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Do buraco da memória

2018: vídeo para beneficiar bolsonarista xingou os cuiabanos de preguiçosos

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Conversa de Bastidor

A eleição de 2018 marcou a ascensão da extrema direita bolsonarista no Brasil. Essa onda radical impulsionou, em Mato Grosso, a eleição para o Senado da Juíza Selma, eleita em primeiro lugar com 24,65% dos votos válidos, que depois veio a ser cassada pela Justiça Eleitoral. Selma foi a representante do bolsonarismo no estado naquela eleição. O seu mote principal, seguindo o discurso de Jair Bolsonaro, era o de crítica à “Velha Política”. Uma forma de ataque aos adversários, a expressão “Velha Política” foi repetida pela Juíza Selma ao longo da sua campanha.

O jogo sujo da campanha bolsonarista apelou até para um sentimento de ódio e repulsa aos cuiabanos. É fato: durante as eleições de 2018, um vídeo apócrifo (de autoria desconhecida) com conteúdo preconceituoso e discriminatório contra a população da Baixada Cuiabana circulou nas redes sociais. Chamava os cuiabanos, os várzea-grandenses, os cacerenses e os poconeanos de preguiçosos, e clamava para que o eleitor não votasse em candidatos ao Senado que fossem representantes da Baixada Cuiabana.

A estrutura do vídeo é de uma esperteza de malandro otário. Em óbvio, foi feito para impulsionar a candidatura da Juíza Selma. Entre os candidatos chamados de “preguiçosos”, a peça de propaganda buscava atingir o cuiabano Procurador Mauro, então com boa popularidade na Baixada Cuiabana e, suprema vigarice, mostrava como “opções”, contra os cuiabanos preguiçosos, os candidatos Carlos Fávaro, Adilton Sachetti e Nilson Leitão, outros três candidatos atingidos.

Ou seja, na lógica eleitoreira de agressão, o vídeo queimava os três, Fávaro, Sachetti e Leitão, entre os eleitores da Baixada, que certamente repudiariam os nomes de candidatos preconceituosos apresentados como “opções” contra candidatos cuiabanos. O vídeo encerra com a impressão digital da autoria da peça abjeta: dizia para o eleitor ter cuidado com a “Velha Política”.

Sem aparecer no vídeo, a Juíza Selma foi, sem dúvida, a maior beneficiada com o discurso de ódio e preconceito contra os cuiabanos. A propaganda queimava a imagem dos seus adversários diretos: o Procurador Mauro, junto aos eleitores do interior de Mato Grosso, e Fávaro, Sachetti e Leitão, junto aos eleitores da Baixada Cuiabana.

Carlos Fávaro e o Procurador Mauro acionaram a Polícia Federal para investigar a autoria do “vídeo apócrifo”. Não há, até hoje, informações públicas conclusivas sobre a identificação dos autores do vídeo nos resultados de busca.

Associar a identidade de ser cuiabano à “preguiça” e criticar a população local foi a maior baixaria da eleição ao Senado em 2018. Não se sabe quem fez, mas sabe-se, com certeza, quem foi a maior beneficiada. De forma abjeta, o bolsonarismo usou o ódio e preconceito contra os cuiabanos como alavanca para conquistar o voto dos eleitores de origem sulista no interior do estado.

 

 

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Conversa de Bastidor

Em meio à polêmica sobre ‘penduricalhos’, TJMT garante que não paga carro e combustível a magistrados

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Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) garantiu que não paga benefícios como carro e auxílio-combustível a juízes e desembargadores. A declaração ocorre em meio a um debate nacional sobre vantagens concedidas à magistratura.

De acordo com reportagem da Folha de S.Paulo publicada nesse domingo (1º), juízes e desembargadores de diferentes tribunais do país estariam recebendo benefícios como lanche, vale-alimentação, plano de saúde, auxílio-creche, carro e motorista.

Claudia Marcia de Carvalho Soares, representante da Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho (ABMT), afirmou que “juiz de primeiro grau não tem carro, paga do próprio bolso o combustível, não tem apartamento funcional, não tem plano de saúde, não tem refeitório, não tem água e não tem café. Desembargador não tem quase nada, a não ser um carro, mal tem lanche”. A declaração foi dada durante sessão no Supremo Tribunal Federal (STF), que discutiu a restrição de verbas indenizatórias, os chamados “penduricalhos”, à categoria.

O julgamento, adiado para o fim de março, ocorre após decisões dos ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes, que limitaram a autorização para o pagamento dessas verbas.

A reportagem informa que a Folha tentou contato com os 27 Tribunais de Justiça dos estados e do Distrito Federal, os seis Tribunais Regionais Federais e os 24 Tribunais Regionais do Trabalho para apurar quais benefícios são concedidos a juízes e desembargadores.

Os Tribunais Regionais do Trabalho responderam de forma conjunta, por meio do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT). O órgão informou que o padrão é disponibilizar carros para magistrados de segundo grau vinculados às atividades funcionais. Em alguns casos, como nos tribunais de grande porte, o atendimento é individualizado para o transporte de desembargadores.

Sobre lanches, o CSJT confirmou a oferta em alguns casos. “Quando há sessões de manhã e à tarde, alguns regionais disponibilizam lanche aos magistrados e magistradas.” Também foi citada a oferta de planos de saúde ou o ressarcimento de despesas médicas.

Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJ-RN) informou que juízes, desembargadores e servidores recebem vale-alimentação de R$ 2 mil e auxílio-saúde que varia entre R$ 1,2 mil e R$ 1,9 mil. Desembargadores também têm direito a veículos funcionais.

Já o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) declarou que apenas o presidente, os vice-presidentes e o corregedor-geral têm carro. A corte informou oferecer auxílio-alimentação, auxílio-saúde e auxílio-creche/babá (com limitação de idade da criança) e, para desembargadores, lanche em dias de julgamento.

No Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG), magistrados recebem auxílio-saúde, auxílio-alimentação e auxílio-creche. Além disso, desembargadores podem optar por carro e motorista exclusivamente para o exercício de atividades funcionais.

Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) informou oferecer auxílio-saúde com reembolso de despesas médicas comprovadas até determinado limite.

Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) e o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM) não detalharam os benefícios concedidos.

Segundo o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC), a corte não paga benefícios além dos determinados pelo CNJ e disponibiliza veículos oficiais para deslocamentos justificados e a trabalho.

Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) informou que apenas desembargadores têm direito a veículo institucional blindado. O tribunal também citou plano de saúde para servidores e plano de autogestão para magistrados. Além disso, disponibiliza área para o Sesc treinar profissionais na área de alimentação, por meio de um restaurante-escola aberto ao público, cujas refeições são pagas pelos usuários.

Para a Transparência Brasil, embora haja variações nos benefícios concedidos a magistrados em diferentes instituições e níveis de carreira, o montante recebido com indenizações e gratificações viola reiteradamente o teto constitucional.

Custo de R$ 2,5 bilhões

O TJMT é a instituição mais onerosa do sistema de Justiça estadual, com custo de R$ 2,5 bilhões em 2024.

O dado consta em relatório nacional da plataforma JUSTA, divulgado em 23 de fevereiro, e mostra que a estrutura do Judiciário mato-grossense representa a maior parte dos R$ 3,8 bilhões gastos com o setor — que inclui ainda Ministério Público e Defensoria Pública.

O peso do Judiciário nas contas públicas é tão expressivo que o orçamento do TJMT supera a soma de 12 áreas estratégicas do Executivo estadual.

O cenário de altos gastos com pessoal descrito pela plataforma JUSTA, referente ao ano de 2024, enfrenta agora um freio jurídico. O presidente do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira, confirmou em 23 de fevereiro que a Corte não irá recorrer da decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu o pagamento de benefícios excedentes aos membros dos Três Poderes.

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