Região do Araguaia
Advogados tentam evitar a extinção de 3 varas
Diálogo com TJMT busca entendimento sobre reestruturação de unidades judiciárias
GERAL
Presidentes de Subseções, diretores, ex-presidentes e lideranças da região apresentaram ao corregedor-geral da Justiça as peculiaridades locais e defenderam a reanálise das medidas previstas para Campinápolis, Vila Rica e São Félix do Araguaia
A mobilização da advocacia da região do Araguaia abre um canal de interlocução com o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) sobre os impactos da reestruturação de unidades judiciárias no interior do Estado.
Na segunda-feira (5), presidentes e integrantes das diretorias das Subseções da OAB de Nova Xavantina e Vila Rica, ex-presidentes, representantes do poder público municipal e lideranças da advocacia participaram de reunião com o corregedor-geral da Justiça de Mato Grosso, desembargador José Luiz Leite Lindote.
O encontro teve como pauta as situações de Campinápolis, Vila Rica e São Félix do Araguaia, inseridas no projeto mais amplo de reestruturação do Poder Judiciário estadual, que prevê a extinção de 13 unidades judiciárias em Mato Grosso. Na região do Araguaia, a deliberação atinge estruturas de Vila Rica e São Félix do Araguaia e, no caso de Campinápolis, por se tratar de comarca de vara única, a extinção da unidade judiciária implicaria o fechamento da própria comarca.
A mobilização começou imediatamente após a divulgação da deliberação do Tribunal Pleno. Ainda na sexta-feira (2), tão logo tomaram conhecimento da decisão, as presidentes das Subseções de Vila Rica, Dra. Luana Lico, e de Nova Xavantina, Dra. Michele Freitas Pereira, buscaram a habilitação das entidades no procedimento administrativo e iniciaram articulação institucional para levar ao Tribunal as peculiaridades e os impactos das medidas sobre as respectivas regiões.
A interlocução com o TJMT foi construída por meio da advogada Xênia Guerra e do ex-presidente da OAB/MT Leonardo Campos, acionados pelas lideranças da região para auxiliar na abertura do diálogo e na apresentação das demandas diretamente à Corregedoria.
Durante a reunião, presidentes, diretores, ex-presidentes e demais representantes apresentaram informações sobre a realidade das localidades atingidas, destacando aspectos que, na avaliação da advocacia local, precisam integrar a análise do Tribunal antes da implantação das medidas.
Argumentos
O grupo apresentou ao corregedor dados sobre crescimento populacional e econômico, movimentação processual, extensão territorial, grandes distâncias entre municípios e comunidades, dificuldades de deslocamento, estrutura de servidores e oficiais de Justiça, presença de comunidades indígenas e assentamentos rurais, além das limitações de acesso à internet e a serviços públicos em diversas localidades.
As manifestações também chamaram a atenção para uma característica histórica da região do Araguaia: o desafio permanente de garantir estrutura pública suficiente em municípios distantes dos grandes centros, marcados por extensas áreas territoriais, populações dispersas e diferentes situações de vulnerabilidade.
De acordo com o corregedor, a reestruturação do Judiciário busca reorganizar para ampliar a eficiência e direcionar recursos de acordo com as demandas identificadas pelo Tribunal. Lindote esclareceu ainda que as medidas não são irreversíveis e que a própria decisão prevê período anterior à efetiva implantação, o que permite a análise das situações específicas e das manifestações apresentadas pelas entidades antes da consolidação das mudanças.
As Subseções formalizarão nos procedimentos administrativos os dados, fundamentos e pedidos apresentados durante a reunião, que passarão pela análise do Tribunal.
Para a advocacia do Araguaia, a mobilização representa a continuidade de uma atuação histórica em defesa de maior estrutura para uma região que, durante décadas, enfrenta desafios decorrentes das distâncias, do crescimento e da necessidade de ampliar a presença das instituições públicas.
GERAL
Empresa de ex-Miss MT entra para ‘lista suja’ do trabalho escravo
A empresa T. F. Zimpel Ltda., de propriedade da ex-Miss Mato Grosso Taiany França Zimpel, foi incluída nesta terça-feira (6) na chamada “lista suja” do trabalho escravo.
O CNPJ passou a integrar o Cadastro de Empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas à escravidão, atualizado periodicamente pelo Governo Federal.
Com sede em Nova Maringá (a 392 km de Cuiabá), a empresa foi alvo de uma operação do Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso (MPT-MT) em setembro de 2025. Na ocasião, 20 trabalhadores foram resgatados nas fazendas Eliane Raquel e Quinhão, onde haviam sido contratados inicialmente para atividades de corte e empilhamento de madeira.
Na atualização divulgada pela Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), porém, o cadastro registra 19 trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão.
Durante a fiscalização, foram constatadas diversas irregularidades. Os trabalhadores não tinham equipamentos de proteção e relataram a presença de pessoas armadas na propriedade que restringiam a locomoção do grupo.
As autoridades também encontraram alojamentos precários, falta de água potável para consumo e higiene, ausência de registro em carteira e falta de pagamento de salários.
Entre os trabalhadores resgatados estava um adolescente de 17 anos.
Lista suja
Além da empresa da ex-Miss Mato Grosso, outros três empregadores foram incluídos nesta terça-feira na “lista suja” por ocorrências registradas no Estado.
São eles: Ana Paula Fernandes de Menezes Ltda., de Alto Taquari, com 12 trabalhadores na produção de carvão vegetal; Líder Pisos Construções Ltda., de Sorriso, com dez trabalhadores na construção de edifícios; e Onerio Castanha, de Nova Bandeirantes, com quatro trabalhadores na criação de bovinos para corte.
O cadastro é atualizado semestralmente. Após a inclusão, o nome do empregador permanece publicado por dois anos.
Ao todo, 12 empregadores, entre pessoas físicas e jurídicas, aparecem na relação por casos registrados em Mato Grosso.
Veja os empregadores de Mato Grosso que constam na “lista suja”:
T. F. Zimpel Ltda. (Nova Maringá): 19 trabalhadores em atividades de apoio à pecuária (incluída em 06/10/2026);
Ana Paula Fernandes de Menezes Ltda. (Alto Taquari): 12 trabalhadores na produção de carvão vegetal (incluída em 06/10/2026);
Líder Pisos Construções Ltda. (Sorriso): 10 trabalhadores na construção de edifícios (incluída em 06/10/2026);
Onerio Castanha (Nova Bandeirantes): quatro trabalhadores na criação de bovinos para corte (incluído em 06/10/2026);
João Milton de Oliveira Baldez (Chapada dos Guimarães): seis trabalhadores em obras de alvenaria (incluído em 06/04/2026);
Tadeu Caetano Antunes (Pontal do Araguaia): dois trabalhadores na criação de bovinos para corte (incluído em 06/04/2026);
Christian Jaune (Cuiabá): um trabalhador em serviços domésticos (incluído em 06/04/2026);
Leonildo Marlins Barbosa de Castro (Cuiabá): um trabalhador no comércio sob consignação de veículos automotores (incluído em 06/04/2026);
Wilson José de Andrade Guedes (Chapada dos Guimarães): um trabalhador na criação de bovinos para corte (incluído em 06/10/2025);
Roberto dos Santos (Comodoro): dois trabalhadores no aparelhamento de placas e trabalhos em mármore, granito, ardósia e outras pedras (incluído em 09/04/2025);
Eduardo Antonio Barros da Silva (Nova Xavantina): um trabalhador na extração de madeira em florestas plantadas (incluído em 09/04/2025);
Vilson Balotin (Juína): um trabalhador em serviços domésticos (incluído em 09/04/2025).
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