Novo Satélite
Viasat quer levar ao espaço o primeiro de três novos equipamentos para oferecer banda larga em quase qualquer ponto do planeta
BRASIL
A empresa de telecomunicações Viasat planeja lançar nesta quinta-feira (27) um satélite de internet com 1 terabit por segundo (Tbps), a maior capacidade do mundo. O ViaSat-3, como é chamado, é um conjunto de três satélites que levarão conexão para praticamente qualquer local do planeta.
O objetivo era enviar o equipamento nesta quarta (26). Mas segundo a SpaceX, empresa responsável pelo lançamento do satélite, as condições climáticas para hoje estão 50% favoráveis”.
O primeiro satélite vai cobrir as Américas e, de acordo com a empresa, começará a operar no Brasil no segundo semestre. No futuro, serão lançados um para cobrir Europa, Oriente Médio e África, e outro para a região Ásia-Pacífico. Confira os principais pontos sobre o ViaSat-3.
📈 Tem a maior capacidade de tráfego do mundo, podendo atingir 1 Tbps em cada uma das três unidades;
🛰️ É o mais leve já produzido pela Viasat, com algo entre 5,6 e 6 toneladas;
📏 Tem 50 metros de comprimento, cerca de metade de um campo de futebol;
📡 Voltado para a área rural, poderá oferecer velocidade de download de 100 Mbps;
🌎 Ficará a cerca de 36.000 quilômetros da Terra, e cada um cobrirá cerca de um terço do globo;
🚀 Será lançado pela SpaceX, empresa do bilionário Elon Musk
⌚ Tem previsão de operar durante 15 anos;
📅 Deve entrar em operação no Brasil no segundo semestre de 2023.
Como será o lançamento?
O lançamento está previsto para acontecer por volta das 20h30 (horário de Brasília) em uma base no Cabo Canaveral, na Flórida. O satélite será levado ao espaço pelo Falcon Heavy, nave da SpaceX que é usada desde 2018, quando levou um carro ao espaço – a empresa de Musk tem seu próprio serviço de internet via satélite, a Starlink.
Segundo a Viasat, após se desprender do foguete, o satélite fará a implantação de seus painéis solares e, então, se posicionará na órbita terrestre. Depois dessas etapas, é possível lançar o serviço para os consumidores.
O segundo satélite será lançado pela Atlas V551, nave da United Launch Alliance, empresa criada pela Lockheed Martin e a Boeing, em uma missão prevista ainda para 2023. O parceiro e a data do terceiro lançamento ainda não foram definidos.
Foguete Falcon Heavy pronto para levar o satélite da Viasat — Foto: Divulgação/SpaceX
O que muda com o novo satélite?
A principal novidade é a capacidade de tráfego, já que cada um dos três satélites suporta até 1 Tbps. Como comparação, o ViaSat-2, de 2017, tem cerca de um quarto dessa capacidade, podendo chegar a 260 gigabits por segundo (Gbps). Já o ViaSat-1, de 2011, alcança 140 Gbps.
Enquanto o ViaSat-3 cobrirá praticamente todo o planeta, seus antecessores atingem áreas menores. O ViaSat-2 atende à América do Norte, à América Central e o Caribe, enquanto a primeira geração é destinada para os Estados Unidos e o Canadá.
Outra vantagem é a possibilidade de destinar a capacidade de tráfego para onde há mais demanda, por meio dos “beams” (ou feixes) dinâmicos. Hoje, a maioria dos satélites utiliza “beams” fixos, isto é, a capacidade é definida antes do lançamento.
“Com os ‘beams’ fixos, você determina na construção do satélite onde vai alocar a capacidade e corre um risco de, depois, ter muita demanda e pouca capacidade em um lugar, e vice-versa”, explica o diretor-geral da Viasat Brasil, Leandro Gaunzser.
“Essa flexibilidade de poder mover a capacidade é um grande diferencial. Os ‘beams’ são dinâmicos, então, você vai ter a capacidade onde realmente tem demanda”.
Onde o satélite será usado?
A banda larga fixa é o principal negócio no Brasil da Viasat, que pretende usar o novo satélite para aumentar sua capilaridade no país e atender locais com alta demanda. Segundo a companhia, a maior demanda está na área rural e nas regiões Norte e Centro-Oeste.
“Grande parte da capacidade que vamos trazer para o Brasil vai estar direcionada para esses locais de maior demanda e, hoje, de menor receptividade de outros fornecedores. Vamos cobrir o Brasil inteiro, mas estamos focando onde está a maior necessidade da população brasileira”, diz Gaunzser.
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ViaSat-3, satélite de internet com maior capacidade de tráfego do mundo — Foto: Divulgação/Viasat
O ViaSat-3 vai ampliar a oferta da empresa no Brasil, onde tem um acordo para usar parte da capacidade do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC-1), da Telebras.
O novo satélite vai permitir conexão com velocidade de download de até 100 megabits por segundo (Mbps). No Brasil, 23% dos domicílios têm internet de 51 Mbps, segundo dados de 2021 do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br).
Qual a vantagem de usar três satélites?
Os três novos satélites vão trabalhar como uma constelação quando estiverem no espaço. Isso não fará diferença para quem vai usar banda larga fixa, mas há situações em que essa comunicação será útil.
É o caso do setor de aviação, em que as companhias aéreas poderão contar com um só serviço para oferecer internet para seus passageiros durante viagens de um continente para o outro, sem haver grandes momentos de desconexão.
AGRICULTURA
Entenda por que a vitória de Trump pode ser boa para o agro brasileiro
A vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos Estados Unidos e a promessa de uma agenda protecionista podem gerar uma série de reflexos no mercado brasileiro, principalmente no agronegócio. Atualmente, os Estados Unidos estão entre as principais parcerias do agro brasileiro, ficando atrás apenas da China e União Europeia. Para especialistas ouvidos pelo R7, um possível estímulo ao setor privado estadunidense pode aumentar a demanda por commodities agrícolas, o que pode favorecer o Brasil e contribuir para a diversificação comercial.
Não seria a primeira vez que os Estados Unidos imporiam taxas a outros países. No seu primeiro mandato, em 2018, Trump decidiu aplicar tarifas às importações de produtos chineses, e como retaliação a China também chegou a anunciar novos impostos aos americanos. Com a necessidade de novos mercados, os governos chinês e brasileiro estreitaram as parcerias comerciais.
Segundo o Ministério da Agricultura, até setembro deste ano, a China foi o destino de 32,9% das exportações brasileiras, tendo adquirido quase US$ 42 bilhões em produtos do setor. No geral, soja, carne e café estão entre os produtos com maior representação na exportação brasileira.
Especialistas apontam que a intensificação da atividade econômica nos Estados Unidos pode beneficiar a produção nacional e contribuir para a aproximação entre China e Brasil. O especialista em comércio exterior Larry Carvalho explica que, apesar dos desafios, a política de Trump pode abrir oportunidades no mercado chinês.
“Durante sua presidência, a guerra comercial entre os EUA e a China fez o Brasil se tornar um fornecedor importante para a demanda chinesa por soja e milho. A reimposição de tarifas pode abrir mais oportunidades no mercado chinês, embora o Brasil também enfrente desafios em outros mercados. A visita de Xi Jinping ao Brasil e as negociações sobre a Iniciativa do Cinturão e Rota podem fortalecer ainda mais essa parceria”, disse Carvalho.
Especialista em relações governamentais e comércio internacional, José Pimenta pontua que será pouco provável que os EUA engajem em negociações de abertura de mercado nos próximos anos. Apesar disso, as políticas podem trazer benefícios indiretos ao comércio brasileiro.
“Espera-se que as barreiras tarifárias levantadas por Trump gerem retaliações internacionais, o que permitirá ao Brasil ganhar espaço em mercados que tradicionalmente são dos Estados Unidos, o que ocorreu entre 2017 e 2020, especialmente com a China. Durante o período, as exportações brasileiras à China cresceram 20% ao ano, em média”, lembrou.
Em complemento, o especialista em planejamento estratégico empresarial Fernando Canutto explica que a vitória de Trump e a possível implementação de tarifas que afetariam produtos agrícolas de outros países podem potencialmente colocar o comércio do Brasil como alternativa. Produtos como soja, milho, etanol, carne bovina e suco de laranja são os que o Brasil mais exporta para os EUA.
Canutto comenta, ainda, sobre os possíveis reflexos na economia americana. “A taxação sobre produtos importados pode levar a um aumento nos preços internos, afetando consumidores e indústrias que dependem de matérias-primas importadas. Trump, provavelmente compensaria reduzindo impostos”, disse.
Efeitos econômicos
Com o resultado das eleições, o dólar fechou a última sexta-feira (8) em alta de 1,07%, cotado a R$ 5,7359. Na semana passada, a moeda americana acumulou desvalorização de 2,27%, em aparente correção e ajustes após ter atingido em 1º de novembro o segundo maior nível histórico nominal no fechamento (R$ 5,8694).
O economista Hugo Garbe afirma que a alta da moeda pode criar oportunidades para alguns setores exportarem, principalmente aqueles que operam em commodities.
“No entanto, esse impulso depende da capacidade do governo de criar condições de infraestrutura e logística que permitam o escoamento eficiente da produção brasileira para mercados externos”, completou.
Guerra comercial
Em 2018, guerra comercial entre os Estados Unidos e China permitiu que o Brasil alcançasse um dos maiores níveis de exportação para a época.
Desta forma, a alteração do fluxo comercial possibilitou, ainda, uma maior quantidade de dólares retidos no país, melhorando o saldo nas contas externas.
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