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Investimento

Coronel Fernanda destina R$ 28 milhões a Várzea Grande e acelera regularização em 25 bairros

Maior parte das emendas da deputada federal será usada para garantir escrituras definitivas a famílias várzea-grandenses

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GERAL

Foto: Divulgação

A deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT) destinou R$ 28,360 milhões em emendas parlamentares para Várzea Grande, com recursos voltados à regularização fundiária, saneamento básico e saúde. A maior parte do valor será aplicada na entrega de escrituras definitivas a famílias de bairros da cidade e em obras de infraestrutura e reforço da rede municipal de saúde.

Do total, R$ 15 milhões foram reservados para a regularização fundiária, ação que já começou a sair do papel. No último sábado (20), foi anunciado o início do processo de regularização nos bairros Vila Operária e Monte Castelo, abrindo caminho para que moradores recebam a documentação definitiva dos imóveis.

A iniciativa foi apresentada durante uma ação social no bairro Capela do Piçarrão, onde equipes da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, Regularização Fundiária e Habitação orientaram a população sobre as etapas do programa e a documentação necessária para adesão.

Segundo a parlamentar, a emenda vai garantir a execução do programa em 25 bairros de Várzea Grande e representa uma resposta a famílias que aguardam há anos pela escritura dos imóveis.

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“Essa documentação é o sonho de qualquer pessoa que busca ter seu imóvel regularizado. Principalmente, estamos fazendo justiça. Esse é um objetivo meu enquanto deputada federal”, declarou.

Além da regularização fundiária, a deputada destinou R$ 10 milhões para saneamento básico e R$ 3,360 milhões para a saúde, valor dividido entre reforma de unidades e custeio da rede municipal. Desse total, R$ 1 milhão será usado na reforma de três unidades de saúde, R$ 1 milhão em reformas de PSFs e o restante no custeio dos serviços.

Coronel Fernanda afirmou que os repasses foram definidos com base nas principais demandas do município e têm foco em áreas estruturantes, com impacto direto na qualidade de vida da população.

“Desde que assumi meu mandato de deputada federal ainda em 2023, trabalhamos destinando recursos para Várzea Grande. Esses recursos representam um compromisso concreto com o município. Estamos investindo em áreas que impactam diretamente a vida da população. Nosso objetivo é ajudar o município a avançar com obras, melhorar os serviços públicos e garantir mais dignidade para quem mais precisa.”, finalizou.

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Como a indústria colhe madeira sem derrubar a floresta

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Foto: Divulgação

Tem um momento, quando você está no meio do mato, com o barulho da motosserra cortando o ar e uma árvore de mais de 12 metros caindo à sua frente, que o impulso é de reprovação. A cena parece errada. Parece crime.

O Cipem diz que não é.

Na quinta-feira (25), a 6ª edição do Dia na Floresta, evento promovido pelo Cipem (Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira do Estado de Mato Grosso), levou mais de 150 pessoas para dentro da Fazenda Leonel Bedin, em Ipiranga do Norte. A convite da organização, a equipe do GC Notícias participou da imersão para acompanhar, na prática, como funciona o manejo florestal sustentável. Pesquisadores, engenheiros florestais, representantes de órgãos ambientais e estudantes caminharam juntos entre as árvores.

A sensação que ficou no ar, literalmente dentro da floresta, foi a de que aquele dia inteiro havia sido construído com um propósito muito específico: mostrar que o setor madeireiro e a conservação ambiental não são adversários, mas que coexistem dentro de regras técnicas e legais.

A floresta não é um lugar de paz

Para o engenheiro florestal Guilherme de Re da Silva, para entender por que o manejo faz sentido é preciso compreender o que acontece dentro de uma floresta sem intervenção humana. “A floresta é um ambiente em constante disputa. Árvores competem por espaço, luz, água e nutrientes. É uma competição silenciosa que acontece o tempo inteiro”, explicou Guilherme.

Segundo o engenheiro, em determinadas situações, árvores muito grandes e dominantes podem limitar o desenvolvimento de indivíduos mais jovens ao redor, justamente por ocuparem a maior parte do espaço no dossel e concentrarem o acesso à luz. Quando essas árvores caem naturalmente — seja pelo vento, pela chuva ou pelo envelhecimento — podem causar danos significativos às árvores menores durante o tombamento.

Dentro dessa lógica, explicou Guilherme, o manejo procura retirar, de forma planejada, indivíduos previamente selecionados para estimular a renovação da floresta, reduzindo impactos que poderiam ocorrer de maneira natural.

Antes de qualquer corte, cada árvore recebe uma placa, com a cor que define o destino daquele indivíduo dentro do ciclo de manejo da floresta.

Placa verde: Árvore apta ao corte; cumpriu os critérios técnicos para ser colhida de forma seletiva.

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Placa azul: Árvore remanescente; permanecerá em pé por cerca de 20 a 35 anos, até estar apta ao próximo ciclo.

Placa vermelha: Árvore porta-sementes; não será cortada, seus frutos servirão para a regeneração natural da floresta.

O aplicativo Madeireiro, da G2R Soluções Tecnológicas, mostrava em tempo real o mapa da área, as árvores catalogadas e essa classificação por cores. Não havia nada de improviso naquele mato. Cada indivíduo tinha nome, localização e destino definidos dentro do sistema. Essas informações são compartilhadas com os órgãos ambientais que regulam a atividade. A “plaquinha” acompanhará a árvore da floresta até o destino final da madeira, como uma carteira de identidade.

“Todo esse processo começa ainda no inventário florestal, quando cada árvore é identificada, medida e classificada de acordo com critérios técnicos definidos em legislação”, explicou a engenheira florestal Viviane Kelm, responsável por conduzir parte da trilha.

A teoria virou prática

A árvore de número 2248 caiu. Tinha placa verde. Estava autorizada para o corte. Outra, com placa azul, permaneceu em pé. Em 20, talvez 35 anos, poderá ser a próxima.

Aquela árvore que, no início da visita parecia estar sendo derrubada de forma aleatória, já havia sido medida, identificada, georreferenciada e classificada muito antes da motosserra entrar em ação.

“Quando você faz manejo florestal, assume um compromisso de garantir que aquela propriedade permaneça com floresta e que, daqui a 25 ou 30 anos, exista um novo ciclo de madeira”, ressaltou Gleisson Tagliari, presidente do Cipem.

O que é manejo — e o que não é

A secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti, foi direta: manejo florestal não se confunde com desmatamento. “A incidência de ilegalidade nos desmatamentos é superior à dos manejos florestais sustentáveis”, afirmou.

Segundo ela, nas áreas sob manejo autorizado, o desmatamento posterior é inferior a 10%. Também afirmou que não há registros de incêndios nessas áreas, em razão do acesso controlado e do monitoramento permanente.

O processo começa com o empreendedor, que envia todos os dados de forma digital e georreferenciada para a Sema. Após a aprovação do projeto e a validação do Cadastro Ambiental Rural (CAR), a secretaria emite a autorização. Depois, o sistema Sisflora 2.0 rastreia todas as etapas: corte, transporte e comercialização.

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Atualmente, a Sema monitora 402 planos de manejo ativos, que abrangem cerca de 5,2 milhões de hectares. A meta é alcançar 6,5 milhões de hectares até 2040.

Nada é desperdiçado

Depois da floresta, o grupo seguiu para a Madeireira São Miguel, em Sinop. É na indústria que a árvore colhida com a floresta em pé ganha valor econômico. Entre as serras e fitas, outro mito caiu. A empresa opera por demanda. Não existe estoque. Só entra na serraria a madeira que já possui destino definido e um projeto específico. Não se corta por cortar.

E da árvore que entra, praticamente nada sobra sem aproveitamento. O pó de serra abastece fornalhas. Pequenos cortes e retalhos, que antes eram simplesmente doados para as indústrias ou se acumulavam nos pátios de madeireiras a espera de uma chama, hoje são comercializados. Um mercado foi se formando à medida que o setor percebeu que até aquilo que parecia refugo tinha valor econômico. “Cada fragmento da árvore passou a gerar renda e reduzir o desperdício”, sintetizou o presidente do Sindilam, Carlos Roberto Torremocha.

A tora que saiu da floresta catalogada, numerada e rastreada chegou à indústria e foi integralmente aproveitada. Um processo bastante diferente da imagem que grande parte da população costuma associar ao setor madeireiro.

O setor florestal sustenta a economia de 44 municípios mato-grossenses e gera mais de 10 mil empregos diretos e 30 mil indiretos.  A presença de Ibama, Ministério Público, Sema, universidades e sindicatos no mesmo evento não foi coincidência. A proposta foi justamente aproximar órgãos fiscalizadores, pesquisadores e produtores em torno do debate sobre o manejo florestal sustentável. “Existem muitos empresários sérios que acreditam nesse setor, investem recursos, dedicam seu trabalho e sua vida para fortalecer essa atividade, que gera emprego, gera renda e representa um segmento muito importante para a indústria de Mato Grosso”, disse o presidente da Fiemt, Sílvio Rangel.

No início da visita, a queda de uma árvore parecia incompatível com a ideia de preservação. Depois de acompanhar o inventário, a marcação das espécies, o rastreamento da madeira e o aproveitamento integral da matéria-prima, a cena passa ter outro significado. A motosserra continuou fazendo o mesmo barulho. O que mudou foi a compreensão sobre tudo o que acontece antes e depois de uma árvore cair.

 

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