos Santos, de 71 anos, que atropelou e matou a pedestre Ilmes Dalmes Mendes da Conceição, em janeiro deste ano, na Avenida da FEB, em Várzea Grande.
A defesa de Paulo Roberto impetrou um habeas corpus, mas o magistrado entendeu que o instrumento jurídico foi utilizado como substituto do recurso adequado. Ainda assim, analisou se havia alguma ilegalidade evidente e concluiu que não existia motivo para revogar a prisão preventiva do réu.
“Nesse contexto, não verifico a presença de constrangimento ilegal capaz de justificar a revogação da custódia cautelar do paciente. Ante o exposto, com fundamento no art. 34, XX, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do habeas corpus”, diz trecho da decisão publicada hoje (5).
Para manter a prisão do advogado, o ministro também considerou que ele atropelou a vítima em alta velocidade, causou sua morte e deixou o local sem prestar socorro. Também pesaram contra ele a existência de condenação anterior com execução penal em andamento e o histórico de uso de documento falso para ocultar a própria identidade em outro processo, circunstâncias que, segundo o Tribunal, demonstram risco à ordem pública e à aplicação da lei penal
Joel Ilan Paciornik também entendeu que a idade de Paulo Roberto, as doenças alegadas pela defesa e o fato de possuir residência fixa não são suficientes para afastar a prisão preventiva. O ministro concluiu ainda que medidas cautelares alternativas, como monitoramento eletrônico ou comparecimento periódico em juízo, não seriam adequadas em razão do risco que ele oferece à ordem pública.
A defesa do advogado também sustentou que houve excesso de prazo para o oferecimento da denúncia por parte do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). Contudo, o STJ entendeu que a discussão perdeu o objeto, porque, durante a tramitação do habeas corpus, o MP ofereceu a denúncia, que foi recebida pelo juízo de primeiro grau.
O atropelamento
O crime ocorreu no dia 20 de janeiro de 2026 e foi registrado por câmeras de monitoramento. As imagens mostram a idosa concluindo a travessia da Avenida da FEB quando foi violentamente atingida por uma picape Fiat Toro conduzida pelo advogado, que trafegava em alta velocidade.
Com o impacto, a vítima foi arremessada para a pista oposta e atropelada por um segundo veículo. O corpo dela foi separado em três partes.
Em depoimento, Paulo Roberto negou ter provocado o atropelamento, alegando que estava com a “cabeça cheia” e que a idosa é quem teria batido contra seu carro. Ele justificou a fuga afirmando que temia ser agredido por populares.
A decisão de recebimento da denúncia foi proferida em 17 de junho. Na ação, ele responderá por homicídio qualificado por recurso que impossibilitou a defesa da vítima, com o agravante de a infração ter sido praticada contra pessoa maior de 60 anos.
O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), autor da denúncia, sustentou a tese de dolo eventual, uma vez que o condutor assumiu conscientemente o risco de produzir o resultado morte. O magistrado também acolheu a acusação pelos crimes conexos previstos nos artigos 304 e 305 do Código de Trânsito Brasileiro, que tratam de omissão de socorro e de deixar o local do sinistro para fugir da responsabilidade penal.
Histórico criminoso
O histórico do acusado revela antecedentes graves em dois estados. Paulo Roberto já foi condenado, no Rio de Janeiro, pelo homicídio a tiros do delegado de polícia Eduardo da Rocha Coelho. O crime foi cometido no fim da década de 1990, quando o próprio advogado atuava como policial civil.
Após o homicídio, ele fugiu para Mato Grosso, onde utilizou a identidade falsa de Francisco de Ângelis Vaccani Lima por vários anos. Sob o nome fictício, voltou a ser preso e foi condenado, em Jaciara, pelo assassinato e decapitação da amante, cujo corpo foi ocultado no Rio São Lourenço. Somadas, as penas anteriores ultrapassam 30 anos de reclusão.
O réu possui registro regular no Cadastro Nacional de Advogados, embora a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) tenha instaurado um incidente de idoneidade contra ele em 2010.
GERAL
Crianças presenciaram assassinato de policial militar durante aula de Jiu Jitsu no Cristo Rei
Várias crianças presenciaram o assassinato do cabo da Polícia Militar Renato Oliveira Aragão, de 32 anos, morto a tiros por Jonathan Vieira dos Santos, 33, enquanto ministrava uma aula de artes marciais na noite dessa terça-feira (4) no bairro Cristo Rei, em Várzea Grande. As crianças participavam do projeto social conduzido pelo PM quando viram o momento em que o assassino invadiu o local e disparou diversas vezes contra a vítima.
Após o crime, os próprios alunos conseguiram imobilizar o assassino até a chegada da equipe da Polícia Militar. Segundo o delegado Rogério Gomes, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), responsável pela investigação do caso, o crime é investigado como sendo passional.
Conforme noticiado anteriormente , o delegado apontou que oitivas de testemunhas e pessoas próximas ao caso indicam que o policial seria suspeito de manter um relacionamento amoroso com a esposa do atirador. Contudo, o assassino não confirmou o fato, apenas permaneceu em silêncio durante o interrogatório.
Entretanto, de acordo com a Polícia Civil, o criminoso já havia registrado um boletim de ocorrência meses antes relatando o suposto envolvimento entre a mulher e o cabo da PM. O assassino foi preso e encaminhado à DHPP, onde foi autuado em flagrante por homicídio qualificado por meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. Ele passará por audiência de custódia e permanecerá à disposição da Justiça.
Crime
Renato foi morto a tiros enquanto ministrava aulas de artes marciais em um projeto social ligado ao 25º Batalhão da Polícia Militar. Segundo as investigações, o assassino entrou no local justamente no momento em que terminava o treino das crianças e teria efetuado diversos disparos contra o militar.
O cabo chegou a ser socorrido, mas morreu em uma unidade de saúde. Após o crime, alunos que participavam das atividades conseguiram imobilizar o atirador até a chegada da Polícia Militar.
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